Blog do Juca Kfouri

Carlito Rocha, um botafoguense histórico

Juca Kfouri

No dia 21 de agosto, no “solo sagrado” de General Severiano, será lançada a biografia de Carlito Rocha, de autoria do jornalista Rafael Casé.

Livro que vem sendo gestado há alguns anos.

Carlito é uma figura riquíssima e vai muito além das superstições que são a ele atribuídas.

Foi de tudo um pouco: campeão de remo e waterpolo, árbitro, jogador de futebol, técnico, preparador físico, presidente do Botafogo, guru e muito mais.

Não fosse por ele o Brasil não teria ido a todas as Copas. Em 1934 foi a persistência dele que garantiu a presença da Seleção Brasileira na Itália.

Carlito Rocha foi também o primeiro grande opositor de João Havelange.

Nunca foram adversários nas piscinas pelo simples fato de Carlito ser 20 anos mais velho, porém os santos dos dois nunca se cruzaram.

Rocha chegou a ser cliente e amigo do joalheiro Faustin, pai de Havelange, mas o filho nunca caiu em suas graças.

Depois que virou cartola, então…

Vivia desmerecendo Carlito para quem quisesse ouvir, tratava-o como um velho decrépito, embora o opositor tivesse apenas 64 anos.

Já o alvinegro via em Havelange um símbolo do continuísmo e da sede de poder através do esporte.

E, se levarmos em conta que ele ficou 27 anos à frente da CBD e mais 23 anos no comando da FIFA, Carlito Rocha não estava tão errado assim.

Mesmo sabendo que seria fragorosamente derrotado na eleição para a presidência da CBD (o que aconteceu), aceitou ser a cara da oposição.

Não bastasse tudo o que fez pelo Botafogo, no fim da vida ainda foi a pedra no sapato de outro dirigente inescrupuloso, o nefasto Charles Borer, figura ligada à ditadura e responsável pela venda do estádio do Botafogo. Só por causa da luta de Carlito os planos da Vale do Rio Doce de construir um espigão no local da sede do clube não foi à frente e o casarão permaneceu de pé.

Uma figura e tanto.