Topo

Blog do Juca Kfouri

Furacão ensopado.E feliz

Juca Kfouri

31/07/2011 20h30

Fala a verdade: quando você viu, aos 9 minutos, o Furacão fazer 2 a 0 no Santos não passou pela sua cabeça aqueles 3 a 0 do Santos no Flamengo?

Você achou que o jogo estava liquidado?

Se sim, tudo bem.

Mas parecia claro que naquela chuva, naquele gramado encharcado, nada estaria liquidado antes do fim do jogo.

E se Cléber Santana se aproveitou de uma má entrega de bola de Ibson para fazer um golaço na base do talento e da força, aos 4, e, cinco minutos depois, Manoel subiu livre na cobrança de escanteio para ampliar, era óbvio que o Santos não iria se entregar.

Menos óbvio foi mais um golaço de Neymar, de taco de bilhar, mesmo com o feltro molhado, aos 12.

E daí por diante, mesmo que às vezes aos trancos e barrancos, o Santos tomou conta e ficou muito perto de empatar, faltando apenas calibrar a pontaria, principalmente em cobranças de faltas que se sucederam nas imediações da área atleticana na Arena da Baixada.

A verdade é que o primeiro tempo foi muito bom e o segundo prometia ser melhor, ainda mais se Ganso entrasse no jogo, desaparecido que estava.

Mas até que a etapa final era menos palpitante até que, aos 18, Pará achou Borges de costas na área e marcado por Manoel.

Mas o centroavante não se afobou e, numa linda virada, empatou: 2 a 2.

Sétimo gol dele em oito disputados com a camisa santista.

A Arena (18.898 pagantes) gelou.

E só não gelou ainda mais no minuto seguinte porque tanto o goleiro Renan quanto o travessão salvaram dois chutes, o primeiro de Ganso e o segundo, no rebote, de Neymar.

Por molhado que estivesse, o jogo pegou de novo no breu.

Mais uma vez, como tem sido habitual desde o ano passado, o Santos era protagonista de um belo jogo de futebol.

E com chance de devolver ao rubro-negro paranaense, na casa dele, a virada que levara, na sua casa, do rubro-negro carioca.

Mas com Ganso atolado no gramado pesado, incapaz de calibrar a potência de seus passes,  com os dois times em busca do terceiro gol e com Renato Gaúcho esgotando suas substituições e Muricy Ramalho sem fazer nenhuma, o empate persistia.

O que não erai bom para nenhum dos times.

E aos 44,  Muricy resolveu mexer, ao tirar Ibson e botar Rodrigo Possebon.

Deu azar.

No primeiro contra-ataque atleticano, Marcinho, isolado, fez o 3 a 2 que já parecia impossível.

Wagner Diniz, que entrara no lugar de Edilson, cruzou da direita, Edigar Junio, que substituíra Santiago Garcia, desviou de cabeça e a bola foi se encontrar com Marcinho, o responsável por fazer a torcida, enfim, feliz.

De peixinho, como era adequado.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre o Autor

Juca Kfouri é formado em Ciências Sociais pela USP. Diretor das revistas Placar (de 1979 a 1995) e da Playboy (1991 a 1994). Comentarista esportivo do SBT (de 1984 a 1987) e da Rede Globo (de 1988 a 1994). Participou do programa Cartão Verde, da Rede Cultura, entre 1995 e 2000 e apresentou o Bola na Rede, na RedeTV, entre 2000 e 2002. Voltou ao Cartão Verde em 2003, onde ficou até 2005. Apresentou o programa de entrevistas na rede CNT, Juca Kfouri ao vivo, entre 1996 e 1999 e foi colaborador da ESPN-Brasil entre 2005 e 2019. Colunista de futebol de “O Globo” entre 1989 e 1991 e apresentador, de 2000 até 2010, do programa CBN EC, na rede CBN de rádio. Foi colunista da Folha de S.Paulo entre 1995 e 1999, quando foi para o diário Lance!, onde ficou até voltar, em 2005, para a Folha, onde permanece com sua coluna três vezes por semana. Apresenta, também, o programa Entre Vistas, na TVT, desde janeiro de 2018.

Colunas na Folha: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/jucakfouri/