Blog do Juca Kfouri

Michel Bastos salva o São Paulo e São Victor evita goleada no Galo
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Juca Kfouri

O primeiro tempo de Danubio x São Paulo foi dos piores do ano.

O campeão uruguaio, com uma garotada imberbe, não é ruim.

É muito ruim.

Seus meninos ainda mostram dificuldades básicas nos fundamentos do jogo.

Cada passe é um sofrimento. Matar a bola, então, nem com faca.

Mas, e o São Paulo, precisando da vitória?

O Soberano tricampeão continental parecia acreditar, diante da fragilidade do adversário,  que quando quisesse faria o gol.

O tempo foi passando e nada.

Basta dizer que a primeira bola perigosa do Tricolor, que exigiu grande defesa do goleiro uruguaio, foi uma cabeçada de um zagueiro contra o próprio gol, já depois da metade dos 45 primeiros minutos.

Que preguiça!

Antes, se o atacante oriental tivesse um mínimo de talento, na cara de Rogério, teria feito 1 a 0 em vez de atrasar a bola para o Mito como fez.

Resultado?

0 a 0 ao cabo da etapa inicial.

Ao São Paulo, numa palavra, faltava adrenalina.

Que Milton Cruz teria de injetar no vestuário, livrando a cara apenas de Michel Bastos que, ao menos, tentava.

Enquanto isso o Galo se complicava em Guadalajara, perdendo de 1 a 0 para o Atlas, num gol que só saiu aos 39 minutos, de González, mas que ensaiou sair três vezes antes, evitado por três milagres de São Victor.

O Galo até tinha mais a bola, mas não sabia o que fazer com ela, a não ser num lance que redundaria em gol, mas que foi interrompido pela marcação errada de impedimento de Carlos, aos 6 minutos.

A exemplo do Cruzeiro, o Atlético parecia exausto, incapaz de se impor, num estádio tão vazio e sem pressão como estava o de Montevidéu.

Nem bem o segundo tempo começou no Uruguai e Sosa, aos 2 minutos, mandou uma pedrada do meio da rua e Rogério Ceni pareceu não acreditar que a bola, embora no meio do gol, morreria na rede.

Aí, Luís Fabiano entrou no lugar de Rodrigo Caio.

Será que o gol uruguaio sacudiria o insosso time brasileiro?

A primeira reação foi abrir a caixa de ferramentas em vez de jogar bola.

O Danubio inteiro, incluída sua pequena torcida, não ganha o que Alexandre Pato recebe mensalmente (ou não recebe porque o Corinthians não o paga…).

Para piorar a noite brasileira, no Chile, o Santa Fé batia o Colo Colo por 3 a 0 e complicava gravemente a vida do Galo.

Menos mal que, aos 15, Pato empatou de cabeça em cruzamento de Michel Bastos.

Não merecia, mas àquela altura, dane-se o merecimento. E precisava virar.

Se não dava no conjunto, que desse no talento individual, pois a distância neste quesito era abissal.

Mas o São Paulo seguia fazendo faltas em cima de faltas: 25 a 8, três cartões amarelos contra um uruguaio, aos 25 minutos do tempo final.

A ruindade reinava na noite da Libertadores, na América do Sul e na do Norte.

Que diferença para o que se viu horas antes em Paris e no Porto. Parecia outro jogo.

No Galo, Levir Culpi, tirou Pratto e Donizete e pôs Guilherme e Cárdenas.

Depois tirou Dátolo e botou Danilo Pires.

O Atlas controlava o jogo no histórico estádio Jalisco, exigia nova defesa de Victor e ainda mandava o rebote na trave.

Outro cruzamento de Michel Bastos quase resulta em novo gol de Pato, aos 27, mas o goleiro pegou.

Centurión foi para o jogo no lugar de Paulo Miranda, porque o São Paulo precisava ganhar.

Aos 36, a melhor chance mineira no jogo, bisonhamente desperdiçada por Carlos.

Aos 43, Carlos perdeu outra oportunidade incrível.

À medida que o jogo se aproximava do fim o São Paulo dava alguma esperança de virar, mas aos 40, por falta de talento, foi o Danubio que perdeu uma chance de ouro.

