Blog do Juca Kfouri https://blogdojuca.uol.com.br Juca Kfouri é formado em Ciências Sociais pela USP. Desde 2005, é colunista da Folha de S.Paulo e do UOL. Thu, 18 Apr 2019 10:00:49 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=4.7.2 O futebol brasileiro é cada vez mais previsível https://blogdojuca.uol.com.br/2019/04/o-futebol-brasileiro-e-cada-vez-mais-previsivel/ https://blogdojuca.uol.com.br/2019/04/o-futebol-brasileiro-e-cada-vez-mais-previsivel/#respond Thu, 18 Apr 2019 10:00:49 +0000 https://blogdojuca.uol.com.br/?p=110467 A querida ouvinte e o caríssimo ouvinte devem se lembrar de que eu falei ontem das certezas e das dúvidas na noite de futebol da quarta-feira.

Pois não deu outra e não é porque eu tenha dons mediúnicos, mas porque o futebol brasileiro é cada vez mais previsível.

Uma certeza era a de que o Santos passaria facilmente pelo Vasco e a Vila Belmiro viu uma vitória tranquila por 2 a 0 no jogo de ida da Copa do Brasil.

Outra era a vitória do Fluminense sobre o Santa Cruz e o Flu ganhou também por 2 a 0.

Mais uma certeza era a de que teríamos o campeão gaúcho. Quem, não sabíamos.

Deu Grêmio, pela 38ª vez, nos pênaltis, porque o jogo teve apenas um brigado 0 a 0, ruim de ver.

Finalmente, eu disse que o Corinthians iria a Chapecó para buscar mais um 0 a 0.

A parte dele ele fez, ao completar o quarto jogo sem fazer gol.

Menos mal que a Chapecoense discordou e ganhou por 1 a 0 e jogará por empate na volta em Itaquera para eliminar o Corinthians da Copa do Brasil.

Comentário para o Jornal da CBN desta quinta-feira, 19 de abril de 2019.

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O país da malandragem https://blogdojuca.uol.com.br/2019/04/o-pais-da-malandragem/ https://blogdojuca.uol.com.br/2019/04/o-pais-da-malandragem/#respond Thu, 18 Apr 2019 04:11:48 +0000 https://blogdojuca.uol.com.br/?p=110473 Não tenha dúvida: caso o Inter tivesse saído campeão o técnico da nova geração, autor de belo trabalho no Colorado, estaria dizendo que ele e D’Alessandro, ao contestar uma decisão do VAR, e ajudar a paralisar o jogo por nove minutos, foram responsáveis pela perda do pênalti cobrado por André.

“Bah, esfriamos o guri, tchê!”, diria.

Diria, mas não dirá.

Se ainda fosse um treinador da velha guarda…

Mas disse que não sairia de campo e acabou saindo, pela mão da polícia.

Menos mal que, ao fim e ao cabo, abraçou esportivamente Renato Portaluppi num gesto muito bonito.

Tomara que Hellmann faça autocrítica sobre o papelão no gramado.

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Só nos pênaltis, o Grêmio é campeão pela 38ª vez ! https://blogdojuca.uol.com.br/2019/04/so-nos-penaltis-o-gremio-e-campeao-pela-38a-vez/ https://blogdojuca.uol.com.br/2019/04/so-nos-penaltis-o-gremio-e-campeao-pela-38a-vez/#respond Thu, 18 Apr 2019 02:46:52 +0000 https://blogdojuca.uol.com.br/?p=110428 Os gaúchos podem gostar, mas quando a rivalidade no Gre-Nal impede que dois times com bons jogadores apresentem um espetáculo minimamente razoável, alguma coisa está muito errada.

Fato é que quando o tempo inicial acabou os goleiros tinham trabalhado apenas duas vezes: Paulo Victor numa cabeçada de Guerrero e Marcelo Lomba em chute forte de fora da área de Leonardo, já aos 45 minutos.

Em resumo, na Arena Grêmio lotada por 51 mil torcedores, o Gre-Nal 420 tinha de tudo, até cinco cartões amarelos, mas futebol não teve.

