Blog do Juca Kfouri

Enquanto isso, no norte/nordeste…

 

REMO SEM DIVISÃO

 

POR LEANDRO SANTIAGO*

O futebol do Pará ficou mais de 100 anos sem saber o que é ter um campeão do interior.

Descobriu no ano passado com o Independente.

E tomou gosto pela coisa.

Em 2012, foi a vez do Cametá, que será o representante do Pará na Série D.

Sorte dos adversários, que terão o prazer de conhecer a simpática terra de Dom Romualdo de Seixas, arcebispo primaz do Brasil nos tempos de Dom Pedro I.

Terra de Kim Marques, o compositor que criou parte dos sucessos da Banda Calypso.

E terra do delicioso mapará, o peixe do rio Tocantins que generosamente banha Cametá.

O lado ruim desta história é o Clube do Remo.

Uma das mais fanáticas torcidas do Brasil verá seu time sem divisão.

Pelo segundo ano consecutivo.

Uma vitória por dois gols de diferença daria o título a vaga na Quarta Divisão Nacional.

Aos 26 do segundo tempo, Fábio Oliveira fez 2 a 0.

Mas aos 40, Garrinchinha diminuiu.

O jogo iria para os pênaltis.

“A bola pune”, disse Muricy.

Mas nem o técnico do Santos devia imaginar que ela fosse capaz de tamanho sadismo.

No último minuto, Soares empatou.

Os mais de 32 mil remistas não mereciam tamanho castigo.

Mas os dirigentes, sim.

Por mais um ano sem planejamento.

Mais um ano de atraso de salários.

Mais um ano de fogueira das vaidades acesa entre a cartolagem.

Enquanto os dirigentes se preocupavam em alimentar o ego nos microfones da imprensa local, o clube ficava mais um ano sem novas receitas.

Dependia exclusivamente da renda dos jogos.

Disso, os cartolas azulinos não podem reclamar.

Foi do Remo o maior público do Parazão e o segundo da Copa do Brasil.

Torcida fanática e que conhece bem o time que os cartolas montaram.

A ponto de implorarem para que Águia e Remo jogassem no Baenão e não no Mangueirão.

O estádio Olímpico era muito mais adequado para a decisão do Segundo Turno.

Mas a torcida, sabedora da inferioridade técnica de seu time, preferia passar calor e se apertar no estádio remista, confiando no seu poder de fazer o Leão superar suas enormes limitações.

Que clube tem uma torcida que ama mais o clube do que a si própria?

Só amor não constrói.

A incompetência destrói.

O Remo vira as costas para a modernidade, para a gestão consciente, insiste em ser medieval.

O que fazer agora?

Esperar por uma desistência.

Porque o estado dono de seis títulos nacionais só tem uma única vaga na Série D.

Igual Roraima.

O presidente da federação local não lutou para corrigir esta injustiça.

Sempre foi dócil ao ex-presidente da CBF, que em troca, o premiou com a chefia da delegação da Copa das Confederações.

E se a ninguém desistir?

O jeito será mais uma vez rodar pelo interior do Pará, jogando em campos de várzea contra equipes amadoras.

E a torcida vai junto, esperando por dias melhores.

Até quando?

*Leandro Santiago é paulista, vive em Belém e apaixonado pelo futebol paraense.
futeboldosantiago.blogspot.com

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COL desdenha do governo federal

Causa irritação no governo federal o teor de uma mensagem interna passada pelo diretor de Operações do COL, Ricardo Trade que, por descuido, chegou a Brasília.

Nela, na abertura com letras maiúsculas, Trade tranquiliza sua turma ao dizer que não há intervenção alguma do governo no COL e que “SERÁ APENAS ABERTO UM FÓRUM DE DISCUSSÕES E REUNIÕES PARA ACELERAR AS COISAS”.

Na mensagem, já em letras minúsculas, solicita que se trate “quase tudo com confidencialidade”, e informa que Jérôme Valcke “pediu para não falarmos na frente dos governos sobre o LOC OFFICE”, referência às instalações insuficientes do escritório do COL na Barra da Tijuca, em mudança para o Riocentro custeada por dinheiro público.

