Corinthians 100% mesmo sem brilhar

A Libertadores, como se sabe, não é um torneio que exalta a excelência, o jogo bonito, o talento.
Vale a luta, às vezes a malandragem, numa palavra, o inverso da Liga dos Campeões da Europa.
Daí um ponto fora de casa ser tão valorizado, mesmo quando a vitória é possível se o bom futebol prevalecer.
Agora há pouco, em Montevidéu, num ótimo gramado e num estadiozinho vazio, o Corinthians jogou timidamente o primeiro tempo contra o campeão uruguaio Danubio, que não honra a tradição oriental no futebol mundial.
Um lance apenas mereceu destaque nos primeiros 45 minutos: um pênalti claro em Guerrero não marcado pela assopração de apito chilena, aos 40.
De resto, foi quase sonolento, embora com domínio brasileiro.
A dúvida estava em saber se Tite acordaria o time no intervalo ou ficaria feliz com um pontinho conquistado fora de casa, para chegar ao sétimo antes de jogar os três jogos derradeiros em São Paulo, dois em casa e o último no Morumbi.
O Alvinegro voltou um pouco mais esperto, mas seguiu errando passes fáceis contra um time inofensivo.
Ainda assim, a quase letargia corintiana estimulava os orientais a ter um pouco mais de audácia.
Ali pelos 11 minutos, o que era sonolento virou irritante.
Ao jogar com o regulamento embaixo do braço, o Corinthians parecia desconhecer que exatamente o regulamento garante jogar sempre em casa nos mata-matas para quem fizer a melhor campanha na fase de grupos.
Claro que o empate não matava tal possibilidade, mas era jogo para ganhar, não era empatável e era imperdível.
Mas imperdível mesmo deveria ser o pênalti feito sobre Elias que Renato Augusto mandou nas nuvens, em Punta del Este, aos 17 minutos.
Um pênalti desnecessário, diga-se de passagem.
Saudades de Fábio Santos…
Mas o Corinthians tomava conta do jogo e, aos 24, Fagner cruzou na área para Guerrero mandar para o fundo da rede uruguaia: 1 a 0, 100%, como era obrigatório.
Renato Augusto saiu e Danilo entrou para dar mais consistência ao meio de campo e seu show particular.
Como era de esperar, perdido por um, perdido por 10, o Danubio foi para pressão.
Deu, também, a perspectiva do segundo gol corintiano.
Os uruguaios, mais por ruindade que por maldade, abriam a caixa de ferramentas e se serviam nas canelas do peruano Guerrero.
Numa dessas, Jadson bateu a falta pela esquerda na cabeça de Felipe e o zagueiro ampliou: 2 a 0.
Cássio fez sua primeira defesa aos 37 e Guerrero perdeu o terceiro gol em contra-ataque que ele mesmo armou ao roubar uma bola no campo corintiano e conduziu até ser desarmado pelo goleiro rival.
Aos 48, surpreendentemente, Gonçalo fez um golaço, enfileirando a defesa corintiana: 2 a 1.
Enfim, vitória fácil, previsível, obrigatória, sem brilho, mas, como dito, a Libertadores é assim.
Só uma catástrofe tira o Corinthians das oitavas de final.
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Colunas na Folha: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/jucakfouri/











