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O Boca cala o Mineirão!

Juca Kfouri

2004-10-20T18:23:41

04/10/2018 23h41

O Boca é fogo.

Num Mineirão azul dos pés à cabeça e sob pressão permanente do Cruzeiro, o time portenho não se intimidou.

Ao contrário, se correu riscos, impôs outros tantos ao time brasileiro.

Verdade que o maior deles esteve nos pés de Thiago Neves, capaz de desperdiçar uma chance imperdível.

Verdade também que, já nos acréscimos do primeiro tempo, Barcos enfiou a bola na rede, mas não valeu, porque Dedé fez jogo perigoso sobre o jovem goleiro argentino Rossi.

O time mineiro tinha 45 minutos para fazer dois gols e não sofrer nenhum porque, se sofresse, teria de fazer quatro.

Nem por isso o Boca voltou retrancado porque, embora marcasse com firmeza, não abandonou o ataque e logo de cara conseguiu um escanteio.

Por incrível que pareça, aos 6 minutos, Dedé subiu no goleiro e levou cartão amarelo.

Por mais incrível ainda que pareça, Arrascaeta sofreu pênalti, o árbitro marcou e teve de voltar atrás porque, na origem do lance, Barcos estava impedido.

A torcida gritava "vergonha", mas sem razão.

Então, aos 12', Mano Menezes tirou Lucas Silva e pôs Sassá.

Escanteio pela esquerda, Thiago Neves cobra, Dedé cabeceia, a bola bate nas costas de Barcos e sobra para o primeiro toque na bola de Sassá.

E para o gol do Cruzeiro: 1 a 0!

Faltava um para os pênaltis.

A Bombonera pulsa?

Pois havia um maremoto azul no Mineirão.

Raniel entrou no lugar de Barcos, aos 20.

O Boca, enfim, se intimidou, sentiu o golpe.

Mas faltavam só 20 minutos..

E, é claro, os xeneizes catimbavam o que podiam e em outro jogo, registre-se, disputado lealmente.

Aos 30, Arrascaeta não aguentou mais e Rafinha veio para o jogo.

O Cruzeiro tinha pressa e a pressa é má conselheira.

O Boca não tinha nenhuma e pôs o ex-cruzeirense Ábila.

Aos 35, Dedé recebeu o segundo amarelo.

Aos 38, Ábila mandou a bola na trave brasileira, com o gol à disposição.

A coisa estava feia.

Raniel teve o segundo gol ao seu dispor, numa falha do goleiro, mas ele, lamentavelmente, perdeu, em vez de bater de primeira e ao tentar matar a bola que lhe escapou.

Aos 44, quase Edilson fez.

Os acréscimos chegaram e tempo havia: 6 minutos.

A arbitragem estava perfeita, errara apenas ao não dar um escanteio para os brasileiros,

E aos 48, Pavon se aproveitou de um erro de Leo e, ao receber de Ábila, empatou: 1 a 1.

Boca Juniors x Palmeiras numa semifinal, River Plate x Grêmio noutra.

Haja!

Ao fim, a massa azul reconheceu o esforço do time e o saudou.

Mas Mano Menezes, mais uma vez, não soube perder.

Sobre o Autor

Juca Kfouri é formado em Ciências Sociais pela USP. Diretor das revistas Placar (de 1979 a 1995) e da Playboy (1991 a 1994). Comentarista esportivo do SBT (de 1984 a 1987) e da Rede Globo (de 1988 a 1994). Participou do programa Cartão Verde, da Rede Cultura, entre 1995 e 2000 e apresentou o Bola na Rede, na RedeTV, entre 2000 e 2002. Voltou ao Cartão Verde em 2003, onde ficou até 2005. Apresentou o programa de entrevistas na rede CNT, Juca Kfouri ao vivo, entre 1996 e 1999. Atualmente está também na ESPN-Brasil. Colunista de futebol de “O Globo” entre 1989 e 1991 e apresentador, de 2000 até 2010, do programa CBN EC, na rede CBN de rádio. Foi colunista da Folha de S.Paulo entre 1995 e 1999, quando foi para o diário Lance!, onde ficou até voltar, em 2005, para a Folha.

Colunas na Folha: https://blogdojuca.uol.com.br/lista-colunas-na-folha/

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