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Noite de Ronaldinho, de Mengo. Noite histórica

Juca Kfouri

27/07/2011 23h45

O Santos estreou no Brasileirão.

Logo aos 4 minutos a invencibilidade rubro-negra começou a ruir. Só começou, como se verá.

Depois de bela troca de bola, Elano achou Borges pelo meio e livrinho da silva para abrir o placar.

É claro que Flamengo é Flamengo e que o time foi à luta com Ronaldinho quase empatando em seguida, em duas falhas de Pará.

Mas talento é talento e na bobeada de Renato Abreu, nem Elano, nem Ganso, nem Neymar e nem Borges falharam para ampliar para 2 a 0.

Contra o Santos completo é assim: errou, dançou.

No Flamengo é diferente: quem erra e dança é o Deivid, que perdeu de esquerda e de direita, no mesmo lance, embaixo do travessão, o gol que reporia o rubro-negro no jogo.

O jogo não era bom, era ótimo.

Porque o Mengo, mesmo como coadjuvante, jogava bem como poucas vezes neste ano.

Mas o ator principal estava em noite de gala e Neymar, discreto até então, resolveu fazer uma obra prima no belo gramado da Vila Belmiro (12.968 pagantes) e, aos 25, fez fila na defesa rival para assinar um pintura do gol.

Quem fará a placa?

Mas não era justo com o Flamengo que havia finalizado as mesmas cinco vezes que o Santos e, em seguida, Luís Antonio, cruzou pela direita, Rafael tocou mal na bola, tirou Edu Dracena da jogada e a bola sobrou livre para Ronaldinho diminuir.

Tinha jogo!

E em seguida ficou provado, quando novo cruzamento pela direita permitiu que Thiago Neves aparecesse como elemento surpresa para fazer 2 a 3, aos 31 minutos!

O jogo era franco e limpo e parecia um Santos e Flamengo nos anos 60.

Verdade seja dita, os cariocas jogavam até melhor, apenas eram um pouco menos eficazes.

E foram prejudicados aos 39 quando um impedimento mal marcado impediu o 3 a 3.

Em seguida, um pênalti à brasileira sobre Neymar que Elano achou de cobrar com cavadinha, para mostrar que sabe bater.

Felipe não só pegou com ainda fez embaixadinha.

E o castigo veio a cavalo, com Deivid que cavou um escanteio com falta e desviou para deixar tudo igual no placar.

Quando acabou o primeiro tempo uma pergunta pairava no ar: onde este jogo, o melhor da temporada, iria parar?

Neymar começou a responder, aos 5, ao fazer mais um golaço e desempatar.

Mas o Flamengo nem ligou e seguiu na luta, buscando o empate, que só não saiu porque o árbitro não deu pênalti em Ronaldinho, que jogava muito, demais mesmo.

E ao sofrer falta na entrada da área ele tratou de bater genialmente, por baixo da barreira, para fazer 0 4 a 4.

O Flamengo deixara de ser coadjuvante no espetáculo e fazia por merecer a vitória porque jogava mais que o dono da casa.

Os técnicos duelavam nos bancos, mas, com licença, senhores, os artistas estavam em campo.

E foi um deles, Ronaldinho Gaúcho, que em belo contra-ataque, fez o novo gol do jogo, o único que punha o Flamengo na frente do jogo, mas aquele que realmente importava, porque o da vitória que, além de justa, foi épica, histórica mesmo, vitória de hexacampeão  brasileiro.

Certo mesmo estava este blogueiro ao dizer que, mesmo em férias, não perderia o jogo por nada neste mundo.

Em tempo: quem imaginou que a derrota do líder Corinthians para o Cruzeiro deflagaria uma crise em Parque São Jorge, se enganou: nesta 12a. rodada o alvinegro derrotou o forte Inter, tão forte que enfiou dois gols no Barcelona, empatou o jogo e, bem à brasileira, não deu bola aos pênaltis.

Sobre o Autor

Juca Kfouri é formado em Ciências Sociais pela USP. Diretor das revistas Placar (de 1979 a 1995) e da Playboy (1991 a 1994). Comentarista esportivo do SBT (de 1984 a 1987) e da Rede Globo (de 1988 a 1994). Participou do programa Cartão Verde, da Rede Cultura, entre 1995 e 2000 e apresentou o Bola na Rede, na RedeTV, entre 2000 e 2002. Voltou ao Cartão Verde em 2003, onde ficou até 2005. Apresentou o programa de entrevistas na rede CNT, Juca Kfouri ao vivo, entre 1996 e 1999 e foi colaborador da ESPN-Brasil entre 2005 e 2019. Colunista de futebol de “O Globo” entre 1989 e 1991 e apresentador, de 2000 até 2010, do programa CBN EC, na rede CBN de rádio. Foi colunista da Folha de S.Paulo entre 1995 e 1999, quando foi para o diário Lance!, onde ficou até voltar, em 2005, para a Folha, onde permanece com sua coluna três vezes por semana. Apresenta, também, o programa Entre Vistas, na TVT, desde janeiro de 2018.

Colunas na Folha: https://blogdojuca.uol.com.br/lista-colunas-na-folha/

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