Blog do Juca Kfouri http://blogdojuca.uol.com.br Juca Kfouri é formado em Ciências Sociais pela USP. Desde 2005, é colunista da Folha de S.Paulo e do UOL. Mon, 22 Sep 2014 11:55:36 +0000 pt-BR hourly 1 http://wordpress.org/?v=3.9 Galo? Timão? Não! A notícia é o Palmeiras de lanterna na mão http://blogdojuca.uol.com.br/2014/09/galo-timao-nao-a-noticia-e-o-palmeiras-de-lanterna-na-mao/ http://blogdojuca.uol.com.br/2014/09/galo-timao-nao-a-noticia-e-o-palmeiras-de-lanterna-na-mao/#comments Mon, 22 Sep 2014 09:55:06 +0000 https://blogdojuca.uol.com.br/?p=63001 IMG_2351.JPG

A rodada teve 30 gols, mas não só porque em dois clássicos no Mineirão e na Arena Corinthians vimos 10 gols, com dois 3 a 2 sensacionais, para o Galo contra o líder Cruzeiro e para o Corinthians contra o vice-líder São Paulo.

A rodada teve também mais de 22 mil torcedores por jogo, graças fundamentalmente aos mais de 50 mil no Mineirão e mais de 35 mil no Maracanã e em Itaquera.

Mas a notícia está num jogo com menos de 8 mil torcedores, no Serra Dourada, em Goiânia, fartamente responsável pelos 30 gols da rodada: Goiás 6, Palmeiras 0.

Vou repetir: Goiás meia dúzia, Palmeiras nada!

Com o que a brilhante vitória do Galo e a virada corintiana diante de grandes públicos ficam em plano secundário, porque, lembremos, o Palmeiras vive seu ano do centenário, voltou a ficar de lanterna na mão e não há luz que ilumine o escuro túnel em que se meteu o Verdão.

Do jeito que as coisas estão, o Palmeiras cairá pela terceira vez e aí vale o dito popular: um é pouco, dois é bom, três é demais!

Comentário para o Jornal da CBN desta segunda-feira, 22 de setembro de 2014, que você ouve aqui.

]]>
46
Brunoro é a solução http://blogdojuca.uol.com.br/2014/09/brunoro-e-a-solucao/ http://blogdojuca.uol.com.br/2014/09/brunoro-e-a-solucao/#comments Sun, 21 Sep 2014 23:42:46 +0000 https://blogdojuca.uol.com.br/?p=62997 IMG_2350.JPG

O Palmeiras acaba de levar de 6 a 0 do Goiás, no Serra Dourada.

No ano de seu centenário, volta a ficar com a lanterna na mãos.

A única solução está lá mesmo no Palmeiras.

É botar José Carlos Brunoro no banco.

Porque a única contribuição verdadeira dele para o mundo do esporte foi como excelente técnico de vôlei, na extinta Pirelli.

De lá para cá, onde pôs a mão virou lata.

Paulo Nobre, o presidente que se elegeu graças aos 93 votos que ganhou do grupo liderado pelo triste Mustafá Contursi, como ele mesmo admitiu e agradeceu, deve inverter os papéis.

Dorival Júnior como diretor e Brunoro como técnico.

Afinal, foi ele quem contratou 35 jogadores em um ano e meio de gestão e convive com uma folha de pagamentos que beira os 10 milhões de reais mensais no departamento de futebol, 7 milhões só no time principal.

Isso feito, Nobre, se gosta mesmo do Palmeiras, deve convocar eleições imediatamente e renunciar.

Se não, como sempre aconteceu nas mãos de Mustafá, o Palmeiras cairá novamente e pela terceira vez.

]]>
144
Itacaldeirão! http://blogdojuca.uol.com.br/2014/09/um-caldeirao-em-itaquera/ http://blogdojuca.uol.com.br/2014/09/um-caldeirao-em-itaquera/#comments Sun, 21 Sep 2014 20:57:22 +0000 https://blogdojuca.uol.com.br/?p=62982 IMG_2347-0.JPG

Um Majestoso com todos os ingredientes de um Majestoso, diante de mais de 35 mil torcedores que fizeram do estádio corintiano um verdadeiro caldeirão.

