Blog do Juca Kfouri

Reservas do Grêmio desbancam o líder sem piedade

Juca Kfouri

A Arena Grêmio estava vazia, com 14.649 pagantes, e nada lembrava o clima da quarta-feira passada pela Copa do Brasil.

Nem parecia que os times de Grêmio e de Flamengo estavam em campo.

Na verdade, não estavam mesmo.

Porque o Grêmio não escalou ninguém que jogou no meio da semana e o Flamengo jogou sem quatro de seus titulares: Diego foi poupado como Marlos e Réver, além de Léo Duarte, também ausente.

Daí o jogo ter sido comum, diferentemente do jogaço com o estádio cheio.

O Flamengo ficou quase 70% do tempo com a bola no primeiro tempo, mas sem ameaçar a meta gaúcha.

E Diego Alves só fez uma defesa, ao defender mais um pênalti em sua carreira, cobrado muito mal por Jael, cruel com a torcida tricolor, aos 25 minutos.

Cortez cruzou, a bola pegou no braço de Rodinei e o pênalti foi marcado. Diego defendeu o terceiro de sete pênaltis com a camisa do líder do Brasileirão.

Já nos acréscimos, Leonardo desceu pela direita, cruzou para área e Jael, cruel com a torcida rubro-negra, cabeceou a cabeça do companheiro Marinho e a bola para dentro do gol.

Abriu o supercílio e o placar: 1 a 0.

Não só os tricolores gaúchos comemoraram.

Os paulistas também, diante da perspectiva de tomar a liderança do Flamengo, caso o placar do intervalo permanecesse e o São Paulo venha a vencer o Vasco amanhã, no Morumbi, como deve acontecer.

Mas tinha ainda muito jogo pela frente, a outra metade.

Que nem bem começou e viu Marinho fazer 2 a 0 em lindo passe de Jael.

O centroavante deu uma cabeçada e um gol para Marinho, o primeiro dele com a camisa gremista, com frieza e categoria.

O favoritismo carioca caminhava célere para a cucuia e Renato Portaluppi imprimia mais uma marca em sua trajetória vitoriosa à frente do Imortal.

Aos 13′ Marcelo Barbieri pôs Geuvânio no lugar de Jean Lucas e no minuto seguinte Jael deu o terceiro gol de bandeja para Pepê, mas o garoto permitiu ótima defesa de Diego Alves.

Das coisas difíceis de entender no futebol é por que André é o titular do comando de ataque do tricampeão da Libertadores.

Porque além de fazer gols e de passar bem, ele ajuda na marcação como André não é capaz de fazer. Para não falar de seu espírito guerreiro.

Cuéllar levou o terceiro cartão e desfalcará o Flamengo contra o Cruzeiro, domingo que vem, no Rio, assim como o lateral Renê.

Marlos foi chamado para o lugar de Vitinho, com atuação pálida, aos 23′.

A última arma carioca foi o menino Lincoln, o autor do empataço na quarta-feira, no lugar de Éverton Ribeiro.

Portaluppi trocou Marinho, com câimbras, por Alisson, como, no ainda no primeiro tempo, trocara Bressan, lesionado, por Matheus Henrique e recuara Jaílson para a zaga.

Perder para o Grêmio em casa deve estar no planejamento de qualquer time. Mas certamente não estava no do Flamengo sair sem nenhum ponto diante dos reservas gaúchos, mesmo em Porto Alegre.

O que só tem um lado positivo: botar os pés no chão.

Nos dois jogos grandes, pelo Brasileirão, feitos pelo Mengo depois da Copa do Mundo, duas derrotas: para o São Paulo, no Maracanã, e para o suplentes gremistas.

E que se dê por satisfeito: poderia ter sido 4 a 0 se Jael e Pepê chutassem forte as duas chances que tiveram.

Verdade que, aos 50′, em jogada brilhante de Paquetá, Uribe carimbou o travessão gremista.

Pepê deu lugar a Thonny Anderson, aos 41′.

O Grêmio é forte. Muito forte. E impiedoso.

No fim, até deu olé.