Blog do Juca Kfouri

“Organizar jogos para o bons”
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Juca Kfouri

O diretor do Inter, Alexandre Limeira, numa frase, resumiu a distorção vivida hoje no Brasil quando se trata de organizar um jogo de futebol.

Idealizador da zona misturada no Beira-Rio para o Gre-Nal deste domingo, ele disse:

“Hoje em dia há uma absoluta inversão de valores e prioridades. Os jogos são organizados para os maus torcedores. As preocupações estão sempre voltadas para acomodá-los, em vez de nos ocuparmos em preparar os estádios para os bons”.

Falou e disse!


Noite de café com leite na Libertadores
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Juca Kfouri

Paulistas e mineiros em ação pela Libertadores.

Que o Galo não derrame o leite logo às 19h45 no Independência é tudo que se espera, ainda mais que o rival mexicano desta noite, o Atlas, estreou também com derrota, mas em casa, para o Independiente Santa Fé.

Por mais problemas que o Galo tenha com seus desfalques, e os tem de sobra, hoje é noite da camisa ser carregada pela massa. 

O blog aposta nisso, mas teme.

Já às 22h, no Morumbi, tomara que cheio, o São Paulo tem de respeitar e atropelar os campeões uruguaios do Danubio, outro time que estreou com derrota em casa.

Qualquer outro resultado será catastrófico e poderá desencadear uma tempestade pelos já instáveis lados tricolores, onde não adianta tomar café com o técnico porque é preciso fazê-lo acreditar no gesto.

O blog tem certeza de que o São Paulo de Pato e Ganso vencerá bem.

E se dará por feliz se o Cruzeiro voltar de Sucre com um empate.

Porque o bicampeão brasileiro estreia a 2800 metros de altitude em Sucre contra o boliviano Universitario, que não assusta como time, mas, igual ao Strongest, joga com 15.

Os cruzeirenses repetem a ladainha dos colorados antes de jogar em La Paz: “a altitude não assusta”, mas, ao entrar em campo, assustados ou não, faltará ar, a garganta secará, o nariz também, o cérebro não funcionará 100% e a bola voará muito mais rápida e sinuosa.

E os mineiros devem perder.


A história se repete como tragédia
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Juca Kfouri

Deputado federal eleito com 170 mil votos, o mais votado do PT em São Paulo, Andrés Sanchez, ex-presidente do  Corinthians, apresentou ontem seu primeiro projeto no Congresso Nacional: quer instituir por lei o Dia do Corinthians.

A data escolhida, como não poderia deixar de ser, é o dia da fu.ndação do clube, 1o. de setembro.

Sanchez parece querer imitar o ex-deputado Eurico Miranda, que gostava de dizer que não era deputado para defender os eleitores do Rio de Janeiro, mas, sim, os vascaínos.

Até que, um belo dia, foi cassado pelo eleitorado que não o reelegeu.

É bem provável que este seja o fim de Sanchez na Câmara dos Deputados, tal o ridículo de que se reveste seu primeiro Projeto de Lei.

Nem o Brasil nem o Corinthians precisam deste tipo de político.

Veja AQUI.

Comentário para o Jornal da CBN desta quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015, que você ouve aqui.


Gesto olímpico
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Juca Kfouri

POR MANUELA OITICICA
Desesperado, o corpo tenta livrar sua dupla condenação: horizontal e submerso. Por inacreditáveis segundos, o músculo agarra no dente o limite da convulsão. Ou então: é preciso abraçar em porções de igualdade cada um dos cinco mil metros em ligatura de valsa. Tenuto, diz a partitura, é o contrário do stacatto. 
Fora d’água, o ar se joga contra um corpo desgravitoso por uma caixa de areia. No mais, todo esporte guarda um ridículo de infância: o que começou com passadas científicas e auto-conhecimento de sapateiro (que o pé não me passem da tábua!, berra a mãe agoniada pra que o salto não queime) termina glútea e jocosamente, o corpo espatifado, com areia nos fundilhos. 
Da ginástica mais rítmica ao pugilista esbofeteado no quase das luvas. Não é só o corpo. Pensamentos elaboram parábolas para se estilhaçarem louças voadoras. E os instintos suicidas de um ala-armador que decide sair correndo garrafão a dentro com uma bola metida debaixo do braço.
Tem quem sujeite a elegância de fraques a humores equinos [esporte é levar a sério a brincadeira, tornar-se indestrutível. No pique-pega]. 
Meu time mais querido que me perdoe, mas é muito o tempo aos futebóis. Um programa que debate, outro que discute. Um terceiro que assunta. Então – adictos – emburricamos na crença de que o corpo é monoglota.