E faz elogio à apresentação de Joana Havelange, em Zurique, na defesa de que o sorteio dos jogos da Copa seja feito em Sauipe. “Forçamos a barra”, diz, para que se obtenha a aprovação já no dia 22 de maio.

Trade deixa claro que o COL trabalha com três cenários para a Copa das Confederações, com quatro, cinco ou seis cidades-sedes, “para não ter susto se um dia tivermos que trocar”.

E finaliza, dizendo que Bebeto e Ronaldo “foram sensacionais e abriram portas e deram opinião e nos dão credibilidade”.

Comentário do blog: Trade, perigosa e arrogantemente, se apega ao fato de o representante do governo no COL, o secretário-executivo do ministério do Esporte, Luis Fernandes, não ter cargo nem salário no comitê, esquecido de que é óbvio que um funcionário governamental não pode ser pago pela Fifa.

Trade revela ainda o temor da Fifa sobre o acordo da prefeitura carioca com o COL e a GL Eventos segundo o qual a mudança do comitê para o Riocentro seja paga com dinheiro público, como aqui já se publicou.

Em sua mensagem que vazou, Trade elogia Joana Havelange, com quem não se dá, porque todos parecem muito interessados em fazer o sorteio dos jogos da Copa num lugar bem mais aprazível que São Paulo, o de preferência da Fifa por causa da infraestrutura da cidade.

E finalmente sublinha em particular aquilo que se nega em público: a possibilidade cada vez maior de Recife e Salvador ficarem fora da Copa das Confederações, razão pela qual trabalha com três cenários para o torneio.

O comentário sobre a credibilidade que Bebeto e Ronaldo trazem ao COL dispensa comentários.

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Depois da festa de poucos, a ressaca de muitos

De norte a sul, de leste a oeste, há campeões estaduais comemorando até agora seus títulos conquistados ontem.

Inter, Avaí, Coritiba, Santos, Fluminense, Atlético Mineiro, Goiás, Bahia, Santa Cruz, Ceará, e Cametá, no Pará, festejam.

O Inter ameniza a dor da Libertadores; o Avaí vence na casa do rival; Coritiba e Santos são mais que campeões, são tricampeões; o Flu comemora depois de sete anos e o Bahia depois de 11; o Galo é campeão invicto; o Santa Cruz é bicampeão, como o Ceará; o Goiás lembra o rival que ainda manda no estado e o Cametá comemora pela primeira vez.

Está tudo muito bem, está tudo muito bom, foram bonitas as festas, pá, mas, e agora José, o que será da esmagadora maioria dos clubes que só tem estes campeonatos estaduais para sobreviver?

Esta é a resposta que nem a CBF nem as federações dão e que os clubes, mesmo à míngua, não têm coragem de cobrar.

Comentário para o Jornal da CBN desta segunda-feira, 14 de maio de 2012.

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A festa, afinal, das finais estaduais


Só a decisão paranaense, entre todas dos estaduais  que o blog conseguiu monitorar,  começou pontualmente.

Paulistas e gaúchos foram os campeões do atraso, com nada menos de dez — DEZ minutos de atraso!

Pense na Copa do Mundo…

Se no Morumbi houve tal descalabro, não faltou pressa nos gols, diante de 53 mil torcedores.

Em 15 minutos estava 2 a 2 entre Santos e Guarani.

No primeiro minuto, Alan Kardec fez 1 a 0 em passe de Neymar para Elano e deste para o centroavante.

O Guarani se lembrou do Bolívar.

E, valente, foi à frente.

Em falha do goleiro Rafael, Fabinho, que é muito bom, empatou aos 4 ao pegar uma batida de roupa do jovem goleiro.

Em pênalti mal marcado de lance de bola na mão, Neymar desempatou, aos 8.

Para Elano e o decampeão estadual Durval falharem seguidamente aos 15 e Bruno Mendes empatar de novo.

Depois, sem gols até o intervalo, o Guarani criou mais chances que o tri-tricampeão paulista Santos.

Mas, aos 27 do segundo tempo, Juan fez linda jogada com direito à caneta pela esquerda depois de Neymar enfileirar três bugrinos e lhe dar a bola que voltou para Neymar marcar mais um golaço em sua curta, e maravilhosa, carreira: 3 a 2.

