Blog do Juca Kfouri http://blogdojuca.uol.com.br Juca Kfouri é formado em Ciências Sociais pela USP. Desde 2005, é colunista da Folha de S.Paulo e do UOL. Sun, 23 Nov 2014 09:55:25 +0000 pt-BR hourly 1 http://wordpress.org/?v=3.9.2 Não tem santo que salve o Bahia http://blogdojuca.uol.com.br/2014/11/nao-tem-santo-que-salve-o-bahia/ http://blogdojuca.uol.com.br/2014/11/nao-tem-santo-que-salve-o-bahia/#comments Sun, 23 Nov 2014 01:12:51 +0000 https://blogdojuca.uol.com.br/?p=64481 IMG_2687.JPG

Em plena nova Fonte Nova, com mais de 15 mil torcedores, mas apenas 7.461 pagantes, o Bahia foi varrido pelo Furacão e praticamente deu adeus mais uma vez para Série A.

Para tanto contribuíram o seu frágil time, derrotado por 2 a 1 pelo desinteressado time paranaense e, mais uma vez, os erros de um assoprador de apito que não marcou dois pênaltis cometidos por Cleberson no segundo tempo.

Mas o melhor retrato do tricolor baiano foi Fahel que marcou um gol contra e jogou no mar o gol de empate, da marca do pênalti, no minuto derradeiro.

Assim nem todos os santos salvam o Bahia, que pode ter seu rebaixamento, matematicamente, decretado já neste domingo.

PÚBLICO PRESENTE:
15.353
PÚBLICO PAGANTE:7.461RENDA: R$ 199.866

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Galo B é tungado no Beira-Rio e Inter arranca vitória dramática http://blogdojuca.uol.com.br/2014/11/galo-b-e-tungado-no-beira-rio-e-inter-arranca-vitoria-dramatica/ http://blogdojuca.uol.com.br/2014/11/galo-b-e-tungado-no-beira-rio-e-inter-arranca-vitoria-dramatica/#comments Sat, 22 Nov 2014 23:30:45 +0000 https://blogdojuca.uol.com.br/?p=64467 IMG_2686.JPG

Com o Beira-Rio tomado por 38 mil torcedores, 33.440 pagantes, e ansioso, o time do Inter entrou na pilha da torcida e também pareceu não se conformar com a dificuldade imposta pelo Galo B em sua casa.

Criar, criou quase nada além do gol, de Rafael Moura em jogada de Jorge Henrique pela esquerda, aos 22.

Mas de tão nervoso, levou quatro cartões amarelos no primeiro tempo e fez dois pênaltis, apenas um marcado e convertido por Dodô para empatar no dois minutos depois do gol colorado.

O pênalti bem marcado foi de Fabrício em Eduardo, um abraço fora da hora e do lugar em lance, iniciado, para variar, com cobrança de lateral pela esquerda, por Pedro Botelho.

O não marcado foi de Gilberto, que meteu os dois braços na bola dentro da área no fim da etapa inicial.

Placar moral, e técnico: Galo 2 a 1.

O segundo tempo vivia o mesmo diapasão quando, aos 13, Rafael Moura desperdiçou uma chance incrível, praticamente atrasando a bola para Victor.

A resposta do Galo veio no contra-ataque, mas a chance criada caiu nos pés errados, de Pierre.

O He-Man não pode perder os gols que perde. Pierre pode.

Pois eis que o centroavante colorado teve outra chance, de cabeça, aos 20, e desta vez Victor fez ótima defesa.

Alex empurrou Eduardo na área e o assoprador de apito não marcou o pênalti novamente…

A mecânica de jogo do Galo B é rigorosamente igual à do Galo A, mas a pressão gaúcha foi crescendo a ponto de Abelão botar Valdívia no lugar de Gilberto, fazendo Jorge Henrique as vezes de lateral.

Levir Culpi, frio e calculista, não mexia no time, à espreita de um contra-ataque em meio à cantoria incessante do Beira-Rio.

Os meninos do Galo B passavam por uma nova prova de fogo e passavam bem.

Taiberson entrou no lugar de Jorge Henrique, aos 29.

Mais um menino, Donato, estreava no Galo aos 31, no lugar de Edcarlos, com dores na coxa esquerda.

