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Blog do Juca Kfouri

Timão leva o turno com "Luciano Ronaldo"

Juca Kfouri

16/08/2015 17h58

  
O corintiano olhava para o relógio, impaciente, contando os minutos que faltavam para acabar o primeiro tempo em Floripa, onde o Alvinegro perdia por 1 a 0, gol de André Lima, aos 14, de cabeça, arrematando um chamado escanteio de mangas curtas, fruto de uma mão na bola daquelas modernas de Fagner.

Em seguida, o autor do gol se machucou e foi trocado por Hugo.

Acostumado a jogar com 10 quando Vagner Love era titular, o torcedor do líder do Brasileirão via em Rodriguinho uma nova nulidade, bem ele que jogava no lugar de Renato Augusto, o cara que no meio de campo do Corinthians faz Jadson render e Elias jogar.

Aí, depois de 48 minutos absolutamente inúteis dos visitantes, o zagueiro Jéci afastou mal uma bola cruzada na área para Luciano livre, leve e solto.

Com uma estrela muito maior que seu futebol, Luciano empatou bonito ao bater na bola com perfeição.

O dado curioso é que na hora do gol um gaiato da torcida havia jogado outra bola dentro do gramado, certamente algo armado pela CBF para beneficiar o Corinthians.

Só que os times voltaram iguais, ou seja, Rodriguinho não foi sacado como o corintiano que olhava impaciente para o relógio.

Logo no primeiro minuto Luciano "salvou" o gol da virada corintiana, ao levar um tirambaço de Malcon, à queima-roupa.

Lá e cá, os primeiros sete minutos do segundo tempo foram muito melhores que os 48 do primeiro.

Talvez o solão das 4 horas da tarde tenha influenciado no péssimo começo de jogo corintiano ou, então. a bronca de Tite foi homérica.

Aos 14,  finalmente, o inútil Rodriguinho deu lugar a Danilo que, em seus sete primeiros minutos, participou mais e muito melhor que o substituído em 62.

Aos 28, Jéci, outra vez, o capitão catarinense, foi protagonista de um lance decisivo, ao perder, em baixo do travessão, o segundo gol do time anfitrião. Não era dia dele.

Tite trocou Malcon por Rildo.

Aos 32, de fora da área, Tinga acertou a trave de Cássio. O Avaí voltava a dar as cartas.

Sem sol, tinha futebol.

Jéci desempatou, aos 37.

Milimetricamente impedido segundo a transmissão da Globo, mas na mesmíssima linha nos "tira-teimas" dos diversos programas esportivos pela noite afora.

Não era mesmo dia de Jéci.

Ao Corinthians, que passaria a depender de o Galo não vencer a Chapecoense para ser campeão turno, o empate já estava de bom tamanho.

Mas, aos 42, como se fosse um Cristiano Ronaldo, da meia lua, de pé esquerdo, Luciano pôs a bola no ângulo e marcou seu quinto gol em três jogos, garantindo ao Corinthians o Troféu Osmar Santos, oferecido pelo diário "Lance!" ao campeão do primeiro turno.

Será que o Corinthians permitirá mesmo que ele vá jogar amistosos pela seleção olímpica?

Aos 47, Jéci também meteu no ângulo de Cássio e o goleiro fez milagre, para depois defender duas vezes em seguida o empate catarinense.

Não era dia de Jéci.

Era dia de "Luciano Ronaldo"!

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre o Autor

Juca Kfouri é formado em Ciências Sociais pela USP. Diretor das revistas Placar (de 1979 a 1995) e da Playboy (1991 a 1994). Comentarista esportivo do SBT (de 1984 a 1987) e da Rede Globo (de 1988 a 1994). Participou do programa Cartão Verde, da Rede Cultura, entre 1995 e 2000 e apresentou o Bola na Rede, na RedeTV, entre 2000 e 2002. Voltou ao Cartão Verde em 2003, onde ficou até 2005. Apresentou o programa de entrevistas na rede CNT, Juca Kfouri ao vivo, entre 1996 e 1999 e foi colaborador da ESPN-Brasil entre 2005 e 2019. Colunista de futebol de “O Globo” entre 1989 e 1991 e apresentador, de 2000 até 2010, do programa CBN EC, na rede CBN de rádio. Foi colunista da Folha de S.Paulo entre 1995 e 1999, quando foi para o diário Lance!, onde ficou até voltar, em 2005, para a Folha, onde permanece com sua coluna três vezes por semana. Apresenta, também, o programa Entre Vistas, na TVT, desde janeiro de 2018.

Colunas na Folha: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/jucakfouri/