Furacão ensopado.E feliz
Fala a verdade: quando você viu, aos 9 minutos, o Furacão fazer 2 a 0 no Santos não passou pela sua cabeça aqueles 3 a 0 do Santos no Flamengo?
Você achou que o jogo estava liquidado?
Se sim, tudo bem.
Mas parecia claro que naquela chuva, naquele gramado encharcado, nada estaria liquidado antes do fim do jogo.
E se Cléber Santana se aproveitou de uma má entrega de bola de Ibson para fazer um golaço na base do talento e da força, aos 4, e, cinco minutos depois, Manoel subiu livre na cobrança de escanteio para ampliar, era óbvio que o Santos não iria se entregar.
Menos óbvio foi mais um golaço de Neymar, de taco de bilhar, mesmo com o feltro molhado, aos 12.
E daí por diante, mesmo que às vezes aos trancos e barrancos, o Santos tomou conta e ficou muito perto de empatar, faltando apenas calibrar a pontaria, principalmente em cobranças de faltas que se sucederam nas imediações da área atleticana na Arena da Baixada.
A verdade é que o primeiro tempo foi muito bom e o segundo prometia ser melhor, ainda mais se Ganso entrasse no jogo, desaparecido que estava.
Mas até que a etapa final era menos palpitante até que, aos 18, Pará achou Borges de costas na área e marcado por Manoel.
Mas o centroavante não se afobou e, numa linda virada, empatou: 2 a 2.
Sétimo gol dele em oito disputados com a camisa santista.
A Arena (18.898 pagantes) gelou.
E só não gelou ainda mais no minuto seguinte porque tanto o goleiro Renan quanto o travessão salvaram dois chutes, o primeiro de Ganso e o segundo, no rebote, de Neymar.
Por molhado que estivesse, o jogo pegou de novo no breu.
Mais uma vez, como tem sido habitual desde o ano passado, o Santos era protagonista de um belo jogo de futebol.
E com chance de devolver ao rubro-negro paranaense, na casa dele, a virada que levara, na sua casa, do rubro-negro carioca.
Mas com Ganso atolado no gramado pesado, incapaz de calibrar a potência de seus passes, com os dois times em busca do terceiro gol e com Renato Gaúcho esgotando suas substituições e Muricy Ramalho sem fazer nenhuma, o empate persistia.
O que não erai bom para nenhum dos times.
E aos 44, Muricy resolveu mexer, ao tirar Ibson e botar Rodrigo Possebon.
Deu azar.
No primeiro contra-ataque atleticano, Marcinho, isolado, fez o 3 a 2 que já parecia impossível.
Wagner Diniz, que entrara no lugar de Edilson, cruzou da direita, Edigar Junio, que substituíra Santiago Garcia, desviou de cabeça e a bola foi se encontrar com Marcinho, o responsável por fazer a torcida, enfim, feliz.
De peixinho, como era adequado.
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