Que teve o Corinthians sempre melhor mas sempre atrás no marcador até virar o jogo.

Porque tomou dois gols em bolas alçadas por Kaká, que jogou muito, o primeiro de Souza ou segundo de Edson Silva.

Mas o Corinthians empatou duas vezes em pênaltis cobrados por Fábio Santos, o primeiro, ainda no primeiro tempo, em clara bola na mão que o assoprador interpretou como mão na bola de Antônio Carlos, em bola reboteada pelo goleiro Denis ao evitar gol de Malcon, que também jogou demais.

O segundo pênalti, claro, de Álvaro Pereira, que foi bem expulso, em Guerrero, depois de um passe fantástico de Malcon.

Era justo porque o Corinthians jogava muito melhor e tinha sofrido apenas as duas finalizações que foram gols tricolores.

E com 11 contra 10 Danilo deu uma bola preciosa para Guerrero virar para 3 a 2, no embalo do estádio alvinegro, desta vez, sem dúvida, um caldeirão.

Fábio Santos também acabou expulso por um carrinho violento.

O São Paulo ainda foi para a pressão e teve uma falta aos 49, mas a vitória corintiana estava assegurada.

Em Minas, o alvinegro Galo também venceu o líder por 3 a 2, com dois gols de Carlos e um de Tardelli, em clássico que o blog não acompanhou, assim como a vitória do Vitória por 2 a 1 e o 1 a 1 do Fla-Flu, com gols de Eduardo da Silva e Fred.

O blog, aliás, perdeu as quatro apostas…

Mas não se queixa.

IMG_2352.JPG
Atualização às 21h30: Acabo de ver o jogo do Mineirão.

Outra vez o Cruzeiro perdeu jogando bem, ainda melhor do que jogou no Morumbi.

Não acredito que se abale por não ter conseguido vencer pela primeira vez em dez jogos no Mineirão.

Nem mesmo por ter sido para o grande rival de quem já havia perdido no primeiro turno.

Primeiramente porque manteve sete pontos à frente do vice-líder.

Segundamente porque jogou melhor que o Galo, com o requinte de ter chutado duas bolas na trave.

Ou seja, o líder segue mais líder do que nunca.

]]>
160
Quatro clássicos às quatro http://blogdojuca.uol.com.br/2014/09/quatro-classicos-as-quatro/ http://blogdojuca.uol.com.br/2014/09/quatro-classicos-as-quatro/#comments Sun, 21 Sep 2014 03:13:39 +0000 https://blogdojuca.uol.com.br/?p=62979 O que têm em comum os quatro clássico estaduais desta tarde de domingo além de serem todos às 4 horas?

O Majestoso, o Fla-Flu, o Cruzeiro x Atético Mineiro e o Ba-Vi serão disputados em estádios da Copa do Mundo.

É muito provável que esta 23a. rodada bata o recorde de público do Brasileirão, mesmo que apenas o Ba-Vi seja decisivo na vida de seus protagonistas, já que a dupla baiana luta para fugir da ZR na Fonte Nova.

No Mineirão do 7 a 1, o Cruzeiro busca consolidar ainda mais a liderança e a 10a. vitória em 10 jogos no estádio neste campeonato.

Se o Galo obtiver a proeza de derrotar o rival se aproximará de vez do G4.

Já o Fluminense, no Maracanã, tentará fugir da crise inevitável caso perca outra vez para um rubro-negro, agora o Mengo que mira ficar cada mais longe da confusão.

Finalmente, em São Paulo, o primeiro Majestoso na Arena Corinthians, infelizmente esvaziado pelos péssimos resultados de seus protagonistas no meio da semana.

O Corinthians aposta em Renato Augusto e o São Paulo em Kaká.

O blog aposta no Bahia, Cruzeiro, Flamengo e São Paulo e dividirá sua atenção ainda com o evento mais importante do domingo, a decisão do Mundial de vôlei entre Polônia e Brasil, às 15h25.

