Blog do Juca Kfouri

Jornalista conta a luta de seu filho contra o câncer
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Juca Kfouri

POR RODRIGO DE ALMEIDA*

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Num dia você está no paraíso ao lado de seu filho de 21 anos.

No outro, mergulha nas sombras, de mãos atadas, sem poder salvar-lhe a vida.

O que fazer diante do desespero aterrador frente ao sofrimento do garoto?

No livro Nem a morte nos separa, o jornalista Ricardo Gonzalez relata a experiência do calvário vivido ao lado do filho – dez meses entre a descoberta do câncer, as errâncias médicas, o doloroso tratamento e a morte de Rafael, um soberbo garoto de 21 anos que encarou a doença com a maturidade e a racionalidade de poucos.

Gonzalez lançou seu livro no Rio e o lançará em São Paulo no próximo dia 16.

Um dos mais talentosos e éticos jornalistas esportivos do país, com passagem pelas principais redações brasileiras (entre as quais “O Globo”, “Jornal do Brasil”, “Folha de S.Paulo” e “O Dia”), Ricardo Gonzalez é hoje editor de texto do canal SporTV.

Boa praça, ele consegue exibir simultaneamente a altivez aguerrida de um espanhol e a emotividade esparramada e sensível de um brasileiro. E o faz com galhardia e beleza tanto numa redação, onde colecionou uma pletora de amigos, quanto no livro que acaba de lançar. Das duas formas, tocante.

Com orelha assinada por Lucinha Araújo, a incansável mãe de Cazuza, “Nem a morte nos separa” é um livro a ser lido com o coração na mão.

São “bytes de dor”, na feliz expressão com que Lucinha encerra seu texto de apresentação do livro, capazes de amolecer os leitores mais empedernidos, pais presentes ou futuros. Lucinha lembra:

“Existem aqueles que se trancam dentro da dor, como João meu marido fez, e os que vasculham os escombros à procura dos vestígios de um futuro que se foi. Encontrei no relato de Ricardo Gonzalez a mesma perplexidade, dor, desespero e incredulidade com os quais convivo. Ele descreve como seu mundo foi ruindo como um terremoto. O medo inicial, o momento em que tudo parece parar e tentamos fazer um balanço dos estragos e, quando nos damos contato, a casa cai sobre nossa cabeça. Os sintomas, as idas a vários médicos que viram num jovem de 21 anos gânglios nada preocupantes, a falta de diagnóstico, o dia em que encontrou o filho numa emergência médica sentado numa cadeira de rodas, o diagnóstico de câncer e a perda.”

A saudade

A perda – essa é profunda, e Gonzalez não teme retratá-la em seu sentido mais pleno nas 232 páginas que compõem o livro.

Impossível não recordar a máxima eternizada por Chico Buarque na música “Pedaço de mim”, em que ele oferece talvez a definição mais precisa da palavra saudade – curiosamente esta palavra que só existe na língua portuguesa (Gonzalez tem origem espanhola). “A saudade”, escreveu Chico, “é arrumar o quarto do filho que já morreu”.

Rafael, o filho do jornalista, morreu de câncer linfático, aos 21 anos de idade, em 2010.

É um câncer que ataca brutalmente o sistema imunológico do paciente. Como lembra o autor, trata-se de uma doença perversamente democrática: não escolhe endereço, nem classe social, cor, gênero ou idade. Em várias passagens do livro, o autor e pai revela sua perplexidade e inconformismo com a iminência da morte do filho tão jovem, com uma vida inteira para ser vivida.

Hoje deve passar-lhe pela cabeça outro verso, de Fernando Pessoa, que se refere a uma “saudade imensa de um futuro melhor”. A “saudade do futuro” deve ser mais dolorosa quando o futuro era mais futuro, sobretudo quando pai e filho exibiam um amor e uma amizade especiais, o tipo de dupla que se comunica até mesmo sem palavras, em gestos entregues num “amor infinito”, como define o autor.

Amor infinito

Não é filosofia paterna barata, convém esclarecer. Um dos maiores filósofos da atualidade, o francês Luc Ferry, enxerga esse tipo de entrega como um novo humanismo para o século XXI, dando ao amor um sentido central na existência. Segundo ele, muitos homens já sacrificaram suas vidas em guerras em nome de Deus, da nação, da revolução, da liberdade. Mas poucos morreriam hoje – pelo menos no mundo Ocidental – por Deus, pela pátria ou pela democracia. São ideais que no passado deram sentido à vida mas que hoje estão em declínio. Ainda é possível, porém, morrer por alguém que se ama.