No fim, quase de bola e tudo, Alan Kardec coroou o título ao receber um senhor passe de Ganso: 4 a 2.

O Santos conquistou seu 20o. campeonato estadual, contra 26 do Corinthians, 22 do Palmeiras e os mesmos 20 do São Paulo.

O desafio, agora, será o tetra, coisa que só o Paulistano conseguiu, ainda no amadorismo.

Já no Engenhão (20 mil pagantes), com o Botafogo naturalmente mais aceso, o gol não saiu durante todo o primeiro tempo.

E, no segundo, depois que o Glorioso desperdiçou duas claras chances, Rafael Sóbis tabelou com Carlinhos que foi à linha de fundo pela esquerda e cruzou para Rafael Moura botar o campeão Fluminense na frente, apesar de ter perdido Deco, com problema muscular,  ainda nos primeiros 45 minutos e estar sem Fred e Wellington Nem.

Foi o 31o. título tricolor, apenas um a menos que o Flamengo, ainda o maior campeão carioca.

Em Minas, no novo estádio Independência com 17 mil pagantes, o Galo goleava o Coelho por 3 a 0 e assegurava seu 41o. título estadual, cinco a mais que o rival Cruzeiro, com gols de Serginho e dois de Bernard, invicto, além do mais.

No Rio Grande, depois de sair perdendo para o Caxias no primeiro tempo, o Inter virou para 2 a 1 com Sandro Silva e Leandro Damião, em cinco minutos, aos 22 e 27 do segundo, 41o. título do Colorado, contra 36 do Grêmio.

O Beira-Rio recebeu apenas 19.500 pagantes.

Em Pernambuco, em plena Ilha do Retiro (32 mil torcedores), o Santa Cruz ganhou do Sport por 3 a 2 e assegurou seu bicampeonato, 26o. título, contra 39 do rubro-negro que jogava pelo empate.

Na Bahia, no Pituaçu com 32 mil torcedores também, imagine o que foi o empate em 3 a 3 que deu o título, depois de 11 anos, ao Bahia, 44a. conquista, contra 26 do rival.

Em Santa Catarina, no campo do rival, o Avaí ganhou do Figueirense por 2 a 1, 16 a 15 na luta das taças estaduais contra o Figueira que ganhou os dois turnos e perdeu o título em casa, diante de quase 18 mil pagantes.

No Paraná, depois de 0 a 0, o Atletiba foi para os pênaltis, 5 a 4, e deu o 36o. título ao tricampeão Coritiba, 14 a mais que o rival, para alegria do estádio Couto Pereira com mais de 23 mil pagantes.

Em Goiás, 1 a 1, e o Goiás comemora em cima do Atlético Goianiense, 24o. título do maior campeão goiano, com mais de 32 mil pagantes no Serra Dourada.

Finalmente, com outro 1 a 1, o Ceará passou pelo Fortaleza para ser bicampeão, no PV com quase 17 mil pagantes.

São 42 títulos contra 39 do Fortaleza.

E em mais uma demonstração do tamanho da crise da dupla Re-Pa, o Cametá, do interior paraense e com apenas cinco anos de vida, é o novo campeão.

Perdia por 2 a 0 em pleno Mangueirão, empatou com o Remo e ficou com a taça pela primeira vez, para desespero de mais de 32 mil torcedores nas arquibancadas.

Ah, sim, faltou falar do Campinense que, ao golear o Souza por 4 a 0, conquistou seu 19o. título na Paraíba.

Não falta mais.

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Isto é o futebol!

Foto: AP

A conquista do título inglês pelo Manchester City, o time dos operários da cidade industrial, depois de 44 anos de jejum, dá a medida do que é o futebol.

Precisando vencer para levar a taça pelo saldo de gols que conquistou basicamente ao golear o rival United por 6 a 1 no primeiro turno, os azuis viram os vermelhos fazerem 1 a 0 em seu jogo fora de casa.

Mas logo se aliviaram ao também abrir o placar.

Alegria que não durou muito porque o QPR, lutando para não cair, empatou no começo do segundo tempo e, pior, aproveitando o nervosismo dos donos da casa, virou aos 20 minutos, quando já tinha um jogador a menos.

