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Ceará arrebenta o Flamengo

Juca Kfouri

2002-09-20T18:12:58

02/09/2018 12h58

Sabe daqueles jogos em que um time domina o outro, dá permanente sensação de gol, mas que, em resumo, o time dominado em dois ou três ataques acaba sendo mais perigoso?

Foi exatamente o que aconteceu no primeiro tempo no Maracanã tomado entre Flamengo e Ceará.

A exemplo do que havia feito no Morumbi, o Vozão se defendeu com tudo, contou com a sorte do goleiro Everson ou com a grossura de Henrique Dourado, viu Diego bater um escanteio no travessão, mas, também,, criou duas chances claras de gol, uma evitada por Diego Alves, outra chutada para fora.

Uma semana atrás, em São Paulo, com 13º de temperatura na manhã paulistana, o Ceará resistiu até os 32 minutos do segundo tempo, diante de 57.323 torcedores.

Hoje, no Rio, com 30°, com 61.267 torcedores, como seria?

Como no primeiro tempo, o Flamengo começou o segundo na pressão e o goleiro Everson frustrava as tentativas rubro-negras. Contra-ataques alvinegros ameaçavam a meta carioca.

Aos 13 minutos, Maurício Barbieri cansou de Dourado e de Moreno e optou pelos caro Vitinho e pela esperança Lincoln.

A barragem nordestina seguia impenetrável.

Quando o Flamengo conseguia, numa tabela entre Éverton Ribeiro e Lucas Paquetá, por exemplo, o recém convocado por Tite chutou por cima.

O Rubro-Negro alugava o meio do campo cearense, mas não desfrutava do pouco espaço oferecido.

Sob calor intenso, a Nação sofria como sofreu o são-paulino no frio no domingo passado.

Éverton Ribeiro era o mais lúcido dos flamenguistas e Everson seguia intransponível.

Paquetá, de cabeça, quase fez o 1 a 0.

Lisca sacou o centroavante Arthur e pôs Arnaldo para ajudar a fechar.

Já tinha trocado, no intervalo, Calyson, amarelado, por Felipe Azevedo.

Aos 30', João Lucas se machucou e Eduardo Brock entrou como derradeira substituição.

Na rabeira, o Vozão, dava mais uma vez trabalho insano para um dos times no topo da tabela.

Contra o Inter, no Beira-Rio, só cedeu o 1 a 0 aos 30' da etapa final.

É o Brasileirão, sem brilho, mas com tensão.

Diego batia seguidos escanteios fechados, perigosos, mas Everson prevalecia.

Aos 37', em blitz carioca, Diego foi derrubado na meia-lua e Paquetá mandou a bola em Copacabana. Foi vaiado.

Piris da Mota saiu, Uribe entrou. Última tentativa.

Diego recebeu cartão amarelo e está suspenso do próximo jogo que já não teria Paquetá e Cuellar, contra o Inter, no Beira-Rio.

Está feia a coisa para os lados da Gávea.

E ficou pior, muito pior.

Aos 45', Leandro Carvalho, da intermediária, bateu forte, a bola resvalou no morrinho artilheiro e traiu Diego Alves: 1 a 0!

Festa no Morumbi e no Beira-Rio.

Eliminado da Libertadores, derrotado no Brasileirão e mostrando ao Corinthians que é possível vencê-lo na Copa do Brasil, segundo jogo em Itaquera.

Domingo fúnebre para a Nação.

E bote fúnebre nisso!

O Vozão fez uma tremenda molecagem.

Sobre o Autor

Juca Kfouri é formado em Ciências Sociais pela USP. Diretor das revistas Placar (de 1979 a 1995) e da Playboy (1991 a 1994). Comentarista esportivo do SBT (de 1984 a 1987) e da Rede Globo (de 1988 a 1994). Participou do programa Cartão Verde, da Rede Cultura, entre 1995 e 2000 e apresentou o Bola na Rede, na RedeTV, entre 2000 e 2002. Voltou ao Cartão Verde em 2003, onde ficou até 2005. Apresentou o programa de entrevistas na rede CNT, Juca Kfouri ao vivo, entre 1996 e 1999. Atualmente está também na ESPN-Brasil. Colunista de futebol de “O Globo” entre 1989 e 1991 e apresentador, de 2000 até 2010, do programa CBN EC, na rede CBN de rádio. Foi colunista da Folha de S.Paulo entre 1995 e 1999, quando foi para o diário Lance!, onde ficou até voltar, em 2005, para a Folha.

Colunas na Folha: https://blogdojuca.uol.com.br/lista-colunas-na-folha/

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