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Ufa! Mas foi justo

Juca Kfouri

2022-06-20T18:13:09

22/06/2018 13h09

O uniforme todo azul é bem mais bonito que o tradicional.

Já o comportamento da torcida deixou a desejar logo de cara, ao seguir cantando o Hino Nacional em cima da execução do hino da Costa Rica.

Contrariamente ao que previu a meteorologia, fazia sol e calor.

O Brasil dominava, Fagner surpreendia, Marcelo jogava mal, Neymar não aparecia e, aos 12 minutos, quase gol: da Costa Rica…

Depois de um começo de jogo disputado lealmente, os costa-riquenhos começaram a abusar do jogo físico. Neymar, é claro, era a vítima predileta.

Os primeiros 25 minutos brasileiros eram bem piores que os do jogo de estreia.

"Olê, olê, olê, Tico, Tico", ouvia-se em coro no belo, e superfaturado estádio de São Petersburgo.

Tico é o apelido da seleção centro-americana.

Se jogasse um tico de bola o Brasil abriria o placar, como fez Gabriel Jesus, mas em impedimento, ou Neymar, ao perder a dividida para o goleiro Navas.

Mas a Seleção se soltou depois do 25º minuto.

O gol amadurecia.

"Brasil, Brasil, Brasil", mudou o coro.

Mas ninguém acertava o gol de Navas.

E Willian não estava bem pela direita.

Nem Neymar pela esquerda.

O primeiro tempo chegava aos 40 minutos encardido, com cara de terminar sem gols.

Marcelo, enfim, acertou um chute entre as traves, mas, Navas pegou sem dificuldade.

Era enorme a dificuldade em jogar verticalmente, tamanha a barreira costa-riquenha.

Neymar caía e o árbitro holandês mandava ele levantar.

Neymar, Marcelo, Miranda e Thiago Silva cercaram o apitador ao fim da etapa inicial.

Por que, não se sabe.

O que se soube é que Tite resolveu tirar Willian e pôs Douglas Costa para jogar o segundo tempo.

Eu teria posto também Roberto Firmino no lugar de Gabriel Jesus.

De cara, com participação de Douglas Costa e calcanhar de Paulinho o Brasil chegou bem, mas Navas chegou primeiro que Neymar.

Então Gabriel Jesus cabeceou na trave a bola cruzada por Fagner e Coutinho quase fez no rebote.

A blitz era formidável.

Marcelo, estranhamente, abusava da displicência.

Via-se outro jogo em São Peter.

Em jogada de Douglas com Paulinho, Neymar viu Navas fazer milagre.

Douglas Costa já era o melhor jogador em campo e Casemiro fazia péssima partida.

Sim, o placar era profundamente injusto, mas era o placar e, de repente, a Costa Rica ameaçou.

Foi quando Tite tirou Paulinho e pôs Firmino.

Dois centroavantes, mas Paulinho estava melhor que Casemiro, embora se o ex-são paulino saísse a defesa ficaria muito exposta.

Mas era o gol que não saía.

E Neymar perdeu, aos 26', um gol impossível, daqueles que Cristiano Ronaldo faria de olhos fechados, diante de 64.468 torcedores.

Aos 35, Douglas puxou o contra-ataque, deu para Gabriel e Neymar caiu na área.

O assoprador de apito deu pênalti, mas o VAR, corretamente, não confirmou.

Em seguida, irritado, Neymar jogou a bola no chão porque o jogo foi paralisado e levou cartão amarelo.

A Costa Rica se sentia milionária com o empate e o Brasil miserável.

Faltava alguém para botar ordem na casa, acalmar os nervos, liderar.

Corretamente, o assoprador deu seis minutos de acréscimos.

Nem precisava: no primeiro minuto Coutinho fez o gol do desafogo e da justiça.

Gabriel deu lugar a Fernandinho e o segundo gol não saiu por pouco.

Ou melhor, saiu, com Casemiro puxando o contra-ataque, dando para Douglas passar para Neymar, na cara do gol, ampliar.

O castigo para cera veio nos acréscimos.

Desconfio que Douglas Costa será titular contra a Sérvia.

Sobre o Autor

Juca Kfouri é formado em Ciências Sociais pela USP. Diretor das revistas Placar (de 1979 a 1995) e da Playboy (1991 a 1994). Comentarista esportivo do SBT (de 1984 a 1987) e da Rede Globo (de 1988 a 1994). Participou do programa Cartão Verde, da Rede Cultura, entre 1995 e 2000 e apresentou o Bola na Rede, na RedeTV, entre 2000 e 2002. Voltou ao Cartão Verde em 2003, onde ficou até 2005. Apresentou o programa de entrevistas na rede CNT, Juca Kfouri ao vivo, entre 1996 e 1999. Atualmente está também na ESPN-Brasil. Colunista de futebol de “O Globo” entre 1989 e 1991 e apresentador, de 2000 até 2010, do programa CBN EC, na rede CBN de rádio. Foi colunista da Folha de S.Paulo entre 1995 e 1999, quando foi para o diário Lance!, onde ficou até voltar, em 2005, para a Folha.

Colunas na Folha: https://blogdojuca.uol.com.br/lista-colunas-na-folha/

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