Alan Costa, em cobrança de escanteio pela direita, quase desempatou para o Inter, aos 37.

Aos 39, Wellington Paulista entrou no lugar de Alex para o tudo ou nada e Dodô pediu para sair e Paulinho, mais um da base, entrou.

Aos 41, outra cabeçada de He-Man por cima.

No penúltimo minuto o Galo teve um impedimento equivocadamente marcado em lance que deixou Daniel na cara do gol.

E, no lance seguinte, aos 49, Fabrício achou o gol da vitória, chutando rente ao poste.

O Inter volta ao terceiro lugar pelo menos por uma noite e segue sonhando com a Libertadores, graças também às arbitragens de hoje e do jogo contra o São Paulo, porque futebol é assim e os assopradores erram muuuuito.

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Papão é Payxão! http://blogdojuca.uol.com.br/2014/11/papao-e-payxao/ http://blogdojuca.uol.com.br/2014/11/papao-e-payxao/#comments Sat, 22 Nov 2014 22:37:30 +0000 https://blogdojuca.uol.com.br/?p=64469 IMG_2683.JPG
POR ANTONIO CARLOS SALLES*

Ao retornar á semi-elite do futebol brasileiro no próximo ano ao empatar 3 a 3 hoje com o Macaé (que foi o campeão da Série C), o Paysandu é um dos poucos times brasileiros que celebraram com seus torcedores uma conquista especial no mesmo ano em que chega ao seu centenário.

Ao longo de sua trajetória, a vida do Papão da Curuzu sempre foi a da garra incansável e a de nunca ver limites.

Quando o Peñarol era o senhor dos gramados nos anos de 1960, arriscou-se a conhecer o Norte do Brasil e enfrentar o time bicolor nos gramados da Curuzu.

3 a 0 foi pouco para o time comandado por Quarentinha e Ércio, que levaram a enlouquecida torcida a entortar os alambrados do estádio e assim ficaram por muito tempo.

Durante os anos de chumbo, o time dos militares era o Clube do Remo, por conta da relação com então ministro Jarbas Passarinho.

A influência era tanta que, mesmo sendo o campeão estadual com direito assegurado ao Campeonato Nacional, o Paysandu teve que cede a vaga ao Remo, em silencio e sem discussão.

O embate com o tradicional adversário é a vitamina permanente de ambos os clubes. E há uma espinha de pirarucu na garganta dos remistas desde os anos de 1940, quando sofreram a implacável goleada de 7 a 0.

Outra grande vantagem do Papão sobre o Leão diz respeito á visibilidade.

Quando o Paysandu trouxe Dadá Maravilha para jogar em Belém, o noticiário do clube deixou a região para se tornar nacional, por conta dos apelidos curiosos e nomes que o artilheiro dava aos seus gols. Idem com os títulos, onde a Copa dos Campeões é dos mais expressivos.

Na épica vitória contra o Boca Juniors em La Bombonera, com gol de Yarlei aos 23 minutos do segundo tempo, nem Carlos Amarillia, árbitro do jogo, foi capaz de atrapalhar a vitória bicolor.

Fato que fez o Papão se juntar á ínfima galeria dos clubes brasileiros capazes de tal proeza, repetindo 40 anos depois o feito do Santos de Pelé. Fluminense e Cruzeiro também já venceram jogos no tradicional estádio argentino.

O vice-campeonato da Série C diante de anunciados 37 mil torcedores, aumenta a responsabilidade do Clube diante de sua apaixonada torcida.

Mas Papão é Payxão e disso sabemos nós.

*Antonio Carlos Salles é executivo em São Paulo e combina gravata com a camisa do Paysandu.

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Vasco volta sob vaias http://blogdojuca.uol.com.br/2014/11/vasco-volta-sob-vaias/ http://blogdojuca.uol.com.br/2014/11/vasco-volta-sob-vaias/#comments Sat, 22 Nov 2014 20:29:11 +0000 https://blogdojuca.uol.com.br/?p=64463 IMG_3239.JPG

Mais de 56 mil vascaínos enfrentaram a chuva para ver o Vasco voltar à Série A no Maracanã.

Foi quase um exercício de masoquismo que terminou num medíocre 1 a 1 contra o rebaixado Icasa, gols de Kléber e Nilson, um em cada tempo e com direito a um susto no último segundo, quando a bola raspou a trave cruzmaltina.

