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Blog do Juca Kfouri

Quando éramos reis

Juca Kfouri

20/12/2011 11h30

"Eu sou jovem, eu sou bonito. Eu sou rápido, eu sou bonito e impossível de ser vencido." – Muhammad Ali

Por LUIZ GUILHERME PIVA

Há quem diga que o juiz deveria ter parado o massacre, por nocaute técnico, depois do segundo gol.

Ou aberto contagem depois do terceiro gol.

Ou que Muricy deveria ter jogado a toalha quando viu o estado de seus pupilos no intervalo.

Há até quem cogite que o Santos tenha tentado adotar a tática de Muhammed Ali contra George Foreman no então Zaire, em 1974.

Na ocasião, Ali deixou Foreman bater até se cansar. E então desferiu a sequência de socos que derrotou Foreman.

E ainda teve a grandeza de, com o adversário cambaleante e exposto, recolher o braço e não soltar o golpe final.

Que nada. Quem teve misericórdia foi o Barcelona.

Depois do quarto gol poderia imaginar que o mundo gritava "boma ye!", como os africanos pediam para Ali: "mate-o!".

E então desfechar a saravaida mortal.

Não. Diante do alvo grogue, o Barcelona recolheu o punho, deixou o adversário tombar.

Andou em volta. Ergueu os braços sorrindo.

Impávido que nem Muhammed Ali.

Eu vi.

Outros, contudo, quiseram que o combate seguisse até o final, independentemente do placar.

Acreditavam que o Barcelona, como o chefe Timbira, depois de humilhar o Santos por todo o jogo, seria surpreendido no final pela bravura heróica do guerreiro Tupi.

Mas não, meninos.

Isso eu não vi.

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Luiz Guilherme Piva tem as retinas fatigadas.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre o Autor

Juca Kfouri é formado em Ciências Sociais pela USP. Diretor das revistas Placar (de 1979 a 1995) e da Playboy (1991 a 1994). Comentarista esportivo do SBT (de 1984 a 1987) e da Rede Globo (de 1988 a 1994). Participou do programa Cartão Verde, da Rede Cultura, entre 1995 e 2000 e apresentou o Bola na Rede, na RedeTV, entre 2000 e 2002. Voltou ao Cartão Verde em 2003, onde ficou até 2005. Apresentou o programa de entrevistas na rede CNT, Juca Kfouri ao vivo, entre 1996 e 1999 e foi colaborador da ESPN-Brasil entre 2005 e 2019. Colunista de futebol de “O Globo” entre 1989 e 1991 e apresentador, de 2000 até 2010, do programa CBN EC, na rede CBN de rádio. Foi colunista da Folha de S.Paulo entre 1995 e 1999, quando foi para o diário Lance!, onde ficou até voltar, em 2005, para a Folha, onde permanece com sua coluna três vezes por semana. Apresenta, também, o programa Entre Vistas, na TVT, desde janeiro de 2018.

Colunas na Folha: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/jucakfouri/