Papo de avô
Desde junho de 2011 que escrevo uma coluna para a revista "Pais&Filhos" sob o título Vovô Juca.
Em outubro passado, na Semana da Criança, publiquei aqui as cinco primeiras, uma por dia.
O que repito agora, com duas.
Só os avós entendem como muda a vida depois dos netos.
Em outubro passado, a pretexto de comemorar o "Dia da Criança", publiquei no blog que tenho no UOL as cinco primeiras colunas aqui já publicadas,uma em cada dia útil da segunda semana.
E, para minha alegre surpresa, a reação foi das melhores.
Houve até quem sugerisse que o vovô aqui largasse o futebol e se dedicasse apenas às netas, o que não sei bem se foi um elogio ou um conselho de amigo…
Mas, melhores ainda, foram os comentários.
Como o a seguir, de José Carlos Vergili:
"Vô Juca, estou lendo um livro em língua portuguesa de Portugal, da Editora Caminho, que poderá ser-lhe útil, chamado "A razão dos avós" de Daniel Sampaio, donde transcrevo um pequeno relato.
'Estava no consultório do médico para observação de rotina, marcada sem saber porquê. Não vou muito a consultas, nem tenho a mania das doenças: sou daqueles que faz análises uma vez por ano e que prefere remediar a prevenir, apesar de ter nascido a ouvir falar de promoção da saúde e de prevenção da doença.
O médico observou-me com atenção, disse aquele "estás ótimo" que caracteriza o elogio clínico às pessoas de meia idade e deu-me alguns conselhos úteis.
Ficamos depois em silêncio a olhar um para o outro.
Quando me preparava para agradecer e vir embora, vejo-o observar a ficha e perguntar:
– Por que razão vieste agora?
– Por rotina, porque tenho mais de cinquenta anos e peso a mais – olhei em volta e vi a marquesa, os aparelhos, uma jarra com flores artificiais, o simposium terapêutico. – Não sei explicar, não sei…
– Está tudo bem. Como não tiveste dor cardíaca, não fumas, nem bebes e a próstata ainda não te dá problemas, deves ter tido um neto.
Tive pena de ver o meu primeiro neto, o Francisco, reduzido a uma espécie de sintoma, mas o meu colega tinha razão: tinha sido avô.'
Abraço do vô Ge."
"Os avós são os cavalos bravos que os filhos domam, para os netos montarem no futuro."
Sobre o Autor
Colunas na Folha: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/jucakfouri/