E mesmo com uma expulsão conseguiu segurar o resultado até o fim do tempo regulamentar.

Quando o jogo do MU terminou faltavam três minutos para terminar o jogo do City.

E os vermelhos comemoravam porque, no máximo, imaginavam que poderia acontecer um empate em Manchester.

Que de fato aconteceu, aos 46.

Para o impossível também acontecer aos 48, quando o argentino Aguero fez 3 a 2.

E para o mundo do futebol testemunhar dessas coisas que explicam porque estamos falando do esporte mais popular do planeta.

Os “blues” são campeões pela terceira vez em sua sofrida história, sempre mais sorridente para os ricos “reds”.

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El día de las madres

POR RAFAEL KLEIN*

Querida mamãe,

Sei que domingo é o seu dia e que você merece as melhores coisas do mundo.

Pela ordem: beijos dos filhos, presentes legais e pudim de leite.

Mas sejamos francos, não há muito o que comemorar.

Se eu tivesse seguido os seus conselhos, talvez fosse diferente: teria estudado, seguiria uma carreira, me tornaria um médico respeitável, um advogado renomado ou um lobista discreto.

De um jeito ou de outro, você estaria orgulhosa de mim.

Mas qual o quê?! Fui ouvir meu coração, seguir meu destino e todas essas coisas que saem de um livro de auto-ajuda, mas que não costumam entrar em campo.

Pois é, como você sabe virei jogador de futebol. Goleiro, pra ser mais exato e mais sofrido.

Por conta disso, mamãe, me tornei um anti-herói – que cá pra nós não passa de um vilão com um certo charme – afinal, sou eu o responsável por evitar que o momento mais esperado de um jogo de futebol aconteça.

Sim, sou um anti-herói. Ou um vilão, se preferir (e como preferem). Esse é o papel que me cabe por seguidas tardes e por longas noites.

Pra piorar, graças a minha profissão a senhora ganhou um novo sobrenome. Um sobrenome dito e repetido a cada erro, a cada frango, a cada gol.

E se a cada gol que eu tomo você sofre, seja em casa ou na boca da torcida, tenho certeza que hoje é um dos dias mais tristes da sua vida.

Me desculpe o presente de grego, mamãe. Prometo que me aposento em breve, ou, no mínimo, invento um desculpa qualquer da próxima vez que tiver que encarar o Neymar.

Um grande beijo do seu filho,
Marcos Argüello

PS – Guarde um pedaço do pudim para o treinador daqui do Bolívar. Desconfio que ele vai evitar um chocolate por um bom tempo.

*Rafael Klein é publicitário.

E Marcos Argüelo, 30 anos, é argentino e goleiro do Bolívar…

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Os novos salários na CBF

Foto: Sergio Lima/Folhapress                                       A dupla Marin/Del Nero

O o ex-presidente da CBF, Ricardo Teixeira, ganhava R$ 90 mil na entidade, além de R%$ 110 mil no COL.

Não se sabe ainda se José Maria Marin manteve o mesmo salário no Comitê Organizador Local da Copa do Mundo, mas sabe-se que, na CBF, ele se deu um aumento que o elevou a R$ 160 mil.

Marin também criou um cargo para Marco Polo Del Nero, o de Assessor Especial, e o remunera com R$ 130 mil mensais, bem mais que os R$ 70 mil do Diretor de Seleções, Andrés Sanchez, que faz o que pode para não perder o emprego.

Aliás, a dupla Marin/Nero acaba de elogiar a dupla Andrés Sanchez/Mano Menezes no sítio da CBF.

O mesmo havia sido feito com o então supervisor da seleção feminina, Paulo Dutra,  há  quase 20 anos no cargo, mas que, dez dias depois dos elogios, foi sumariamente demitido por Marin, assim como seu subalterno, Célio Belmiro.

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O prefeito se complica em Barueri

Coisa rara no futebol, ao que tudo indica, desta vez pagarão pelo que fizeram em Barueri.

Para saber por que, clique aqui.

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A única goleada das decisões cariocas

POR RAUL MILLIET FILHO*

Na decisão do Campeonato Carioca de 1957 o Botafogo derrotou o  Fluminense por 6 a 2.

