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Blog do Juca Kfouri

E o Brasil foi só pouco mais que uma Bósnia

Juca Kfouri

28/02/2012 17h56

Divulgação/Mowa Press

Com 13 minutos no estadinho suíço de St.Gallen (obrigado, Ricardo Teixeira!), Brasil e Bósnia já empatavam por 1 a 1.

Graças a dois dos maiores laterais do mundo, Daniel Alves, que começou a jogada, e Marcelo, que fez o gol, aos 3.

E graças, também, àquele que já foi, e faz tempo, um dos melhores goleiros do mundo, Júlio César (insista com ele, Mano Menezes!) que, aos 12, engoliu um frango grotesco, embora, registre-se, o lance tenha nascido de um erro de passe de David Luiz.

Os brasileiros jogavam na terça-feira porque, na quarta, os argentinos jogarão também na Suíça, em Berna, contra os suíços e, é claro, eles têm preferência (obrigado, de novo, Ricardo Teixeira…).

O jogo era movimentado, com o Brasil melhor, apesar de jogar com um a menos, porque Ronaldinho limitava-se a estar em campo, enquanto Ganso estava no banco.

Leandro Damião caía demais, mas se esforçava na mesma medida, e Hernanes teve duas chances para desempatar, ambas evitadas pela zaga bósnia.

Duro de cintura como não costumam ser os times daquela região do mundo, os bósnios especulavam à espera dos erros brasileiros e ensaiavam contra-ataques.

E, aos 35, o atacante do Manchester City, Dzeko, teve a oportunidade de virar o resultado, mas mandou a bola nos Alpes.

E o primeiro tempo, nota 5,5, acabou com a Bósnia com menos posse de bola e mais perigosa que a tímida Seleção Brasileira do rebolante Ronaldinho Gaúcho (insiste com ele, Mano!).

Duro foi constatar que o segundo tempo começou sem alteração, isto é, Ganso seguiu sentado no banco e Ronaldinho seguiu rebolando em campo.

Aos 11 minutos, Mano Menezes trocou seis por meia dúzia ao tirar o burocrático Sandro e botar o mais dinâmico Elias.

Mas PHG seguia no banco e RG em campo.

E a Bósnia continuava mais perto do segundo gol.

 

Aos 17, com uma hora e dois minutos de jogo, enfim, aleluia!, Mano viu o óbvio e fez a troca.

Hulk entrou em seguida no lugar de Hernanes, aos 22.

Entre os sétimos e o décimos-nonos do ranking da Fifa, a diferença era mínima, embora Elias e Ganso tenham dado outra mobilidade à Seleção, a ponto de Neymar desperdiçar uma bela chance.

Lucas também entrou, para amansar o Leão, e no lugar de Damião.

Com um pouco mais de coragem no fim, o Brasil sufocou e até ganhou, com boas jogadas de Lucas.

No derradeiro minuto, Hulk enfiou um balaço pela esquerda e a bola ricocheteou num gringo para dar a vitória justa, mas sem brilho, tímida, insípida, inodora, apesar de colorida com a bela nova camisa.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre o Autor

Juca Kfouri é formado em Ciências Sociais pela USP. Diretor das revistas Placar (de 1979 a 1995) e da Playboy (1991 a 1994). Comentarista esportivo do SBT (de 1984 a 1987) e da Rede Globo (de 1988 a 1994). Participou do programa Cartão Verde, da Rede Cultura, entre 1995 e 2000 e apresentou o Bola na Rede, na RedeTV, entre 2000 e 2002. Voltou ao Cartão Verde em 2003, onde ficou até 2005. Apresentou o programa de entrevistas na rede CNT, Juca Kfouri ao vivo, entre 1996 e 1999 e foi colaborador da ESPN-Brasil entre 2005 e 2019. Colunista de futebol de “O Globo” entre 1989 e 1991 e apresentador, de 2000 até 2010, do programa CBN EC, na rede CBN de rádio. Foi colunista da Folha de S.Paulo entre 1995 e 1999, quando foi para o diário Lance!, onde ficou até voltar, em 2005, para a Folha, onde permanece com sua coluna três vezes por semana. Apresenta, também, o programa Entre Vistas, na TVT, desde janeiro de 2018.

Colunas na Folha: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/jucakfouri/