Blog do Juca Kfouri

Cruzeiro perde a chance de liquidar a Copa do Brasil

Juca Kfouri

No Mineirão, com 53.368 torcedores, tudo como o previsto: o Cruzeiro com a bola e o Corinthians se defendendo.

Chute a gol, o primeiro, só aos 18 minutos, quando Cássio teve de se virar para defender um dado por Thiago Neves que ainda teve, na cabeça, na sequência do lance, uma chance desperdiçada bem acima do travessão.

Jogo bom?

Não, apenas tenso para os torcedores dos dois times.

Também era difícil ter bom jogo com um time se recusando a jogar.

Jair Ventura prometeu um time mais ofensivo que o do Maracanã no jogo de ida contra o Flamengo, mas não tem material humano para tanto.

O Cruzeiro se ressentia da ausência de Arrascaeta sua principal arma era o incentivo do Mineirão, com o cruzeirense mostrando ter superado a eliminação da Libertadores.

Fábio via o jogo dentro do campo.

Na arquibancada se vê melhor…Na TV também…

Aos 34′, de fora da área, Thiago Neves acertou a trave de Cássio, que já estava batido.

Como não conseguia entrar na retranca paulista, chutar de fora era boa alternativa.

Aos 37′, o Alvinegro conseguiu seu primeiro escanteio.

Em seguida, Cássio saiu mal com os pés e Léo Santos teve de derrubar Rafinha, para receber o primeiro cartão amarelo do jogo.

Com os 11 corintianos na área, Cássio se redimiu com um milagraço, na cabeçada à queima-roupa de Henrique, em posição duvidosa, mas não assinalada.

Talvez, saísse o gol, o VAR entrasse em ação.

No finzinho, o assoprador de apito interrompeu um contra-ataque promissor cruzeirense para marcar falta e mostrar o cartão para Jadson.

A lei da vantagem era clara, cristalina.

Não foi propriamente no finzinho, porque foram concedidos cinco minutos de acréscimos.

E, aos 46, enfim, Thiago Neves, tinha de ser ele, de cabeça, aproveitando cruzamento perfeito de Egídio, fez o 1 a 0, que mereceu, sob o olhar complacente de Clayson.

A bola ainda desviou no zagueiro Henrique.

Mantida a pressão do primeiro tempo, no segundo o Cruzeiro tinha tudo para liquidar a decisão da Copa do Brasil nesta noite.

Foram cinco chances de gol celestes contra nenhuma alvinegra.

Seria possível a quem estava atrás propor um pouco mais de jogo?

Nada indicava. Provavelmente o Corinthians buscaria perder de pouco para tentar uma improvável reação em casa.

O Cruzeiro passou a deixar o Corinthians mais com a bola, mas o Alvinegro, desmontado e apequenado, não sabia o que fazer com ela, e não conseguia ganhar terreno na direção de Fábio, com uniforme limpo e cheiroso.

Sua maior participação aconteceu na comemoração do gol.

Vendo os limites de seu time, Jair Ventura chamou Pedrinho para tentar alguma coisa diferente e tirou Clayson, aos 15′.

Em seguida, Barcos, de cabeça, quase ampliou, porque Mano Menezes montou o time para se fazer de morto e, mineiramente, liquidar a fatura.

Aos 21′, foi a vez de Araos entrar no lugar de Matheus Vital.

A diferença entre os times é muito maior do que o 1 a 0 mostrava, mas a maldita mania dos técnicos brasileiros de garantir resultados magros se repetia, mas justa reclamação da torcida que pedia a entrada de Raniel.

O Cruzeiro poderia garantir seu sexto título, 1/5 das 30 Copas do Brasil, e superar o Grêmio, mas preferia especular com a contagem mínima.

O que sempre é arriscado.

Mano Menezes resolveu atender o torcedor, e pôs Raniel logo depois de Dedé quase fazer o segundo gol, aos 30′. Barcos saiu.

O mais difícil era imaginar um gol corintiano e mesmo em Itaquera será preciso ter muita imaginação. Mas, claro, possível é, se a Fiel jogar…

Dois gols, nem pensar.

Como miséria pouca é bobagem, Emerson Sheik substituiu Jadson, aos 35′.

Quem poderia passar uma bola para o quarentão atacante?

David também entrou, no lugar de Thiago Neves, excelente no primeiro tempo, pouco ativo no segundo.

Rafael Sóbis, aos 43′, substituiu Rafinha, que não deixou Fagner descer nenhuma vez.

Araos foi expulso aos 47′, para coroar uma apresentação inútil.

Estava evidente que se Jair Ventura não estava feliz com o placar, o time estava.

Fato é que o Cruzeiro poderia ter saído com a mão na taça e, embora siga favorito, a desperdiçou.

Se eu fosse corintiano, teria pena de meu time.

Se cruzeirense, ficaria irritado.