Fato é que no segundo tempo o Inter veio mais agressivo e Paulo Victor teve de se virar duas vezes, com Guilherme Parede no lugar de Potker na volta do intervalo.

Então, Luan foi para o jogo, aos 15′, no lugar de Jean Pyerre.

E, aos 24′, Parede puxou o calção de Cortez na área, o VAR confirmou o pênalti e André bateu para Lomba defender.

Gol? Mas nem de pênalti.

Antes da cobrança D’Alessandro, no banco, foi expulso, e quase bateu no quarto árbitro, além de Odair Hellmann, também expulso e, ao se recusar a sair, foi retirado pela polícia.

Nove minutos de paralisação.

O Manchester City foi eliminado da Champions graças ao VAR e ninguém reclamou.

O futebol brasileiro é a cara do país: uma esculhambação sem fim.

Além das expulsões, o segundo tempo teve mais três cartões amarelos.

De bom mesmo apenas Everton, o Cebolinha.

Ah, e as defesas, raios!

E vieram os pênaltis depois de 180 torturantes minutos sem gol.

Se duvidar, é o que acontecerá também no horrível futebol paulista, no domingo.

Camilo bateu e Paulo Victor defendeu.

Diego Tardelli fez 1 a 0 para o Grêmio.

Rafael Sóbis empatou. Tinha entrado só para bater o pênalti.

Everton bateu para fora, muito para fora e para o alto.

Guerrero fez 2 a 1 para o Inter.

Matheus Henrique empatou. Marcelo Lomba tocou na bola pela segunda vez.

Cuesta bateu e PV pegou de novo!

Michel bateu e ML pegou! O segundo pênalti!

Nico López bateu e PV pegou seu terceiro pênalti.

É por isso que não sai gol. Ninguém sabe chutar.

André voltou à marca de pênalti e deu o 38º título ao Grêmio.

Paulo Victor se candidata a ser o novo Marcelo Grohe.

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Corinthians joga pedrinhas mais uma vez e perde da Chape https://blogdojuca.uol.com.br/2019/04/corinthians-joga-pedrinhas-mais-uma-vez-e-perde-da-chape/ https://blogdojuca.uol.com.br/2019/04/corinthians-joga-pedrinhas-mais-uma-vez-e-perde-da-chape/#respond Thu, 18 Apr 2019 02:23:31 +0000 https://blogdojuca.uol.com.br/?p=110426 Na Arena Condá longe de estar repleta, quando o primeiro tempo terminou a Chape vencia o Corinthians por 1 a 0, gol de Aylon , aos 33 minutos, e já havia exigido duas defesas difíceis do goleiro Walter.

Chutara dez vezes ao gol alvinegro e não havia recebido nenhum chute contra o seu gol.

Era o Corinthians de sempre, acovardado, contra um time disposto a vencer.

E vencia. Com o pé nas costas.

Não se diga que era o time reserva do Corinthians porque Henrique, Ramiro, Sornoza, Jadson, Boselli e Vagner Love estavam em campo, salários altos, nem sempre titulares, mas, também, sempre titulares potenciais.

A única boa notícia para os corintianos estava em que, quem sabe, perdendo, o time procurasse o gol adversário.

Ou faria como o Vasco e tentaria perder por pouco?

Fábio Carille voltou com Ralf e Clayson nos lugares de Ramiro e Jadson, duas nulidades.

Mas logo aos 2′ a Chape atingiu o travessão paulista com Gustavo.

Quando o segundo tempo chegou aos 10 minutos, o Corinthians seguia sem fazer o goleiro Vagner trabalhar.

No minuto seguinte, enfim, um chute desviado de Sornoza o obrigou a ótima defesa.

Lembremos: nos últimos três jogos o Corinthians não marcou um único gol contra Ceará, Santos e São Paulo.

Nei Franco, como usual, recuou demais o time e o Corinthians se aproveitou, conseguindo uma sucessão de três escanteios seguidos.

O goleiro Vagner se machucou e Tiepo, 21 anos, o substituiu, aos 37′.

