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Raça uruguaia derruba a frieza britânica

Juca Kfouri

2019-06-20T14:17:51

19/06/2014 17h51

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O Uruguai é assim.

Precisa de desafios.

Invariavelmente se classifica para as Copas do Mundo só nas repescagens e é capaz de perder de um gatinho como a Costa Rica para depois complicar a vida de um cachorro grande como a Inglaterra.

O primeiro tempo na Arena Corinthians foi disputado como se fosse uma prova de Fórmula 1, em altíssima velocidade, sem tempo de respirar.

Óscar Tabárez teve a coragem que faltou, por exemplo, a Vicente Del Bosque, ou pode faltar ao Felipão, qual seja, a de tirar um veterano de inestimáveis serviços prestados à Celeste como Diego Lugano.

Daí, depois de tomar uma bola no travessão de Rooney, Lodeiro ganhou no pé de ferro de Gerrard e deu para Cavani pôr na cabeça de Luisito Suárez que, de olhos bem abertos, abriu o marcador, aos 39. Golaço!

O artilheiro foi abraçar o fisioterapeuta uruguaio, que o ajudou a sair da cadeira de rodas, onde estava um mês atrás depois de ter feito uma cirurgia no joelho, para brilhar na Copa.

Nada estava resolvido e até ficava uma sensação de que, apesar de derrotados, os ingleses tinham mais controle dos nervos, algo que o tira-teima do segundo tempo diria se era ou não verdade.

Pois eis que os primeiros seis minutos demonstraram que a impressão estava errada, porque os uruguaios criaram nada menos do que quatro oportunidades de gol, diante de ingleses perplexos, abatidos, encolhidos, embaixo das saias da Rainha.

Em seguida, no entanto, no oitavo minuto, Rooney bateu à queima-roupa e Muslera evitou o empate, embora o inglês tenha chutado em cima dele.

Foi a senha para começar a pressão inglesa e para Muslera começar a trabalhar incessantemente.

Como contra a Itália, a Inglaterra jogava bem, mas perdia.

O ex-botafoguense e neo-corintiano Lodeiro saiu aos 22 depois de ter sido fundamental para o gol uruguaio.

Depois de esnobar as três primeiras Copas do Mundo nos anos 30, porque se consideravam os reis do futebol, e de protagonizar a grande zebra de perder para os Estados Unidos na primeira de que participaram, em 1950, os ingleses voltam ao Brasil para disputar sua 14a. Copa (não se classificaram em 1974, 78 e 94) e corriam o risco de voltar rapidinho para casa.

Para ganhar uma Copa, parece, só se voltarem a disputá-la em casa, como em 1966, num torneio tão viciado como o de 1978, na Argentina, também vencida pelos donos da casa.

Diante de mais de 62 mil torcedores, porém, os uruguaios recuaram demais e acabaram castigados com o empate nos pés de Rooney, aos 30, seu primeiro gol em seu décimo jogo em Copas do Mundo.

Era justíssimo!

Por pouco, dois minutos depois Sturridge não virou, em nova defesaça de Muslera. A Inglaterra era muito melhor.

O empate mantinha a Inglaterra viva e aproximava a Celeste de Montevidéu, distanciando-a do sonhado novo Maracanazo.

Por saber disso, os orientais foram à luta e voltaram a fustigar o English Team e não demorou muito para Suárez, outra vez, com raiva, estufar a rede britânica, aproveitando-se de lançamento do goleiro Muslera, que passou por um raspão na cabeça de Cavani e outro na de Gerrard, novamente aos 39 minutos.

Sensacional!

Mas tinha jogo e como! Aliás, jogaço, mais um.

Num jogo repleto de jogadores do Liverpool, foi o estrangeiro que prevaleceu.

Muslera, Cavani e Suárez foram os nomes do jogo, mais Luisito que todos os demais.

As férias estão próximas para os ingleses e o Maracanazo segue sendo uma possibilidade.

Melhor assim.

Sobre o Autor

Juca Kfouri é formado em Ciências Sociais pela USP. Diretor das revistas Placar (de 1979 a 1995) e da Playboy (1991 a 1994). Comentarista esportivo do SBT (de 1984 a 1987) e da Rede Globo (de 1988 a 1994). Participou do programa Cartão Verde, da Rede Cultura, entre 1995 e 2000 e apresentou o Bola na Rede, na RedeTV, entre 2000 e 2002. Voltou ao Cartão Verde em 2003, onde ficou até 2005. Apresentou o programa de entrevistas na rede CNT, Juca Kfouri ao vivo, entre 1996 e 1999. Atualmente está também na ESPN-Brasil. Colunista de futebol de “O Globo” entre 1989 e 1991 e apresentador, de 2000 até 2010, do programa CBN EC, na rede CBN de rádio. Foi colunista da Folha de S.Paulo entre 1995 e 1999, quando foi para o diário Lance!, onde ficou até voltar, em 2005, para a Folha.

Colunas na Folha: https://blogdojuca.uol.com.br/lista-colunas-na-folha/

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