Blog do Juca Kfouri

Dois homens morderam dois cachorros em Campinas e em Santos
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Juca Kfouri

  

Dizem os manuais de jornalismo que se um cachorro morde um homem não é notícia.

Mas o inverso é.

Pois agora há pouco, no Moisés Lucarelli e na Vila Belmiro, dois homens morderam dois cachorros.

As mordidas em Campinas dilaceraram a vítima e as em Santos foram menos graves, mas dolorosas.

O Red Bull ganhou do Palmeiras que vinha entusiasmado depois de bater no São Paulo, em Campinas, diante 7 mil torcedores, porque, como se sabe, o interior adora o estadual, e o São Bento empatou com o Santos, em Santos, perante 5 mil torcedores porque, como se sabe…

O Red Bull fez 2 a 0, com justiça e com direito a gol do ex-corintiano Lulinha e passe dele para o segundo gol, de Fabiano Eller.

Parece que ganhar do São Paulo está longe de ser uma façanha.

Já o São Bento fez 1 a 0, tomou o empate, de pênalti cobrado por Ricardo Oliveira, fez 2 a 1 no segundo tempo e sofreu o empate do Gabigol.

Foi o primeiro jogo do Santos, que parou no goleiro interiorano, depois de ter sua invencibilidade quebrada pela Ponte Preta.

Com o que, ao faltarem só duas rodadas para terminar a empolgante primeira fase do Paulistinha, com cinco pontos à frente do Santos, seis na do São Paulo e oito adiante do Palmeiras, o Corinthians, único invicto, praticamente tem garantido o primeiro lugar na classificação geral, o que lhe permitirá decidir sempre em casa se for seguindo no campeonato.

  


Timão ganha mais uma com reservas e ritmo de treino
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Juca Kfouri

Não, não foi um bom treino do desgastado time corintiano que completou sua maratona de quatro jogos em oito dias.

Quatro jogos e quatro vitórias, diga-se.

Hoje, em Bragança Paulista, contra o desesperado Bragantino, diante de apenas 6 mil torcedores porque, como se sabe, o interior adora o estadual.

Vágner Love , careca, foi o personagem do jogo e não por ter jogado bem.

Mas bem no começo da partida ele bateu o rosto na cabeça de um marcador e teve de ser atendido.

Voltou com um curativo perto da boca e logo aos 10 minutos recebeu um passe na medida de Luciano para só empurrar para a rede e marcar seu primeiro gol com a camisa corintiana.

Daí por diante o Bragantino malhou em ferro frio e o Corinthians se limitou a dar algumas pontadas, não aumentando o placar por detalhes.

O Timão segue sobranceiro na liderança do Paulistinha.


Botafogo e Vasco empatam e Flamengo comemora
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Juca Kfouri

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O Botafogo era ligeiramente superior ao Vasco, até bola no travessão tinha mandado quando, no fim do primeiro tempo, Mádson lançou Gilberto pela direita e o centro avante abriu o placar para os cruzmaltinos.

Lembrou até o gol de Robero Firmino em lançamento de Danilo contra o Chile, embora o atacante da Seleção Brasileira tenha driblado o goleiro, algo que o vascaíno não precisou fazer ao bater cruzado.

O Botafogo só foi atingir a justiça no marcador no começo do segundo tempo quando, por ironia, o Vasco era melhor.

Roger Carvalho, de cocoruto, meio desajeitado, encobriu o goleiro vascaíno e fez a bola morrer na rede, diante de 25 mil torcedores no Maracanã: 1 a 1.

O lateral-direito Mádson, disparadamente, foi o nome do jogo que teve o Vasco mais perto da vitória.

Quem ganhasse assumiria o primeiro lugar e o empate acabou um resultado excelente.

Para o Flamengo, que seguiu líder.

 


A oitava vitória
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Juca Kfouri

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Desfigurada com seis reservas até 60 minutos de jogo, a Seleção Brasileira acaba de vencer o Chile, em Londres, por 1 a 0, gol de Roberto Firmino, aos 27 minutos do segundo tempo, ao aproveitar um brilhante lançamento de Danilo.

Quando os titulares Elias, Firmino e Willian entraram, aos 15 minutos do segundo tempo, além de Robinho, o jogo mudou o bastante para sair o gol da vitória.

