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Frustração no Castelão

Juca Kfouri

17/06/2014 17h51

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Os mexicanos foram melhores no primeiro tempo, embora as duas grandes chances de gols tenham sido brasileiras.

A primeira numa cabeçada de Neymar que subiu mais que Rafa Marquez e Ochoa defendeu espetacularmente, e outra, fruto de um passe de peito, e no chão, de Thiago Silva que Paulinho arrematou em cima do goleiro.

Mas os mexicanos, fora do gramado, rivalizaram no hino a capela e no incentivo ao seu time, embora, é claro, em menor número, na casa dos 15 mil contra três vezes mais de brasileiros.

Só o barulho era igual, quando não maior, porque com repertório mais variado e direito ao que aqui cantamos como "tá chegando a hora", mas que é música deles mesmo, Cielito Lindo, cujo refrão diz "Ay, ay, ay, ay, canta y no llores, Porque cantando se alegran,Cielito Lindo, los corazones".

E dentro do gramado, provavelmente influenciados pela barulheira de sua gente, os mexicanos começaram o jogo indo para cima da Seleção Brasileira e protagonizaram os melhores momentos até que os nativos equilibraram as iniciativas e, paulatinamente, foram tomando conta do jogo, embora sem levar perigo.

Lances fortuitos incendiavam um lado ou outro até que um tiro de meta brasileiro que deveria ter sido um escanteio mexicano proporcionou a tal cabeçada de Neymar, quase fatal.

De fora da área uma bola norte-americana ainda tirou tinta da trave sul-americana e o intervalo chegou com o 0 a 0 no placar do Castelão verde, bastante, amarelo, 2/3, e vermelho, também bastante, a primeira e a terceira cores relativas ao México mesmo.

Felipão voltou com Bernard no lugar de Ramires, amarelado no fim do primeiro tempo.

Na primeira esticada para o menino de alegria nas pernas, jogada perigosa bem neutralizada para escanteio.

Atrevida, a torcida mexicana ensaiava olé nas trocas de passes de seu time.

De um duelo de titãs entre Rafa Marquez e David Luiz o gringo saiu-se melhor e levou perigo ao gol nacional.

Eles chutavam de fora da área e o Castelão ouvia mais "México" que "Brasil".

Um calafrio como o de Wembley percorria espinhas mais pessimistas.

Só dava México em Fortaleza.

O "eu sou brasileiro com muito orgulho e muito amor" não fazia frente ao frenesi mexicano.

E tome bola de fora da área, às vezes com perigo, às vezes bisonhas.

Neymar cavou uma falta que ainda redundou em injusto cartão amarelo, aos 17, e a cobrou perigosamente, na segunda boa pontada brasileira no segundo tempo.

O 0 a 0, graças aos dois gols mal anulados do México contra Camarões e ao pênalti dado pelo japonês ao Brasil contra a Croácia, favorecia os anfitriões que, contra os africanos, poderiam manter a vantagem no saldo para terminar em primeiro lugar no grupo.

Mas era cedo ainda para especular.

Aos 22, sob vaias gerais, saiu Fred e entrou Jô. Que situação!

Em seguida, Bernard, pela esquerda, deu para Neymar marcar, mas Ochoa outra vez impediu, na melhor chance do jogo.

O Brasil tentava incendiar o jogo, mas um bom passe de David Luiz, em contra-ataque, acabou miseravelmente no calcanhar de Jô…

Oribe Peralta, bem comportado, saiu aos 28.

Uma bela triangulada entre Neymar, Bernard e Jô terminou no chute bisonho do centroavante.

Não é fácil depender de Jô, ser escravo de Jô…

Depois de algum tempo parecendo confortável no empate, o México foi à frente e amarelou o capitão Thiago Silva.

Felipão, ao contrário, queria a vitória e pôs Willian no lugar de Oscar, aos 38.

Luís Gustavo, um guerreiro, foi derrubado na ponta esquerda e Neymar botou a bola na cabeça de Thiago Silva para Ochoa salvar o México pela quarta vez.

Nestas alturas, justiça se faça, mesmo sem jogar bem, a Seleção merecia estar na frente.

Notas:

Júlio César, 7, muito bem sempre que precisou;

Daniel Alves, 6, melhor que na estreia;

Thiago Silva e David Luiz, gigantescos, 7,5;

Marcelo, 6, como Daniel, mas deveria ter levado um amarelo por simulação de pênalti;

Luís Gustavo, 7,5, um bravo;

Paulinho, 5, parecendo Sansão depois que perdeu o cabelo;

Ramires, 5, nem cumprir a promessa de não tomar cartão conseguiu cumprir;

Fred, 4, mal colocado, recebeu uma porção de vezes em impedimento;

Neymar, 7, pelo esforço, pela busca, pela entrega;

Oscar, 6,5, longe do da estreia;

Jô, 4, perdidinho;

Willian, sem nota

Bernard, 7, entrou e deu dois passes para gol;

Felipão, 6, embora tenha tentado ganhar quando até podia empatar.

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Sobre o Autor

Juca Kfouri é formado em Ciências Sociais pela USP. Diretor das revistas Placar (de 1979 a 1995) e da Playboy (1991 a 1994). Comentarista esportivo do SBT (de 1984 a 1987) e da Rede Globo (de 1988 a 1994). Participou do programa Cartão Verde, da Rede Cultura, entre 1995 e 2000 e apresentou o Bola na Rede, na RedeTV, entre 2000 e 2002. Voltou ao Cartão Verde em 2003, onde ficou até 2005. Apresentou o programa de entrevistas na rede CNT, Juca Kfouri ao vivo, entre 1996 e 1999 e foi colaborador da ESPN-Brasil entre 2005 e 2019. Colunista de futebol de “O Globo” entre 1989 e 1991 e apresentador, de 2000 até 2010, do programa CBN EC, na rede CBN de rádio. Foi colunista da Folha de S.Paulo entre 1995 e 1999, quando foi para o diário Lance!, onde ficou até voltar, em 2005, para a Folha, onde permanece com sua coluna três vezes por semana. Apresenta, também, o programa Entre Vistas, na TVT, desde janeiro de 2018.

Colunas na Folha: https://blogdojuca.uol.com.br/lista-colunas-na-folha/

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