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Blog do Juca Kfouri

Balanço final

Juca Kfouri

30/12/2012 11h51

Publicado na Folha de hoje:

Agora que o ano acabou mesmo, dá para fazer todos os ajustes que a bola gosta de mudar

A MELHOR NOTÍCIA do ano para o futebol brasileiro não foi o bicampeonato mundial do Corinthians, mas a queda de Ricardo Teixeira na CBF e no COL. A façanha alvinegra foi a segunda melhor notícia.

A pior notícia do ano para o futebol brasileiro não foi a nova queda do Palmeiras para a segunda divisão do Nacional, mas a ascensão de José Maria Marin na CBF e no COL. O desastre alviverde foi a segunda pior notícia.

O melhor jogador brasileiro do ano não foi o melhor jogador brasileiro em atividade no futebol mundial, porque Neymar, embora tenha brilhado mais que todos os outros, não conquistou em 2012 o que dele sempre se espera. Ao contrário, Ronaldinho Gaúcho não só se recuperou para o futebol como liderou o Galo em campanha memorável.

O melhor goleiro do ano não foi o melhor goleiro do Brasileirão, Diego Cavalieri, fartamente responsável pelo tetra do Fluminense.

Não tão decisivo como ele ao longo da temporada, Cássio decidiu a Libertadores e o Mundial de Clubes para o Corinthians, razão pela qual é o número 1 de 2012, embora seja o número 12 que virou o número 1.

O melhor técnico do Brasileirão, eleito quase por unanimidade, Abel Braga, também não é nem o técnico do ano nem mesmo o melhor do Brasileirão.

Melhor que ele no Brasileirão, porque com um desafio maior, foi Cuca, no comando do Galo.

E superior a todos na temporada foi Tite, porque além dos dois maiores títulos que ajudou a conquistar para o time do ano no futebol mundial, implantou um jeito de jogar ao qual não estávamos acostumados por aqui e que cabe perfeitamente no padrão de exigência da Fiel, pois exige abnegação e causa sofrimento.

Desnecessário repetir que o maior time do ano não é o melhor time do ano, já que este mora na Catalunha e tem, também, o craque da temporada, nascido na Argentina e de nome Lionel Messi.

A revelação brasileira do ano poderia ter sido Romarinho, quase foi, mas acabou sendo mesmo Bernard, que, tomara, o Galo mantenha.

E o gol mais importante do ano?

Na ponta da língua está o de Romarinho contra o Boca Juniors, na Bombonera. Mas está também o primeiro de Emerson Sheik, contra o mesmo Boca, no Pacaembu. Como não mencionar o de Guerrero contra o Chelsea, em Yokohama?

Sem o de Romarinho haveria o, ou os, de Emerson? E sem esses aconteceria o, ou os, do peruano?

Bem, por aí, entram na lista o gol de Paulinho contra o Vasco, o de Emerson contra o Santos, na Vila, o de Danilo…

Mas não serão os gols de Peralta, os que valeram o ouro olímpico inédito ao México, os mais importantes de 2012? O que vale mais: o ouro olímpico ou o Mundial de Clubes?

A resposta é sua, caro leitor, de fato, o mais importante deste e de todos os anos.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre o Autor

Juca Kfouri é formado em Ciências Sociais pela USP. Diretor das revistas Placar (de 1979 a 1995) e da Playboy (1991 a 1994). Comentarista esportivo do SBT (de 1984 a 1987) e da Rede Globo (de 1988 a 1994). Participou do programa Cartão Verde, da Rede Cultura, entre 1995 e 2000 e apresentou o Bola na Rede, na RedeTV, entre 2000 e 2002. Voltou ao Cartão Verde em 2003, onde ficou até 2005. Apresentou o programa de entrevistas na rede CNT, Juca Kfouri ao vivo, entre 1996 e 1999 e foi colaborador da ESPN-Brasil entre 2005 e 2019. Colunista de futebol de “O Globo” entre 1989 e 1991 e apresentador, de 2000 até 2010, do programa CBN EC, na rede CBN de rádio. Foi colunista da Folha de S.Paulo entre 1995 e 1999, quando foi para o diário Lance!, onde ficou até voltar, em 2005, para a Folha, onde permanece com sua coluna três vezes por semana. Apresenta, também, o programa Entre Vistas, na TVT, desde janeiro de 2018.

Colunas na Folha: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/jucakfouri/