O gol foi só e tudo de bom que aconteceu num jogo em que o time brasileiro abusou das faltas e no qual o volante Medel deu um pisão criminoso em Neymar.

O goleiro Bravo não fez nenhuma defesa no jogo todo e Jefferson teve de fazer apenas duas, em cobrança de duas das muitas faltas cometidas pela Seleção, a maioria delas táticas, que renderam cinco cartões amarelos.

A Seleção de Dunga esteve longe de jogar bem, mas venceu pela oitava vez seguida nos oitos jogos que marcam a volta dele ao comando do escrete.


A importância de Paulo André 
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Juca Kfouri

  

Uma das mais importantes revistas de futebol de mundo, a “World Soccer”, incluiu Paulo André, zagueiro do Cruzeiro e um dos líderes do Bom Senso FC, entre os 500 jogadores mais influentes do mundo.

Se a lista fosse de apenas 11, provavelmente ele também estaria, por sua influência fora dos gramados.

Um leitor voraz, PAULO ANDRÉ publicou seu diário como jogador na temporada 2011, repleto de reflexões sobre sua opção pela profissão. Durante o tempo em que esteve contundido na França, aprendeu a pintar e suas obras são expostas sempre em eventos com renda  revertidas para caridade. Ele também colocou sua inteligência a serviço do movimento Bom Senso FC, iniciativa liderada pelo jogador com a finalidade de melhorar a indústria do futebol brasileiro, no momento absurdamente abaixo do seu verdadeiro potencial”, diz a revista inglesa.

  


Medida Provisória ameaçada
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Juca Kfouri

  

Segundo Eduardo Cunha ao jornal “O Globo” de hoje, Jovair Arantes (PTB-Go), presidente do Conselho Deliberativo do Atlético Goianiense, homem de confiança de Carlinhos Cachoeira e autor da emenda que quase anistiava a dívida dos clubes, e que Dilma Rousseff vetou no fim do ano passado, será o relator da MP do futebol.

A expectativa geral era a de que o relator fosse o tucano carioca Otávio Leite, com o que até a base de apoio ao governo concordava.

Será necessária muita articulação para impedir que as más intenções de Arantes, nenhuma relação com o Rei Pelé, nem no nascimento nem depois, prevaleçam.


Atendendo a pedidos: um blefe chamado Andrés Sanchez
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Juca Kfouri

Andrés Sanchez, ex-presidente do Corinthians, hoje superintendente de futebol do clube e deputado federal pelo  PT, tem a fama de ter sido o melhor presidente da história alvinegra.

Embora  tenha sido o cartola que comandava o Corinthians no ano de 2007, o da queda para a segunda divisão, foi na sua gestão que o time campeão mundial de 2012 foi montado, além de o clube ter erguido seu moderno CT e começado a construção de seu estádio.

Sanchez sempre se queixou quando lia que Lula, não ele, foi o melhor presidente da história corintiana.

Mas a cada dia que passa dá razão a quem assim pensa e escreveu.

Ultimamente Sanchez se queixa de que a prefeitura paulistana não cumpriu o que prometeu e, por isso, o clube tem uma dívida estratosférica pelo estádio em Itaquera.

Se queixa sem perceber, com o perdão da palavra rude, que fez papel de otário.

Porque um administrador competente, como se gaba de ser, não faz acordos de boca, bota tudo no papel e assina.

Sanchez garantia que o estádio seria o mais barato de todos, mais barato, por exemplo, do que o Maracanã.

Pois já está custando 1 bilhão e 200 mil reais, pertinho do que custou o estádio carioca, muito maior e mais luxuoso.

Sanchez também garantiu que não haveria atrasos e a Arena Corinthians não está pronta até hoje.

Prometeu que venderia os direitos do nome do estádio, os camarotes, as cadeiras cativas e, até hoje, nada!

São inegáveis os méritos dele na recuperação do amor próprio do corintiano, na remontagem do time e por ter mantido Tite mesmo depois do fiasco contra o Tolima. Ponto.

Mas se ele soubesse que quando a esperteza é demais acaba por engolir o esperto não estaria passando por trouxa e não teria deixado o Corinthians na situação desesperadora em que se encontra.