Pergunte a um pai ou uma mãe verdadeiramente ligado a um filho ou uma filha se preferiam estar no seu lugar na hora do encontro com a morte.

Não por outra razão, talvez, Gonzalez escreveu o livro com dois veios.

De um lado, como uma homenagem a Rafael; de outro, como um grito de alerta a outros pais.

Como quem diz: amem seus filhos o máximo que possam. Entreguem-se. Antecipem-se à dor deles. Pois o fim de tudo pode estar no minuto seguinte.

Travessia

Nem a morte nos separa é um livro tocante, mas há passagens difíceis de atravessar. Chora-se junto com seus protagonistas. Como no momento em que os pais, desesperados, são consolados pelo filho doente e racional.

Choca-se e se revolta também, ao acompanhar a incrível passagem em que um residente do “hospital cinzento” – como a família chama o hospital – é escalado para informar mãe e filho da desistência de prosseguir adiante no tratamento quimioterápico.

Emociona-se e chega-se à torcida inútil pela cura, quando vão a São Paulo para uma derradeira tentativa junto a um médico competente e arrogante.

Desaba-se no momento da partida.

Exaure-se.

E se você tiver um filho, interrompa o quanto antes a leitura – na dúvida, para aproveitar sua companhia mais um pouco antes de voltar ao trabalho.

Afinal, como o livro de Ricardo Gonzalez nos mostra, o tempo, assim como a saudade e o amor, podem ser encantadores, mas às vezes revelam-se angustiantes.

Nem a morte nos separa
Ricardo Gonzalez
Editora Mauad
232 páginas
R$ 54

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*Rodrigo de Almeida faz o blog “Pensata” e é diretor de jornalismo do iG, doutor em ciência política e, nas horas vagas, leitor de filosofia, psicanálise e literatura de não-ficção.


Por que só falta um ponto para o Corinthians estar na Libertadores
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Juca Kfouri

É simples, mas não é, como revela o número de pedidos de explicações sobre por que a imprensa inteira está dizendo que só falta um ponto para o Corinthians se garantir na Libertadores.

Vamos a elas:

Se o Cruzeiro ganhar a Copa do Brasil o G4 vira G5 e o Corinthians já estará garantido nele caso chegue aos 67 pontos.

Se der Galo na quarta-feira, a vaga do clube passa a ser pela Copa do Brasil, fique onde o Galo ficar no Brasileirão, ou seja ele não disputará vaga com o Corinthians.

O São Paulo já está assegurado via Brasileirão e caso vença a Sul-Americana a vaga brasileira desaparece por este meio.

Com 67 pontos, o Corinthians só poderá ser alcançado, até mesmo ultrapassado, pelo Inter que, então, asseguraria o terceiro lugar.

O Grêmio pode fazer no máximo 66 pontos.

O quarto lugar poria o Timão na pré-Libertadores.

Mas, lembre-se: se o próximo jogo, contra o Fluminense, no Rio, é complicado, o derradeiro será contra o rebaixado Criciúma, na Arena do Corinthians e o alvinegro tem fama de Robin Hood.


Cruzeiro é campeão porque foi o melhor
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Juca Kfouri

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Não é fácil explicar por que o Cruzeiro é campeão brasileiro pelo segundo ano seguido.

É facílimo!

O Cruzeiro foi o time que mais venceu, um dos que menos perderam, que fez mais gols, que tem o melhor saldo de gols, além de ter dois dos artilheiros do campeonato e de ter mantido o time e o técnico de um ano para outro.

Por isso festejou ontem com mais de 56 mil cruzeirenses no Mineirão e cantou na chuva o canto dos campeões com duas rodadas de antecedência.

Aliás, a 36a. rodada do Brasileirão definiu também o São Paulo numa das vagas da Libertadores e a queda do Criciúma, além de ter deixado o Corinthians muito perto de outra vaga no torneio continental e o Bahia e o Botafogo praticamente também rebaixados.