Ao fim do jogo, boa parte da torcida chamou o time de sem vergonha e vaiou, certa de que ou tudo muda no Vasco ou o time cai de novo no ano que vem.

A volta sofrida e em terceiro lugar na classificação atrás de Joinville e Ponte Preta, mostra a fragilidade do elenco.

O Vasco volta ao seu lugar, mas muito longe de sua grandeza.

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Celso Unzelte ataca novamente http://blogdojuca.uol.com.br/2014/11/celso-unzelte-ataca-novamente/ http://blogdojuca.uol.com.br/2014/11/celso-unzelte-ataca-novamente/#comments Sat, 22 Nov 2014 15:12:25 +0000 https://blogdojuca.uol.com.br/?p=64460 IMG_2681-0.JPG

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Um sábado para três. E o Galo bate tambor para a chuva http://blogdojuca.uol.com.br/2014/11/um-sabado-para-tres-e-o-galo-bate-tambor-para-a-chuva/ http://blogdojuca.uol.com.br/2014/11/um-sabado-para-tres-e-o-galo-bate-tambor-para-a-chuva/#comments Sat, 22 Nov 2014 03:40:45 +0000 https://blogdojuca.uol.com.br/?p=64452 IMG_3236.JPG

Às 21h, na Fonte Nova, o Bahia recebe o Furacão que está em Salvador a passeio.

Nada melhor para quem não tem mar em sua capital do que, como para os paranaenses, aproveitar as delícias das praias baianas.

O Furacão só não pode atrapalhar o fim de semana da torcida do Bahia que precisa da vitória como da proteção dos orixás.

Antes, às 19h30, será dura a missão do Inter, no Beira-Rio, diante dos reservas do Galo.

A obrigação de vencer para seguir vivo na luta pela Libertadores é toda do Colorado, ainda mais que enfrentará o Galo B.

Só que o B é bom de bola e, sem maiores responsabilidades, deve ser uma pedreira no caminho gaúcho.

O Galo se preserva para a grande final da Copa do Brasil contra o Cruzeiro, na quarta-feira que vem, e joga sob o risco calculado de poder ficar fora do G4 e depender só da conquista da Copa para chegar à Libertadores.

Mas para muitos atleticanos nada importa mais que ganhar a taça contra o grande rival, provavelmente já bicampeão brasileiro.

Os atleticanos estão festejando até previsão de tempo em Belo Horizonte.

É que a meteorologia prevê muita chuva para quarta-feira, fator prejudicial para quem precisará ganhar e estará mais cansado como o Cruzeiro.

A chuva deve começar no domingo e só ir embora na quinta-feira, para deixar pesado o gramado do Mineirão.

E destruir em campo encharcado é muito menos difícil que construir, ainda mais podendo perder por um gol de diferença ou de dois se marcar um.

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A verdade acima dos partidos http://blogdojuca.uol.com.br/2014/11/a-verdade-acima-dos-partidos/ http://blogdojuca.uol.com.br/2014/11/a-verdade-acima-dos-partidos/#comments Fri, 21 Nov 2014 20:00:03 +0000 https://blogdojuca.uol.com.br/?p=64442 Na “Folha de S.Paulo” de hoje:

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POR RICARDO SEMLER

Nunca se roubou tão pouco

Não sendo petista, e sim tucano, sinto-me à vontade para constatar que essa onda de prisões de executivos é um passo histórico para este país

Nossa empresa deixou de vender equipamentos para a Petrobras nos anos 70. Era impossível vender diretamente sem propina. Tentamos de novo nos anos 80, 90 e até recentemente. Em 40 anos de persistentes tentativas, nada feito.

Não há no mundo dos negócios quem não saiba disso. Nem qualquer um dos 86 mil honrados funcionários que nada ganham com a bandalheira da cúpula.

Os porcentuais caíram, foi só isso que mudou. Até em Paris sabia-se dos “cochons des dix pour cent”, os porquinhos que cobravam 10% por fora sobre a totalidade de importação de barris de petróleo em décadas passadas.