Finalmente, nos acréscimos, mais uma vez Michel Bastos bota a bola na cabeça de Centurión e o São Paulo vira o jogo.

O Danubio dava adeus à Libertadores sem um pontinho sequer e o São Paulo permanecia vivo, embora mais uma vez sem mostrar futebol.

O Galo terá que vencer o Colo Colo, em Belo Horizonte, para seguir adiante. E por dois gols de diferença.

Cumé?

Você sabe.

“Eu acredito, eu acredito!”.

 

 

 

 

 

 


Um livro para mexer com a insensibilidade
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Juca Kfouri

  

Há um belo livro, e de triste conteúdo, na praça: trata do drama de 67 mil pessoas removidas de suas casas na cidade olímpica do Rio de Janeiro.

São terríveis 124 páginas que relatam e analisam o que ocorre na escuridão da Rio-16, um sofrimento que quase não se vê retratado nas páginas de nossa imprensa, como se fosse inevitável. 

Não é, ou não deveria ser, e muito menos pode ser tratado com tanto desprezo.

Com prefácio da respeitada urbanista Raquel Rolnik, professora da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP, relatora da ONU para o direito à moradia adequada entre 2008’e 2014, o livro do arquiteto pela Universidade Federal Fluminense, Lucas  Faulhaber, e da jornalista Lena Azevedo, com impressionantes imagens do fotógrafo Luiz Baltar, é um soco no estômago dos que desprezam o sofrimento de quem sofreu odioso processo de remoção, na maioria da vezes a mais de 50 quilômetros do local onde viviam.

Por que foram removidas? O que receberam em troca do que perderam? Como se dá uma remoção? A que servem as remoções?

O livro,  da Mórula Editorial, por 35 reais, procura responder essas e outras questões, ouvindo as vítimas que, diferentemente de tanta gente, jamais se esquecerão dos Jogos Olímpicos no Rio, mas não pelo que terão de alegres e emocionantes.

Porque, como ensinou Bertold Brecht, nada deve parecer natural.

Muito menos excluir ainda mais o que já estavam excluídos.


O paraíso de Neymar e o inferno de Dante, Thiago Silva e David Luiz
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Juca Kfouri

  

O  Barcelona passeou em Paris.

O PSG jogou em casa como se estivesse em Barcelona.

Acovardado, levou de três.

Só não foi pior porque achou um gol no fim, em bola desviada na zaga catalã: 3 a 1.

Luis Suarez marcou duas vezes, com direito a duas canetas humilhantes em David Luiz, que substituiu Thiago Silva, machucado, razão pela qual o Barça fez seu primeiro gol, em passe de Messi para Neymar concluir com a classe que trouxe do berço.

Thiago estava fora de combate.

  

Enquanto os catalães faziam turismo na Cidade Luz, na cidade do Porto o time local se aproveitou de receber um Bayer Munique sem Ribéry, Alaba, Robben e Schweinsteiger e liquidá-lo em dez minutos, com dois gols de Quaresma.

O primeiro de pênalti, que existiu, mas fruto de uma jogada faltosa de Jackson Martinez sobre Xabi Alonso, e o segundo depois de uma bobeada monstruosa de Dante.

Os alemães ainda descontaram com Thiago Alcântara, mas o Porto foi para cima em busca do terceiro gol e conseguiu levar boa vantagem para o jogo de volta: 3 a 1, gol de Martinez.

Entre Barça e PSG, nada mais a discutir.

Entre Bayern e Porto ainda tem jogo.


Cartolicismo
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Juca Kfouri

Por ROBERTO VIEIRA

O sujeito não jogava nadinha de nada. Zero à esquerda menos zero. Não era nem o dono da bola – dono que era perronha, mas sonhava-se craque. Pra ser sincero o distinto nem gostava de futebol. Gostava mesmo era de dinheiro.

Onze camisas e uma bola. Campinho de barro vermelho. Não tinha lugar pra ele nem pro dinheiro. Futebol era apenas diversão. Futebol pagão sem lenço nem documento.

Mas o país cartorial exigia que tudo tivesse licença, atestado, alvará, segunda via e lá se foram os meninos vestirem o uniforme dos colégios religiosos, das agremiações quatrocentonas, dos clubes de bela e nem tão bela estampa.