]]>
22
Brasil sofre para ganhar da França no vôlei http://blogdojuca.uol.com.br/2014/09/brasil-sofre-para-ganhar-da-franca-no-volei/ http://blogdojuca.uol.com.br/2014/09/brasil-sofre-para-ganhar-da-franca-no-volei/#comments Sat, 20 Sep 2014 17:05:19 +0000 https://blogdojuca.uol.com.br/?p=62974 IMG_2346.JPG

Semifinal de Mundial não tem moleza, a não ser que seja entre Alemanha e Brasil no futebol.

Daí o sexteto brasileiro ter sofrido para derrotar o francês na Polônia.

O jogo deu a sensação de que seria fácil depois que os brasileiros venceram o primeiro set por 25 a 18.

Mas os dois sets seguintes com 23 a 25 e 25 a 23 mostraram que era uma sensação enganosa.

Tanto que no quarto set os franceses venceram de novo, como no segundo, e por 25 a 22.

Veio o quinto set, o do desempate, algo que, antes do jogo, ninguém, talvez nem mesmo os franceses, imaginassem.

E foi no ponto a ponto, uma dureza, até o Brasil fazer 11 a 8, num bloqueio de Lucarelli, excepcional, assim como Lucão. Luca&Lucão, que dupla!

Daí veio o 12 a 8, o 13, 13 a 9, 13 a 10, 14 a 10, 14 a 11, 14 a 12 e 15 a 12!

Brasil na final, contra Polônia, provavelmente, ou a zebra alemã, amanhã, em busca do tetra.

Se forem os alemães, que tal um triplo 25/10, 25/11 e 25/12?

]]>
18
Parador http://blogdojuca.uol.com.br/2014/09/parador/ http://blogdojuca.uol.com.br/2014/09/parador/#comments Sat, 20 Sep 2014 13:00:37 +0000 https://blogdojuca.uol.com.br/?p=62964 POR LUIZ GUILHERME PIVA

A mulher carrega um saco enorme, branco, cheio de roupas, e tenta sentar do lado dele.

Tem umas três crianças chorando, aos gritos.

O sol na estrada embaça o pensamento, entorta a paisagem e ameaça derreter o ônibus.

Mandaram buscá-lo. Tinha jogo no domingo, ele se mudara pra trabalhar na cidade maior, a 100 quilômetros.

Ligaram pro vizinho com o recado. Pagavam a passagem!

Nem a janela aberta refresca, e a poeira e sol grudam na cortininha, no banco rasgado, na calça, no pescoço manchado do velho com o chapéu em cima do rosto.

No fundo um rádio esgoelando em meio ao balido do motor na subida. Prêmios, anúncios, recados.

Pára. Sobe o fiscal.

Pára. Desce um gordo encharcado.

Pára. Sobem 20 alunos descalços, berrando.

Sempre foi titular. O pessoal até falou que sentiria falta. Mas pagar a passagem pra jogar? Sorri.

Talvez paguem o almoço e a janta? Peço? Ou espero o resultado?

E se perdermos? Melhor pedir antes.

Será que todo domingo?

Pára. Cruza a estrada uma boiadazinha magra, mosquitada, grudenta.
Um dos alunos espirra e o catarro gruda no braço do banco. Gargalhadas, cascudos, pulos.

A freada por causa do buraco, o solavanco – cai um embrulho de queijo do maleiro do teto, o homem do rádio xinga e o do chapéu acorda com a boca aberta.

Não fume charuto, cachimbo ou cigarro de palha. Proibido falar ao motorista. Não sente no motor.

Pelo espelhinho vê o motorista pingando, a camisa fechada no colarinho sebento, molhada.

Pára. Entra um rapaz enorme, magro, de bermuda e camiseta – coitado, deficiente. Tem um apito pendurado no pescoço e a mãezinha mínima e velha do lado.

Sem motivo, apita alto várias vezes, de quando em quando. A mãezinha o afaga.

Pára. Os alunos descem e zoam e xingam o rapaz do apito e corrrem atrás do ônibus jogando pedras e rindo.

Se eu jogar bem, vão buscar sempre. E ainda hotel, comida, bebida.
Acho que foi pelo último jogo.

A mulher empurra o saco de pano gigante e quase o amassa. Pede que ele a ajude a descer. Lá fora, pede que ele o coloque sobre a cabeça dela.

Pequena e magra, vai com o saco no cocuruto, uma mão no quadril dobrado como um coxo, varando as cercas.