Sabe quantas defesas o menino teve de fazer?

Nenhuma!

E olhe que o jogo foi até os 51 minutos!

Quarta-feira que vem, diferentemente de todos os jogos de volta que o Corinthians disputou neste ano, o time terá de vencer.

O Corinthians é dose pra leão.

O “mundo árabe” não fez bem a Fábio Carille.

No Maracanã, o Fluminense venceu o Santa Cruz por 2 a 0 e viu a volta do centroavante Pedro por 40 minutos.

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O país dos pais https://blogdojuca.uol.com.br/2019/04/o-pais-dos-pais/ https://blogdojuca.uol.com.br/2019/04/o-pais-dos-pais/#respond Thu, 18 Apr 2019 00:20:47 +0000 https://blogdojuca.uol.com.br/?p=110424 Não é bonito?

Você deve ao fisco, coisa de 69 milhões de reais, e é recebido pelo ministro da Economia, pelo chefe da Receita Federal e, depois, pelo presidente da República.

Mas não é assim tão fácil.

Você tem de ter um filho que faça propaganda do presidente.

Por sinal: cadê o Queiroz?

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Santos nem precisou jogar bem para vencer o Vasco https://blogdojuca.uol.com.br/2019/04/santos-nem-precisou-jogar-bem-para-vencer-o-vasco/ https://blogdojuca.uol.com.br/2019/04/santos-nem-precisou-jogar-bem-para-vencer-o-vasco/#respond Thu, 18 Apr 2019 00:11:15 +0000 https://blogdojuca.uol.com.br/?p=110409 O Santos teve absoluto domínio do primeiro tempo na Vila Belmiro, mas sem inspiração, assustou pouco o Vasco.

Ao contrário, no fim, o zagueiro cruzmaltino Ricardo perdeu a melhor chance de gol dos 45 minutos iniciais.

Jorge Sampaoli tenta fazer o Santos jogar, mas nem sempre o time, limitado, consegue.

Alberto Valentim nem tenta fazer o Vasco jogar, ainda mais limitado.

O treinador argentino deve ter falado poucas e boas no intervalo e o Santos voltou aceso, criando chance logo no primeiro minuto e fazendo seu gol antes do terceiro, com Rodrygo pela direita ao receber de Soteldo, pela esquerda: 1 a 0.

Cabia mais.

O Vasco teria de jogar e deixaria espaços para o Santos explorar, embora o Cruzmaltino desse mostras de que perder por pouco não seria ruim, pensando na volta em São Januário.

Coisa rara, o Santos estava em campo e o jogo não era nada bom, ao contrário.

Até que aos 21 minutos, Jean Mota se livrou facilmente de uma zagueiro carioca e acertou um tirambaço de fora da área para fazer 2 a 0.

E cabia mais.

A vida cruzmaltina ficava tão complicada na Copa do Brasil como está no campeonato estadual.

Aos 26′, Maxi López entrou no jogo para tentar um golzinho.

E Soteldo, Sánchez e Rodrygo jogaram fora, em contra-ataque, o terceiro gol, por puro preciosismo.

Estava tão fácil que o trio achou de brincar em vez de liquidar a disputa.

Sampaoli estava feliz, mas aprovaria?

O Vasco, infelizmente, simplesmente inexiste.

E se jogar aberto na volta, corre o risco de ser goleado, algo que o Santos não fez hoje porque não forçou.

O Santos pode perder por um gol e assim mesmo estará nas oitavas de final da Copa do Brasil.

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Este Dérbi o blog ganhou https://blogdojuca.uol.com.br/2019/04/este-derbi-o-blog-ganhou/ https://blogdojuca.uol.com.br/2019/04/este-derbi-o-blog-ganhou/#respond Wed, 17 Apr 2019 22:50:47 +0000 https://blogdojuca.uol.com.br/?p=110407 Depois da Crefisa não aceitar as críticas aqui feitas, processar o blog e perder na Justiça, eis que o BMG adotou o mesmo caminho e sua queixa acabou rejeitada pelo Ministério Público e pelo julgador.