O sujeito não gostava de bola, mas gostava de estar nas manchetes e fofocas dessa vida assumiu o futebol. Polainas, gravatas, cartolas e bigodinho, o sujeito transformou o que era simples em atividade congressual. O fato simples de botar uma bola entre duas pedras ou duas traves, viu-se subitamente engessado por dezenas de regras.

Uma dia surgia a federação, noutro a confederação, ali um tribunal de justiça, acolá um efeito suspensivo.

A religião que não tinha deus virou Monte Olimpo. Os jogadores eram incensados pelas multidões; os dirigentes manipulando os cordões do circo de marionetes. Durante muito tempo, quase um século, a paixão infantil daquele jogo de moleques suportou a tudo e todos como somente a paixão consegue suportar. Palcos lotados, gritos histéricos, barbaridades nas arbitragens e nas regras do esporte toleradas com o mito de que o belo no futebol era o erro. Grana preta rolando nas bolsas de apostas. Fiéis cegos gritando em êxtase diante dos pecados capitais: Amém!

O futebol pagão virou Cartolicismo.

Até que as crianças foram descobrindo que ninguém ressuscitou após o terceiro pênalti…


Posse na CBF proibida à imprensa
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Juca Kfouri

  

A posse de Marco Polo Del Nero, marcada para às 11h de amanhã, até poucas horas atrás estava prevista para ser aberta à imprensa.

Mas há meia hora, a CBF anunciou que os jornalistas só terão acesso ao prédio da entidade a partir das 15h, quando poderão se credenciar para uma coletiva de Nero às 16h.

Só amanhã se saberá o motivo da restrição.


Que a noite de hoje seja melhor que a de ontem
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Juca Kfouri

Ontem, em Buenos Aires, o Cruzeiro viveu um pesadelo e acabou derrotado pelo Huracán por 3 a 1, com sua defesa, mesmo reforçada por três volantes, o que contraria o seu estilo, batendo cabeça durante 90 minutos.

Hoje, em Montevidéu e em Guadalajara, espera-se que São Paulo e Atlético Mineiro tenham melhor sorte.

O Cruzeiro tem a justificativa do desgaste absurdo, depois de ter jogado no domingo contra o Galo um jogo duríssimo e decisivo.

O São Paulo, que jogou no sábado, estará menos cansado e enfrentará os uruguaios do Danubio, nenhum ponto ganho em quatro jogos, já eliminados da Libertadores, mas em busca de pelo menos um ponto para não passar em branco pelo torneio continental, campeões uruguaios que são, além de dividirem a liderança do campeonato de 2015 com o Peñarol, a quem venceram no sábado passado por 3 a 2.

O São Paulo não pode perder, se empatar seguirá com boas chances de chegar às oitavas de final e se vencer dará passo gigantesco para passar de fase.

O jogo, às 22h, será disputado no pequeno estádio Luis Franzini, do Defensor, com capacidade para 18 mil torcedores.

O Galo teve um dia a mais de descanso que o Cruzeiro, mas viajou para bem mais longe, para o México, onde enfrentará o Atlas.

O time de Guadalajara está em oitavo lugar no Campeonato Mexicano e em último no grupo da Libertadores, com apenas três pontos em quatro jogos, mas ganhos justamente contra o Galo, no Horto, com um gol no fim.

O jogo será no imponente estádio Jalisco, para 63 mil pessoas.

Que o Galo devolva hoje a derrota inesperada e o São Paulo confirme sua superioridade porque outra noite como a de ontem será de amargar.

Comentário para o Jornal da CBN desta quarta-feira, 15 de abril de 2015, que você ouve aqui.


Nero chega para não mudar
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Juca Kfouri

Amanhã, o comando do futebol brasileiro muda de mãos.

Mas muda mesmo?

O  que esperar da CBF sob nova direção?

Nada, ou quase nada.

Mudanças mesmo só as cosméticas.

Sai Marin, que fica na primeira vice-presidência caso Nero venha a faltar.

Entra Nero, que estava no lugar de Marin caso ele viesse a faltar, e ocupa seu posto, apesar de ele não ter faltado.

Na verdade, faltou.

Faltou ter um mínimo de competência.