Sobe. O rapaz do apito tomou seu lugar. A mãezinha do lado.
A cabeça bate no teto com os sacolejos.

Freada. Vem um pacote de mantimentos no chão, abrindo e espalhando latas.

Ou foi ela que quis me trazer de volta? Mas aí o pai dela não ia pagar. Ela deu um jeito? Será que ele sabe?

Ela ficou com medo de eu sumir. Não acredita.

Pára. Desce o rapaz apitando, depois fica olhando e dando tchau, a poeira no acostamento fazendo-o sumir.

O catarro do braço do banco resseca na ponta e fica pendurado, badalando os segundos.

Pára. Desce o fiscal. Sobe um homem com duas galinhas nas mãos, cacarejando como um estádio inteiro.

Falou com o pai dela e então ele, será? E a cidade, a idade, o futuro?

O motorista dá umas cochiladas. Ele vai até lá. Ouve que tá acostumado.

Pára.

Ele é quem desce.

Em frente ao muro do campo. Quase na hora do jogo.

Amarelo e úmido de ônibus, estrada e sol.

Não sabe se ela está lá. Se vai jogar bem. Se as coisas irão adiante. Ou se tudo vai parar.

Sente um medo frio e agudo e suado e sujo e barulhento como um apito dentro da cabeça como um rádio sem sintonia como as galinhas bicando a alma como gritos no fosso da barriga um medo de dar caganeira um medo de nem sabe o quê.

Olha em torno.

Sai correndo atrás do ônibus gritando.

Pára. Ele sobe.
________________________________
Luiz Guilherme Piva publicou “Eram todos camisa dez” (Editora Iluminuras)

]]>
1
Uma carta para Aranha http://blogdojuca.uol.com.br/2014/09/uma-carta-para-aranha/ http://blogdojuca.uol.com.br/2014/09/uma-carta-para-aranha/#comments Sat, 20 Sep 2014 00:00:32 +0000 https://blogdojuca.uol.com.br/?p=62972 POR WINNIE BUENO*

Oi, Aranha. Tudo bem? Primeiramente queria te confessar que não te conhecia. Embora eu goste de futebol, vá ao estádio de vez em quando, acompanhe alguns programas esportivos, eu não sabia quem você era. Não sabia até o lamentável episódio envolvendo a torcida gremista, a torcedora do Grêmio que lhe chamou de macaco e todas as repercussões que houve. Desde então, tenho acompanhado mais atentamente você e sua luta, que sempre foi a minha, a luta pela eliminação do racismo. As declarações que você deu, após a violência da qual foi vítima, foram um alento à minha alma. Foram um tapa na cara do permanente mito da democracia racial brasileira. Um retumbante e contundente chega.

O posicionamento que você adotou, desde o primeiro momento, denunciando esta barbaridade, é um exemplo para toda a negritude brasileira. Você, diferente de tantos outros, não engoliu passivamente o racismo. Você se ergueu contra ele e mostrou que não devemos nos resignar, mesmo quando a sociedade, há tantos anos, vem nos dizendo o contrário.

Sabe Aranha, quando eu vi sua entrevista no Fantástico me lembrei dos meus tempos de escola. Lembrei de quando eu era uma criança e as professoras das séries iniciais sempre respondiam às minhas reclamações sobre o racismo, que era praticado contra mim, dizendo para eu deixar isso para lá. Que eu era superior aos coleguinhas e não deveria dar bola para isso. Os coleguinhas nunca eram repreendidos por debocharam do meu cabelo, por fazerem barulhos de símios quando eu passava, por perguntarem como eu conseguia ser tão preta. Nenhum coleguinha era reprendido por cantar músicas que me insultavam. Nenhum coleguinha era alertado sobre a minha suposta superioridade, que era utilizada pelas professoras para que eu não me revoltasse, para que eu voltasse quieta para minha cadeira. Afinal, tudo era brincadeira. Tudo era muito natural. E ser superior era sinônimo de aceitar todas essas dores calada.