Sentenciou o juiz Ulisses Augusto Pascolati Junior:

As duas matérias veiculadas pelo querelado em seu blog, saliente-se, trouxeram informações públicas, mescladas com opiniões pessoais do jornalista, característica nata de colunas deste gênero.

Sendo jornalista esportivo, o querelado se ocupa de vários aspectos envolvendo campeonatos e times de futebol, incluindo, em alguns casos, debates críticos acerca de alguns patrocinadores. Tal atitude se mostra dentro do limite de sua liberdade de expressão.

Assim, no caso, agiu o querelado nos limites de sua profissão, baseando sua matéria jornalística nas informações recebidas, atuando, em verdade, nos limites dos fatos narrados, com críticas inerentes ao trabalho de um articulista, de modo a não existir ato ilícito de sua parte.

Tratou-se, de fato, do exercício regular do direito de informar. A liberdade de imprensa, enquanto extensão das liberdades de comunicação e de manifestação do pensamento, compreende prerrogativas inerentes como o direito de informar, o direito de buscar a informação, o direito de opinar e o direito de criticar”.

Abaixo a decisão na íntegra:

TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO

COMARCA DE SÃO PAULO

FORO CENTRAL CRIMINAL BARRA FUNDA

VARA DO JUIZADO ESPECIAL CRIMINAL

DECISÃO

1000118-42.2019.8.26.0050

Ação Penal – Procedimento Sumaríssimo – Representação caluniosa

Querelante:Banco BMG S/A

Querelado: Jose Carlos Amaral Kfouri

Juiz de Direito: Dr. Ulisses Augusto Pascolati Junior

Lei 9.099/95.

É o relatório, em que pese dispensável nos termos do artigo 81, parágrafo 3o, da

Fundamento e Decido.

A queixa crime deve ser de plano rejeitada.

Vistos.

Trata-se de ação penal privada que BANCO BMG S/A move em face de JOSÉ CARLOS AMARAL KFOURI, imputando-lhe a prática do crime de difamação.

Consta que o querelado, nos dias 17 e 28 de janeiro de 2019, teria veiculado em seu blog (“Blog do Jucá Kfouri”), no sítio UOL, artigos relacionando o nome do querelante a escândalos políticos da história recente e a irregularidades no meio futebolístico.

Em audiência preliminar, não havendo proposta de composição civil por parte do querelante e representante do Ministério Público pediu vistas para se manifestar (fls. 141). Após, o Dr. Promotor de Justiça pugnou pela rejeição da queixa-crime.

I. Legitimidade

O querelante, pessoa jurídica de direito privado, imputa ao querelado a prática do crime de difamação, alegando que, ao vincular seu nome com o escândalos políticos, o querelado teria violado seu nome e reputação.

Em relação ao sujeito passivo do crime de difamação, em que pesem entendimentos contrários, não há óbice a que pessoa jurídica figure como vítima do referido crime. A figura típica do artigo 139 do Código Penal busca a proteção da honra objetiva da vítima, de sua reputação, de modo que, se há imputação ofensiva à imagem da pessoa jurídica, aliada aos demais elementos do tipo, fica configurada a prática criminosa.

Nesse sentido, “modernamente, vai-se ampliando a corrente que admite a possibilidade de a pessoa jurídica também ser sujeito passivo de crimes contra a honra” (BITENCOURT, Cezar Roberto. Tratado de direito penal, 2: parte especial: dos crimes contra a pessoa. 8. ed. São Paulo: Saraiva, 2008, p. 302) e, consequentemente, “as pessoas jurídicas são, em tese, caluniáveis, difamáveis e injuriáveis” (QUEIROZ, Paulo. Curso de direito penal 2: parte especial. Salvador: Editora JusPODIVM, 2013, p. 153).

