A coragem de Cuca
Cuca deu ontem uma entrevista histórica.
Provavelmente, inédita.
Porque pôs o dedo na ferida do seu empregador.

Cuca não reclamou da arbitragem por não ter assinalado um pênalti em Gabriel Barbosa.
Ao contrário, a elogiou por ter encerrado o jogo quando ainda faltavam nove minutos do tempo regulamentar.
Preferiu olhar para dentro de casa, embora tenha registrado a justa indignação em relação à Conmebol.
Porque não poupou a direção do Santos.
Para usar as palavras dele: "Isso que ocorreu (com Sánchez) é um erro muito grande, muito grave. É o "bê-a-bá" de situações que não podem ocorrer".
Previu ainda que o clube voltará a ser punido pelo que houve no Pacaembu.
Em vez de botar panos quentes, Cuca pôs fogo na cartolagem praiana.
Expôs seu pescoço à guilhotina.
Experiente, sabe que a retaliação virá, embora não imediatamente.
Daria muito na cara.
Além do mais, falta a coragem dele para o anedótico presidente santista demiti-lo imediatamente, porque o time se recupera sob seu comando.
Sua crítica atinge, também, os que, na imprensa ou na arquibancada, optaram pela saída mais fácil, covarde e demagógica, passional, de responsabilizar o termômetro pela febre.
Você se lembra de outro treinador que, empregado, tenha feito o mesmo?
Sobre o Autor
Colunas na Folha: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/jucakfouri/










