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Ciao, ciao amore!

juca kfouri

24/06/2010 12h55

Depois de 25 minutos absolutamente inócuos da Itália e com a perda de pelos menos duas chances claras por parte da Eslováquia, eis que De Rossi deu uma pixotada tremenda em saída de bola que foi recuperada na intermediária italiana e entregue a Vittek para fazer 1 a 0.

Começava mais um drama à italiana.

No palco Ellis Park, em Joanesburgo.

E com a Eslováquia não só na frente como mais perto do segundo gol do que a Itália do empate.

E assim terminou a primeira parte do drama, com a Itália, tetracampeã mundial, a última campeã do mundo, fora da Copa.

Chance de empatar mesmo a Itália só teve aos 40 minutos , quando um eslovaco cabeceou perigosamente para escanteio…

No segundo tempo a Itália continuou a jogar mal.

Di Natale, por exemplo, em vez de empatar, mandou uma bola no céu de Joburgo.

Mas, ao faltarem 24 minutos, o zagueiro eslovaco Skatel salvou o empate rigorosamente em cima da linha fatal.

A sorte azzurra estava em que a Eslováquia não conseguia matar o jogos nos diversos contra-ataques que desperdiçou.

E o drama era cada vez mais dramático, apesar de ser um drama de má qualidade técnica.

Até que, aos 28, fez-se justiça e Vittek fechou o caixão italiano ao marcar o segundo gol.

Fechou o caixão?

Ora, a Itália sim tem jeito de imortal.

E Di Natale, ao faltarem 9 minutos, em linda jogada que começou com um calcanhar de Iaquinta, abriu o caixão: 2 a 1.

De Rossi, então, disposto a tudo, disposto a se redimir do erro grotesco do primeiro gol, foi buscar feito um herói dantesco uma bola na intermediária italiana.

Roubou-a e iniciou um contra-ataque que culminou na rede eslovaca, no que seria o empate sensacional, mas o autor estava com o tronco, só o tronco, em impedimento. E o gol não valeu.

Lance típico do doente que melhora antes de morrer, porque, ao faltar um minuto, Koponek, enterrou a questão ao fazer 3 a 1, mais esperto que o goleiro italiano, o reserva de Buffon.

Enterrou a questão?

Pois Quagriarella, o mesmo que tinha feito o gol impedido, ainda diminuiu, dois minutos depois: 3 a 2.

Quer drama maior?

Pois Pepe ainda quase empatou, aos 95!

Talvez o drama seja maior só para Marcelo Lippi, que deveria saber que, segundo Armando Nogueira, Deus (ih, lá vêm os fanáticos…) castiga quem o craque fustiga.

E ele deixou na Itália jogadores que não poderia ter deixado.

Agora voltará para casa, apesar de tão vitorioso, com um baita de um vexame para explicar, mais ou menos como Vicente Feola, depois da Copa de 1966, na Inglaterra, quando o Brasil caiu na primeira fase.

E os eslovacos vão passar os próximos dias se beliscando para acreditar que, pela primeira vez, estão nas oitavas, coisa que não era incomum quando formavam um país só com os tchecos.

Sobre o Autor

Juca Kfouri é formado em Ciências Sociais pela USP. Diretor das revistas Placar (de 1979 a 1995) e da Playboy (1991 a 1994). Comentarista esportivo do SBT (de 1984 a 1987) e da Rede Globo (de 1988 a 1994). Participou do programa Cartão Verde, da Rede Cultura, entre 1995 e 2000 e apresentou o Bola na Rede, na RedeTV, entre 2000 e 2002. Voltou ao Cartão Verde em 2003, onde ficou até 2005. Apresentou o programa de entrevistas na rede CNT, Juca Kfouri ao vivo, entre 1996 e 1999 e foi colaborador da ESPN-Brasil entre 2005 e 2019. Colunista de futebol de “O Globo” entre 1989 e 1991 e apresentador, de 2000 até 2010, do programa CBN EC, na rede CBN de rádio. Foi colunista da Folha de S.Paulo entre 1995 e 1999, quando foi para o diário Lance!, onde ficou até voltar, em 2005, para a Folha, onde permanece com sua coluna três vezes por semana. Apresenta, também, o programa Entre Vistas, na TVT, desde janeiro de 2018.

Colunas na Folha: https://blogdojuca.uol.com.br/lista-colunas-na-folha/

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