STJD: o pai de todos os vícios
Vivemos num país que tem como uma de suas heranças do período colonial a tradição bacharelesca e cartorial.
Um, e apenas um desses organismos viciados, é o tal Superior Tribunal de Justiça Desportiva.
Que, em regra, é composto por bacharéis medíocres que têm nele uma vitrine para crescer profissionalmente, além de ser quase uma capitania hereditária pois, invariavelmente, presidida por um Sveiter.
Não se entrará aqui em considerações sobre as infindáveis interpretações divergentes sobre as ambiguidades dos códigos e regulamentos esportivos em vigor no cipoal das leis brasileiras.
Nem será necessário realçar que do ponto de vista puramente esportivo a Portuguesa e o Criciúma, além do Flamengo, fizeram por estar na primeira divisão em 2014 e o Fluminense e o Vasco não.
Também não se discutirá aqui se as leis em vigor devem ou não ser modificadas.
Bastará dizer que o que não faz o menor sentido é a existência dos tribunais esportivos, porque tudo seria mais simples, rápido e justo se as questões do esporte fossem decididas em rito sumário, por medidas administrativas como se faz até na Fifa, que está longe de ser uma entidade exemplar.
Ou não é de corar que, em pleno mundo informatizado, se dependa de um comunicado, oral ou no papel, sobre a situação dos jogadores, quando seria de uma simplicidade franscicana que os árbitros e delegados de cada jogo recebessem a informação de quem têm condições de jogo antes de cada disputa começar?
Só não é assim porque continuamos sob o reinado de quem vive de impor dificuldades para vender facilidades.
A toga é inimiga de quem joga.
De quem joga limpamente, ao menos.
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