Blog do Juca Kfouri

O futebol de Bivar

Juca Kfouri

Por ROBERTO VIEIRA

 

O futebol brasileiro pode navegar em águas profundas a partir do dia 1º de janeiro de 2019. Não apenas por causa da mudança de cadeira na presidência da República, mas também pela chegada ao poder central do deputado federal Luciano Bivar, eleito por Pernambuco com mais de cem mil votos.

Luciano Bivar, 73 anos, ocupou a presidência do Sport Club do Recife durante cinco mandatos, nem sempre de forma completa, pois de vez em quando se afastava da função para cuidar de seus inúmeros negócios, assim como da presidência do Partido Social Liberal (PSL), entidade que comanda desde 1998. 

E foi exatamente na função de dirigente do PSL onde Bivar vislumbrou a trajetória singular. Abrir as portas do partido para a candidatura de Jair Bolsonaro, Bivar apostou no incerto e acertou no destino. Caso Bolsonaro assuma realmente a presidência da República, novos ventos devem soprar no futebol nacional.

Ou serão antigos ventos?

Pra começo de conversa, a coluna do jornalista Cláudio Humberto de hoje traz a notícia que Luciano Bivar ambiciona o cargo de presidente da Câmara dos Deputados em oposição a Rodrigo Maia. Maia é apoiado pelo PT, mas nada indica que o PSL vá entregar o cargo de mão beijada. Bivar enxerga a possibilidade de defender a adoção do imposto único diretamente de Brasília e no lugar de Maia.

Entretanto, nem só de imposto único vive Bivar. Em entrevista ao Sistema Jornal do Commercio de Comunicação, em Recife, o antigo dirigente rubro negro também pregou a volta da Lei do Passe ou algo semelhante ao que existia até 1998, ano em que a Lei Pelé modificou as relações entre clubes e atletas.

O Brasil caminha para retornar ao que acontecia nos anos 60 e 70, segundo promete o candidato Jair Bolsonaro. E o futebol de Bivar promete da mesma forma um retorno aos velhos tempos, ao paraíso perdido no qual atletas obedeciam aos clubes ou ficavam de castigo. Uma relação tão precária que foi criticada até pelo célebre e insuspeito político Carlos Lacerda, nas páginas da revista Placar em 1970 com o título de ESCRAVIDÃO.

Claro que é improvável que a Lei do Passe acione a máquina do tempo, mesmo numa época Bolsonarista. Tudo deve caminhar para a discussão entre craques do nosso futebol e clubes, que andam de cuia na mão pedindo esmola diante da dinheirama dos clubes europeus, carregando os jogadores quando querem e como querem. Algo que Bivar já previra nos anos 90, algo que, entretanto, vai muito mais na conta da péssima gerência dos clubes brasileiros, eternos inadimplentes mesmo nos tempos da escravidão no futebol.

Independente do que venha a acontecer, uma coisa é certa nos tempos do futebol de Bivar. O Sport Club do Recife continuará campeão brasileiro de 1987 para desespero dos flamenguistas. Afinal de contas, o Sport foi campeão do módulo amarelo sob a presidência de Homero Lacerda, mas com Luciano Bivar prestes a ser eleito presidente do Leão pela primeira vez em 1989. E, quando o Sport chegou ao Clube dos 13, em 1997, lá estava Luciano Bivar também no comando da Ilha do Retiro. Bivar que também afirmou a ESPN ter pago comissão a CBF em 2001 pela convocação do atleta Leomar, do Sport. 

O que, no mínimo no mínimo, prova que ele está sempre rondando a grande área pra fazer um gol.

Quem viver?

Verá!