Quando éramos reis
"Eu sou jovem, eu sou bonito. Eu sou rápido, eu sou bonito e impossível de ser vencido." – Muhammad Ali
Por LUIZ GUILHERME PIVA
Há quem diga que o juiz deveria ter parado o massacre, por nocaute técnico, depois do segundo gol.
Ou aberto contagem depois do terceiro gol.
Ou que Muricy deveria ter jogado a toalha quando viu o estado de seus pupilos no intervalo.
Há até quem cogite que o Santos tenha tentado adotar a tática de Muhammed Ali contra George Foreman no então Zaire, em 1974.
Na ocasião, Ali deixou Foreman bater até se cansar. E então desferiu a sequência de socos que derrotou Foreman.
E ainda teve a grandeza de, com o adversário cambaleante e exposto, recolher o braço e não soltar o golpe final.
Que nada. Quem teve misericórdia foi o Barcelona.
Depois do quarto gol poderia imaginar que o mundo gritava "boma ye!", como os africanos pediam para Ali: "mate-o!".
E então desfechar a saravaida mortal.
Não. Diante do alvo grogue, o Barcelona recolheu o punho, deixou o adversário tombar.
Andou em volta. Ergueu os braços sorrindo.
Impávido que nem Muhammed Ali.
Eu vi.
Outros, contudo, quiseram que o combate seguisse até o final, independentemente do placar.
Acreditavam que o Barcelona, como o chefe Timbira, depois de humilhar o Santos por todo o jogo, seria surpreendido no final pela bravura heróica do guerreiro Tupi.
Mas não, meninos.
Isso eu não vi.
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Luiz Guilherme Piva tem as retinas fatigadas.
Sobre o Autor
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