Entre outras razões por ter decidido não pagar os impostos devidos pelo clube que, para evitar que ele viesse a ser preso, passou a pagá-los e a atrasar suas obrigações com os jogadores.

Se o Corinthians teve a sorte de ter um presidente da República corintiano, teve o azar de ver afastado seu vice-presidente Luís Paulo Rosenberg, o dirigente que, de fato, era capaz de, com a frieza dos bons gestadores, exacerbar a paixão dos fiéis.

Não será com truculência que Sanchez convencerá quem sabe pensar.

Na verdade, para o bem e para o mal, ele é o Eurico Miranda do Corinthians.

E se orgulha!

 


Por que os atacantes argentinos são os mais contundentes do mundo?
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Juca Kfouri

 

Wall Street Journal Americas Jueves 26 de marzo de 2015 | 

¿Por qué los delanteros argentinos son los más contundentes del mundo?

 

El diario Wall Street Journal analizó el presente de los jugadores albicelestes

 

(WALL STREET JOURNAL AMERICAS).- Los delanteros se han sumado a la soja y la carne vacuna como algunas de las principales exportaciones de Argentina.

 

El país sudamericano -finalista del último Mundial- tiene una larga y famosa tradición futbolera. Pero ahora parece estar exportando un género de futbolistas, el delantero goleador, como nunca antes. Llegó al punto en que en encuentran argentinos en la cima, o casi, de la tabla de goleadores en ligas de todo el mundo.

 

Comencemos en Europa. Luego de los partidos del fin de semana, Sergio Agüero, del Manchester City, fue el segundo mayor goleador de la Premier League inglesa (aunque desde entonces cayó al tercer puesto). En España, Lionel Messi, del Barcelona, otra vez marca el ritmo de La Liga con 32 goles en 27 apariciones. Luciano Vietto, del Villareal, se ubica en octavo lugar. Y en la Serie A de Italia, los dos máximos goleadores eran argentinos: Carlos Tévez de la Juventus y Mauro Icardi del Inter. También había dos argentinos en el top cinco: Gonzalo Higuaín del Napoli y Paulo Dybala de Palermo.

 

Las otras dos principales ligas europeas no tienen tantos goleadores argentinos, pero la Bundesliga de Alemania tiene a Franco Di Santo, del Werder Bremen, en el quinto lugar de la tabla de goleadores, mientras Lucas Barrios, del Montpellier, es el séptimo en la Ligue 1 de Francia. (Barrios nació y se crió en Argentina, pero juega para Paraguay, el país donde nació su madre).

 

El principal goleador en Grecia, Jerónimo Barrales, del Asteras Tripolis, también es argentino, y el país sudamericano también está representado en Portugal a través de Eduardo Salvio, del Benfica, que se ubica noveno.

 

Si vamos a Asia encontramos a Jorge Sebastián Sáez en el Al-Wakrah (décimo en Qatar) y, en Australia, Marcelo Carrusca, del Adelaide, se ubica octavo en la A-League.

 

Al cruzar el Pacífico y llegar a México, hay más. Si bien los mexicanos tienen una larga tradición goleadora desde los días de Hugo Sánchez, hoy las tablas de goleadores están dominadas por argentinos como Julio Furch del Veracruz (primero), Matías Alustiza del Puebla (segundo) y el trío que comparte el tercer lugar: Diego González del Santos Laguna, Gabriel Hauche del Tijuana e Ismael Sosa de la UNAM.

 

En Sudamérica, son aún más omnipresentes. Fuera de su país de origen, hay argentinos encabezando la tabla de goleadores de la liga en Chile (Pablo Calandria del O’Higgins) y Ecuador (Daniel Neculmán de River). En Venezuela, Tulio Etchmaite de Portuguesa se ubica tercero, mientras en Bolivia Martín Palavicini del Universitario está segundo y Mauro Bustamente del San José es cuarto. Incluso han ocupado a su rival y también potencia, Brasil. La temporada pasada, Hernán Barcos del Gremio terminó quinto, mientras Darío Conca del Fluminense fue décimo.

 

¿Cómo explicar esta situación?

 

Una vez que se toma en cuenta la mínima posibilidad de que sea tan solo una enorme coincidencia global, entran en juego otros actores.

