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Blog do Juca Kfouri

Corinthians 100% mesmo sem brilhar

Juca Kfouri

17/03/2015 21h53

A Libertadores, como se sabe, não é um torneio que exalta a excelência, o jogo bonito, o talento.

Vale a luta, às vezes a malandragem, numa palavra, o inverso da Liga dos Campeões da Europa.

Daí um ponto fora de casa ser tão valorizado, mesmo quando a vitória é possível se o bom futebol prevalecer.

Agora há pouco, em Montevidéu, num ótimo gramado e num estadiozinho vazio, o Corinthians jogou timidamente o primeiro tempo contra o campeão uruguaio Danubio, que não honra a tradição oriental no futebol mundial.

Um lance apenas mereceu destaque nos primeiros 45 minutos: um pênalti claro em Guerrero não marcado pela assopração de apito chilena, aos 40.

De resto, foi quase sonolento, embora com domínio brasileiro.

A dúvida estava em saber se Tite acordaria o time no intervalo ou ficaria feliz com um pontinho conquistado fora de casa, para chegar ao sétimo antes de jogar os três jogos derradeiros em São Paulo, dois em casa e o último no Morumbi.

O Alvinegro voltou um pouco mais esperto, mas seguiu errando passes fáceis contra um time inofensivo.

Ainda assim, a quase letargia corintiana estimulava os orientais a ter um pouco mais de audácia.

Ali pelos 11 minutos, o que era sonolento virou irritante.

Ao jogar com o regulamento embaixo do braço, o Corinthians parecia desconhecer que exatamente o regulamento garante jogar sempre em casa nos mata-matas para quem fizer a melhor campanha na fase de grupos.

Claro que o empate não matava tal possibilidade, mas era jogo para ganhar, não era empatável e era imperdível.

Mas imperdível mesmo deveria ser o pênalti feito sobre Elias que Renato Augusto mandou nas nuvens, em Punta del Este, aos 17 minutos.

Um pênalti desnecessário, diga-se de passagem.

Saudades de Fábio Santos…

Mas o Corinthians tomava conta do jogo e, aos 24, Fagner cruzou na área para Guerrero mandar para o fundo da rede uruguaia: 1 a 0, 100%, como era obrigatório.

Renato Augusto saiu e Danilo entrou para dar mais consistência ao meio de campo e seu show particular.

Como era de esperar, perdido por um, perdido por 10, o Danubio foi para pressão.

Deu, também,  a perspectiva do segundo gol corintiano.

Os uruguaios, mais por ruindade que por maldade, abriam a caixa de ferramentas e se serviam nas canelas do peruano Guerrero.

Numa dessas, Jadson bateu a falta pela esquerda na cabeça de Felipe e o zagueiro ampliou: 2 a 0.

Cássio fez sua primeira defesa aos 37 e Guerrero perdeu o terceiro gol em contra-ataque que ele mesmo armou ao roubar uma bola no campo corintiano e conduziu até ser desarmado pelo goleiro rival.

Aos 48, surpreendentemente, Gonçalo fez um golaço, enfileirando a defesa corintiana: 2 a 1.

Enfim, vitória fácil, previsível, obrigatória, sem brilho, mas, como dito, a Libertadores é assim.

Só uma catástrofe tira o Corinthians das oitavas de final.

 

 

 

 

 

 

 

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre o Autor

Juca Kfouri é formado em Ciências Sociais pela USP. Diretor das revistas Placar (de 1979 a 1995) e da Playboy (1991 a 1994). Comentarista esportivo do SBT (de 1984 a 1987) e da Rede Globo (de 1988 a 1994). Participou do programa Cartão Verde, da Rede Cultura, entre 1995 e 2000 e apresentou o Bola na Rede, na RedeTV, entre 2000 e 2002. Voltou ao Cartão Verde em 2003, onde ficou até 2005. Apresentou o programa de entrevistas na rede CNT, Juca Kfouri ao vivo, entre 1996 e 1999 e foi colaborador da ESPN-Brasil entre 2005 e 2019. Colunista de futebol de “O Globo” entre 1989 e 1991 e apresentador, de 2000 até 2010, do programa CBN EC, na rede CBN de rádio. Foi colunista da Folha de S.Paulo entre 1995 e 1999, quando foi para o diário Lance!, onde ficou até voltar, em 2005, para a Folha, onde permanece com sua coluna três vezes por semana. Apresenta, também, o programa Entre Vistas, na TVT, desde janeiro de 2018.

Colunas na Folha: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/jucakfouri/