Merece destaque, a esse respeito, a decisão proferida pela 7a Câmara de Direito Criminal do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo:

Recurso em sentido estrito Crime contra a honra de Pessoa Jurídica Imputação da prática de crime diverso daqueles previstos na legislação ambiental Impossibilidade de reconhecimento da prática de injúria ou de calúnia Conduta típica pela prática apenas de difamação […] Eventual afirmação nesse sentido poderá, todavia, corresponder ao crime de difamação, uma vez possuir a pessoa jurídica a denominada honra objetiva, ou seja, goza de reputação perante o corpo social, da qual depende evidentemente a atividade econômica por ela desempenhada.

(TJ-SP. Relator: Grassi Neto, Data de Julgamento: 27/03/2014, 7a Câmara de Direito Criminal grifos próprios)

Resta possível, portanto, que pessoa jurídica como é o caso do querelante promova ação penal privada pelo crime de difamação, afastando-se o argumento da defesa nesse aspecto. Contudo, por outras razões o fato remanesce atípico, pelo que a rejeição da exordial se impõe.

Com efeito, o Brasil constitui-se em um Estado de direito democrático, cujas balizas encontram-se prevista na Carta Política de 1988. Quando se afirma que o Estado é de direito, significa que, para o regular exercício dos Poderes, deve haver a fiel observância dos direitos individuais e das leis vigentes no pais. Quando se fala que o Estado é democrático, significa, no aspecto formal, que se observa o sistema representativo para imperar a vontade popular e, por outro lado, no aspecto material, que o Estado deve assegurar a efetiva aplicação das liberdades constitucionais. Assim, conjugando ambos aspectos, além da proteção de minorias, poder-se-á falar em uma verdadeira democracia ou Estado democrático.

Pois bem. E é neste ponto que a questão dos presentes autos deve ser solucionada.

Somente haverá um pleno Estado de direito se forem asseguradas as liberdades de expressão e de imprensa. Do contrário, qualquer ato que restrinja estas liberdades, como p. ex., eventual censura, representará indevido avanço de um Estado policial sobre o Estado de direito garantidor de liberdades, o que não se admite.

É claro que, não havendo direito absoluto, todas as liberdades constitucionais devem ser, além de garantidas, exercidas com limitações. Estas limitações devem estar expressamente previstas em lei; serem concebidas para proteger direitos ou a reputação de terceiros e serem necessárias em uma sociedade democrática. (Corte IDH. Caso Herrera Ulloa vs. Costa Rica. Exceções preliminares, mérito, reparações e custas. Sentença de 2-7-2004.)

Em se tratando de liberdade de expressão ou imprensa, a restrição está prevista na própria CF/88 quando impõe a reparação por danos morais e no próprio Código Penal quando tutela à honra. E mais, limita-se este direito quando ele é usado para além do dever de informar (ou criticar) e que, especificamente, almeje atingir reputações, o que, de fato, desestabilizaria a ordem social e a convivência democrática entre as pessoas.

No presente caso, tenho que as matérias não ultrapassaram os limites referidos estando dentro daquilo que se considera lícito e ínsito a um estado de liberdades.

As duas matérias veiculadas pelo querelado em seu blog, saliente-se, trouxeram informações públicas, mescladas com opiniões pessoais do jornalista, característica nata de colunas deste gênero.

Sendo jornalista esportivo, o querelado se ocupa de vários aspectos envolvendo campeonatos e times de futebol, incluindo, em alguns casos, debates críticos acerca de alguns patrocinadores. Tal atitude se mostra dentro do limite de sua liberdade de expressão.

Assim, no caso, agiu o querelado nos limites de sua profissão, baseando sua matéria jornalística nas informações recebidas, atuando, em verdade, nos limites dos fatos narrados, com críticas inerentes ao trabalho de um articulista, de modo a não existir ato ilícito de sua parte.

Tratou-se, de fato, do exercício regular do direito de informar. A liberdade de imprensa, enquanto extensão das liberdades de comunicação e de manifestação do pensamento, compreende prerrogativas inerentes como o direito de informar, o direito de buscar a informação, o direito de opinar e o direito de criticar.

