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Blog do Juca Kfouri

A Roberto Salim

Juca Kfouri

22/10/2015 10h55

Roberto Salim, para quem não sabe, é um jornalista que acaba de deixar a ESPN depois de 20 anos, responsável que era pelas "Histórias do Esporte", entre outras grandes reportagens.

Tímido, jamais apareceu diante das câmaras.

Iria homenageá-lo aqui neste momento de crise, mas o texto que Antero Greco publicou em seu FB fala por mim:

POR ANTERO GRECO

Caro Feice, boa noite.

Nestas décadas de estrada, colecionei muitos colegas como referências e mestres no eterno aprendizado do jornalismo. Não cito nomes, agora, para não ser traído pela memória nem cometer injustiças. Mas tento, até hoje, pescar o que vejo de melhor em cada um deles. Enriqueço de graça…

Há, no entanto, alguns especiais, exemplares únicos e inimitáveis, gente para admirar e cultuar. Nessa categoria coloco Roberto Salim, o maior repórter que a crônica esportiva tem. Incansável, brilhante, fôlego de 20 gatos, meticuloso, curioso, espírito investigativo da melhor estirpe.

Salim é ave rara num jornalismo que se vê cada vez mais burocratizado, robotizado, amorfo, superficial, sem senso crítico. Jornalismo preguiçoso, preconceituoso e de perfumaria. Sem humanidade.

Pois o turco passa ao largo desses defeitos, ignora-os como só os grandes da profissão têm estofo moral e talento para o fazer. Salim garimpa pautas na rua, na vida, descobre personagens muito antes dos demais, detecta tendências, resgata histórias. Conhece o Brasil e a realidade de nosso Esporte como poucos. Salim é homem de campo, de sujar o pé de barro, de olhar para a vida com a simplicidade profunda de meninos e sábios.

O Salim foge de gabinetes, não ouve cartolas, não se amedronta. O Salim não abre mão de um milionésimo de grama de dignidade.Por isso, é amado por esportistas, é temido por dirigentes.

O Salim além de tudo é simples, generoso, apaixonado. Desprendido, puro. Transforma em amigos de infância pessoas que mal acabou de conhecer. Trata com o mesmo respeito e a mesma sem-cerimônia do presidente da empresa às faxineiras. É capaz de desviar quilômetros do caminho, depois de longa jornada de trabalho, só para tomar café com um amigo distante e que esteja com alguma dificuldade. O Salim está na cabeceira de doentes e não dá tempo deles ficarem pra baixo. Com a desculpa de que vai contar uma piada, liga para um amigo porque está com saudade dele. Só para saber o que tem feito. Muitas vezes esconde, com palavrões, a emoção que carrega. Por modéstia.

O Salim acredita na bondade, na gratidão, na fraternidade. É incapaz de trair.

O Salim ensinou muita gente, com lições de jornalismo, de vida e de caráter.

O Salim é enorme e não verga. O Salim levou algumas topadas, mas seguiu em frente. Como o fará agora. O Salim está triste, mas é imenso.

O Salim é luz.

Que honra ter o Salim como amigo, como irmão.

Grande Salim!

Bola pra frente, Salim

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre o Autor

Juca Kfouri é formado em Ciências Sociais pela USP. Diretor das revistas Placar (de 1979 a 1995) e da Playboy (1991 a 1994). Comentarista esportivo do SBT (de 1984 a 1987) e da Rede Globo (de 1988 a 1994). Participou do programa Cartão Verde, da Rede Cultura, entre 1995 e 2000 e apresentou o Bola na Rede, na RedeTV, entre 2000 e 2002. Voltou ao Cartão Verde em 2003, onde ficou até 2005. Apresentou o programa de entrevistas na rede CNT, Juca Kfouri ao vivo, entre 1996 e 1999 e foi colaborador da ESPN-Brasil entre 2005 e 2019. Colunista de futebol de “O Globo” entre 1989 e 1991 e apresentador, de 2000 até 2010, do programa CBN EC, na rede CBN de rádio. Foi colunista da Folha de S.Paulo entre 1995 e 1999, quando foi para o diário Lance!, onde ficou até voltar, em 2005, para a Folha, onde permanece com sua coluna três vezes por semana. Apresenta, também, o programa Entre Vistas, na TVT, desde janeiro de 2018.

Colunas na Folha: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/jucakfouri/