Blog do Juca Kfouri

Os russos

Juca Kfouri

Os russos são uma gente curiosa.

Adoram carimbar.

Carimbam com um gosto que dá gosto.

Seja o passaporte na chegada, seja na partida, o carimbo é dado com sonoridade.

Formulários de excesso de bagagem, então, nunca ficam por menos de três, às vezes quatro, quando não cinco carimbos.

Tenho alguns de três, outros de quatro e pelo menos um de cinco.

Alguém dirá que se trata de uma herança dos tempos soviéticos, mas não pesquisei.

Embora tenha ouvido de muita gente simples que agora é possível comprar de tudo na Rússia, mas que antes as pessoas eram mais bem cuidadas pelo Estado.

E é surpreendente, segundo relatos de colegas, como Stálin é querido no interior russo.

“Porque derrotou os alemães”, dizem.

Há controvérsias: muitos garantem que foi o inverno.

Não importa.

É como imputar a Zagallo a conquista do tricampeonato e não a Pelé.

Os russos também parecem fechados, rústicos, frios, pouco afeitos às gentilezas.

Ledo engano.

São extremamente solidários e capazes de gestos carinhosos com quem acabam de conhecer.

Ah, feliz de quem passar um mês na Rússia e não ser assaltado, dizia-se.

Deslavada mentira!

Os russos comem bem e fazem ótimos pratos.

Do strogonoff às picanhas, dos peixes às massas.

Pena que não liguem se a cerveja não estiver gelada.

Parece que o frio da maior parte do ano os leva a armazenar calor, razão pela qual resistem a ligar o ar condicionado.

Como se recusam a usar cinto de segurança e não gostam que você os utilize ao lado deles, pelo menos os taxistas.

Que não correm, voam. Todos candidatos a Ayrton Senna.

Gente alegre, simpática, mulheres lindas, homens também, representantes da modernidade contrapostos à imagem que formamos deles nos tempos do comunismo, provavelmente por influência de Hollywood.

Foi estupendo conviver com eles por mais de 40 dias, apesar de a maioria nem arranhar outra língua, mas se esforce para entender e muitos usem aplicativos de tradução.

É impressionante como sabem quem foi Mané Garrincha, certamente porque seu show em 1958, exatamente contra a ex-União Soviética, passa de pais para filhos.

Por falar na velha URSS, também impressiona como em tão pouco tempo, de seu fim em 1991 para cá, a Rússia tenha mudado tanto, se sofisticado tanto, consumo a mil.

Religiosos ao extremo, um templo em cada esquina, soa forte o absurdo cometido pelos russos ateus, então no poder, contra o direito de os russos religiosos professarem livremente sua fé.

Moscou e sua Praça Vermelha e o Kremlin; São Petersburgo e sua catedral e o Hermitage e Kazan, com seu Kremlin e personalidade muçulmana são cidades que os russos ergueram através dos séculos e patrimônios da humanidade.

Se você for conhecer certamente se encantará.