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Blog do Juca Kfouri

O que mudou depois do 7 a 1?

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Juca Kfouri

08/07/2015 00h00


Trezentos e sessenta e cinco dias depois do 7 a 1 nem as moscas mudaram, porque a principal delas, que hoje preside a CBF, era, então, seu vice-presidente.

Outra mosca não mudou, mas mudaram ela para Zurique, na Suíça, onde habita uma cela, solitário.

De resto, surgiram algumas moscas novas, nem tão novas, é verdade, mas, ainda assim, moscas.

O 7 a 1 serviu só para trocar Felipão por Dunga e Parreira por Rinaldi, ou Rinaldo, há controvérsias nos documentos como atleta e como empresário de atleta.

Não serviu, por exemplo, para evitar que a seleção paraguaia eliminasse a brasileira da Copa América.

O 7 a 1 não mudou nada em nosso futebol porque o nosso futebol tem uma superestrutura enraizada na corrupção, da mão para a boca, que a cada dia mata um pouco mais a galinha dos ovos de ouro.

O 7 a 1 não fez com que se voltasse os olhos para as categorias de base, não mudou o calendário, não melhorou os gramados, não profissionalizou a gestão, não criou as sociedades empresariais, não nada.

Houve, é verdade, uma proposta de nova lei por parte do governo que a Casa Bandida do Futebol fez questão de sabotar, de estuprar, de enfraquecer.

O Muro de Berlim caiu no dia 9 de novembro 1989.

As sete pedradas alemãs nos atingiram num 8 de julho de 2014.

Vinte e cinco anos atrás, quase 26, o mundo era muito diferente do que é hoje.

Há um ano, no entanto, nosso futebol era igualzinho ao atual.

Sem eira nem beira, afundado num lamaçal.

Como se houvesse uma barreira invencível que impede até a reforma, que dirá a ruptura.

Nova prisão de nada adiantará.

Há que mudar a estrutura.

Didi, Mané, Pelé, Tostão, Romário e Rivaldo são passado e não ajudam mais a disfarçar a miséria.

Hoje, ao contrário, exceção feita a Neymar, temos uma porção de jogadores que não brilham, que não assumem responsabilidades porque não têm como, que se atemorizam até quando diante do Paraguai.

Imagine se fosse contra uma seleção mais forte.

Só entre as que começam com A tem Argentina e…Alemanha.

As do Z não assustam, mas contra a Zâmbia, dois anos atrás, em Pequim, com Neymar e tudo, foi só 2 a 0, no segundo tempo, com gols de Oscar e Dedé…

 

 

 

 

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre o Autor

Juca Kfouri é formado em Ciências Sociais pela USP. Diretor das revistas Placar (de 1979 a 1995) e da Playboy (1991 a 1994). Comentarista esportivo do SBT (de 1984 a 1987) e da Rede Globo (de 1988 a 1994). Participou do programa Cartão Verde, da Rede Cultura, entre 1995 e 2000 e apresentou o Bola na Rede, na RedeTV, entre 2000 e 2002. Voltou ao Cartão Verde em 2003, onde ficou até 2005. Apresentou o programa de entrevistas na rede CNT, Juca Kfouri ao vivo, entre 1996 e 1999 e foi colaborador da ESPN-Brasil entre 2005 e 2019. Colunista de futebol de “O Globo” entre 1989 e 1991 e apresentador, de 2000 até 2010, do programa CBN EC, na rede CBN de rádio. Foi colunista da Folha de S.Paulo entre 1995 e 1999, quando foi para o diário Lance!, onde ficou até voltar, em 2005, para a Folha, onde permanece com sua coluna três vezes por semana. Apresenta, também, o programa Entre Vistas, na TVT, desde janeiro de 2018.

Colunas na Folha: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/jucakfouri/

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