Na minha família, sempre nos insurgimos contra o racismo. Foi na minha família que aprendi que se as professoras não faziam nada, eu é que deveria fazer. Mas, como eu era uma criança que ainda não tinha condições intelectuais de responder de forma mais racional a toda a violência racial que me cercava, adotei como estratégia ser turrona. Ser turrona incitou medo nas outras crianças, o medo fez com as agressões diminuíssem, a redução das agressões fizeram com que eu conseguisse ter uma vida escolar mais ou menos saudável. Desde muito cedo minha mãe carregava a mim e a minha irmã para as reuniões do movimento negro, nesses espaços aprendi a ter orgulho da identidade negra, da cultura afro, das minhas origens. O movimento negro e as coisas que vivíamos em casa forjaram em mim um permanente anseio por uma sociedade radicalmente diferente, livre de racismo, ausente de limitações impostas única e exclusivamente pela cor da pele.

Fiquei muito feliz também quando você se recusou o encontro com a torcedora que lhe insultou. Foi mais uma lição importante sobre como lidar com o racismo. Foi um importante aprendizado sobre o que significa perdoar. Perdoar não é igual a esquecer, perdoar não é igual a apagar os efeitos decorrentes da ação do agressor. Perdoar não significa estar disposto a apagar a dor. Porque doí, a gente sabe o quanto doí. Só nós negros sabemos o tamanho da dor que o preconceito racial acarreta na gente, uma dor que nunca passa. Uma dor que eu sinto com você, quando você é chamado de macaco, e uma dor que você sente com outro negro, quando ele é chamado de preto sujo, ou quando alguém atravessa a rua porque está na mesma calçada que a gente, ou quando alguém ri do nosso cabelo black power, ou nos olha com desprezo quando exibimos nossos turbantes. Por tudo isso Aranha, a sua negativa em abraçar a menina me encheu de alegria. Quando você se recusou ao papel que a mídia estava construindo para pôr uma pá de areia nessa história, você se recusou a abraçar a falácia da democracia racial. Você, mais uma vez, deu uma lição para a sociedade brasileira.

Hoje, dia 18 de setembro, foi o jogo posterior ao episódio de racismo do qual você foi vítima. Eu não esperava que nada de muito revolucionário fosse acontecer. Mas me enganei, você Aranha causou algo muito diferente, algo bastante revolucionário. Embora te cause dor, nos cause dor, você é um herói. As vaias que você recebeu hoje Aranha, são vaias que tentam silenciar a nossa luta. Mas você já provou que nem todas as vaias do mundo são capazes de nos calar. Essas vaias não têm força, nem grandeza para silenciar todos os negros e negras que lutam para que essas dores não sejam mais tão constantes. Não irão reduzir o exemplo que você está dando para milhões de jovens negros brasileiros, que também sonham com uma carreira no futebol e que, talvez, por exemplos menos dignos do que este que você está dando, pensam que para construir uma carreira tenhamos que aceitar o racismo nas quatro linhas e fora dela também. Não temos e não iremos mais aceitar. Vamos perder a paciência! Você pode ter sido vaiado pela torcida do Grêmio, mas queria que você soubesse que por mim, pela ancestralidade, pelas crianças negras que virão, por aquelas que já estão e por todos os lutadores e lutadoras anti-racista, você foi aplaudido de pé.

Saudações, daqui do sul do Brasil, do Rio Grande do Sul. Esse estado que tem um hino que fala de façanhas. As tuas façanhas Aranha, as façanhas de um homem negro, descendente de um povo que foi escravizado, de um povo que segundo esse mesmo hino foi escravizado porque não tinha virtudes, vão servir de exemplo para toda terra. Você que se nega redondamente ao silêncio que a sociedade racista quer lhe impor, quer impor à todos os negros e negras. As suas façanhas Aranha, assim como as façanhas dos nossos ancestrais, nos fazem livres, aguerrido e bravos.

Obrigada Aranha, obrigada por seus superpoderes. E nunca esqueça, com grandes poderes vem grandes responsabilidades. A sua é, por maior que seja a dor, continuar sendo uma voz permanente de denúncia e de luta contra o racismo. No futebol e fora dele.

Ergamos nossos punhos! Lutemos até o final contra o racismo!