Agora tem gente fazendo passeata pela volta dos militares ao poder e uma elite escandalizada com os desvios na Petrobras. Santa hipocrisia. Onde estavam os envergonhados do país nas décadas em que houve evasão de R$ 1 trilhão –cem vezes mais do que o caso Petrobras– pelos empresários?

Virou moda fugir disso tudo para Miami, mas é justamente a turma de Miami que compra lá com dinheiro sonegado daqui. Que fingimento é esse?

Vejo as pessoas vociferarem contra os nordestinos que garantiram a vitória da presidente Dilma Rousseff. Garantir renda para quem sempre foi preterido no desenvolvimento deveria ser motivo de princípio e de orgulho para um bom brasileiro. Tanto faz o partido.

Não sendo petista, e sim tucano, com ficha orgulhosamente assinada por Franco Montoro, Mário Covas, José Serra e FHC, sinto-me à vontade para constatar que essa onda de prisões de executivos é um passo histórico para este país.

É ingênuo quem acha que poderia ter acontecido com qualquer presidente. Com bandalheiras vastamente maiores, nunca a Polícia Federal teria tido autonomia para prender corruptos cujos tentáculos levam ao próprio governo.

Votei pelo fim de um longo ciclo do PT, porque Dilma e o partido dela enfiaram os pés pelas mãos em termos de postura, aceite do sistema corrupto e políticas econômicas.

Mas Dilma agora lidera a todos nós, e preside o país num momento de muito orgulho e esperança. Deixemos de ser hipócritas e reconheçamos que estamos a andar à frente, e velozmente, neste quesito.

A coisa não para na Petrobras. Há dezenas de outras estatais com esqueletos parecidos no armário. É raro ganhar uma concessão ou construir uma estrada sem os tentáculos sórdidos das empresas bandidas.

O que muitos não sabem é que é igualmente difícil vender para muitas montadoras e incontáveis multinacionais sem antes dar propina para o diretor de compras.

É lógico que a defesa desses executivos presos vão entrar novamente com habeas corpus, vários deles serão soltos, mas o susto e o passo à frente está dado. Daqui não se volta atrás como país.

A turma global que monitora a corrupção estima que 0,8% do PIB brasileiro é roubado. Esse número já foi de 3,1%, e estimam ter sido na casa de 5% há poucas décadas. O roubo está caindo, mas como a represa da Cantareira, em São Paulo, está a desnudar o volume barrento.

Boa parte sempre foi gasta com os partidos que se alugam por dinheiro vivo, e votos que são comprados no Congresso há décadas. E são os grandes partidos que os brasileiros reconduzem desde sempre.

Cada um de nós tem um dedão na lama. Afinal, quem de nós não aceitou um pagamento sem recibo para médico, deu uma cervejinha para um guarda ou passou escritura de casa por um valor menor?

Deixemos de cinismo. O antídoto contra esse veneno sistêmico é homeopático. Deixemos instalar o processo de cura, que é do país, e não de um partido.

O lodo desse veneno pode ser diluído, sim, com muita determinação e serenidade, e sem arroubos de vergonha ou repugnância cínicas. Não sejamos o volume morto, não permitamos que o barro triunfe novamente. Ninguém precisa ser alertado, cada de nós sabe o que precisa fazer em vez de resmungar.

 

RICARDO SEMLER, 55, empresário, é sócio da Semco Partners. Foi professor visitante da Harvard Law School e professor de MBA no MIT – Instituto de Tecnologia de Massachusetts (EUA)

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Pode estranhar, mas foi uma alegria http://blogdojuca.uol.com.br/2014/11/pode-estranhar-mas-foi-uma-alegria/ http://blogdojuca.uol.com.br/2014/11/pode-estranhar-mas-foi-uma-alegria/#comments Fri, 21 Nov 2014 17:00:23 +0000 https://blogdojuca.uol.com.br/?p=64424 POR RAFAEL FRYDMAN

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Tomado por uma ansiedade como a que vivi ainda criança, anteontem tentei reproduzir os passos que fiz 22 anos atrás em minha primera ida ao Parque.

Não foi possível.

Não foi possível porque o jogo de ontem foi à noite e o que o terminou há décadas foi num domingo de sol. Não foi possível porque não gritei gol quando a bola tocou a rede. Não foi possível porque ao buscar um momento de respíro em meio à euforia de fazer parte de uma massa que canta e vibra, não vi o céu ao olhar para cima.