Crueldade com Anderson Silva
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Juca Kfouri

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Juca, eu não me conformo que a desinformação sirva de referência para que as pessoas repitam, cansativamente, as ladainhas ridículas de acusações desprovidas de nexo. Por isso escrevi o texto abaixo, que você pode usar como melhor lhe aprouver.

POR SABINO VIEIRA LOGUERCIO*
Tal qual você (li no seu blog), tenho cá minhas dificuldades em conceituar a prática do MMA como um esporte, por não saber se a violência, praticada com técnica, é tão diferente da outra. Mas, obviamente, devemos respeitar os apaixonados por essa modalidade, que não são poucos.

Tal posição não nos impede de protestar, com veemência, contra a crueldade sofrida por Anderson Silva. Mais uma, na longa história de deboches que as entidades esportivas nos proporcionam.

O antidoping de caráter punitivo é antiético, anticientífico, inconstitucional e uma clamorosa agressão aos direitos humanos.

Antiético, porque os princípios gerais de proteção à dignidade do ser humano não admitem que seja levado ao conhecimento público o que se passa no interior do organismo de alguém, salvo se o interessado permitir.

A legitimidade jurídica, porém, só terá suporte se constarem, em documento assinado, os detalhes sobre todas as possibilidades de o procedimento laboratorial não expressar a verdade.

Esse cuidado é de tal forma importante que, há bastante tempo, os laboratórios de análises clínicas vêm submetendo ao juízo crítico do médico, os resultados registrados em seus exames, pela simples razão de que há elementos pré-analíticos em jogo e cabe ao médico, à luz de conhecimentos complementares, a palavra final.

Anticientífico, porque, ainda que admitamos a confiabilidade nos exames bioquímicos, estes não retratam o que se passa na intimidade biológica, extremamente complexa, e que faz de cada ser humano um universo único.

Particularidades genéticas, imunogênicas, metabólicas, injunções ligadas ao ritmo circadiano, dieta, hábitos de vida, indução enzimática, interações de toda ordem e uma série interminável de outros mecanismos justificam a aludida preocupação dos profissionais de laboratório.

Exemplos de erros existem às centenas, mas o que ocorreu com a maratonista argentina Sandra Torres é emblematicamente definitivo.

Ela usava, sob receita médica, para corrigir alterações na área ginecológica – e com plena autorização do Comitê Olímpico Internacional – o hormônio NORETINDRONA.

Ao ser flagrada no antidoping pela detecção urinária de 19-NORANDROSTERONA (proibida), ficou perplexa, pois nunca usara tal droga. Foi então que, amparada por médicos e juristas, provou, de forma inequívoca, através de repetidos testes, que, NO SEU ORGANISMO, a NORETINDRONA transformava-se em 19-NORANDROSTERONA.

Foi então inocentada.

Inconstitucional, porque há uma cláusula pétrea, na Constituição de qualquer nação civilizada, a advertência que, no caso da Constituição da República Federativa do Brasil, está assim redigida, no Art. V, inciso X: “são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurado o direito a indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação“.

Conquanto se possa admitir que o esporte deva ter legislação própria, as cláusulas pétreas não podem ser transgredidas.

Não se permite, pois, que alguém seja levado à execração pública com base num mero exame laboratorial.

Essa afronta ostensiva aos direitos humanos precisa ser combatida, com energia e persistência, por pessoas que guardam o mínimo respeito pela dignidade de qualquer criatura.

No caso de Anderson Silva, todos sabem que ele sofreu uma fratura e tomava esteroides anabólicos para fortalecer a musculatura da perna esquerda atingida.

O que foge ao conhecimento geral é a circunstância de que, enquanto alguns eliminam os esteroides em uma semana, outros levam muitos meses para fazê-lo. 

E os orientais, como você sabe, simplesmente não os eliminam na urina.

Há tanto mais a comentar que caberia num livro. Será que este já não existe?