 

Argentina, por supuesto, es una potencia futbolística y genera grandes cantidades de jugadores en general, no sólo delanteros. Pero cuando la economía argentina tiene problemas y no hay mucho dinero en la liga interna, hay un incentivo tanto para los clubes como para los jugadores para irse al exterior.

 

Una dinámica similar se registra en Brasil, aunque es más pronunciada en Argentina, en parte debido a que el mercado interno es más pequeño y es más difícil retener a los mejores jugadores.

 

Un estudio de la firma de marketing deportivo Euromericas lanzado en noviembre reveló que 2.715 argentinos jugaban al fútbol profesional en el exterior. Más que cualquier otro país y más que los 2.356 jugadores de Brasil, a pesar de que su población es casi cinco veces mayor que la de Argentina.

 

Dicho de otro modo, cuando se considera que la principal liga argentina, la Primera A, se compone de 30 clubes y que cada uno tiene entre 25 y 30 profesionales argentinos en sus planteles, uno se da cuenta de que hay casi el triple de argentinos jugando al fútbol profesionalmente fuera del país.

 

Vender jugadores argentinos en el extranjero obviamente es una buena forma de conseguir divisas. Y, posiblemente debido a que los clubes suelen pagar fuerte sumas por los jugadores prolíficos, vender delanteros argentinos es más lucrativo que negociar el pase de defensores. Eso podría explicar por qué el país produce más delanteros que otras posiciones, aunque anteriormente era conocido por sus excelentes defensores centrales y mediocampistas.

 

También influye un recambio natural. Producir un delantero en Argentina y, tan pronto como se pueda conseguir un precio decente, venderlo. Eso deja espacio para su reemplazo, que, se espera, se convertirá en un jugador que podrá ser vendido a un precio alto en unos años.

 

Los jugadores argentinos en general han resultado ser bastante adaptables a otros países. A diferencia de los brasileños o la mayoría de los africanos, crecen hablando español, lo cual facilita hacer negocios no sólo en mercados lucrativos como España o México sino también en el resto de América del Sur y Central. Debido a que tantos argentinos pueden rastrear con facilidad su ascendencia española o italiana, también les resulta más simple obtener un pasaporte de España o Italia, que, a su vez, les da acceso a las ligas europeas.

 

Por lo tanto, la omnipresencia de los delanteros argentinos se debe tanto a factores económicos como a otros técnicos. Y mientras sigan probando lo que valen, es difícil imaginar que se detenga la línea de ensamblaje..

 


Eis a diferença
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Juca Kfouri

  

Deu no jornal A BOLA, de Lisboa:

Os clubes da Premier League acordaram ceder parte das receitas provenientes dos direitos televisivos com as divisões inferiores do futebol inglês a partir da época 2016/2017.

No total, serão cerca de mil milhões (Nota do blog: um bilhão, em português do Brasil…) de euros destinados a promover o desenvolvimento dos clubes que disputam os escalões secundários em Terras de Sua Majestade.

A Premier League vendeu os direitos televisivos à Sky Sports e à BT Sport para as próximas três épocas (Nota do blog: temporadas, em português do Brasil…), por um valor recorde superior a sete mil milhões de euros.”


Marco Polo Del Nero entra em campo na CBF
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Juca Kfouri

Com muita habilidade política e discrição nos bastidores, o cartola paulistano assume em abril o comando do futebol brasileiro. Fora dos campos, faz o estilo boleiro-ostentação, com iate, coberturas e mulherões

Por: João Batista Jr., na Vejinha, São Paulo.

 

Del Nero no gol

Del Nero: salário mensal estimado em 200 000 reais (Foto: Mario Rodrigues)

 

O cartola Marco Polo Del Nero não entra em campo, mas reúne algumas habilidades e hábitos típicos dos craques de futebol. A exemplo dos grandes meio-campistas, é frio na disputa, sabe se posicionar bem na área, não liga para as caneladas dos adversários e tem o respeito da maioria dos companheiros. No patrimônio acumulado e nas preferências nas horas de lazer, faz o gênero boleiro – ostentação. Curte pilotar o próprio barco, um Sunseeker de 52 pés e três cabines, acabou de comprar duas coberturas na Barra da Tijuca em um condomínio de frente para o mar, coleciona no guarda-roupa grifes caras e disputa com Ronaldo Fenômeno o campeonato de quem troca de mulher com mais frequência. Mesmo veterano, desfila com garotas cinquenta anos mais jovens, todas no padrão popozuda de capa de revista masculina (algumas, aliás, posaram nuas). “Sou namoradeiro”, diz ele, prestes a assumir o principal posto do futebol nacional. No dia 16 de abril, Del Nero começa seu mandato de quatro anos à frente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF).