Marin vai embora sem ter realizado o sonho de posar ao lado da taça do hexacampeonato, mas, verdade seja dita, garantiu seu lugar na história: será eternamente o presidente do 7 a 1, da medalha embolsada etc etc etc.

A extrema-direita segue no poder na CBF.

Nero, quando estudante de Direito no  Mackenzie, nos tempos da ditadura, era do CCC, o Comando de Caça aos Comunistas.

Menos radical que Marin, no entanto, Nero tem sido capaz de se cercar de quem já foi de esquerda, como seu sócio e deputado federal petista Vicente Cândido, além de ter feito secretário-geral da CBF o ex-membro do PCdoB, ex-tucano, ex-marineiro, Walter Feldman.

A herança que Marin deixa para seu sucessor é mais pesada que a deixada para Marin por Ricardo Teixeira.

Se Teixeira teve de sair correndo da CBF em direção à Boca Raton, ao menos sua Seleção jamais havia levado uma surra como a que o time de Marin levou da Alemanha, para escárnio mundial.

Teixeira, por sinal, foi paulatinamente esvaziado depois que se mandou do país, mas há quem garanta que ele ainda manda.

Nero lhe foi útil quando sua gestão agonizava e hoje se aproveita da generosidade que sempre alguém está disposto a fazer, parceiros de Teixeira inclusive, para quem senta no trono.

Se Marin não foi eleito para assumir a CBF, seguindo sua tradição de jamais se eleger para nenhum cargo executivo em eleições majoritárias (foi governador biônico de São Paulo, como sucessor com mandato tampão de Paulo Maluf), Nero chega ao trono depois de vencer um pleito antecipado para antes da Copa do Mundo, como se previsse que o vexame atrapalharia seus planos.

Mas se Teixeira caiu depois da gota d’água de um perfil demolidor seu   publicado na revista “piauí”, e de uma série de reportagens que o desmascararam, Nero já chega à presidência objeto de um outro perfil, da “Veja São Paulo”, que também o expôs ao ridículo.

Enquanto isso, 8 a 1 para Alemanha.

 


Cruzeiro vive uma noite horrível em Buenos Aires
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Juca Kfouri

  

Por incrível que pareça, depois de um primeiro equilibrado na Argentina, o Cruzeiro foi para o intervalo perdendo por 2 a 0 para o Huracán que não havia vencido ninguém em quatro jogos, embora, como o time brasileiro, também estivesse invicto.

Ábila, aos 13 e aos 26, marcara duas vezes, na primeira em impedimento e na segunda cercado por cinco mineiros que o assistiram fazer o gol.

Leandro Damião descontou aos 16 do segundo tempo, batendo pênalti sofrido por ele mesmo e o bicampeão brasileiro deu a impressão de que ainda faria o gol que lhe daria o empate suficiente para se classificar.

Mas, em seguida, em nova bobeada monstra da marcação cruzeirense, um levantamento portenho frontal à área resultou no terceiro gol do Huracán.

Buenos Aires era palco de uma noite para a defesa azul esquecer. Invicta até então, levava três gols evitáveis, o primeiro pela arbitragem.

Verdade que o Cruzeiro não se dá bem na Argentina, mas ficou evidente que o time sentiu o desgaste do embate contra o Galo, anteontem.

O Cruzeiro perdeu também a liderança do grupo para o Universitário Sucre, a quem enfrentará na terça-feira que vem, no Mineirão, para assegurar a passagem às oitavas de final.

Desde que não bobeie como hoje e, agora, vença, porque se empatar poderá ser eliminado caso o Huracán ganhe do frágil e eliminados Mineros.


O jogador secreto
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Juca Kfouri

Ele precisou esconder sua identidade para revelar os bastidores do futebol

Por Anônimo

 

Cansado de ver tanta besteira circulando na mídia esportiva, um influente jogador decidiu botar a boca no trombone e revelar ao mundo o que realmente acontece nos bastidores do futebol, escrevendo uma coluna para a revista inglesa FourFourTwo. Em O Jogador Secreto, ele narra em mínimos detalhes o que se passa ao longo de uma temporada do futebol profissional inglês. Para se proteger, o autor esconde sua identidade. O que sabemos é que jogou pelas quatro divisões do Campeonato Inglês e representou seu país em jogos internacionais, atuando na Seleção.