Palmeiras e Vitória ficaram em posição pra lá de incômoda numa rodada com 23 gols e com a maior média de público do campeonato, na casa dos 27 mil torcedores por jogo, para desconforto dos que não gostam da fórmula dos pontos corridos.

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Comentário para o Jornal da CBN desta segunda-feira, 24 de novembro de 2014, que você ouve aqui.


As verdades de Felipão.
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Juca Kfouri

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Felipão, revoltado com um eventual pênalti cometido por Fábio Santos que simplesmente não aconteceu, vaticinou que os times da Libertadores “já estão escolhidos”.

Trata-se, a princípio, do sagrado direito de espernear.

Ou do chororô, você escolhe o termo.

Quase todos os técnicos brasileiros se utilizam deles a granel.

É uma velha maneira de não discutir os próprios erros ou de seus comandados.

Difícil dizer quem é o campeão da modalidade.

Vanderlei Luxemburgo já foi imbatível nela, Mano Menezes ameaçou tomar-lhe a coroa, Felipão não lhes fica atrás.

Curiosamente, ou não, todos já passaram pela CBF, com carteira assinada.

E sempre conviveram bem com os doutores Ricardo e Marin, embora nenhum deles seja doutor de coisa alguma.

Nem mesmo criticar o burro calendário nacional do futebol algum deles se atreveu a fazer enquanto sob o manto ricamente protetor da Casa Bandida do Futebol.

Fique claro que tudo é possível em nosso futebol.

Até mesmo que, de fato, a escolha já esteja mesmo feita, embora não haja nenhum sinal evidente disso.

Impossível, apenas, desde sempre e até hoje, foi ver algum treinador dizer ao rei que ele está nu diante da nudez do monarca.

Quem mais se aproximou disso foi Muricy Ramalho que, se não disse, recusou o convite para sentar-se ao lado do trono.

Razão pela qual é melhor que todos os demais se calem.

Evitariam, ao menos, fazer papel ridículo.


Corinthians perto da Libertadores. Palmeiras perto da degola. Botafogo nela
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Juca Kfouri

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Os três jogos das 19h30, um jogo de gigantes pela vaga na Libertadores, e dois de quem não quer ser anão na Segunda Divisão, foram para o intervalo sem gols.

No primeiro, na Arena Corinthians, porque a trave salvou um gol de Guerrero e Marcelo Grohe salvou outro.

O Corinthians foi bem melhor que o Grêmio, mas gol que é bom não fez, embora também não tenha corrido riscos.

Nos outros dois jogos, o de Chapecó (14.508 torcedores), entre Chapecoense e Botafogo, não vi nada.

No do Couto Pereira (18.863 pagantes), o Coritiba comandou as ações, mas levou pouco perigo ao gol do Palmeiras, com Valdivia.

Zé Love chegou a fazer um gol, anulado por uma falta burra feita em Lúcio por Leandro Almeida.

O medo predominava em Curitiba.

Os empates eram, como resultados na tábua de classificação, menos ruins para Corinthians, Palmeiras e Chapecoense, embora o primeiro e o terceiro jogassem em casa.

O Grêmio voltou com Giuliano no lugar de Riveros, o Palmeiras com Diogo no lugar de Valdivia e a Chapecoense fazendo 2 a 0, com dois gols de Leandro.

Ficou muito claro que o Grêmio voltou para buscar a vitória, assim como Coritiba seguiu na sua toada.

Aos 6 minutos, por pouco, Guerrero não fez o que seria um gol de placa, mas o Grêmio estava mais perigoso, embora desatento no ataque, seguidas vezes em impedimento.

Em 10 minutos, Cássio teve que trabalhar muito mais que durante todo o primeiro tempo.

A mexida de Felipão acuou o Corinthians, que passou a explorar os contra-ataques.

No Couto Pereira, aos 10, água mole em pedra dura até que dura: Zé Love pôs o Coxa na frente.

Aos 15, Luciano, o que só funciona nos segundos tempos, entrou no lugar de Malcon em Itaquera, mas Giuliano seguiu dando as cartas no jogo.

Entre os 20 e 24 minutos o Corinthians botou pressão e Allan Ruiz entrou no lugar de Luan, assim como Danilo substituiu Elias, diante de 36.307 pagantes.

Os dois Mosqueteiros queriam os três pontos, como o Coritiba garantia com Joel, depois de Alex deixá-lo na cara do gol: 2 a 0.