*Winnie Bueno é estudante de Direito da UFPel e militante do Juntos! Negros e Negras

]]>
105
Gol dos atletas do Brasil http://blogdojuca.uol.com.br/2014/09/gol-dos-atletas-do-brasil/ http://blogdojuca.uol.com.br/2014/09/gol-dos-atletas-do-brasil/#comments Fri, 19 Sep 2014 21:56:21 +0000 https://blogdojuca.uol.com.br/?p=62966 O Ministério do Esporte publicou hoje no Diário Oficial, a Portaria 224 que estabelece como será fiscalizado o cumprimento do artigo 18-A da Lei Pelé, incluído no ano passado depois de uma mobilização dos atletas.

O artigo dispõe sobre regras para as entidades esportivas receberem recursos da administração pública federal, direta ou indireta, como limite de mandato, transparência de documento, contratos e contas, participação de atletas na eleição dos dirigentes, entre outras regras de gestão e transparência.

Os detalhes da portaria devem ser ainda analisados e detalhados, mas traz uma novidade.

Há agora um procedimento administrativo para fiscalização dos projetos que pleitearem transferência de recursos pela lei de incentivo do esporte ou receberem recursos do orçamento do Ministério do Esporte.

Ou seja, também as empresas privadas só poderão aplicar recursos via lei de incentivo em entidades que estiverem de acordo com o 18-A da Lei de Pelé, já que se trata de renúncia fiscal.

Lentamente, o mundo gira na direção certa.

]]>
6
Marin perde mais uma vez http://blogdojuca.uol.com.br/2014/09/marin-perde-mais-uma-vez/ http://blogdojuca.uol.com.br/2014/09/marin-perde-mais-uma-vez/#comments Fri, 19 Sep 2014 19:15:44 +0000 https://blogdojuca.uol.com.br/?p=62961 IMG_2344.JPG

Em sentença do juiz JOSÉ ZOÉGA COELHO, cujas conclusões estão reproduzidas abaixo, este blogueiro foi inocentado pela Justiça por ter publicado a notícia sobre a conta de eletricidade do presidente da CBF paga por seu vizinho, o empresário Paulo Cunha.

IMG_2337.JPG

IMG_2338.JPG

IMG_2339.JPG

IMG_2340.JPG

IMG_2341.JPG

IMG_2342.JPG

]]>
13
Mano Menezes, o editor enferrujado http://blogdojuca.uol.com.br/2014/09/mano-menezes-o-editor-enferrujado/ http://blogdojuca.uol.com.br/2014/09/mano-menezes-o-editor-enferrujado/#comments Fri, 19 Sep 2014 18:22:20 +0000 https://blogdojuca.uol.com.br/?p=62939 IMG_2332.JPG

Mano Menezes, que não está conseguindo se fazer entender no Corinthians como aconteceu no Flamengo e na Seleção Brasileira, parece decidido a investir na carreira de crítico de imprensa ou, talvez, na de editor de jornalismo.

Depois de mais um fiasco na Arena Corinthians, onde o time tem perdido pontos quase exclusivamente para equipes nas imediações ou na ZR, eis que saiu-se com essa ontem, na sua desenxabida entrevista coletiva:

“Acho engraçado as coisas que circulam por aí. Nós vamos a Coritiba, empatamos (se refere ao 0 a 0 do primeiro turno), e ainda com um homem a menos (expulsão de Fagner), e no dia seguinte é tumulto. Outros vão lá e tomam de três e está tudo normal. Que avaliação é essa?”, indagou Mano.

“Uns são mais simpáticos, outros mais antipáticos. Uns são fontes de blogueiros e outros não, é isso? Para que tanta discrepâncias em avaliação de resultados? Isso eu não aceito”, complementou.

Mano sabe quem são as fontes dos blogueiros, veja só que sabidão.

No que diz respeito a este blogueiro, fica aqui uma notícia exclusiva para ele: deve fazer mais de ano que sequer converso com Muricy Ramalho, aparentemente o alvo de seu veneno.

Quanto ao jogador Ferrugem, o blogueiro dá a mão palmatória: entre ele e Fagner não há diferença significativa.

Nenhum dos dois dois pode jogar na lateral-direita do Corinthians.

A diferença está em que Fagner não dá certo desde que apareceu no clube e Ferrugem, por ser volante de origem, talvez ainda possa dar em sua real posição.

]]>
42