Blog do Juca Kfouri

Eureka!
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Juca Kfouri

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Descobri por que a dupla Marin/Nero escolheu Dunga.

Ele leva o apelido de um dos SETE anões.

A dupla adora o número depois dos alemães.


Cruzeiro nada de braçada, Corinthians nada e Flamengo se afoga
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Juca Kfouri

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Sim, eu deveria ter visto o Cruzeiro, atual campeão brasileiro, lîder do campeonato, há tempos o único time do país que dá gosto ver.

Mas. em curtas férias, longe de casa, a eperanća ganhou da experiência e teimei em ver de novo o meu time, pelo menos num horário que não invadiu a madrugada. como na quinta-feira passada.

Que horror!

O primeiro tempo no Barradão foi tão ruim que o árbitro deveria mandar jogar mais 90 minutos, sem descanso.

Enquanto isso, no Pacaembu, o Cruzeiro ia passando pelo Palmeiras sem maiores problemas: 2 a 0, gols do artilheiro Ricardo Goulart e do zagueiro Manuel, ótima contratação do ex-comandante do Atlético Parananense.

No segundo tempo em Salvador o Vitória voltou disposto a jogar e a não respeitar o Corinthians, enquanto Tobio descontava para o Palmeiras em São Paulo.

Aos 11 minutos, Mano Menezes trocou Petros por Renato Augusto e Inter goleava o lanterna Flamengo, no Beira-Rio, por 3 a 0, gols de Rafael Moura, D’Alessandro e Fabrício.

Romarinho entrou no lugar de Luciano, aos 14.

O jogo seguia horroroso e eu, teimoso, não mudava de canal, irritado ainda mais porque os EUA venciam o Brasil no vôlei.

Pombas, aquela Copa do Mundo que houve no Brasil e acabou no domingo passado foi do mesmo esporte que está sendo praticado na Bahia?

Enfim, aos 19 minutos do segundo tempo, um goleiro, Cássio, trabalhou no Barradão. Que coisa!

O Vitôria, ao menos, ameaçava. O Corinthians nada, e Jadson ainda levou seu terceiro cartão amarelo, o que o tira do dérbi contra o Palmeiras.

Alex fazia 4 a 0 para o Inter contra o Fla, com 10 pela expulsão de Chicão, ainda no primeiro tempo, ao fazer o pênalti que redundou no segundo gol colorado, afogando ainda mais o rubro-negro no fundo do poço do rebaixamento.

Aos 36, Jadson saiu e o paraguaio Romero entrou.

Os americanos ganharam de 3 a 1 na Liga Mundial e o domingo em Copenhagen acbava mal para este pobre brasileiro, e corintiano, que vos escreve.

Do jeito que vai, o Cruzeiro ganha o bi seguido ainda no primeiro turno, porque, aos 39, Wilson fez sua primeira defesa, milagrosa, em cabeçada de Romero, assim como pegou outra de Guerrero no fim.

O Cruzeiro já tirou cinco pontos do vice-líder em apenas 11 rodadas.

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A CBF sempre de volta ao passado
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Juca Kfouri

POR HUMBERTO MIRANDA*

A famosa dupla vice-versa da CBF, os imberbes Marin e Del Nero, resolveu escolher “novos gaúchos” para comandar os destinos da Seleção Brasileira.

Um “de bigodinho” e tudo, outro “sem bigode”.

Ao descartar a contratação de um técnico estrangeiro, a dupla enterrou qualquer possibilidade de renovação no nosso futebol.

Restava esperar que alguma opção interna revelasse um quê de sabedoria anciã dos dirigentes na escolha do técnico. Ledo engano.

Para gente conservadora como eles, o poder é um hábito e com ele não se brinca.

São passadistas. E, como tal, jamais darão um passo à frente que signifique abrir mão do mando absoluto que detêm.

As opções internas de treinadores, na verdade, também não eram muitas e, então, resolveram apostar na dupla Gilmar-Dunga.

Se olharmos para São Paulo, é fato que os técnicos gaúchos fazem sucesso há muito tempo em terras por estas bandas (por que será?).

Nada mais coerente com o hábito passadista de trazer Dunga de volta.

O excelente Leonardo Bertozzi, comentarista da ESPN Brasil, matou de uma paulada só a discussão no “Linha de Passe” de sexta: a CBF foi de Felipão em 2002, de Parreira em 2006, de Dunga em 2010, de Felipão e Parreira em 2014 e agora retorna ao projeto Dunga 2018. A questão é política, sentenciou corretamente.

Ninguém na CBF olha para o futuro, acostumados que estão ao “céu de brigadeiro”.

As escolhas passam por aqueles pessoal e politicamente afinados com a cúpula.

A Seleção Brasileira hoje é vítima de uma organização patrimonialista e de uma visão rentista do futebol. Isso precisa ser diuturnamente combatido, independentemente dos méritos eventuais desses treinadores.

Nesse esquema, só o resultado conta.

Não se pensa em futebol com outro sentido.