Fiquei em pé em meio às cadeiras onde antes o assento era o concreto, praticamente no mesmo ponto em que o conheci na curva junto à bandeira de escanteio.

Se é melhor sentar nos bancos que pintam o estádio de verde mesmo quando está sem sua torcida, não sei dizer. Assim como não sei se são melhores os banheiros, se são mais vastas as opções de comida e bebida e se funciona a conectividade grátis que a rena oferece e divulga. Fui para ver o estádio no que há de mais importante para qualquer torcedor que hoje se orgulha de sua casa refeita. Fui pra ver a arquibancada cheia, fui pra ver o gramado, fui pra ver o Palmeiras.

E mais uma vez, fui sabendo de muita coisa sobre aquilo que ainda não conhecia. Desta vez, dados sobre o tamanho, valores e funcionamento do estádio que li nos jornais, revista e sites. Do antigo, aprendi sobre a localização, disposição e glórias por meio das palavras daqueles que me contavam do time que eu jánamava mas sabia pouco. E dessa vez, ainda que precisasse ou quisesse uma mão segurando a minha para me guiar estádio adentro, não havia torcedor que pudesse fazer isso. Eramos todos novatos.

Sabia que para ficar no mesmo local da minha primeira partida não poderia entrar pela rua Turiassú como então fizera. Da festa na rua em frente ao clube tive que contornar o quarteirão e ir para a entrada na avenida Mattarazzo, importante figura de nossa história e diretamente vinculado ao estabelecimento desse ponto da cidade como o local dos nossos estádios.

Mas senti falta de entrar pelo fosso que deixava suspenso sobre nossas cabeças, de um lado o verde do campo e de outro o verde das camisas de nossa torcida. Quando entrei, ainda que soubesse onde deveriam estar as piscinas e que, apesar de não vê-las, atrás de mim estavam as torres das caldeiras que sempre emolduraram nossa arquibancada, eu estava perdido.

Perdido porque não tinha mais o meu antigo estádio. Perdido porque não conseguia entender qual é a visão do setor superior e como se separa uma torcida por uma faixa de camarotes brilhantes. Também não entendia como podia ser tão claro o campo de jogo em uma partida noturna.

Mas em meio a todo esse estranhamento, entrar no estádio tomado por palmeirenses, recebendo de volta o barulho de suas vozes que agora não escapam mais do estádio, vivi novo encanto.

E por mais que impressionassem o tamanho e qualidade do telão, o volume e a limpidez do sistema de som e o desenho da cobertura que se estende por toda a arena, foi a torcida que mais uma vez me fez ver tudo com os olhos molhados. No instante em que cantamos nosso hino retomamos a posse da nossa casa gravando nas paredes, no teto e no solo a verve palestrina.

Tudo então ficou mais colorido. A bola, a bandeira do auxiliar e o mascote. O gramado, as traves e o banco de reservas. Até a camisa do Sport brilhava de um modo especial e nosso uniforme, contrariando o impossível, conseguiu se mostrar ainda mais bonito.

Daí em diante, mesmo sem estar acostumado com a reverberação das placas que ecoam os gritos, palmas e tambores. Sem entender a mudança de perspectiva de poder ver um lance disputado do outro lado do campo pelo telão e tendo de me esforçar para não pular para o campo ao vê-lo tão próximo do primeiro degrau da arquibancada, o acolhimento era total.

Estávamos de volta ao ninho. Retomamos nosso chiqueiro.

Sim, o jogo foi horrível e o resultado ainda pior. As gozações não cessaram e a angústia ainda é presente. Mas, ainda que boa parte dos comandantes do clube não entendam que preferíriamos mandar jogos em estádio acanhado com um time de craques a ter um estádio maravilhoso como esse e um time como os que acompanhamos nos ultimos anos, nunca tive tanta certeza de que somos capazes e iremos nos reerguer.

Aos que duvidam e preveem o fim da Sociedade Esportiva Palmeiras faço um convite: venham nos visitar.

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A rodada dos visitantes http://blogdojuca.uol.com.br/2014/11/a-rodada-dos-visitantes/ http://blogdojuca.uol.com.br/2014/11/a-rodada-dos-visitantes/#comments Fri, 21 Nov 2014 02:12:45 +0000 https://blogdojuca.uol.com.br/?p=64434 IMG_3234.JPG

Em 10 jogos, apenas uma vitória do anfitrião, o Galo, sobre o Flamengo, na 35a. rodada do Brasileirão.

