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Blog do Juca Kfouri

COB destina quase 80 milhões de reais de dinheiro público para seu sustento

Juca Kfouri

19/12/2013 22h00


POR ALBERTO MURRAY NETO*

Hoje o Comitê Olímpico Brasileiro ("COB") divulgou os valores mínimos que cada Confederação Olímpica receberá como repasse do dinheiro público arrecadado da Lei Piva.

O COB estima arrecadar R$ 180 milhões em 2.014 e repassará às Confederações "apenas" R$ 101 Milhões.

E aí reside o primeiro erro desta distribuição de dinheiro do povo que o COB vem reiteradas vezes cometendo.

Por que o COB vai reter para si R$ 79 Milhões?

Essa é uma quantia que deveria ser repassada aos atletas. O COB justifica essa enorme retenção para ser utilizada em "projetos especiais de teinamento" e etc. Não é isso.

O COB tem uma estrutura interna muito além de suas necessidade, luxuosíssima, com diretores e consultores que ganham muito dinheiro.

O COB também gosta de dar presentes a dignatários, por exemplo, em reuniões de entidades esportivas internacionais.

O COB precisa de dinheiro para sustentar essa estrutura.

Por isso, deixa de repassar mais dinheiro a quem deveria.

Nuzman diz que o COB não forma atleta. É verdade.

Mas então deveria repassar o dinheiro a quem forma. Poderia repassar muito mais se o COB enxugasse sua estrutura e ficasse do tamanho que deve ter, sem megalomanias.

Outro erro é continuar dando mais dinheiro público àqueles que já possuem mais recursos.

Veja que as Confederações que já possuem outras fontes de renda são as que seguem recebendo mais dinheiro público do COB.

O COB justifica essa inversão de valores com base na meritocracia. Ora, segundo o COB, ganha mais dinheiro quem dá melhores resultados. Mas o COB ignora que as modalidades "menores" só terão mais e melhores resultados com mais recursos. O COB segue na incompetência de impingir aos esportes com menos recursos esse círculo vicioso. Modalidades com menos visibilidade não tem patrocínios.

Grave equívoco do COB, também, é não exigir das Confederações que parte do dinheiro público a elas repassada seja para projetos das categorias de base que, na esmagadora maioria das modalidades, inexiste. Os atletas das categorias de base são sustentados pelos clubes formadores e por seus pais. O COB não tem projeto para o futuro do esporte brasileiro.

Outro absurdo é o COB controlar o dinheiro que, por lei, deve ser repassado ao Desporto Universitário e Escolar.

Em 1.996, em Atlanta, a primeira Olimpíada da era Nuzman, cada medalha custou aos cofres públicos R$ 4,4 Milhões. Já em Londres 2.012, cada mesma medalha custou aos mesmos cofres públicos R$ 123,00 Milhões. Isso é bom para o País?

Esses resultados, se considerarmos os investimentos públicos, são muito piores do que quando o COB e as Confederações viviam com um teste de loteria esportiva, apenas, em ano de Jogos Panamericanos e Jogos Olímpicos, em que as nossas delegações eram levadas no peito e na raça.

Definitivamente, Nuzman e sua maneira de trabalhar não são bons para o esporte olímpico do Brasil.

Abaixo quanto o COB repassará a cada Confederação em 2.014, do dinheiro público arrecadado da Lei Piva. Guardará para si, repito, R$ 79 Milhões, conforme divulgado hoje pelo próprio COB:
Confira os valores iniciais de cada Confederação em 2014:

Confederação 2014

Atletismo (R$ 3.900.000,00)
Badminton (R$ 1.800.000,00)
Basquetebol (R$ 3.700.000,00)
Boxe (R$ 2.900.000,00)
Canoagem (R$ 2.900.000,00)
Ciclismo (R$ 2.900.000,00)
Desportos Aquáticos (R$ 3.900.000,00)
Desportos na Neve (R$ 1.600.000,00)
Desportos no Gelo (R$ 1.600.000,00)
Esgrima (R$ 1.700.000,00)
Ginástica (R$ 3.700.000,00)
Golfe (R$ 1.700.000,00)
Handebol (R$ 3.700.000,00)
Hipismo (R$ 3.700.000,00)
Hóquei sobre a Grama (R$ 1.700.000,00)
Judô (R$ 3.900.000,00)
Levantamento de Peso (R$ 1.700.000,00)
Lutas Associadas (R$ 2.000.000,00)
Pentatlo Moderno (R$ 1.900.000,00)
Remo (R$ 2.500.000,00)
Rugby (R$ 1.700.000,00)
Taekwondo (R$ 1.700.000,00)
Tênis (R$ 2.500.000,00)
Tênis de Mesa (R$ 2.900.000,00)
Tiro com Arco (R$ 1.700.000,00)
Tiro Esportivo (R$ 2.600.000,00)
Triatlo (R$ 2.800.000,00)
Vela (R$ 3.900.000,00)
Voleibol (R$ 3.900.000,00)

*Alberto Murray Neto

Sobre o Autor

Juca Kfouri é formado em Ciências Sociais pela USP. Diretor das revistas Placar (de 1979 a 1995) e da Playboy (1991 a 1994). Comentarista esportivo do SBT (de 1984 a 1987) e da Rede Globo (de 1988 a 1994). Participou do programa Cartão Verde, da Rede Cultura, entre 1995 e 2000 e apresentou o Bola na Rede, na RedeTV, entre 2000 e 2002. Voltou ao Cartão Verde em 2003, onde ficou até 2005. Apresentou o programa de entrevistas na rede CNT, Juca Kfouri ao vivo, entre 1996 e 1999 e foi colaborador da ESPN-Brasil entre 2005 e 2019. Colunista de futebol de “O Globo” entre 1989 e 1991 e apresentador, de 2000 até 2010, do programa CBN EC, na rede CBN de rádio. Foi colunista da Folha de S.Paulo entre 1995 e 1999, quando foi para o diário Lance!, onde ficou até voltar, em 2005, para a Folha, onde permanece com sua coluna três vezes por semana. Apresenta, também, o programa Entre Vistas, na TVT, desde janeiro de 2018.

Colunas na Folha: https://blogdojuca.uol.com.br/lista-colunas-na-folha/

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