Blog do Juca Kfouri

Ainda sobre o Corinthians e o feminismo

Juca Kfouri

O blog recebeu alguns protestos sobre a correta decisão do Corinthians em desistir de contratar o jogador indiciado por agredir a ex-namorada que não quis continuar com ele.

Quem reclama atribui ao blog um peso que ele não tem na recusa alvinegra, motivada pela reação maciça das torcedoras e torcedores da agremiação.

Em regra, a indignação de quem tenta disfarçar seu arraigado machismo e até de gente que argumenta que “alguma ela fez”.

Houve quem diz ter estranhado que alguém de esquerda, o blogueiro no caso, possa ser contra a ressocialização de alguém que tenha cometido um crime.

Um comparou com a situação do jogador que falsificou a idade e teve o apoio do blog para ser perdoado.

Argumentos de quem compara erros incomparáveis.

Há ainda os que dizem “quem jamais errou que atire a primeira pedra”.

Gente que não entendeu até agora que um clube em plena campanha sobre a violência contra a mulher não poderia contratar um atleta indiciado exatamente por tal violência, sob pena de jogar no lixo sua meritória iniciativa.

Esgrime-se sobre casos de outros esportistas acusados do mesmo crime que estão em atividade, mas ignora-se o ponto central da ponderação feita aqui, sobre a incompatibilidade entre a iniciativa do Corinthians e a contratação do agressor.

Houve um que até sugeriu botar a camisa do “Respeito as minas” no atacante, que isso sim seria o verdadeiro marketing, de costas para a obviedade de como o gesto seria visto apenas como o mais cínico dos oportunismos.

Como há os que, e era inevitável, compararam com a situação do ex-presidente Lula, embora ele esteja preso sem provas segundo centenas de respeitados juristas no Brasil e pelo mundo afora, gente que nada tem a ver com o partido dele, como o blogueiro.

Enfim, a questão é simplesmente esta: o blog continua a defender a ressocialização e considerou absurdo que um clube em campanha feminista contratasse o jogador.

E torce pela recuperação dele.

Num lugar que não esteja em campanha feminista.

Será tão difícil entender? Tico, Teco, Tico, Teco…