*Sabino Viera Loguercio é médico e autor do livro acima.


Gre-Nal da paz começa bem
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Juca Kfouri

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No domingo que vem o Beira-Rio terá um setor misto para que colorados e gremistas possam ver o Gre-Nal juntos.

A ideia da direção colorada foi tão bem recebida que ontem, primeiro dia de venda dos ingressos para o clássico, as duas mil entradas destinadas ao setor se esgotaram.

Mais: o presidente do São Paulo, Carlos Miguel Aidar, anunciou que o clube também quer ver são-paulinos e corintianos juntos no Morumbi no jogo pela Libertadores, dia 22 de abril.

Quando em São Paulo há autoridades propondo o absurdo de torcidas únicas, é muito bem-vinda a sugestão tricolor exatamente no sentido inverso.

Reunir os bons torcedores, a maioria, e punir os maus, a minoria, é mais que uma boa ideia.

É o que devemos exigir de quem cuida de organizar os jogos de futebol pelo Brasil afora.

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Comentário para o Jornal da CBN desta terça-feira, 24 de fevereiro de 2015, que você ouve aqui.


Ausência
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Juca Kfouri

POR LUIZ GUILHERME PIVA

Contra-ataque típico. Mil vezes na carreira já fez aquilo.

Na sua intermediária esquerda, escanteio contra seu time, o meia-direita na cabeça da área.

Rebote. O meia domina e ele parte antes. Sabe que a bola estará no vazio das costas dos beques adversários antes mesmo da linha do meio-campo.

É só dominar e partir com ela no pé. Ou partir direto, sem dominar, dando esticadas com toques nas passadas.

Pode chutar forte da entrada da área. Tocar de chapa com curva no canto esquerdo. Chegar mais perto, ameaçar o chute e cobrir o goleiro caído. Esperar o zagueiro vir em carreira e cortá-lo com a guinada pra dentro.

O certo é que quase sempre fez o gol. Poucas vezes perdeu.

Só que, naquela vez, na largada, antes de se aproximar da bola no ponto em que a aninharia e do qual a tangeria à meta, veio a ausência.

Os passos seguiam, mas lentos, sem peso, patinhando, desossados.

O corpo arqueado perdia tensão, ânimo, seiva.

Perdeu o senso do que o impulsionava e do que atingiria.

Nem sabe se chegou lá, se fez o gol, se desistiu, se foi atropelado pelo zagueiro, se tropeçou e saiu de maca, e nem mesmo se o que está contando ocorreu.

Tem dúvidas até mesmo quanto às mil vezes anteriores em que teria feito a jogada que o consagrou e que o distinguia de todos.

Mas não esquece a ausência.

De quê, de quem, não sabe dizer.

Só repete que foi uma ausência.

Que ele sente ainda ali, pesando, curvando o espaço e o tempo à sua volta – como uma bola que curva a rede no chute bem colocado, explica.

Às vezes enche ouvi-lo repetir a mesma história.

Mil vezes a mesma história.

E todos já sabem. Ele vem chegando perto, puxando assunto, abrindo brecha, como das outras mil vezes, e começa a corrida, aliás, a história, dos seus gols, aliás, da ausência, que o consagraram, aliás, que o imobilizou.
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Luiz Guilherme Piva publicou “Eram todos camisa dez” (Editora Iluminuras).


Futebol&Cartuns do genial Mordillo
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Juca Kfouri

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A Panda Books teve a ideia que o grande cartunista argentino Guillermo Mordillo não teve: reunir em livro todas as charges dele sobre futebol.

O resultado é espetacular, custa R$70 e acaba de ser lançado.

Pela primeira vez na história, o livro Mordillo – Futebol & Cartuns reúne seus desenhos humorísticos sobre futebol em um único volume.

Ao todo, 115 obras relacionadas ao esporte bretão apresentam a visão humorística do artista, caracterizadas pelo uso do colorido e ausência de textos.

A urbanização das grandes metrópoles e a resistência dos campinhos mundo a fora são algumas das visões do portenho, que também proporciona risadas ao retratar cenas inusitadas nos campos de futebol.

Mordillo não utiliza a escrita em seus desenhos e esse fator foi decisivo para que tivesse alcance e reconhecimento internacional em diversos países.

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