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Em nome do Padre, do filho Diego e do santo espírito de Lionel

Juca Kfouri

01/07/2014 15h34

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Na Arena Corinthians, muito calor, muito sol e bom futebol entre Argentina e Suíça, apesar de mais um 0 a 0 no primeiro tempo de um jogo de oitavas de final porque, como era esperado, a chuva de gols ficou para trás.

Messi se desdobrava, mas a grande chance de gol dos primeiros 45 minutos esteve no tosco pé de Drmic, o suíço que, na cara do gol, tentou encobrir o Romero e passou a bola para o goleiro.

Os argentinos mandavam no jogo, tinham a bola por mais tempo, mas pouco exigiam do arqueiro suíço.

E o meia suíço do Bayer Munique, sonho de consumo do Liverpool, Shaqiri, rivalizava na sutileza e brilho com Messi, embora ambos não chutassem a gol.

Só aos 13 minutos do tempo final o goleiro helvético Benaglio teve de fazer sua primeira intervenção mais difícil.

A Argentina revelava impaciência com o empate e se lançava até imprudente ao ataque.

O ferrolho suíço funcionava feito um relógio, mas, aos 16, Higuaín forçou nova grande defesa de Benaglio.

Aos 22, o gol argentino parecia iminente.

Tivesse a Suíça uma linha de frente mais habilidosa e a Argentina estaria em maus lençóis.

Aos 25, ouviu-se um coro estranho ao jogo, mas não ao palco do jogo: "Timão, eeeôôôô, Timão eeeôôôô"…".

Palacio entrou no lugar de Lavezzi aos 28.

Quatro minutos depois, Messi limpou a defesa e soltou um petardo muito bem defendido por Benaglio.

Se no Brasileirão não tem jogo fácil, imagine na Copa.

A sensação era a de que os suíços especulavam em busca da prorrogação para tentar chegar ao imponderável da decisão na marca do pênalti.

Seferovic entrou no lugar de Drmic aos 37, porque o trocado não vale um franco suíço.

O jogo ia ficando cada vez mais pegado à medida que o tempo regulamentar se aproximava.

O lateral-esquerdo Rojo levou seu segundo amarelo e desfalcará a Argentina caso passe para as quartas de final.

Na cabeça suíça, o gol que despacharia os hermanos foi desperdiçado aos 46.

Prorrogação na arena alvinegra…

No sétimo jogo das oitavas, a quarta prorrogação, fora a classificação da Holanda nos acréscimos.

A vida é dura.

Contra o ferrolho suíço, o torniquete argentino.

A Copa dos gols é também, sem dúvida, dos goleiros e Benaglio é prova disso.

Ele parece ter treinado nos Alpes, frio feito um extraordinário homem das neves.

O jogo também esfriou apesar do drama, do tango, porque não há quem aguente mais 30 minutos depois de 90 e após três horas da tarde.

A Suíça chega a botar a Argentina na roda por uns 90 segundos, sob olé nas arquibancadas.

Rojo não suporta a maratona depois de correr 12 quilômetros e Basanta o substitui para jogar o segundo tempo da prorrogação.

Se alguém acendesse um charuto a Arena Corinthians iria pelos ares.

Gago sai, entra Biglia.

Di Maria mira o ângulo com um torpedo certeiro e o goleiro salva mais uma vez.

A Suíça, é claro, joga tudo pelos pênaltis que a tudo iguala e fará o Papa Francisco sofrer no Vaticano.

Que explode de alegria!

Messi arranca, a defesa vai toda para cima dele, o gênio abre na direita para Angel Di Maria que não perdoa os pecadores suíços.

A Argentina está nas quartas contra a Bélgica ou os Estados Unidos aos 13 minutos da prorrogação.

A combinação entre o gênio e o anjo resolve como por milagre.

Reforçado por uma bola na trave argentina aos 16…

Em seguida, do meio de campo, sem goleiro, o anjo quase amplia.

Na resposta, falta para Suíça na meia lua.

O estádio suspende a respiração.

Shaquiri bate na barreira e o jogo (jogo?) acaba.

O que é do homem o bicho não come.

Que Copa!

Sobre o Autor

Juca Kfouri é formado em Ciências Sociais pela USP. Diretor das revistas Placar (de 1979 a 1995) e da Playboy (1991 a 1994). Comentarista esportivo do SBT (de 1984 a 1987) e da Rede Globo (de 1988 a 1994). Participou do programa Cartão Verde, da Rede Cultura, entre 1995 e 2000 e apresentou o Bola na Rede, na RedeTV, entre 2000 e 2002. Voltou ao Cartão Verde em 2003, onde ficou até 2005. Apresentou o programa de entrevistas na rede CNT, Juca Kfouri ao vivo, entre 1996 e 1999 e foi colaborador da ESPN-Brasil entre 2005 e 2019. Colunista de futebol de “O Globo” entre 1989 e 1991 e apresentador, de 2000 até 2010, do programa CBN EC, na rede CBN de rádio. Foi colunista da Folha de S.Paulo entre 1995 e 1999, quando foi para o diário Lance!, onde ficou até voltar, em 2005, para a Folha, onde permanece com sua coluna três vezes por semana. Apresenta, também, o programa Entre Vistas, na TVT, desde janeiro de 2018.

Colunas na Folha: https://blogdojuca.uol.com.br/lista-colunas-na-folha/

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