Aos 35, o zagueiro corintiano cabeceou na trave, outra vez, e Jadson entrou no lugar de Renato Augusto.

O Corinthians fazia por merecer melhor sorte.

E aos 37, a sorte veio, numa virada desajeitada de Guerrero que enganou Marcelo Grohe e Rodolfo.

O Corinthians botava um pé na Libertadores, mas um bando de cretinos acendeu sinalizadores atrás do gol gremista e o jogo foi paralisado.

Os corintianos comemoram, os palmeirenses vão sofrer até o fim, assim como os coxas, enquanto os botafoguenses, nem isso. Só sofrerão se quiserem.

Agora, é impressionante a incapacidade do time do Corinthians em reter a bola nos minutos finais de um jogo tão decisivo.

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Cruzeiro canta na chuva: é campeão! São Paulo garante lugar ao sol na Libertadores
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Juca Kfouri

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Pela terceira vez o Goiás fez o papel de coadjuvante na festa de um título brasileiro.

A primeira foi em 2005, quando venceu o Corinthians por 3 a 2, no Serra Dourada, mas viu o Alvinegro comemorar porque o Inter perdeu para o rebaixado Coritiba, no Couto Pereira.

A segunda aconteceu em 2008, na vitória do São Paulo por 1 a 0, no Bezerrão, no Distrito Federal, gol de Borges, em impedimento. O Tricolor foi tricampeão brasileiro seguido.

Nesta temporada de 2014, no Mineirão tomado ( 56.729 pagantes) e encharcado, viu a esperada festa do Cruzeiro bicampeão.

Como desgraça pouca é bobagem, às vésperas da grande decisão da Copa do Brasil, o desgastado time campeão teve de enfrentar o pesado gramado do estádio que, segundo as previsões, deverá estar pior na quarta-feira.

O Cruzeiro só não fez 1 a 0 logo aos 7 minutos porque uma poça d’água desviou a cabeçada certeira de Marcelo Moreno.

Mas seis minutos depois, não teve poça que desse jeito.

Mayke pôs a bola na cabeça de Ricardo Goulart e o artilheiro marcou seu 15o. gol no Brasileirão.

Diferentemente das duas ocasiões anteriores, o Goiás não via a bola, era presa fácil num gramado que dá a impressão de ter drenagem superfaturada e não instalada.

O segundo gol só não saiu aos 19 porque uma bandeirinha cegueta marcou impedimento inexistente de Marcelo Moreno. A moça estava com o limpador de lentes de contato desligado.

Aos 22, num raro ataque goiano, Samuel empatou o jogo, só para honrar a tradição de não facilitar a vida do campeão.

E o Esmeraldino passou a incomodar.

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Enquanto Cruzeiro e Goiás se afogavam em Belo Horizonte, Santos e São Paulo era, submetidos à torturante canícula de Cuiabá e ficavam num modorrento 0 a 0 na Arena Pantanal (33.247 pagantes), resultado que garantia o título cruzeirense.

Vieram os segundos tempos.

Em Minas os dois times voltaram iguais e no Mato Grosso o São Paulo trocou Pato por Luís Fabiano e o Santos trocou Souza e Gabriel por Geuvânio e Thiago Ribeiro.

Logo aos 8, no chão, se o assoprador quisesse poderia ter marcado pênalti contra o Cruzeiro, num lance em que Henrique tocou a mão na bola ao dar um carrinho na área. Eu não marcaria…

Quase ao mesmo tempo, depois que Geuvânio perdeu um gol na cara de Rogério Ceni, Boschilia fez 1 a 0 para o São Paulo, o que adiava o título cruzeirense.

Em seguida, do meio da rua, Geuvânio acertou o travessão tricolor.

O Santos passou a jogar e exigiu duas defesas seguidas de Rogério e Denilson entrou no lugar de Auro no Tricolor.

Aos 17, explosão no Mineirão: Willian achou Éverton Ribeiro no meio da área e o meia cabeceou para o fundo da rede. Inapelável!

Incontinenti, o São Paulo perdeu o segundo gol. Na sombra, o jogo melhorou muuuuuito.

O São Paulo segurou a vitória e assegurou um lugar na Libertadores, mantendo a hegemonia de clube brasileiro com maior número de participações no torneio continental.