 

O advogado paulistano de 74 anos criado no bairro da Pompeia vai receber um salário mensal estimado em 200 000 reais e terá como uma das principais missões recuperar o escrete canarinho depois do vexame da última Copa, com resultado inesquecível para nós e os alemães. “Meu sonho é levar a seleção à conquista da medalha de ouro na Olimpíada de 2016 e do Mundial de 2018”, afirma. A má fase nos gramados do time pentacampeão preocupa a CBF também pelo aspecto financeiro, pois a seleção representa uma das maiores fontes de renda da entidade, que faturou 436,5 milhões de reais em 2013 (o balanço de 2014 ainda não foi divulgado). A cada partida fora do Brasil, a equipe recebe cachê entre 1,5 milhão e 2 milhões de dólares. Estão previstos pelo menos cinco amistosos internacionais em 2015.

 

Recuperar o brilho da camisa canarinho não é o único desafio de Del Nero. Graças a gestões desastrosas dos cartolas, os principais clubes do país, mesmo arrecadando alto com patrocínios, direitos de transmissão e venda de tempos em tempos de seus principais atletas ao exterior a preços milionários, acumulam um passivo de 4 bilhões de reais e acertaram um acordo com o governo federal para o parcelamento dessa dívida em vinte anos em troca de garantias de melhora na gestão no dia a dia (a presidente Dilma Rousseff assinou na quinta passada, 19, a medida provisória do acordo, que precisa ainda ser aprovada pelo Congresso). A CBF e as federações estaduais, diga-se de passagem, também têm uma grande parcelade culpa pela situação. Encarregadas de organizar o calendário do futebol e as competições, essas entidades se mostram incapazes de oferecer ao público um produto atrativo. Resultado: a série A do país do futebol, que reúne as vinte maiores equipes brasileiras, recebe cerca de 16 500 pessoas por partida, média pior que a do campeonato da segunda divisão da Alemanha (outro vexame nosso diante dos germânicos).

 

Marin e Del Nero

Com José Maria Marin: “mensalinho” para ter apoio político (Foto: Léo Pinheiro / Folhapress)

 

Como se não bastassem todos esses problemas, a imagem da CBF ficou muito arranhada depois da presidência de Ricardo Teixeira, que comandou a entidade por mais de duas décadas. Embora tenha conquistado duas Copas nesse período (em 1994 e 2002), o dirigente saiu do cargo depois que passou a ser investigado por corrupção e enriquecimento ilícito (na época, a desculpa oficial para a renúncia foram “questões médicas”). No lugar de Teixeira, assumiu interinamente José Maria Marin, governador biônico de São Paulo em 1982 e 1983. Pouco antes de tomar posse, Marin foi flagrado embolsando uma medalha que seria entregue a um campeão de um torneio júnior. O dirigente fez um mandato-tampão à espera da eleição, ocorrida em abril de 2014. Ele e Teixeira, que mesmo afastado continuou tendo influência na entidade, apoiaram Marco Polo Del Nero, presidente da Federação Paulista de Futebol (FPF) e vice de Marin na CBF. Andrés Sanchez, ex-presidente do Corinthians e atual deputado federal pelo PT, tentou sair como candidato de oposição, mas desistiu por falta de adesão. “Tive apoio de 99% das federações estaduais. As minhas propostas encontraram eco”, comemora Del Nero.

