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Blog do Juca Kfouri

Saudades de Conca

Juca Kfouri

30/06/2011 22h54

Por RAFAEL BELATTINI

Impossível negar um clima já de nostalgia na indiscutível vitória do Fluminense no Engenhão.

Se soubessem antes da triste notícia, talvez fossem muito mais do que os 5.114 tricolores presentes (3.449 pagantes), comemorando por um lado e se despedindo por outro daquele que foi o melhor jogador do último Brasileirão.

O baixinho Conca vai levar seu futebol para a China e, com toda certeza, deixará muita gente com saudades.

O primeiro tempo era de poucas chances para os dois lados e parecia fadado a terminar em 0 a 0.

Só que o Flu aproveitou as falhas do Atlético Paranaense, aos 41, Conca girou no meio de campo e tocou para Souza que viu bem Mariano passando pela direita. O lateral recebeu, tirou a marcação e bateu para fazer 1 a 0.

No minuto seguinte, Ciro, na entrada da área, gingou para dentro e bateu firme para ampliar o marcador e comemorar seu primeiro gol com a camisa do Fluminense demonstrando muita emoção ao não saber sequer como comemorar.

Na segunda etapa o Atlético Paranaense estava entregue em campo. Sem forças para reagir, parecia conformado com a lanterna da competição com apenas um ponto em 21 disputados.

O Flu agradeceu e, aos 13, Souza cobrou escanteio, Gum cabeceou na trave e Rafael Santos tentou se livrar do rebote, mas deu nos pés de Ciro que marcou mais uma vez. 3 a 0 Fluminense.

Com o resultado nas mãos, o tricolor tocava a bola e, aos 35, Conca deixou três do Furacão na saudade, e já matou de saudade antecipada a torcida que passou a gritar pedindo para o argentino ficar.

O gol do Atlético, de Edigar Júnior aos 41, mudou o placar para 3 a 1 e nada mais.

Porque o que as câmeras procuravam era o rosto de Conca segurando a emoção com um rosto em que as lágrimas pediam para rolar.

E, no apito final, Conca deixou o gramado em silêncio, debaixo de aplausos e súplicas.

 

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre o Autor

Juca Kfouri é formado em Ciências Sociais pela USP. Diretor das revistas Placar (de 1979 a 1995) e da Playboy (1991 a 1994). Comentarista esportivo do SBT (de 1984 a 1987) e da Rede Globo (de 1988 a 1994). Participou do programa Cartão Verde, da Rede Cultura, entre 1995 e 2000 e apresentou o Bola na Rede, na RedeTV, entre 2000 e 2002. Voltou ao Cartão Verde em 2003, onde ficou até 2005. Apresentou o programa de entrevistas na rede CNT, Juca Kfouri ao vivo, entre 1996 e 1999 e foi colaborador da ESPN-Brasil entre 2005 e 2019. Colunista de futebol de “O Globo” entre 1989 e 1991 e apresentador, de 2000 até 2010, do programa CBN EC, na rede CBN de rádio. Foi colunista da Folha de S.Paulo entre 1995 e 1999, quando foi para o diário Lance!, onde ficou até voltar, em 2005, para a Folha, onde permanece com sua coluna três vezes por semana. Apresenta, também, o programa Entre Vistas, na TVT, desde janeiro de 2018.

Colunas na Folha: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/jucakfouri/