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Blog do Juca Kfouri

Papão é Payxão!

Juca Kfouri

22/11/2014 20h37

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POR ANTONIO CARLOS SALLES*

Ao retornar á semi-elite do futebol brasileiro no próximo ano ao empatar 3 a 3 hoje com o Macaé (que foi o campeão da Série C), o Paysandu é um dos poucos times brasileiros que celebraram com seus torcedores uma conquista especial no mesmo ano em que chega ao seu centenário.

Ao longo de sua trajetória, a vida do Papão da Curuzu sempre foi a da garra incansável e a de nunca ver limites.

Quando o Peñarol era o senhor dos gramados nos anos de 1960, arriscou-se a conhecer o Norte do Brasil e enfrentar o time bicolor nos gramados da Curuzu.

3 a 0 foi pouco para o time comandado por Quarentinha e Ércio, que levaram a enlouquecida torcida a entortar os alambrados do estádio e assim ficaram por muito tempo.

Durante os anos de chumbo, o time dos militares era o Clube do Remo, por conta da relação com então ministro Jarbas Passarinho.

A influência era tanta que, mesmo sendo o campeão estadual com direito assegurado ao Campeonato Nacional, o Paysandu teve que ceder a vaga ao Remo, em silencio e sem discussão.

O embate com o tradicional adversário é a vitamina permanente de ambos os clubes. E há uma espinha de pirarucu na garganta dos remistas desde os anos de 1940, quando sofreram a implacável goleada de 7 a 0.

Outra grande vantagem do Papão sobre o Leão diz respeito á visibilidade.

Quando o Paysandu trouxe Dadá Maravilha para jogar em Belém, o noticiário do clube deixou a região para se tornar nacional, por conta dos apelidos curiosos e nomes que o artilheiro dava aos seus gols. Idem com os títulos, onde a Copa dos Campeões é dos mais expressivos.

Na épica vitória contra o Boca Juniors em La Bombonera, com gol de Yarlei aos 23 minutos do segundo tempo, nem Carlos Amarillia, árbitro do jogo, foi capaz de atrapalhar a vitória bicolor.

Fato que fez o Papão se juntar á ínfima galeria dos clubes brasileiros capazes de tal proeza, repetindo 40 anos depois o feito do Santos de Pelé. Fluminense e Cruzeiro também já venceram jogos no tradicional estádio argentino.

O vice-campeonato da Série C diante de anunciados 37 mil torcedores, aumenta a responsabilidade do Clube diante de sua apaixonada torcida.

Mas Papão é Payxão e disso sabemos nós.

*Antonio Carlos Salles é executivo em São Paulo e combina gravata com a camisa do Paysandu.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre o Autor

Juca Kfouri é formado em Ciências Sociais pela USP. Diretor das revistas Placar (de 1979 a 1995) e da Playboy (1991 a 1994). Comentarista esportivo do SBT (de 1984 a 1987) e da Rede Globo (de 1988 a 1994). Participou do programa Cartão Verde, da Rede Cultura, entre 1995 e 2000 e apresentou o Bola na Rede, na RedeTV, entre 2000 e 2002. Voltou ao Cartão Verde em 2003, onde ficou até 2005. Apresentou o programa de entrevistas na rede CNT, Juca Kfouri ao vivo, entre 1996 e 1999 e foi colaborador da ESPN-Brasil entre 2005 e 2019. Colunista de futebol de “O Globo” entre 1989 e 1991 e apresentador, de 2000 até 2010, do programa CBN EC, na rede CBN de rádio. Foi colunista da Folha de S.Paulo entre 1995 e 1999, quando foi para o diário Lance!, onde ficou até voltar, em 2005, para a Folha, onde permanece com sua coluna três vezes por semana. Apresenta, também, o programa Entre Vistas, na TVT, desde janeiro de 2018.

Colunas na Folha: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/jucakfouri/