O Cruzeiro trocou Lucas Silva por Nílton e levou dois sustos: um salvo por Fábio em bola desviada e, outro, noutra bola desviada que bateu na trave!

O Santos trocou Robinho por Leandro Damião e o São Paulo tirou Boschilia para por Michel Bastos.

Já o Cruzeiro trocou Marcelo Moreno por Julio Baptista.

O danado do Goiás não se entregava e assustava o quanto podia, mesmo sob um vozerio impressionante da torcida azul, que não parou um milésimo de segundo.

Fábio teve de trabalhar muito mais do que esperava, mas ele tinha mesmo que ser protagonista também, assim com Ricardo Goulart e Éverton Ribeiro.

Mas o que é do homem o bicho não come e a torcida

Na Arena Pernambuco (30.165 presentes), o Fluminense provavelmente se despediu da Libertadores ao empatar com Sport por 2 a 2, com um golaço de Fred aos 46.

Já o Flamengo ficou no 1 a 1 com o lanterna Criciúma e fechou o caixão do time catarinense, em São Luís, no Maranhão, diante de 27.753 pagantes.
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Quem se deu bem, em Floripa (15.041 torcedores), foi o Figueirense ao complicar a vida do Vitória ao vencê-lo por 2 a 0.


Não tem santo que salve o Bahia
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Juca Kfouri

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Em plena nova Fonte Nova, com mais de 15 mil torcedores, mas apenas 7.461 pagantes, o Bahia foi varrido pelo Furacão e praticamente deu adeus mais uma vez para Série A.

Para tanto contribuíram o seu frágil time, derrotado por 2 a 1 pelo desinteressado time paranaense e, mais uma vez, os erros de um assoprador de apito que não marcou dois pênaltis cometidos por Cleberson no segundo tempo.

Mas o melhor retrato do tricolor baiano foi Fahel que marcou um gol contra e jogou no mar o gol de empate, da marca do pênalti, no minuto derradeiro.

Assim nem todos os santos salvam o Bahia, que pode ter seu rebaixamento, matematicamente, decretado já neste domingo.

PÚBLICO PRESENTE:
15.353
PÚBLICO PAGANTE:7.461RENDA: R$ 199.866


Galo B é tungado no Beira-Rio e Inter arranca vitória dramática
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Juca Kfouri

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Com o Beira-Rio tomado por 38 mil torcedores, 33.440 pagantes, e ansioso, o time do Inter entrou na pilha da torcida e também pareceu não se conformar com a dificuldade imposta pelo Galo B em sua casa.

Criar, criou quase nada além do gol, de Rafael Moura em jogada de Jorge Henrique pela esquerda, aos 22.

Mas de tão nervoso, levou quatro cartões amarelos no primeiro tempo e fez dois pênaltis, apenas um marcado e convertido por Dodô para empatar no dois minutos depois do gol colorado.

O pênalti bem marcado foi de Fabrício em Eduardo, um abraço fora da hora e do lugar em lance, iniciado, para variar, com cobrança de lateral pela esquerda, por Pedro Botelho.

O não marcado foi de Gilberto, que meteu os dois braços na bola dentro da área no fim da etapa inicial.

Placar moral, e técnico: Galo 2 a 1.

O segundo tempo vivia o mesmo diapasão quando, aos 13, Rafael Moura desperdiçou uma chance incrível, praticamente atrasando a bola para Victor.

A resposta do Galo veio no contra-ataque, mas a chance criada caiu nos pés errados, de Pierre.

O He-Man não pode perder os gols que perde. Pierre pode.

Pois eis que o centroavante colorado teve outra chance, de cabeça, aos 20, e desta vez Victor fez ótima defesa.

Alex empurrou Eduardo na área e o assoprador de apito não marcou o pênalti novamente…

A mecânica de jogo do Galo B é rigorosamente igual à do Galo A, mas a pressão gaúcha foi crescendo a ponto de Abelão botar Valdívia no lugar de Gilberto, fazendo Jorge Henrique as vezes de lateral.

Levir Culpi, frio e calculista, não mexia no time, à espreita de um contra-ataque em meio à cantoria incessante do Beira-Rio.

Os meninos do Galo B passavam por uma nova prova de fogo e passavam bem.

Taiberson entrou no lugar de Jorge Henrique, aos 29.