Por isso, a discussão sobre os méritos de Dunga quando dirigiu a Seleção Brasileira soa infrutífera.

A estatística, nesse caso, conta contra os que desejam mudanças.

Por isso, cuidado com as estatísticas!

Como diz a piada infame, elas são que nem biquíni fio dental. Mostram tudo, menos o essencial.

Digo isso porque o próprio Dunga até hoje lamenta, de forma irascível, que gostemos mais da Seleção de Telê (1982) do que da de Parreira (1994).

Gostar da Seleção de Dunga é que não dá.

Lutamos contra a permanência do atraso.Vai ser preciso mais que Bom Senso para lidar com essa turma.

A coerência da CBF é continuar indo para trás.

*Humberto Miranda é professor de Economia da UNICAMP.


Liberdade para Gaza
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Juca Kfouri

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Em Malmoe, na Suécia, em meio à manifestação pela libertação da Faixa de Gaza — neste ensolarado domingo na Escandinávia, a região em que o ser humano chegou mais perto da perfeição.


Quer dizer que…
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Juca Kfouri

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Quer dizer que o São Paulo levou mais de 43 mil torcedores ao Morumbi num sábado às 18h30 e deixou toda esta gente p. da vida porque perdeu para a Chapecoense?

Quer dizer que popstar Alexandre Pato já é banco e não se fala mais nisso?

Quer dizer que o fino Paulo Henrique Ganso andou distribuindo cotoveladas?

Quer dizer que Kaká é a solução?

Fala sério!

Você não quer que eu volte…


O incrível vôlei brasileiro
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Juca Kfouri

brasil-enfrenta-italia-pela-semifinal-da-liga-mundial-de-volei-1405799315235_615x300Quando começou a Liga Mundial deste 2014 e o time do Bernardinho só perdia. imaginei que a crise moral que demorou a acontecer na CBV tivesse contaminado o jogo da seleção.

Imaginei errado e ainda bem.

Porque acabo de ver o time nacional triturar o anfitrião italiano e se classificar para a finalíssima contra os Estados Unidos, mesmo contra uma arbitragem caseira, em Firenze.

O primeiro set foi um capote de 25 a 11, mais ou menos assim como Alemanha 7, Brasil 1;

o segundo, com a arbitragem aprontando o que pôde, 25 a 23;

e o terceiro, 25 a 20.

Um 3 a 0 para não deixar dúvida, depois de ter deixado a Rússia, enfim, para trás, devidamente derrotada.

O Brasil vai em busca de seu 10o. título da Liga Mundial, em sua 14a. final.

País do futebol?


O fator Dunga
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Juca Kfouri

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Dunga fez um bom trabalho à frente da Seleção Brasileira até o fatídico segundo tempo diante da Holanda, na Copa de 2010.

O trabalho dele só não foi melhor por três motivos:

1. poucas vezes a Seleção jogou um futebol de encher os olhos;

2. a ideia do grupo fechado, religioso, mal-humorado e blindado em excesso o infantilizou e fragilizou na hora em que precisou reagir;

3. o próprio Dunga dizia que seu trabalho só seria bom se ganhasse a Copa.

Sobre Tite, uma informação: José Maria Marin um dia disse para Felipão, diante de testemunhas, que o nome do ex-técnico do Corinthians nem lhe passava pela cabeça.


João Ubaldo Ribeiro, um grande
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Juca Kfouri

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Abro a página do UOL para saber o resultado do jogo do Cruzeiro e levo um soco no estômago.

Soco duro que traz um gosto amargo, amaríssimo à boca: João Ubaldo morreu na madrugada.

João Ubaldo está morto, sem mais.

Seria igual estar em São Paulo, em Pequim ou em Copenhagen, onde estou?

Seria, mas não é.

A distância aparentemente não existe, mas existe.

Existe apesar de estarmos distantes há anos, tantos que a última vez em que o vi foi na Alemanha, numa estação ferroviária, em 2006, no dia seguinte da morte de outro querido, Bussunda, trauma parecido, embora diferente.

João Ubaldo era presença em nossos jantares nas Copas do Mundo da Espanha, em 1982, na do México, em 1986, e, depois, na dos Estados Unidos.

Sempre monopolizando as conversas com seu vozeirão e verve incomparáveis.

Jamais se fez de rogado e se ouvia uma ideia de que gostasse avisava o interlocutor, sem cerimônia: “Vou usar e não darei a fonte”.

Não me lembro de nenhum caso em que tenha cumprido a promessa que soava feito ameaça, mas se o fez, fez bem, melhor que o autor da ideia.

Certa vez perdi 100 dólares numa burra aposta que fiz com ele sobre uma letra de Cole Porter, que Luis Fernando Verissimo serviu como juiz.

Divertido, cobrou e, diante de minha incredulidade, embolsou, sem mais.

Desembolsaria muito, mas muito mais, se pudesse pagar por um novo encontro com ele.

Para lembrar de tantas conversas impagáveis, ao lado de João Saldanha, Zózimo Barros do Amaral, Verissimo, Ruy Carlos Ostermann, Sérgio Cabral, o pai, Alberto Helena Jr., Sandro Moreyra.

