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Por que os campeões estaduais somem no Campeonato Brasileiro?

Juca Kfouri

12/09/2018 14h09

Por Antonio Carlos Salles

Porque os regionais são fracos e o título estadual deixou de ter relevância, existindo apenas para efeito de comparações entre os clubes, dirão.

Ou, porque a Libertadores, a Copa do Brasil, a Sul-americana e até a Copa Verde, se continuar a existir, são incomparavelmente mais atraentes.

Bom, se assim, por que então os clubes não abrem mão dos estaduais?

Porque no regime de compadrio que une os grandes e os menores em torno das Federações Estaduais, não há espaço para divergências e rupturas em busca de um modelo diferenciado ou alternativo. Competitivo e lucrativo.

A Copa do Nordeste é a exceção à regra, embora a grande final tenha sido jogada em meio a Copa do Mundo…

Os naufrágios de Botafogo e Vasco, campeão e vice este ano, do Corinthians, o melhor e mais capacitado exemplo de como não ter um projeto de médio e longo prazo; Cruzeiro, Bahia e Atlético Paranaense bem longe dos líderes, dá a medida da fragilidade regional, limitado quase sempre a dois ou três clubes.

É o caso do Grêmio. Levou o estadual, sempre focou na Libertadores e na Copa do Brasil. Mas ver o rival com chances de ser o campeão dói quase mais que ser rebaixado.

O Ceará, campeão do ano, luta para não voltar à B.

O Figueirense é apenas o oitavo na B e o Náutico, campeão em Pernambuco, nem nas finais da C se apresentou.

O Remo, outro campeão estadual, flertou o que pode com a D mas salvou-se no final.

O CSA, a rigor, é o clube que confirma a regra. Campeão nas Alagoas segue firme para a A no próximo ano rivalizando com o Fortaleza.

Em janeiro a maratona estadual recomeça.

E quando a Copa América chegar, em meio aos campeonatos da A,B,C e D, já saberemos que valor os estaduais agregaram aos seus participantes.

Sobre o Autor

Juca Kfouri é formado em Ciências Sociais pela USP. Diretor das revistas Placar (de 1979 a 1995) e da Playboy (1991 a 1994). Comentarista esportivo do SBT (de 1984 a 1987) e da Rede Globo (de 1988 a 1994). Participou do programa Cartão Verde, da Rede Cultura, entre 1995 e 2000 e apresentou o Bola na Rede, na RedeTV, entre 2000 e 2002. Voltou ao Cartão Verde em 2003, onde ficou até 2005. Apresentou o programa de entrevistas na rede CNT, Juca Kfouri ao vivo, entre 1996 e 1999 e foi colaborador da ESPN-Brasil entre 2005 e 2019. Colunista de futebol de “O Globo” entre 1989 e 1991 e apresentador, de 2000 até 2010, do programa CBN EC, na rede CBN de rádio. Foi colunista da Folha de S.Paulo entre 1995 e 1999, quando foi para o diário Lance!, onde ficou até voltar, em 2005, para a Folha, onde permanece com sua coluna três vezes por semana. Apresenta, também, o programa Entre Vistas, na TVT, desde janeiro de 2018.

Colunas na Folha: https://blogdojuca.uol.com.br/lista-colunas-na-folha/

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