O livro é dividido em capítulos que correspondem aos meses da temporada inglesa, que vai de julho a maio. As histórias são todas verídicas, baseadas na experiência própria do autor. A pitada de ficção fica por conta da cronologia dos casos: propositadamente, o Jogador Secreto misturou diversas temporadas em uma só, numa estratégia para despistar detetives de plantão na busca pela sua identidade. 

Sem se preocupar em preservar a imagem de ninguém, o autor revela intrigas, casos extraconjugais, episódios de racismo, abusos de treinadores, pilantragens, festas e extravagâncias de jogadores. A narrativa se inicia em julho, na pré-temporada dos treinamentos. São seis semanas enfurnados no centro: segundo o autor, “a pior época do ano para um jogador”. É daí que se forma a equipe principal, da qual todos ralam para fazer parte. A pressão é tanta que, não raro, os jogadores escondem lesões para não serem cortados do time.

Agosto chega com otimismo. É a fase de amistosos, ainda livre das estressantes advertências que costumam sobrecarregar os ânimos ao longo da temporada. Os jogadores voltam a frequentar os vestiários, recheados de curiosas tradições: lá, por exemplo, é proibido falar em dinheiro. É também o mês em que eles reencontram suas mulheres depois do período de treinos. Isso gera uma tensão extra, dado o índice de casos extraconjugais e a velocidade com que as notícias desse tipo se espalham. O autor estima que apenas 30% dos jogadores sejam fiéis a suas companheiras.

Outubro é o mês em que tudo pode dar errado, porque é quando começa a temporada das demissões. Além disso, os jogadores já estão cansados e desenvolvem lesões e dores crônicas. Começa também a temporada de clássicos, o que acaba provocando episódios de insônia, devido à adrenalina dos jogos. A relação dos jogadores com a torcida é estremecida, dada a pressão do público em ver os resultados do time.

Em fevereiro começa a segunda metade do campeonato inglês e, com ela, o fantasma do rebaixamento, que agrava as crises de ansiedade e depressão nos atletas. Março é o mês mais desafiador para o técnico, que tem de lidar com o cansaço físico dos jogadores, preferindo muitas vezes escalar os mais descansados em detrimento dos habilidosos. Muitas vezes, isso provoca atritos entre a comissão técnica e os jogadores. Em abril, começam as especulações sobre as renovações dos contratos e, com elas, vem o peso sobre os jogadores com mais de trinta anos. Até que, em maio, termina o Campeonato Inglês e a temporada chega ao fim, dando início a um novo ciclo.

A edição brasileira de O Jogador Secreto conta ainda com um capítulo extra que reúne seis colunas do Jogador X, que, entre maio de 2011 e dezembro de 2012, revelou histórias dos bastidores do futebol profissional brasileiro em sua coluna na revista ESPN. Com o mesmo cuidado de não revelar sua identidade, o misterioso jogador critica a precária cobertura jornalística esportiva e os preconceitos que assombram o meio futebolístico, além de abrir o jogo sobre a existência da famigerada “mala preta” – o dinheiro que é oferecido aos jogadores para perder uma partida.

TRECHO

“Tenho sido bem-sucedido na ocultação da minha identidade, mas aconteceram alguns momentos de arrepiar os cabelos. Uma vez estava num posto de abastecimento quando vi a manchete ‘Escândalo de orgia na Premier League’, ou algo parecido, na primeira página de um tabloide. Comprei um exemplar para ver o que os rapazes haviam aprontado – apenas para descobrir que a história do jornal havia sido decalcada da minha mais recente coluna na revista FourFourTwo. Não sei por que deveria ter ficado preocupado. Não havia nomes nela. E então um colega jogador me apanhou com a boca na botija. Ou eu pensei que ele me apanhou – ainda não tenho a certeza.”

O AUTOR

O autor de O Jogador Secreto prefere manter sua identidade no anonimato. Jogou pelas quatro divisões do Campeonato Inglês e representou seu país em jogos internacionais, atuando na Seleção Inglesa. Revelou os bastidores do futebol em sua coluna na revista FourFourTwo.

O JOGADOR SECRETO

Anônimo | 224 pp. | R$ 42,90

Editora: Panda Books