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Juca Kfouri

2031-05-20T12:16:28

31/05/2012 16h28

De ontem, 31/10/2011:

Ronaldinho Gaúcho já está acostumado!

 

Por AIRTON GONTOW

Ao sair derrotado do estádio Olímpico, o ex-Ronaldinho Gaúcho tentou tripudiar da torcida gremista, que o vaiou e xingou durante toda a partida.

Ronaldinho Carioca afirmou: "Para quem tá acostumado com a torcida do Flamengo, isso não é muito barulho".

O jogador faz lembrar a famosa frase de Romário sobre o Rei do Futebol: "Pelé calado é um poeta".

Até mesmo porque todos sabem que se a torcida do Grêmio não é a mais numerosa do país, é exemplo de entusiasmo e vibração, fato destacado pelos ex-jogadores e adversários que atuaram no Olímpico.

Mais sincero e realista seria Ronaldinho dizer: "para quem está acostumado às vaias, isso não é muito barulho".

Afinal, poucos craques foram tão vaiados na história do futebol!

Algumas poucas vezes o então Ronaldinho Gaúcho até que se saiu brilhantemente bem diante das vaias, como no dia 19 de novembro de 2005, quando foi aplaudido de pé pela torcida do grande rival do Barcelona, o Real Madrid, em pleno Santiago Bernabéu, repetindo o que havia acontecido em 83 com Diego Armando Maradona..

Mas nem sempre foi assim.

Geralmente as vaias não vieram acompanhadas de histórias de superação.

Ouviu vaias no Paris Saint-Germain, onde alternou bons e maus momentos.

Ouviu vaias no Barcelona, de uma torcida que trocou a idolatria pelo desgosto de ver um talento desperdiçado em festas e falta de seriedade nos treinamentos e que exigiu sua saída para dar de vez lugar ao grande Messi.

Ouviu vaias no Milan, onde amargou a reserva na maior parte do tempo.

E na Seleção Brasileira, diante do vexame na Copa de 2006.

Até no Flamengo já chegou a ouvi-las – o que deve se repetir cada vez mais.

As vaias de hoje não foram novidade na vida desse gênio da bola que por algum tempo encantou o mundo com seu futebol mágico, mas que não conseguiu conquistar o coração de nenhuma torcida por onde passou.

Foram vaias intensas e xingamentos pesados. Mas de fato não devem ser sido tão ruins para quem já está, infelizmente, acostumado.

*Airton Gontow é jornalista e cronista gremista.

NOTA DO BLOG: Então, os rubro-negros não pouparam nem a mãe do autor, embora tenham sido "censurados".

De hoje, 31/5/2012:

O homem de 40 milhões de reais

Por ROBERTO VIEIRA

Ronaldinho Gaúcho voltou.

Voltou ao patamar dos grandes craques do futebol mundial.

Pelo menos no tamanho da dívida cobrada ao Flamengo.

Quarenta milhões de reais no Tribunal Regional do Trabalho.

O equivalente a quase três Oscars.

Ou a 2% de Lionel Messi.

O Flamengo afirma que é centenário.

Ronaldinho insiste que não via a cor do dinheiro.

O Flamengo esmurra a mesa imaginária da história.

Ronaldinho prefere cumprimentar sua advogada, Dra. Gislaine.

O futebol mudou muito nas últimas décadas.

Antigamente, a atitude de Ronaldinho seria execrada.

Somente Afonsinho tinha coragem de peitar os clubes.

Discutir com dirigentes.

Reclamar dos salários atrasados.

O Flamengo e muitos clubes brasileiros ainda não sacaram a mudança.

Insistem nos contratos milionários.

Confiantes no craque beijando a camisa.

Confiantes que o craque de hoje é ingênuo como um Fausto, um Baltasar.

Como um Mané.

Esquecem os grandes clubes brasileiros.

A lei brasileira não foi feita para cachoeiras e oradores com pedrinhas na boca.

A lei brasileira foi feita para pensão alimentar e direitos trabalhistas.

O Flamengo foi até mais longe.

Esqueceu que Ronaldinho também negou seu primeiro amor,

o Grêmio.

Então?

Resta ao Flamengo o último recurso.

Implorar de joelhos piedade ao craque.

Ou comemorar as estatísticas.

Cada gol do homem de quarenta milhões de reais.

Custou a bagatela de 1,5 milhão de contos de réis.

Um novo recorde para o milionário futebol brasileiro…

Sobre o Autor

Juca Kfouri é formado em Ciências Sociais pela USP. Diretor das revistas Placar (de 1979 a 1995) e da Playboy (1991 a 1994). Comentarista esportivo do SBT (de 1984 a 1987) e da Rede Globo (de 1988 a 1994). Participou do programa Cartão Verde, da Rede Cultura, entre 1995 e 2000 e apresentou o Bola na Rede, na RedeTV, entre 2000 e 2002. Voltou ao Cartão Verde em 2003, onde ficou até 2005. Apresentou o programa de entrevistas na rede CNT, Juca Kfouri ao vivo, entre 1996 e 1999. Atualmente está também na ESPN-Brasil. Colunista de futebol de “O Globo” entre 1989 e 1991 e apresentador, de 2000 até 2010, do programa CBN EC, na rede CBN de rádio. Foi colunista da Folha de S.Paulo entre 1995 e 1999, quando foi para o diário Lance!, onde ficou até voltar, em 2005, para a Folha.

Colunas na Folha: https://blogdojuca.uol.com.br/lista-colunas-na-folha/

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