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Blog do Juca Kfouri

Decepção no melhor estádio do Brasil

Juca Kfouri

29/01/2016 10h00

Na útil avaliação feita pelo ministério do Esporte sobre os estádios brasileiros a Arena das Dunas teve as melhores notas, 5 bolas em todos os quesitos.

Mas, como você verá abaixo, avaliar estádios vazios é muito diferente de avaliá-los em dias de jogos.

  
POR RICARDO COSTA

Moro em Franca, São Paulo, e sou comentarista do Programa Esporte Mágico, da Nova TV, um canal local da NET Franca.
Aos 41 anos, pela primeira vez, tive a oportunidade de passar uma semana de férias no Nordeste e a cidade escolhida foi a bela Natal.

Como um apaixonado por futebol que sou, não poderia ir a Natal e não conhecer a belíssima Arena das Dunas.
Domingo, dia 24, era meu último dia na capital potiguar e ao meio-dia eu precisaria deixar o hotel rumo ao aeroporto.

Quando fiquei sabendo que às 9h30 do domingo haveria o clássico Alecrim x América pela abertura do Campeonato Potiguar, não tive dúvida em assistir o primeiro tempo jogo, já que era o que o meu tempo permitia. Além de conhecer o estádio ainda assistiria a 45 minutos de futebol.

Às 9h15 cheguei à Arena das Dunas e me deparei com longas filas nas bilheterias.
O primeiro desafio era adivinhar qual das filas eu deveria seguir, já que havia duas filas e ninguém da organização para orientar os torcedores.

Segundo quem estava na fila, uma delas era para quem comprou o ingresso na internet e tinha de ir lá pegar o ingresso.
Fiquei sem entender nada. Afinal, de que adiantou comprar pela internet, se tem de enfrentar longas filas como os demais para pegar o ingresso?

Depois de uns 10 minutos na fila, finalmente apareceu um indivíduo da organização para confirmar que eu e os demais estávamos na fila correta.

O tempo foi passando, mas a fila simplesmente não andava.

Às 9h38 começou o jogo.

Aos 14 minutos do jogo o América abriu o placar e as filas continuavam enormes e com uma lentidão absurda nas apenas cinco bilheterias que atendiam aquela fila única.

Acredito que para a outra fila não deveria ter mais de cinco bilheterias também.

Nesse instante tomamos conhecimento que quem estava na outra fila passou para a mesma que eu estava pois, inacreditavelmente, acabaram os ingressos do outro conjunto de bilheterias.

Às 10h05, após 50 minutos na fila, finalmente consegui comprar o meu ingresso.

Quando vou passar pela catraca, mais uma decepção.

Estava com um pau de selfie para registrar o momento, mas fui informado pelo funcionário que a polícia não permitiria que eu entrasse com tal instrumento e se eu quisesse poderia deixá-lo na caixa que estava junto à catraca e pegasse quando saísse da Arena.

Fiquei indignado na hora, mas posteriormente até entendi, já que alguns idiotas poderiam usar o instrumento para agredir alguém numa briga.

Sem alternativa, deixei o pau de selfie na tal caixa e entrei na Arena às 10h13, aos 35 minutos de jogo.

Graças aos acréscimos assisti 15 minutos de futebol e pude ver o segundo gol do América.

No intervalo tirei algumas fotos e fiz alguns vídeos para registrar o momento, saindo da Arena antes que a bola rolasse novamente, já que o meu horário estava mais do que estourado.

Foram 50 minutos na fila para comprar o ingresso que me permitiu ficar dentro do estádio por 30 minutos.
Só um maluco por futebol como eu mesmo para se sujeitar a isso.

Foi legal conhecer mais um belo estádio (assisti dois jogos da Copa em Brasília, Costa do Marfim x Colômbia e França x Nigéria e Flamengo x São Paulo pelo Brasileirão-2015, no Maracanã), mas a decepção foi muito grande.

Todo esse transtorno para um público de apenas 3.441 pagantes. Imagina se fosse um grande público.

Lamentável a falta de organização que presenciei.

De que adianta um belíssimo estádio, se não se tem condição de colocar uma quantidade suficiente de funcionários para atender a demanda de um evento?

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre o Autor

Juca Kfouri é formado em Ciências Sociais pela USP. Diretor das revistas Placar (de 1979 a 1995) e da Playboy (1991 a 1994). Comentarista esportivo do SBT (de 1984 a 1987) e da Rede Globo (de 1988 a 1994). Participou do programa Cartão Verde, da Rede Cultura, entre 1995 e 2000 e apresentou o Bola na Rede, na RedeTV, entre 2000 e 2002. Voltou ao Cartão Verde em 2003, onde ficou até 2005. Apresentou o programa de entrevistas na rede CNT, Juca Kfouri ao vivo, entre 1996 e 1999 e foi colaborador da ESPN-Brasil entre 2005 e 2019. Colunista de futebol de “O Globo” entre 1989 e 1991 e apresentador, de 2000 até 2010, do programa CBN EC, na rede CBN de rádio. Foi colunista da Folha de S.Paulo entre 1995 e 1999, quando foi para o diário Lance!, onde ficou até voltar, em 2005, para a Folha, onde permanece com sua coluna três vezes por semana. Apresenta, também, o programa Entre Vistas, na TVT, desde janeiro de 2018.

Colunas na Folha: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/jucakfouri/