Mais um menino, Donato, estreava no Galo aos 31, no lugar de Edcarlos, com dores na coxa esquerda.

Alan Costa, em cobrança de escanteio pela direita, quase desempatou para o Inter, aos 37.

Aos 39, Wellington Paulista entrou no lugar de Alex para o tudo ou nada e Dodô pediu para sair e Paulinho, mais um da base, entrou.

Aos 41, outra cabeçada de He-Man por cima.

No penúltimo minuto o Galo teve um impedimento equivocadamente marcado em lance que deixou Daniel na cara do gol.

E, no lance seguinte, aos 49, Fabrício achou o gol da vitória, chutando rente ao poste.

O Inter volta ao terceiro lugar pelo menos por uma noite e segue sonhando com a Libertadores, graças também às arbitragens de hoje e do jogo contra o São Paulo, porque futebol é assim e os assopradores erram muuuuito.


Papão é Payxão!
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Juca Kfouri

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POR ANTONIO CARLOS SALLES*

Ao retornar á semi-elite do futebol brasileiro no próximo ano ao empatar 3 a 3 hoje com o Macaé (que foi o campeão da Série C), o Paysandu é um dos poucos times brasileiros que celebraram com seus torcedores uma conquista especial no mesmo ano em que chega ao seu centenário.

Ao longo de sua trajetória, a vida do Papão da Curuzu sempre foi a da garra incansável e a de nunca ver limites.

Quando o Peñarol era o senhor dos gramados nos anos de 1960, arriscou-se a conhecer o Norte do Brasil e enfrentar o time bicolor nos gramados da Curuzu.

3 a 0 foi pouco para o time comandado por Quarentinha e Ércio, que levaram a enlouquecida torcida a entortar os alambrados do estádio e assim ficaram por muito tempo.

Durante os anos de chumbo, o time dos militares era o Clube do Remo, por conta da relação com então ministro Jarbas Passarinho.

A influência era tanta que, mesmo sendo o campeão estadual com direito assegurado ao Campeonato Nacional, o Paysandu teve que ceder a vaga ao Remo, em silencio e sem discussão.

O embate com o tradicional adversário é a vitamina permanente de ambos os clubes. E há uma espinha de pirarucu na garganta dos remistas desde os anos de 1940, quando sofreram a implacável goleada de 7 a 0.

Outra grande vantagem do Papão sobre o Leão diz respeito á visibilidade.

Quando o Paysandu trouxe Dadá Maravilha para jogar em Belém, o noticiário do clube deixou a região para se tornar nacional, por conta dos apelidos curiosos e nomes que o artilheiro dava aos seus gols. Idem com os títulos, onde a Copa dos Campeões é dos mais expressivos.

Na épica vitória contra o Boca Juniors em La Bombonera, com gol de Yarlei aos 23 minutos do segundo tempo, nem Carlos Amarillia, árbitro do jogo, foi capaz de atrapalhar a vitória bicolor.

Fato que fez o Papão se juntar á ínfima galeria dos clubes brasileiros capazes de tal proeza, repetindo 40 anos depois o feito do Santos de Pelé. Fluminense e Cruzeiro também já venceram jogos no tradicional estádio argentino.

O vice-campeonato da Série C diante de anunciados 37 mil torcedores, aumenta a responsabilidade do Clube diante de sua apaixonada torcida.

Mas Papão é Payxão e disso sabemos nós.

*Antonio Carlos Salles é executivo em São Paulo e combina gravata com a camisa do Paysandu.


Vasco volta sob vaias
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Juca Kfouri

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Mais de 56 mil vascaínos enfrentaram a chuva para ver o Vasco voltar à Série A no Maracanã.

Foi quase um exercício de masoquismo que terminou num medíocre 1 a 1 contra o rebaixado Icasa, gols de Kléber e Nilson, um em cada tempo e com direito a um susto no último segundo, quando a bola raspou a trave cruzmaltina.

Ao fim do jogo, boa parte da torcida chamou o time de sem vergonha e vaiou, certa de que ou tudo muda no Vasco ou o time cai de novo no ano que vem.

A volta sofrida e em terceiro lugar na classificação atrás de Joinville e Ponte Preta, mostra a fragilidade do elenco.

O Vasco volta ao seu lugar, mas muito longe de sua grandeza.