Blog do Juca Kfouri

Artistas, intelectuais e palmeirenses de diversas áreas escrevem nota contra o fascismo

Juca Kfouri

Em uma ação suprapartidária, palmeirenses de diversas áreas de atuação e coletivos de torcedores do clube paulista se reuniram para expressar a importância da defesa da democracia no país e o combate a qualquer tipo de intolerância e preconceito. Os signatários da nota, entre eles, Maria Gadu, João Gordo, Wilson Simoninha, Miguel Nicolelis, Luiz Gonzaga Belluzzo e Marco Ricca, lembram que a Sociedade Esportiva Palmeiras foi construída por imigrantes, conformando uma torcida essencialmente popular e diversa. Assim, como dizem os signatários, “não podemos tolerar discursos de ódio dirigidos a grupos historicamente oprimidos. A trajetória da Sociedade Esportiva Palmeiras é uma trajetória de acolhimento à diversidade destes grupos.”.

Palmeirenses contra o fascismo

Em virtude de acontecimentos recentes envolvendo a imagem pública da Sociedade Esportiva Palmeiras, nós, palmeirenses abaixo assinados, expressamos publicamente nosso repúdio às posturas e declarações preconceituosas, antidemocráticas e fascistas.

Nosso clube foi fundado em 26 de agosto de 1914 por trabalhadores imigrantes, e rapidamente tornou-se uma das equipes mais populares da cidade de São Paulo, atraindo grande público à assistência de seus jogos e contrapondo-se às agremiações tradicionais da elite paulistana. Ao mesmo tempo em que o Palestra chamava a atenção da imprensa da época por sua torcida essencialmente popular, as vitórias em campo foram consolidando o clube como força importante do futebol paulista e brasileiro.

Em 1942, por pressão do governo durante a Segunda Guerra Mundial, o clube foi obrigado a mudar seu nome, tornando-se a Sociedade Esportiva Palmeiras. Apesar das ofensas e ataques xenofóbicos que recebia por sua origem imigrante, o Palmeiras já era profundamente diversificado na composição de seu time e torcida, assim como o povo brasileiro. De “time dos italianos” passou a ser o time de todas e todos.

São razões históricas, portanto, as que nos motivam neste posicionamento público contra a onda fascista que se ergue e a sua nefasta representação eleitoral. Respeitamos a coexistência democrática de opiniões e posicionamentos políticos variados; mas não podemos tolerar a ameaça às instituições democráticas e os posicionamentos de teor racista, xenofóbico, machista e homofóbico. Não podemos tolerar discursos de ódio dirigidos a grupos historicamente oprimidos. A trajetória da Sociedade Esportiva Palmeiras é uma trajetória de acolhimento à diversidade destes grupos.

#EleNão #EleNunca

Alessandro Buzo, escritor e diretor

Amanda Ramalho, radialista

Diana Bouth, atriz e apresentadora

João Gordo, músico e apresentador

Maria Gadu, música e compositora

Marco Ricca, ator

Miguel Nicolelis, neurocientista

Nádia Campeão, foi vice-prefeita do município de São Paulo

Soninha Francine, vereadora do município de São Paulo

Wilson Simoninha, músico

Aldo Rebelo, chefe da Casa Civil do estado de São Paulo e conselheiro da SEP

Luiz Gonzaga Belluzzo, economista e conselheiro da SEP

Marcos Gama, conselheiro da SEP

Abner Palma, editor de vídeo

Adriano Diogo, foi deputado estadual de São Paulo

Aleksandra Franco Fernandes Silva, pedagoga da Escola Parque-RJ

Altamiro Borges, presidente do Centro de Estudos da Barão de Itararé

Ana Paula Spini, professora de história da UFU

Andrea de Castro Melloni, Princeton University

Angélica Souza, publicitária, escreve no Dibradoras

Bruno Predolin, publicitário

Cristiano Maronna, advogado

Cristiano Tomiossi, ator

Crizz, DJ

Eduardo Roberto, jornalista

Elisa Fernandes, chef de cozinha

Ercílio Faria Tranjan, publicitário

Fabio Passetti, pesquisador do ICC/Fiocruz

Facundo Guerra, empreendedor

Felipe Vaistman, jornalista

Fernando Cesarotti, jornalista

Flávio de Campos, historiador e professor da USP

Gabriel Amorim, jornalista

Gabriel Passetti, professor de Relações Internacionais da UFF

Gabriel Santoro, editor

Gabriel Zacarias, professor  de história da arte na Unicamp

Glauco Roberto Gonçalves, professor da UFGO

Gustavo Petta, deputado estadual de São Paulo

Ivan Marques, advogado e diretor do Instituto Sou da Paz

José Carlos Vaz, professor de gestão de políticas públicas da USP

José Guilherme Magnani, antropólogo e professor da USP

Júlia Galli O’Donnell, professora de antropologia cultural da UFRJ/IFCS

Lucas Afonso, MC

Manuel Boucinhas, ator

Márcio Boaro, dramaturgo e diretor teatral

Margaret Buonano, psicóloga

Maria Carolina Trevisan, jornalista

Marília Velardi, professora da USP

Marina Sousa, desenhista e roteirista – filha do Maurício de Sousa

Oswaldo Colibri, jornalista

Paulo Miyada, curador

Railídia Carvalho, música e jornalista

Roseli Tardelli, jornalista e apresentadora

Sérgio Settani Giglio, professor de educação física na UNICAMP

Simão Pedro, foi deputado estadual de SP e secretário municipal de São Paulo

Thiago Schwartz, da página Site dos Menes

Tiago Perrart, da página Vagas Arrombadas

Toinho Melodia, músico e compositor

William De Lucca, jornalista

Coletivo Porcominas

Coletivo PorComunas

Coletivo Palmeiras Livre

Coletivo Palmeiras Antifascista