 

Como tudo que diz respeito à CBF, essa transição de comando está envolta em polêmicas. Teixeira foi escanteado pela dupla que ajudou a colocar no poder. Quando se viu obrigado a pendurar as chuteiras, mudou-se para a Flórida, nos Estados Unidos, e passou a dar consultoria para a entidade com salário mensal estimado em 60 000 reais. Oficialmente, sua função era “ensinar” aos dois sucessores as questões ligadas a patrocínio e relacionamento com a Fifa. O negócio durou apenas sete meses, quando Marin e Del Nero romperam o acordo. Na sequência, começaram a demitir da CBF as pessoas ligadas ao ex-presidente, incluindo seu irmão, Guilherme Teixeira, que recebia um salário mensal de 80 000 reais para trabalhar na secretaria-geral da entidade.

 

Na campanha para a eleição de Del Nero, muitas acusações surgiram. Entre elas, a de que ele e Marin teriam operado uma espécie de “mensalinho” para as federações estaduais, que passaram a ganhar 100 000 reais por mês, mais que o triplo do repasse anterior. Del Nero admite o aumento, mas não confirma os valores. Outra estratégia adotada para ganhar a simpatia de seus eleitores foi patrocinar viagens internacionais. Na Olimpíada de Londres, em 2012, todos os presidentes das federações, ao lado da mulher, tiveram passagem e hospedagem pagas pela CBF, assim como tíquetes para os jogos e serviços de transporte. “Acho importante viajar, conhecer o mercado e a própria seleção brasileira”, justifica Del Nero. Hoje, o esquema de viagens funciona em sistema de rodízio. No amistoso Brasil x França que vai acontecer nesta quinta (26), em Paris, apenas o presidente da federação mineira, Castellar Modesto Guimarães Neto, ganhou um pacote boca-livre, com passagens e serviço all inclusive.

Marin e Del Nero fizeram uma dupla bem afinada, divergindo em poucas ocasiões. Uma delas ocorreu nos últimos meses, quando Marin cogitou comprar um Cessna Citation para a CBF. O jato poderia custar 10 milhões de reais à entidade, que já tem um helicóptero Agusta. Del Nero não se empolgou com a ideia e o negócio, em comum acordo, não foi adiante.

 

Embora assuma a presidência apenas em 16 de abril, o cartola já está dando as cartas na sede da confederação, que fica na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro. Inaugurado em 2014 depois de investimentos de 100 milhões de reais, o prédio com cinco andares, decorados por mobiliário de designers como Sérgio Rodrigues e Claudia Moreira Salles, onde trabalham 100 funcionários, substituiu o acanhado endereço antigo, na Rua da Alfândega, no centro da capital fluminense. Na iminência de ocupar a sala principal da CBF, o cartola paulistano é recebido como um rei no lugar. Alguns ficam de pé quando ele passa, outros se apressam para abrir portas e liberar as catracas. Aos poucos, o dirigente começa a convocar sua turma para o local.

Foi Del Nero o responsável por levar para lá Sérgio Gomes, profissional de marketing rechonchudo que usa ternos dois números maiores do que deveria. Eles se conheceram de forma inusitada. Na ocasião, Gomes o visitara para vender carros Mercedes-Benz. Acabaram amigos. Gomes, então, passou a fazer a ponte, por meio de sua empresa de marketing, entre potenciais patrocinadores e a federação. “Eu fui o responsável por trazer o patrocínio da Chevrolet para o Campeonato Paulista”, orgulha-se ele. A montadora patrocinou a FPF entre 2012 e 2014. Em 2015, fez a verba migrar para a CBF. “Como a estratégia de apostar no futebol foi muito boa, decidimos entrar de forma intensa em todo o Brasil”, justifica Gomes (a Chevrolet confirma a participação dele na intermediação desses negócios). O profissional embolsa entre 5% e 20% dos valores dos contratos a título de comissão.

 

Walter Feldman foi outra contratação de peso recente do cartola para seu time na entidade. O político, que já atuou em várias posições (teve passagens pelo PMDB, PSDB e PSB), trabalhou há pouco tempo como um dos cofundadores da Rede, de Marina Silva. Como a plataforma “sonhática” não emplacou, Feldman rapidamente aderiu à “realidática”. “Logo após a derrota dela na eleição passada, eu me encontrei com o Marco Polo em um café em São Paulo”, lembra. A proposta era para ser o secretário-geral da CBF, com o objetivo de ajudar a implantar uma “gestão moderna, transparente e social”. Três dias após o encontro, o político (que surpresa!) topou o emprego. “Quando dei a resposta, o Marco Polo estava em Zurique, na Suíça, tomando um chocolate quente.” Uma das atribuições de Feldman será restabelecer contatos com o governo federal. Dilma Rousseff não recebia Teixeira nem Marin. De dezembro até agora, o secretário-geral se encontrou com o vice-presidente Michel Temer e o ministro das Cidades, Gilberto Kassab. Até o momento, porém, ainda não foi recebido pela presidente.

