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Blog do Juca Kfouri

Sufoco.E festa merecida

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Juca Kfouri

22/06/2013 17h54

Outra vez o hino cantado à capela em altos brados, retumbante.

Outra vez  um time brasileiro tão pilhado que em menos de um minuto, numa blitz empolgante, três chances foram criadas de gol.

Experientes e sem saída de bola pela marcação férrea do ataque brasileiro, os italianos tentavam quebrar o ritmo do jogo.

Conseguir não conseguiam, embora duas vezes, em 15 minutos, tenham chegado bem ao ataque.

Pela primeira vez nesta Copa das Confederações, o time do Felipão não fazia gol no começo do jogo.

A Itália errava muito em sua defesa, infantilmente mesmo.

Aos 21, Oscar deu o gol para Neymar que bateu cruzado, mas descalibrado.

Em seguida, Neymar dá uma entrada em Abate, que havia batido nele segundos antes, toma cartão amarelo, mas o abate a tal ponto que ele sai para a entrada de Maggio.

David Luiz também se machucou e Dante entrou, aos 32.

Balotelli não conseguia jogar e bobeou ao não se aproveitar de uma surpreendente furada de Dante.

O árbitro do Uzbequistão não era amigo do Felipão, que deve ter reclamado muito dele por lá, porque ia amarelando o time nacional.

Com razão, aliás.

A justiça no placar veio já nos acréscimos, quando Dante pegou o rebote do Buffon numa cabeçada de Fred, em lançamento de Neymar cobrando falta sofrida por ele mesmo na esquerda.

Dante, na cabeçada de Fred, estava ligeiramente impedido…

O segundo tempo, embora já sem sol e com temperatura bem mais amena, deveria ser de sofrimento para a azurra, claramente desgastada.

O Brasil vencia, convencia e alegrava.

Pareceu que a festa cresceria no recomeço do jogo, mas um tiro de meta bem batido por Buffon cai no calcanhar de Balotelli que, nas costas de Marcelo, lança Giaccherini que bate cruzado e empata.

Hora de reagir, ou melhor, minutos para reagir, porque Neymar cavou uma falta na entrada da área e bateu com maestria, para fazer 2 a 1, quatro minutos depois.

Corrijo: o apitador é amigo do Felipão.

E não é que a Itália achou força para vir para cima do Brasil com tudo?

Aos 23, fim de papo!

Marcelo  fez um lançamento sensacional para Fred, que matou a pelota, foi empurrado, mas levou a melhor e fez 3 a 1.

Então, Felipão tirou Neymar para que ele fosse delirantemente aplaudido e pôs Bernard, o que tem "alegria nas pernas".

Corrijo novamente: o assoprador de apito não é amigo do Felipão.

Porque ele apitou uma  falta na área do Brasil, o lance seguiu, e Chiellini diminuiu, aos 25.

Tinha papo, pois!

Fernando entrou no lugar de Hulk, para segurar, diante de quase 49 mil torcedores, apenas mil a menos do que cabe na Fonte Nova

3 a 2 fôra o resultado que eliminou o Brasil na Copa de 1982 e o da cobrança de pênaltis que deu o tetra em 1994.

Aos 39, Maggio cabeceou no travessão brasileiro.

A Itália substituía o cansaço pelo coração em busca do empate em nome da honra, porque dava no mesmo em termos de classificação.

Contrariando a Fifa, a torcida, educadamente branca até na Bahia, chamava Balotelli de "viado'.

A verdade é que o jogo merecia uma arbitragem mais competente que a do tal Irmatov, que andou mais para Sogratov…

Mas o que é do homem o bicho não come e depois de mais uma roubada de bola,  Bernard achou Marcelo que chutou forte, deu rebote de Buffon que Fred não desperdiçou.

A Itália caía de quatro, mas com dignidade.

NOTAS

Júlio César, sem culpa, 7;

Daniel Alves mais preso e bem no apoio, 7;

Thiago Silva, sempre seguro, 7,5;

David Luiz estava afoito e se machucou, 6,5;

Dante entrou e se deu bem, 7;

Marcelo, altos e baixos, mais altos que baixos, 7;

Luiz Gustavo sem problemas, 7;

Hernanes não foi mal, mas não jogou o que ele mesmo esperava, 6,5;

Oscar, desgastado, vaga-lume, 6,5;

Hulk, trabalhador, insinuante, 6;

Fred, fez dois gols e ajudou muito como pivô, 8;

Neymar, apanhou, simulou, fez mais um golaço, cresce o menino, 8,5;

Bernard, alegria nas pernas e passe decisivo, 7;

Fernando, pouco tempo, quase entregou o ouro, tudo bem, 5;

Felipão, cada vez mais, tem o time na mão, 7.

 

Sobre o Autor

Juca Kfouri é formado em Ciências Sociais pela USP. Diretor das revistas Placar (de 1979 a 1995) e da Playboy (1991 a 1994). Comentarista esportivo do SBT (de 1984 a 1987) e da Rede Globo (de 1988 a 1994). Participou do programa Cartão Verde, da Rede Cultura, entre 1995 e 2000 e apresentou o Bola na Rede, na RedeTV, entre 2000 e 2002. Voltou ao Cartão Verde em 2003, onde ficou até 2005. Apresentou o programa de entrevistas na rede CNT, Juca Kfouri ao vivo, entre 1996 e 1999 e foi colaborador da ESPN-Brasil entre 2005 e 2019. Colunista de futebol de “O Globo” entre 1989 e 1991 e apresentador, de 2000 até 2010, do programa CBN EC, na rede CBN de rádio. Foi colunista da Folha de S.Paulo entre 1995 e 1999, quando foi para o diário Lance!, onde ficou até voltar, em 2005, para a Folha, onde permanece com sua coluna três vezes por semana. Apresenta, também, o programa Entre Vistas, na TVT, desde janeiro de 2018.

Colunas na Folha: https://blogdojuca.uol.com.br/lista-colunas-na-folha/

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