Somos poucos.

Poucos ficamos.

Ficamos pouco.


Quase cinco minutos de vaias para Marin
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Juca Kfouri

Como se sabe, José Maria Marin foi governador biônico de São Paulo durante a ditadura, como vice de Paulo Maluf, no começo dos anos 80.

No dia em que transmitiu o cargo, depois da primeira eleição desde o golpe de 1964, para o governador eleito André Franco Montoro, da oposição à ditadura, Marin tentou fazer um discurso repleto de demagogia e levou a maior vaia da história do Palácio dos Bandeirantes.

O que lhe faltou de desconfiômetro sobrou em altivez para Neusa, sua mulher.

Confira:


Catimba
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Juca Kfouri

POR LUIZ GUILHERME PIVA

O negócio dele é fazer cera.

Só entra no fim, quando o time está ganhando e precisa segurar o jogo.

Orgulha-se: “administro a partida!”, diz, como quem apresenta uma profissão ou cargo complexo.

Demoras na cobrança de faltas e laterais, quedas com dores, empurra-empurra, reclamações, toquinhos, paradas para arrumar as meias e as chuteiras, simulações – a coleção completa.

Usa com enorme competência as expressões e os gestos de quem encarna os personagens e as situações.

Aliás, tal como um ator, prepara-se muito. Ao longo da semana ensaia cenas que podem ser usadas. Muitas vezes divulga entre conhecidos que é dúvida por conta de uma contusão – criando veracidade para atendimentos médicos do domingo.

Nem participa com os demais de toda a preparação normal. Faz com eles o aquecimento, o dois toques, um pouquinho do coletivo. Depois reúne uns auxiliares e começa o ensaio: trombadas, gritos, socos, faltas de ar, tonturas, caminhadas arrastadas, toquinhos inúteis pra trás e pros lados.

Chega a crer em muitas das falsas contusões que sofre nos jogos – a ponto de alguns atendimentos médicos urgentes terem se realizado de fato. Só na hora dos exames é que ele e o doutor se lembram.

“Uma vez administrei uma partida histórica…”, e enche de detalhes e orgulho a narrativa pros amigos.

“Quando eu comecei não era fácil…”.

“Meu recorde foram 37 minutos de bola parada, somando tudo – e entrei quando faltavam 20 pra acabar o jogo!”, os olhos dos ouvintes famintos, lábios pendentes.

“Já veio gente de fora pra eu preparar”.

“Pus a bola debaixo do braço e…”.

“Um juiz chegou a me visitar na segunda pra ver se eu estava bem”.

“Cicatrizes, hematomas – acho que é psicológico, meu trabalho é muito verdadeiro”.

“Fora goleiro, não escolho posição”.

E não se limita aos truques clássicos.

Já vomitou em campo; iniciou diálogo com o juiz fingindo transtorno grave (“por favor, que jogo é esse?” e, depois da resposta, “mas é futebol, né?”), o que fez a arbitragem parar tudo, assustada; agarrou-se ao bandeirinha babando no seu ombro por causa de “tontura”; caiu junto com o goleiro adversário dentro do gol e produziu um grande enredamento duplo que exigiu chamar especialistas para soltá-los; furou bolas com estiletes até o jogo acabar por falta delas; fingiu intoxicar-se com a cal numa queda no meio de campo; sofreu cegueira momentânea; combinou com um amigo para atender ao celular no alambrado e chamá-lo alegando que a mãe passava mal: ele atendeu, falou, chorou, os adversários e árbitros o consolaram até que ele recusou a proposta de adiamento da partida: “sou profissional, o jogo tem que continuar”, disse aos soluços; jogou insetos e larvas no gramado para enchê-lo de quero-queros; num ataque perigoso do oponente, deu uma cutelada no pescoço do seu próprio goleiro, que caiu agonizando e a jogada foi paralisada.

Um artista.

Ou, sua própria avaliação, um gênio

Acha que um dia vão reconhecer seu talento à altura.

Um busto, medalhas com seu rosto, nome de sala, alguma coisa.

Mas o que ele mais quer é outra coisa.

Seu sonho é, uma vez só ao menos, iniciar um jogo. Noventa minutos para administrar, reger, comandar, fazendo uso do largo repertório conforme cada situação, ditar o andamento, o tom, o enredo.

O astro central. Do começo ao fim. O maestro. Orquestra e público ao seu controle.

Aposta que quase não haveria jogo. Que tudo se arrastaria sem que nada importante acontecesse.

No apito final, todo mundo estaria absolutamente limpo, seco, inteiro, descansado.

Só ele um caco, estropiado, sujo, marcado, suado, mancando, roxo, arranhado, rasgado, sem fôlego, cuspindo, apoiado nos ombros do médico e do massagista e segurando, realizado, o Ipad de melhor em campo.

Não duvido
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Luiz Guilherme Piva lançou “Eram todos camisa dez” (Editora Iluminuras)