 

Ao contrário de Ricardo Teixeira, que jamais gostou de futebol e entrou nesse meio ao se casar com Lúcia, filha de João Havelange, Marco Polo Del Nero sempre respirou o universo da bola. Seu pai, José, atuou no Palmeiras nos anos 40 e disputou algumas partidas pela seleção.

O ingresso de Del Nero no mundo da cartolagem se deu em 1972, quando acompanhou o pai à festa de veteranos do Palmeiras. Anos depois, virou advogado do clube. De lá, atuou no Tribunal de Justiça Desportiva, entre a década de 80 e o começo dos anos 2000. Em 2003, assumiu o comando da FPF, depois da gestão de Eduardo José Farah. Assim como Teixeira, Farah, outrora todo-poderoso, saiu do cargo debaixo de acusações de corrupção. “O Farah não deixava as portas abertas, era um homem retrógrado para o futebol”, diz um cartola ligado à federação. “O Del Nero é mais moderno, buscou novos patrocinadores e deixou sua gestão mais transparente”, avalia Julio Casares, diretor de marketing do São Paulo.

Na fase Del Nero, a FPF ficou mais rica. Em 2003, o faturamento do Campeonato Paulista era de 17 milhões de reais — esse número saltou para 130 milhões de reais em 2015. “Isso não é mérito dele. Na verdade, os patrocínios ficaram maiores”, reclama Andrés Sanchez, que continua no papel de principal opositor do cartola. “O Del Nero será um retrocesso.”

Fora dos bastidores da política da bola, o lado mais conhecido do dirigente é o da sua coleção de namoradas. Pelas suas costas, alguns cartolas o apelidaram de “Olacyr de Moraes do futebol”, em referência ao antigo rei da soja, que costumava desfilar com garotas bem mais jovens. Del Nero viveu durante três décadas com a artista plástica Márcia Baldrati, com quem teve três filhos (Marco Filho, Carla e Vinícius). Divorciou-se em 2004 e, algum tempo depois, começou a aparecer em público com namoradas de 20 e poucos anos. Uma delas já lhe causou uma dor de cabeça. Em 2012, uma operação da Polícia Federal que investigava uma empresa ilegal de arapongagem chegou à casa em que Del Nero vivia, no Alto de Pinheiros, e apreendeu seu computador e seu iPad. Desconfiado de uma traição, o cartola havia contratado por 3 000 reais a companhia de espionagem para “monitorar” a namorada da época, Carolina Galan.

 

Carol Galan

Carol Galan: Na época da relação, Del Nero, desconfiando de traição, contratou uma empresa de arapongagem para acompanhar a mulher e xeretar os e-mails dela. (Foto: Zanone Fraissat/Folhapress)

 

O pacote do serviço incluía colocar um detetive na cola da mulher, invadir sua conta de e-mail e obter o histórico de suas ligações. “Eu queria saber o passado comercial dela, se tinha alguma dívida”, esquiva -se Del Nero. Os relatórios dos investigadores chegavam a seu e-mail corporativo, mas não trouxeram nenhuma revelação comprometedora. “Foi uma situação chata, e isso afetou a nossa relação”, lembra Carolina. Apesar do desconforto, eles ficaram juntos mais dois anos.

No campo amoroso, Del Nero esbanja generosidade. Logo no começo da relação com Carolina, em 2010, o cartola cedeu à namorada 10% do valor total de um apartamento de 75 metros quadrados na Alameda Jaú. No ano seguinte, ela “vendeu” sua parte a ele por 17 000 reais. “Eu estava precisando de dinheiro”, conta a mulher. Em outro gesto romântico, ele mexeu os pauzinhos para que ela conseguisse uma vaga de passista na Vai-Vai em 2013.

