Topo

Histórico

Categorias

Os primeiros presos da Copa. E a reação dos estudantes

Juca Kfouri

15/06/2013 11h45

NOTA  PÚBLICA DO MTST

O MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto) faz parte da Resistência Urbana, que ontem dia 14/6 promoveu uma jornada nacional de manifestações questionando a Copa do Mundo Fifa 2014, evento que está provocando milhares de despejos país afora, além de submeter os brasileiros à Lei Geral da Copa, uma arbitrariedade que restringe inclusive o direito de ir e vir, bem como o de se manifestar.

Isso sem mencionar os altíssimos custos do evento, pagos quase exclusivamente pelo povo.

Entre as ações de ontem, destaca-se a que ocorreu em Brasília, onde nossos militantes travaram o Eixo Monumental, principal acesso ao Estádio Nacional Mané Garrincha por mais de duas horas com grande repercussão, inclusive na imprensa internacional.

Numa reação vergonhosa com o intuito de reprimir as manifestações e criminalizar o Movimento, o Governo do Distrito Federal iniciou no fim da tarde uma verdadeira caça às bruxas (expediente da Ditadura Militar!), prendendo nada menos que 5 militantes, entre eles duas coordenadoras do MTST que estavam com uma criança de 4 anos!

Além disso, outros vários militantes e aliados do Movimento foram perseguidos pelas polícias militar e federal durante a noite.

Graças à solidariedade de nossos aliados e apoiadores, conseguimos, já ao fim da noite, a liberação de todos por meio de fiança.

Como se não bastasse nos perseguir como se fossemos criminosos de altíssima periculosidade, o GDF e a polícia militar aventaram uma série de acusações absurdas contra o Movimento.

Uma delas é que as pessoas que participaram da manifestação no Mané Garrincha teriam recebido R$ 30.

Nossos aliados do grupo Brasil e Desenvolvimento que participaram da ação também foram vítimas de insinuações caluniosas por parte do governo local.

Essa nota vem para desmentir o GDF, a PM e a imprensa que veicula mentiras sem apurar os fatos.

O GDF de Agnelo Queiroz tem a marca da intransigência com os trabalhadores e movimentos populares, o que se expressa na declaração de seu Secretário de Segurança de que "quem fizer manifestação na Copa das Confederações será preso".

Essa característica somada aos desmandos da FIFA no período da Copa das Confederações tem como resultado a repressão contra os mais pobres.

Na tentativa de nos destruir, o primeiro passo é nos calar e nos amordaçar.

Mas isso não acontecerá.

Seguimos questionando: Copa pra quem?

Nota dos Estudantes

Elaborada a partir da ''Reunião Aberta sobre os Atos e Manifestações Ocorridos em São Paulo'' e realizada na Faculdade de Direito do Largo São Francisco

Nós, estudantes, centros acadêmicos e entidades abaixo subscritas, vimos por meio desta nota repudiar o ocorrido no dia 13/06, durante o Quarto Grande Ato pela Redução da Tarifa do transporte público em São Paulo. Consideramos inaceitáveis a violenta repressão e arbitrariedade cometidas pela Polícia Militar, que sufocaram o direito constitucionalmente garantido de livre manifestação de milhares de cidadãos e cidadãs.

Em decorrência disso, o movimento que inicialmente reivindicava a redução da tarifa, hoje incorpora uma luta muito maior, pelo direito de protesto, de liberdade de expressão e de ocupação do espaço público que são inerentes ao Estado Democrático de Direito e não podem ser suspensos de modo algum.

Ao contrário do que se tem veiculado por setores da mídia, a conduta de violência policial foi aplicada de forma sistemática contra a manifestação pacífica. As milhares de pessoas que expressavam sua opinião foram recebidas com gás lacrimogêneo, bombas de efeito moral, balas de borracha, além de revistas e prisões por averiguação (flagrantemente ilegais) pelo porte de garrafas de vinagre. Toda essa ação demonstra uma escolha política do Poder Público em não dialogar com os seus cidadãos e cidadãs, seus representados.

A ação ocorrida no dia de ontem mostra a necessidade de repensarmos as políticas de segurança pública e o caráter militar da nossa Polícia, de nos posicionarmos contrários à criminalização dos movimentos políticos e de manifestações da população, bem como de repensarmos a atual estrutura do transporte público na cidade de São Paulo, que serviu de estopim para todo o movimento.

