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Blog do Juca Kfouri

Praia e Neymar em Cingapura

Juca Kfouri

14/10/2014 09h37

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Na areia asiática, a Seleção Brasileira de futebol (de praia?) abriu o placar logo aos 17 minutos depois que Diego Tardelli deixou o capitão Neymar na cara do gol para estufar a rede em Cingapura: 1 a 0.

Dez minutos depois, num jogo bem amistoso, Luís Gustavo meteu a mão na bola na área como se jogasse vôlei (de praia?) e o assoprador não assoprou, sem que os disciplinados japoneses fossem além de reclamar uma vez, no ato, bem diferente do que estamos acostumados no comportamento de nossos jogadores.

Neymar era quem mais queria jogo, provavelmente saudoso de jogar na areia das praias de Santos e marcou seu quarto gol na seleção nipônica.

O quarto e, no comecinho do segundo tempo, o quinto, em lançamento perfeito de Phillippe Coutinho, que entrara no intervalo, assim como Everton Ribeiro e Mário Fernandes, nos lugares de Oscar, William e Danilo: 2 a 0.

Aliás, por pouco não fez o sexto em seguida, desta vez em passe perfeito de Everton Ribeiro.

O Japão, em busca de reação, dava espaço para os brasileiros explorarem os contra-ataques, enquanto Jefferson, ou um cone, daria no mesmo.

Aos 19, Tardelli saiu e Robinho entrou.

Aos 26, Souza entrou e Luiz Gustavo saiu.

Aos 30, Kaká no lugar de Elias.

No primeiro toque do são-paulino, segundos depois de entrar, de cabeça, bola no travessão. Na sequência do lance, Phillippe Coutinho chutou, o goleiro rebateu no pé de Neymar que não perdoou e fez seu sexto gol no freguês japonês, 3 a 0.

Aos 35, Robinho e Kaká combinaram e de Kaká para a cabeça de Neymar surgiu o 4 a 0, o gol de número 7 do ex-santista e não é conta de mentiroso.

Mais fácil, impossível.

No quarto trabalho de Dunga, a quarta vitória, oito gols feitos, nenhum sofrido.

Aos 43, enfim, Jefferson precisou fazer bela defesa, primeira e última.

A bizarrice do amistoso ficou por conta do assoprador que deixou Neymar pegar a bola no rebote de uma falta, que ele mesmo batera na trave, sem marcar a infração do craque, que também não sabe que a trave é neutra.

Ou, vai ver, na areia vale tudo.

Mas, valeu mesmo.

Como informado por Tino Marcos, na Globo, Neymar chegou aos 40 gols pela Seleção, oitavo maior artilheiro dela, ao deixar para trás num só jogo, Ademir de Menezes, o Queixada, Roberto Rivellino, a Patada Atômica, e Leônidas da Silva, o Diamante Negro, considerados, também, os jogos não oficiais.

Se a contagem for só de jogos oficiais, Neymar já é o quinto maior goleador.

E Neymar, ainda aos 22 anos, nem apelido tem.

Certamente aparecerão os que ainda preferem chamá-lo de "Queridinho da Imprensa"…

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre o Autor

Juca Kfouri é formado em Ciências Sociais pela USP. Diretor das revistas Placar (de 1979 a 1995) e da Playboy (1991 a 1994). Comentarista esportivo do SBT (de 1984 a 1987) e da Rede Globo (de 1988 a 1994). Participou do programa Cartão Verde, da Rede Cultura, entre 1995 e 2000 e apresentou o Bola na Rede, na RedeTV, entre 2000 e 2002. Voltou ao Cartão Verde em 2003, onde ficou até 2005. Apresentou o programa de entrevistas na rede CNT, Juca Kfouri ao vivo, entre 1996 e 1999 e foi colaborador da ESPN-Brasil entre 2005 e 2019. Colunista de futebol de “O Globo” entre 1989 e 1991 e apresentador, de 2000 até 2010, do programa CBN EC, na rede CBN de rádio. Foi colunista da Folha de S.Paulo entre 1995 e 1999, quando foi para o diário Lance!, onde ficou até voltar, em 2005, para a Folha, onde permanece com sua coluna três vezes por semana. Apresenta, também, o programa Entre Vistas, na TVT, desde janeiro de 2018.

Colunas na Folha: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/jucakfouri/