De resto, três empates, nenhum sem gols, e seis vitórias dos visitantes.

A mais desagradável, para os donos da casa, foi a do Sport, na casa nova palmeirense.

A mais espetacular, de virada, a do Cruzeiro, na Arena Grêmio.

A mais acachapante, no Maracanã, a goleada da Chapecoense sobre o Fluminense.

Corinthians, Figueirense e Bahia foram os outros três não mandantes que venceram, embora o Corinthians tenha jogado com torcida a favor no Pará.

A 35a. rodada foi perfeita para o Cruzeiro, que deve ser campeão já neste domingo, em casa, contra o Goiás.

Ao Cruzeiro basta obter o mesmo resultado do São Paulo contra o Santos ou até mesmo pode perder caso o São Paulo apenas empate.

E muito boa para Corinthians e Galo, que assumiram o terceiro e o quarto lugares no G4, ao verem o Inter e o Grêmio despencarem.

Foram 23 gols e média de público de quase 20 mil torcedores por jogo, mais exatamente 19.688 pagantes por jogo.

Comentário para o Jornal da CBN desta sexta-feira, 21 de novembro de 2014, que você ouve aqui.

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Cruzeiro vira como campeão http://blogdojuca.uol.com.br/2014/11/cruzeiro-vira-como-campeao/ http://blogdojuca.uol.com.br/2014/11/cruzeiro-vira-como-campeao/#comments Fri, 21 Nov 2014 00:59:13 +0000 https://blogdojuca.uol.com.br/?p=64422 IMG_2677.JPG
O Grêmio fez valer desde o primeiro minuto, em sua entusiasmada casa, o ótimo momento que vive nesta reta final de Brasileirão e martelou até Riveros ser mais rápido que Júlio Baptista e abrir o placar, aos 13.

O Cruzeiro perdia o jogo e dois jogadores ainda no primeiro tempo: Ceará e Marquinhos se machucaram e foram substituídos por Mayke e Willian.

Problema mineiro, não gaúcho, que viu a trave evitar o segundo gol em cabeçada de Barcos e Fábio salvá-lo aos pés de Ramiro.

Quando o intervalo chegou, para alívio do líder, o Grêmio reassumia o terceiro lugar, mandava o Corinthians. o próximo adversário, para quarto, o Galo para quinto e o rival Inter para sexto.

E a diferença entre Cruzeiro e São Paulo permanecia de quatro pontos, o que permitia ao Tricolor paulista, ao menos, ainda sonhar.

A perspectiva para o segundo tempo não era das melhores para o Cruzeiro e um empate seria uma dádiva do céu.

Só que seria preciso combinar com o Grêmio e o time do revivido Felipão não dava o menor ar de que estivesse disposto a negociar.

Problema do Tricolor gaúcho.

Porque o Cruzeiro voltou com tudo e logo de cara por pouco Willian não empatou.

Em busca da igualdade, os mineiros passaram a pressionar, tiveram que fazer mais uma troca, Samudio por Egídio, e, num rebote de Marcelo Grohe num tirambaço de Willian, Ricardo Goulart empatou aos 21.

O jogo cumpria com o que prometera.

E, aos 24, milagre na Arena: à queima-roupa, Fábio impediu o gol de Barcos.

Caindo para o quinto lugar, os donos da casa queriam a vitória e torcida colaborava.

Quando era maior a pressão gremista, num contra-ataque fabuloso, Éverton Ribeiro virou o clássico, aos 30, com ares de campeão.

Mantida a vitória, o bi virá no domingo, no Mineirão, contra o Goiás.

Allan Ruiz foi para o jogo no lugar de Riveros, Lucas Coelho substituiu Barcos e Giuliano tirou Luan de campo. Tudo ou nada.

Nada.

Diante de 40.497 pagantes o Grêmio caiu para o sexto lugar.

O Cruzeiro defendeu sua virada com extrema competência, experiente que é.

O Brasil está mais azul do que nunca, ou melhor, permanece com a mesma cor do ano passado.

Com todos os méritos e mais alguns.

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