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Blog do Juca Kfouri

O Coliseu das Emoções

Juca Kfouri

26/01/2011 19h36

Por ROBERTO VIEIRA

Pernambuco organizou o melhor campeonato estadual do Brasil.

Estádios lotados, torcidas apaixonadas, a volta do Campeão do Centenário, a luta pelo título inédito de Hexacampeão; tradição e garra em doses eletrizantes.

Pernambuco que se prepara para receber a Copa do Mundo de 2014.

Quis o destino, e a tabela, que o primeiro clássico do certame fosse o Clássico das Emoções, encontro que leva a campo a paixão inenarrável do tricolor de Capiba e Nélson Ferreira contra seu mais ferrenho adversário nas finais, o alvirrubro de Ascenso Ferreira e Abelardo da Hora.

Um duelo que traz a memória as diabruras de Tará, Baiano e Gentil Cardoso, heróis do passado que honraram as cores das duas agremiações.

A partida está marcada para o estádio Eládio de Barros Carvalho, nos Aflitos, casa e domínio do Clube Náutico Capibaribe.

O clube de Rosa e Silva manifestou desejo de transferir o prélio para o Estádio José do Rego Maciel, o popular Mundão do Arruda.

Como motivo para a mudança, a direção do Náutico cita a possibilidade de que, além dos 20 mil torcedores que normalmente compareceriam aos Aflitos, outros 50 mil aficcionados possam assistir ao espetáculo.

Setenta mil torcedores em campo?

Na sétima rodada de um campeonato organizado no Nordeste?

Eis as perguntas que irão ouriçar os compatriotas do sul/sudeste.

Pois é, meus amigos, estamos falando de um clássico que pode levar setenta mil pessoas ao palco de jogo, numa propaganda estupenda para nosso estado – principalmente se a partida transcorrer em paz e civilidade.

A renda ultrapassará o milhão de reais.

O Arruda voltará a seus velhos tempos de glória, quando era o templo do futebol pernambucano nas grandes decisões.

Com isso, é óbvio, não se pretende desmerecer as glórias dos Aflitos e da Ilha do Retiro, cenários ricos em memória e tradição.

Entretanto, o futebol é profissional desde 1933, os clubes vivem à procura de dinheiro para honrar seus compromissos, craque custa caro, Sinatra se exibiu no Maracanã, os Beatles no Shea Stadium e lugar de musical é na Broadway.

O Náutico quer. O Santa Cruz aceita. A mudança não fere os co-irmãos. A torcida poderá fazer a festa. O Brasil vai ficar de olho nas feras em campo. A história agradecerá feliz da vida. Os cofres ficarão rindo a toa.

Com certeza, como no próprio regulamento do campeonato, em seu artigo 9°, fica facultado o direito da Federação Pernambucana de Futebol modificar o mando de campo, irá ocorrer o sinal positivo do presidente da entidade máxima do nosso futebol, Sr. Carlos Alberto Oliveira.

Para que a multidão ocupe cada centímetro do Arruda.

Para que as emoções possa lotar nosso Coliseu…

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre o Autor

Juca Kfouri é formado em Ciências Sociais pela USP. Diretor das revistas Placar (de 1979 a 1995) e da Playboy (1991 a 1994). Comentarista esportivo do SBT (de 1984 a 1987) e da Rede Globo (de 1988 a 1994). Participou do programa Cartão Verde, da Rede Cultura, entre 1995 e 2000 e apresentou o Bola na Rede, na RedeTV, entre 2000 e 2002. Voltou ao Cartão Verde em 2003, onde ficou até 2005. Apresentou o programa de entrevistas na rede CNT, Juca Kfouri ao vivo, entre 1996 e 1999 e foi colaborador da ESPN-Brasil entre 2005 e 2019. Colunista de futebol de “O Globo” entre 1989 e 1991 e apresentador, de 2000 até 2010, do programa CBN EC, na rede CBN de rádio. Foi colunista da Folha de S.Paulo entre 1995 e 1999, quando foi para o diário Lance!, onde ficou até voltar, em 2005, para a Folha, onde permanece com sua coluna três vezes por semana. Apresenta, também, o programa Entre Vistas, na TVT, desde janeiro de 2018.

Colunas na Folha: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/jucakfouri/