A Roberto Salim
Roberto Salim, para quem não sabe, é um jornalista que acaba de deixar a ESPN depois de 20 anos, responsável que era pelas "Histórias do Esporte", entre outras grandes reportagens.
Tímido, jamais apareceu diante das câmaras.
Iria homenageá-lo aqui neste momento de crise, mas o texto que Antero Greco publicou em seu FB fala por mim:
POR ANTERO GRECO
Caro Feice, boa noite.
Nestas décadas de estrada, colecionei muitos colegas como referências e mestres no eterno aprendizado do jornalismo. Não cito nomes, agora, para não ser traído pela memória nem cometer injustiças. Mas tento, até hoje, pescar o que vejo de melhor em cada um deles. Enriqueço de graça…
Há, no entanto, alguns especiais, exemplares únicos e inimitáveis, gente para admirar e cultuar. Nessa categoria coloco Roberto Salim, o maior repórter que a crônica esportiva tem. Incansável, brilhante, fôlego de 20 gatos, meticuloso, curioso, espírito investigativo da melhor estirpe.
Salim é ave rara num jornalismo que se vê cada vez mais burocratizado, robotizado, amorfo, superficial, sem senso crítico. Jornalismo preguiçoso, preconceituoso e de perfumaria. Sem humanidade.
Pois o turco passa ao largo desses defeitos, ignora-os como só os grandes da profissão têm estofo moral e talento para o fazer. Salim garimpa pautas na rua, na vida, descobre personagens muito antes dos demais, detecta tendências, resgata histórias. Conhece o Brasil e a realidade de nosso Esporte como poucos. Salim é homem de campo, de sujar o pé de barro, de olhar para a vida com a simplicidade profunda de meninos e sábios.
O Salim foge de gabinetes, não ouve cartolas, não se amedronta. O Salim não abre mão de um milionésimo de grama de dignidade.Por isso, é amado por esportistas, é temido por dirigentes.
O Salim além de tudo é simples, generoso, apaixonado. Desprendido, puro. Transforma em amigos de infância pessoas que mal acabou de conhecer. Trata com o mesmo respeito e a mesma sem-cerimônia do presidente da empresa às faxineiras. É capaz de desviar quilômetros do caminho, depois de longa jornada de trabalho, só para tomar café com um amigo distante e que esteja com alguma dificuldade. O Salim está na cabeceira de doentes e não dá tempo deles ficarem pra baixo. Com a desculpa de que vai contar uma piada, liga para um amigo porque está com saudade dele. Só para saber o que tem feito. Muitas vezes esconde, com palavrões, a emoção que carrega. Por modéstia.
O Salim acredita na bondade, na gratidão, na fraternidade. É incapaz de trair.
O Salim ensinou muita gente, com lições de jornalismo, de vida e de caráter.
O Salim é enorme e não verga. O Salim levou algumas topadas, mas seguiu em frente. Como o fará agora. O Salim está triste, mas é imenso.
O Salim é luz.
Que honra ter o Salim como amigo, como irmão.
Grande Salim!
Bola pra frente, Salim
Sobre o Autor
Colunas na Folha: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/jucakfouri/










