Papão é Payxão!
Ao retornar á semi-elite do futebol brasileiro no próximo ano ao empatar 3 a 3 hoje com o Macaé (que foi o campeão da Série C), o Paysandu é um dos poucos times brasileiros que celebraram com seus torcedores uma conquista especial no mesmo ano em que chega ao seu centenário.
Ao longo de sua trajetória, a vida do Papão da Curuzu sempre foi a da garra incansável e a de nunca ver limites.
Quando o Peñarol era o senhor dos gramados nos anos de 1960, arriscou-se a conhecer o Norte do Brasil e enfrentar o time bicolor nos gramados da Curuzu.
3 a 0 foi pouco para o time comandado por Quarentinha e Ércio, que levaram a enlouquecida torcida a entortar os alambrados do estádio e assim ficaram por muito tempo.
Durante os anos de chumbo, o time dos militares era o Clube do Remo, por conta da relação com então ministro Jarbas Passarinho.
A influência era tanta que, mesmo sendo o campeão estadual com direito assegurado ao Campeonato Nacional, o Paysandu teve que ceder a vaga ao Remo, em silencio e sem discussão.
O embate com o tradicional adversário é a vitamina permanente de ambos os clubes. E há uma espinha de pirarucu na garganta dos remistas desde os anos de 1940, quando sofreram a implacável goleada de 7 a 0.
Outra grande vantagem do Papão sobre o Leão diz respeito á visibilidade.
Quando o Paysandu trouxe Dadá Maravilha para jogar em Belém, o noticiário do clube deixou a região para se tornar nacional, por conta dos apelidos curiosos e nomes que o artilheiro dava aos seus gols. Idem com os títulos, onde a Copa dos Campeões é dos mais expressivos.
Na épica vitória contra o Boca Juniors em La Bombonera, com gol de Yarlei aos 23 minutos do segundo tempo, nem Carlos Amarillia, árbitro do jogo, foi capaz de atrapalhar a vitória bicolor.
Fato que fez o Papão se juntar á ínfima galeria dos clubes brasileiros capazes de tal proeza, repetindo 40 anos depois o feito do Santos de Pelé. Fluminense e Cruzeiro também já venceram jogos no tradicional estádio argentino.
O vice-campeonato da Série C diante de anunciados 37 mil torcedores, aumenta a responsabilidade do Clube diante de sua apaixonada torcida.
Mas Papão é Payxão e disso sabemos nós.
*Antonio Carlos Salles é executivo em São Paulo e combina gravata com a camisa do Paysandu.
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Colunas na Folha: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/jucakfouri/











