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Blog do Juca Kfouri

No país da Copa do Mundo

Juca Kfouri

27/01/2011 19h32

Por LUIZ ANTONIO CINTRA*

No domingo fui ao Pacaembu assistir ao Noroeste e Corinthians, acompanhado de um cadeirante.

Antes de sair de casa, procurei no site da prefeitura as entradas acessíveis.

Levei um 'susto do bem', ao notar que são várias as entrada adaptadas.

A infraestrutura (rampas, vagas especiais para os automóveis, etc) está toda lá, o que merece ser festejado, não há dúvida.

No entanto, ao chegar nas catracas do portão 8, fomos informados de que teríamos de seguir para outro portão, o 13, localizado do outro lado do estádio.

A essa altura começavam a cair umas gotas de chuva, dava a crer que em minutos cairia uma dessas chuvonas.

Depois de informar os responsáveis de que eu havia me informado pelo site oficial e que não iria ao portão 13, quiseram nos convencer a erguer a cadeira de rodas, para que o meu acompanhante entrasse 'suspenso' por quatro brutamontes.

Recusei a oferta, perigosa, evidentemente, e tive de 'falar grosso' para que percebessem que eu não desistiria facilmente.

O mau humor dos responsáveis e mesmo a tentativa de nos intimidar eram evidentes.

Depois de 15 ou 20 minutos de espera, nos avisaram de que um técnico estava chegando pra remover duas catracas, suficientes para a passagem da cadeira.

O operação de retirada das catracas não levou mais de dois minutos!

Quando retiraram, percebemos que no chão havia o símbolo da acessibilidade, até então encoberto pelas catracas!

Quando já estávamos instalados, uma pessoa da organização ainda se deu ao trabalho de vir falar comigo. "Dessa vez tudo bem, vocês vão assistir aqui, mas da próxima vão ter que ir pro portão 13. Quando é jogo do Corinthians, os cadeirantes não usam o portão 8", afirmou o sujeito.

Eis o Brasil 2011.

Na corda bamba entre a civilização e a barbárie.

Luiz Antonio Cintra é editor do Meio & Mensagem.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre o Autor

Juca Kfouri é formado em Ciências Sociais pela USP. Diretor das revistas Placar (de 1979 a 1995) e da Playboy (1991 a 1994). Comentarista esportivo do SBT (de 1984 a 1987) e da Rede Globo (de 1988 a 1994). Participou do programa Cartão Verde, da Rede Cultura, entre 1995 e 2000 e apresentou o Bola na Rede, na RedeTV, entre 2000 e 2002. Voltou ao Cartão Verde em 2003, onde ficou até 2005. Apresentou o programa de entrevistas na rede CNT, Juca Kfouri ao vivo, entre 1996 e 1999 e foi colaborador da ESPN-Brasil entre 2005 e 2019. Colunista de futebol de “O Globo” entre 1989 e 1991 e apresentador, de 2000 até 2010, do programa CBN EC, na rede CBN de rádio. Foi colunista da Folha de S.Paulo entre 1995 e 1999, quando foi para o diário Lance!, onde ficou até voltar, em 2005, para a Folha, onde permanece com sua coluna três vezes por semana. Apresenta, também, o programa Entre Vistas, na TVT, desde janeiro de 2018.

Colunas na Folha: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/jucakfouri/