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O bravo Santos resistiu. Mas não chutou a gol

Juca Kfouri

21/08/2018 23h39

Independiente e Santos é um embate de muita história.

Os heptacampeões da Libertadores, maiores vencedores do torneio continental, a última vez em 1984, contra os tricampeões, maiores ganhadores do Brasil ao lado de São Paulo e Grêmio, a derradeira conquista em 2011.

Os argentinos começaram sua trajetória vencedora exatamente contra o Santos, ao impedir, em 1964, que o time brasileiro fosse tri seguido.

Agora há pouco, em Buenos Aires, os dois campeoníssimo disputaram um primeiro tempo à Libertadores.

Luta, confrontos físicos, catimba e quase nenhuma chance de gol.

Os anfitriões ameaçaram mais, mas susto mesmo não deram.

O Santos nem isso, mas enfrentou com bravura o adversário.

No segundo tempo, Rodrygo se machucou logo no 10° minuto e foi trocado por González.

Quando a metade da etapa final chegou, os goleiros não haviam trabalhado.

E Cuca tirou Bruno Henrique, também machucado, para Sasha jogar.

Aos 24', Gigliotti perdeu gol feito, na pequena área, na primeira grande chance do jogo.

Cartões amarelos eram distribuídos a granel, três para cada lado.

Aos 35', depois de Vanderlei ter feito duas defesas, Bryan Ruiz entrou no lugar de Sánchez.

Estava 10 a 0 para o Independiente em finalizações.

Aos 36', Dodô recebeu o oitavo cartão amarelo do jogo, o quarto santista, o segundo dele, e foi para o chuveiro.

10 a 11 no gramado, a vida ficou ainda mais difícil para o time brasileiro.

Empatar seria lucro colossal. Quase heroico.

Um raro escanteio para o Santos teve de ser garantido por policiais e seus escudos.

Isso não é Libertadores, é apenas estupidez, selvageria, atraso civilizatório.

No Pacaembu, na próxima terça-feira, torçamos, não acontecerá.

Vanderlei fazia a cera habitual em momentos assim, "porque isso é Libertadores".

Com uma falta a cada três minutos, o Independiente levou seu quinto cartão amarelo, para ficar 5 a 4.

Gabriel Barbosa logo empatou a contagem amarela: 5 a 5, "com espírito de Libertadores". Na vermelha, o Santos vencia.

O firme árbitro peruano deu seis minutos de acréscimos.

E o jogo acabou aos 51', com 15 a 0 em finalizações.

Jogo?!

É, "de Libertadores".

Caso o Santos passe, a guerra continuará, contra River Plate ou Racing…

Sobre o Autor

Juca Kfouri é formado em Ciências Sociais pela USP. Diretor das revistas Placar (de 1979 a 1995) e da Playboy (1991 a 1994). Comentarista esportivo do SBT (de 1984 a 1987) e da Rede Globo (de 1988 a 1994). Participou do programa Cartão Verde, da Rede Cultura, entre 1995 e 2000 e apresentou o Bola na Rede, na RedeTV, entre 2000 e 2002. Voltou ao Cartão Verde em 2003, onde ficou até 2005. Apresentou o programa de entrevistas na rede CNT, Juca Kfouri ao vivo, entre 1996 e 1999. Atualmente está também na ESPN-Brasil. Colunista de futebol de “O Globo” entre 1989 e 1991 e apresentador, de 2000 até 2010, do programa CBN EC, na rede CBN de rádio. Foi colunista da Folha de S.Paulo entre 1995 e 1999, quando foi para o diário Lance!, onde ficou até voltar, em 2005, para a Folha.

Colunas na Folha: https://blogdojuca.uol.com.br/lista-colunas-na-folha/

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