Foi a única goleada em finais do Campeonato Carioca em toda sua história.
Curiosamente os quatro gols de diferença dão amanhã o título ao Botafogo.

O Botafogo tinha um grande time e uma excelente comissão técnica.

João Saldanha assumira como técnico do clube trabalhando um ano inteiro de graça, por amor.

Ao seu lado o amigo e diretor Renato Estelita.

Como preparador físico Paulo Amaral, que viria a ser o responsável pela preparação física da Seleção Brasileira no bicampeonato de 1958 e 1962.

Na partida final o Botafogo jogou com: Adalberto, Tomé e Nilton Santos; Servílio; Beto; Pampolini; Garrincha, Didi, Paulo Valentim, Edson e Quarentinha.

Na goleada, cinco gols de Paulinho Valentim e um de Garrincha.

Neste campeonato de 1957 a média de público foi de cerca de 18 mil pagantes, proporcionalmente uma das três maiores da história do futebol no Rio de Janeiro.

Na concentração e no vestiário, o técnico Saldanha reforçou três recomendações:

“Temos que ter clareza de que vamos entrar perdendo de zero a zero. O empate dá o campeonato a eles”.

“Quarentinha, não desgruda do Telê… É dele que começam todas as boas jogadas do Fluminense”.

“Não quero ninguém atrapalhando o Mané, quero, no lado direito do nosso ataque, um corredor livre e todo mundo atento, principalmente o Paulinho, para aproveitar os cruzamentos”.

O Botafogo que jogava no 4-3-3, com Edson voltando para compor o meio campo jogou esta final no 4-4-2 com Quarentinha recuado e marcando Telê por todo o campo.

Paulo Valentim, Garrincha e Didi foram os destaques.

No arquivo fotográfico do “Ultima Hora”, no link abaixo, inúmeras fotos ilustram o joho histórico.

Um deleite para os apaixonados pelo futebol brasileiro.

E umdos destaques foi o gol de bicicleta de Paulinho Valentim, cpm Fred fez no domingo passado.

http://www.arquivoestado.sp.gov.br/uhdigital/frameset.php?pesquisa=001819

*Raul Milliet Filho é historiador.

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Nos olhos dos outros

POR LUIZ GUILHERME PIVA*

 1. Refresco

Ele fica sozinho, às vezes na cadeira, às vezes na arquibancada, esperando mais de uma hora antes do jogo.

Elas passam em duplas, trios, turmas, às vezes com namorados ou maridos.

Não entende: calças apertadas, blusas curtas, fazendo o quê num campo de futebol?

Não deve ser pra ver o jogo. E por que então ficam andando pra lá e pra cá?

Não tiram o olho do celular. Ajeitam o cabelo com a presilha na boca.

Algumas vão lá na frente, no primeiro degrau ou no alambrado.

E quando toca a música do alto-falante, dançam de levinho – mas rebolando.

Ele fica indignado!

Não ficam com vergonha? E esses maridos, que trouxas!

Não pára de olhar. De desejar.

Mas nem tenta chegar perto. Sua frio. Encolhe-se. Evita que o peguem olhando.

Fica irritado com essa invasão.

Futebol é pra homem!, pensa, bravo com seu acuamento.

2. Pimenta

Não que eu me importe,

mas alguns cuidados

de gestos, de porte,

cairiam bem.

Não abaixar no fichário

quando está de decote.

Não cruzar as pernas

se a minissaia tem corte.

Não reclamo,

você é bonita,

sou um homem de sorte.

Exercer seu fascínio

seu domínio sobre o corpo,

é normal, mas, por esporte,

provocar quem tá quieto?

ou atiçar os mais fortes?

Se um deles se excita,

vai querer que se comporte?

É diferente de se exibir

pra frangotes.

Gosto de suas fendas

nas costas, da calça baixa,

do vestido colado,

do biquíni cavado, do trote

nas pontas dos pés na praia,

da dança ousada na buate,

do coração no cangote,

do brinco no umbigo,

dos seios saltando do top.

Mas tudo tem sua hora e lugar.

Há certas coisas de morte.

Não dá pra aceitar:

como é que pode

ir pra um Flamengo e Vasco

usando short?

*Luiz Guilherme Piva lembra de vários provérbios.

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