O Poder Público, tanto Municipal quanto Estadual, precisa abrir canais de diálogo com a sociedade civil, abandonando o discurso que legitima a repressão de manifestações populares. Apoiamos e estaremos presentes no 5º Grande Ato pela Redução da Tarifa, esperando que dessa vez os direitos da população de se manifestar sejam respeitados pelas autoridades. Mais do que a discussão sobre uma política pública, o que está em discussão são os nossos direitos fundamentais. E é marcando presença nas ruas que poderemos defendê-los.

São Paulo, 14 de junho de 2013

Subscrevem:

Centro Acadêmico XI de Agosto – Faculdade de Direito da USP

Centro Acadêmico Guimarães Rosa – Instituto de Relações Internacionais da USP

Diretório Acadêmico Eugênio Gudin – Universidade Presbiteriana Mackenzie

Centro Acadêmico João Mendes Júnior – Faculdade de Direito do Mackenzie

Centro Acadêmico de Farmácia e Bioquímica da USP

Centro de Estudos Químicos Heinrich Rheinboldt – Instituto de Química da USP

Diretório Central dos Estudantes Livre da USP "Alexandre Vannucchi Leme"

Centro Acadêmico Visconde de Cairu – Faculdade de Economia, Administração e Economia da USP

Diretório Acadêmico de Comunicação e Artes do Mackenzie

Centro Acadêmico de Matemática,Estatística e Computação da USP

Centro Acadêmico de Biologia da USP

Representação Discente da Faculdade de Direito da USP

Centro Acadêmico Antonio Junqueira de Azevedo – Faculdade de Direito de Ribeirão Preto da USP

Centro Acadêmico 22 de Agosto – Faculdade de Direito da PUC

Centro de Engenharia Elétrica da USP

Centro Acadêmico de Engenharia de Produção da USP

Diretório da União Nacional dos Estudantes de São Paulo

Centro de Engenharia Naval da USP – Escola Politécnica da USP

Centro Acadêmico Isis de Oliveira (CEUPES) – Ciências Sociais da USP

Centro Acadêmico Lupe Cotrim – Escola de Comunicação e Artes da USP

Centro Acadêmico Gestão de Políticas Públicas – Escola de Artes e Ciências Humanas da USP

Centro Acadêmico Oswaldo Cruz – Faculdade de Medicina da USP

Centro Acadêmico de Nutrição e Saúde Pública da USP

Centro Acadêmico Vladimir Herzog – Jornalismo da Cásper Líbero

Centro Acadêmico Rocha Lima – Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da USP

Apoiam:

Ciranda – Associação de Moradoresde Santo Amaro

SAJU Carcerário

PROMI (Direito e Ditadura)

Departamento Jurídico do XI deAgosto

Juventude do PT

Coletivo Juntos!

Oposição de esquerda da UNE

Diretório Municipal do PSOL

Coletivo Contraponto – Faculdade de Direito da USP

Coletivo Canto Geral – Faculdade de Direito da USP

Movimento Resgate Arcadas – Faculdade de Direito da USP

Sobre o Autor

Juca Kfouri é formado em Ciências Sociais pela USP. Diretor das revistas Placar (de 1979 a 1995) e da Playboy (1991 a 1994). Comentarista esportivo do SBT (de 1984 a 1987) e da Rede Globo (de 1988 a 1994). Participou do programa Cartão Verde, da Rede Cultura, entre 1995 e 2000 e apresentou o Bola na Rede, na RedeTV, entre 2000 e 2002. Voltou ao Cartão Verde em 2003, onde ficou até 2005. Apresentou o programa de entrevistas na rede CNT, Juca Kfouri ao vivo, entre 1996 e 1999 e foi colaborador da ESPN-Brasil entre 2005 e 2019. Colunista de futebol de “O Globo” entre 1989 e 1991 e apresentador, de 2000 até 2010, do programa CBN EC, na rede CBN de rádio. Foi colunista da Folha de S.Paulo entre 1995 e 1999, quando foi para o diário Lance!, onde ficou até voltar, em 2005, para a Folha, onde permanece com sua coluna três vezes por semana. Apresenta, também, o programa Entre Vistas, na TVT, desde janeiro de 2018.

Colunas na Folha: https://blogdojuca.uol.com.br/lista-colunas-na-folha/

Blog do Juca Kfouri