Del Nero usa as mesmas táticas com as novas parceiras. Cinco dias após conhecer a também modelo Carol Muniz, cujo currículo inclui ter estampado a capa da revista Sexy de julho de 2014, ele a presenteou com um Mercedes-Benz SLK, de 200 000 reais, e um anel de brilhantes. Mas o romance terminou em novembro passado, segundo ela, por questões profissionais. “Eu queria continuar fazendo fotos sensuais e trabalhando como modelo, ele era contra”, explica Carol, que está no período pós-operatório da troca de próteses de silicone de 280 mililitros por outras de 450 mililitros.

Como qualquer treinador em uma partida de futebol quando as coisas não vão bem, Del Nero correu para substituir Carol. Um mês depois do rompimento, pôs em campo outra modelo, Kelly Moniz (27 anos, 1,74 metro, 94 centímetros de quadris e busto tamanho 93). Eles estão juntos desde dezembro.

 

Embora negue ter feito plásticas, o cartola paulistano aparenta menos idade que seus 74 anos. Ele não altera quase nunca o tom de voz tranquilo. Segundo pessoas próximas, é educado e cobra resultados rápidos. Seus ternos são impecáveis e, nos pés, prefere sapatos de marcas italianas como Gucci e Salvatore Ferragamo. O que chama mais atenção no figurino são as gravatas de seda. Tem muitas e de cores variadas, e seu fraco mesmo são os modelos da Bulgari e da Hermès. Também adora relógios poderosos, como Rolex. Em São Paulo, possui apartamentos em Higienópolis e Jardins, mas começou a ficar bem menos na capital devido aos compromissos na CBF.

 

Para estar perto da sede da entidade, comprou duas coberturas dúplex na Barra da Tijuca em um famoso condomínio de frente para o mar. Pagou um total de 6,8 milhões de reais pelos dois imóveis, segundo o Cartório de Registro de Imóveis. Nos fins de semana, ele costuma pilotar o próprio barco no mar esverdeado de Angra dos Reis. Com três cabines e 52 pés, a nau foi batizada de My Way, em homenagem a Frank Sinatra. É para onde leva suas namoradas nos passeios. Embora seja apaixonado pelo mar (seu signo é Peixes), ele não sabe se virar sozinho na água e precisa recorrer a uma boia. Nos bastidores do futebol, porém, está nadando de braçada.

 

Rivotril, modelos e Palmeiras

A trajetória profissional e algumas curiosidades sobre o dirigente

Nome: Marco Polo Del Nero.

Idade: 74 anos (22/2/1941).

Local de nascimento: São Paulo.

Formação: direito pelo Mackenzie.

Carreira: foi advogado do Palmeiras e presidente do Tribunal de Justiça Desportiva e da Federação Paulista de Futebol.

Salário estimado na CBF: 200 000 reais.

Endereço atual: cobertura com vista para o mar na Barra da Tijuca.

Estado civil: divorciado. Foi casado por três décadas com Márcia Baldrati, com quem teve três filhos (Marco, Carla e Vinícius).

Time do coração: Palmeiras.

Últimos livros que leu (pelo iPhone 6 Plus): Anjo da Escuridão, de Sidney Sheldon, e Adultério, de Paulo Coelho.

Coleção: de namoradas jovens e curvilíneas; algumas delas já estamparam a capa de revistas masculinas. A atual se chama Kelly Moniz, de 27 anos.

Uma vaidade: pilotar seu barco de 52 pés e três cabines, batizado de My Way em homenagem à música de Frank Sinatra.

Precaução: por não saber nadar, pula no mar paramentado com uma boia.

Hábito: tomar meio comprimido de Rivotril pela manhã “para dar conta do trabalho”.

Restaurantes favoritos: Amadeus, Zucco e A Bela Sintra.

Medo: “Sou temente a Deus, então vai saber o que vem depois…”

Ídolo: José Del Nero. “Meu pai jogou pelo Palmeiras e me fez um apaixonado por futebol.”

Uma partida inesquecível: Santos 7 x 6 Palmeiras, no Pacaembu, em 1958.

Um jogo para esquecer: Alemanha 7 x Brasil 1. “Na verdade, não podemos esquecer esse jogo para que algo parecido não se repita.”

Jogadores favoritos: “Meu pai e Pelé. Dos de hoje, adoro o Neymar.”