Nesse sentido:

E M E N T A: LIBERDADE DE INFORMAÇÃO – DIREITO DE CRÍTICA – PRERROGATIVA POLÍTICO-JURÍDICA DE ÍNDOLE CONSTITUCIONAL (…) MATÉRIA JORNALÍSTICA QUE EXPÕE FATOS E VEICULA OPINIÃO EM TOM DE CRÍTICA – CIRCUNSTÂNCIA QUE EXCLUI O INTUITO DE OFENDER – AS EXCLUDENTES ANÍMICAS COMO FATOR DE DESCARACTERIZAÇÃO DO “ANIMUS INJURIANDI VEL DIFFAMANDI” – AUSÊNCIA DE ILICITUDE NO COMPORTAMENTO DO PROFISSIONAL DE IMPRENSA – INOCORRÊNCIA DE ABUSO DA LIBERDADE DE MANIFESTAÇÃO DO PENSAMENTO – CARACTERIZAÇÃO, NA ESPÉCIE, DO REGULAR EXERCÍCIO DO DIREITO DE INFORMAÇÃO – O DIREITO DE CRÍTICA, QUANDO MOTIVADO POR RAZÕES DE INTERESSE COLETIVO, NÃO SE REDUZ, EM SUA EXPRESSÃO CONCRETA, À DIMENSÃO DO ABUSO DA LIBERDADE DE IMPRENSA – A QUESTÃO DA LIBERDADE DE INFORMAÇÃO (E DO DIREITO DE CRÍTICA NELA FUNDADO) EM FACE DAS FIGURAS PÚBLICAS OU NOTÓRIAS – JURISPRUDÊNCIA (…). – A liberdade de imprensa, enquanto projeção das liberdades de comunicação e de manifestação do pensamento, reveste-se de conteúdo abrangente, por compreender, dentre outras prerrogativas relevantes que lhe são inerentes, (a) o direito de informar, (b) o direito de buscar a informação, (c) o direito de opinar e (d) o direito de criticar. (…) (AI 705630 AgR / SC AG.REG. NO AGRAVO DE INSTRUMENTO. Relator(a): Min. CELSO DE MELLO. Julgamento: 22/03/2011).

Ademais, seu ânimo, no caso em tela, se aproxima muito mais de intenção de narrar e contextualizar do que de difamar o querelante, pessoa jurídica. Conforme bem salientado pelo representante do Ministério Público às fls. 146, “não há delito quando o sujeito pratica o fato com ânimo diverso, como ocorre nas hipóteses do ‘animus narrandi, defendendi, retorquiendi, corrigiendi e jocandi’ “.

Assim, não estaria presente o elemento subjetivo necessário para a configuração do crime de difamação. Não se mostra claro, inclusive, que as críticas feitas carregavam a intenção de criar abalo em sua credibilidade junta à sociedade e ao próprio mercado financeiro, como alega o querelante às fls. 149/160. Até porque, ao que se compreende das matérias, a informação volta-se mais a crítica ao Sport Club Corinthians Paulista do que propriamente ao querelante, no tocante a celebração do contrato de patrocínio.

Ausente, portanto, vontade específica de difamar, necessário à configuração do tipo penal. No crime de difamação, a vontade de praticar a conduta deve vir acompanhada do dolo (animus diffamandi) que consiste na vontade livre e consciente de ofender a honra do sujeito passivo atingindo sua reputação social. Acerca do elemento subjetivo especial do tipo de difamação, leciona Bitencourt que “a difamação também exige o especial fim de difamar, a intenção de ofender, a vontade de denegrir, o desejo de atingir a honra do ofendido […] Por isso, a simples idoneidade das palavras para ofender é insuficiente para caracterizar o crime” (BITENCOURT, Cezar Roberto. Tratado de direito penal, parte especial 2: dos crimes contra a pessoa. 8. ed. rev. e atual. São Paulo: Saraiva, 2008, pp. 305 e 314). Prossegue o doutrinador, afirmando que “não há animus diffamandi na conduta de quem se limita a analisar e argumentar sobre dados, fatos, elementos, circunstâncias, sempre de forma impessoal, sem personalizar a interpretação. Na verdade, postura comportamental como essa não traduz a intenção de ofender” (idem).

Destarte, a simples narrativa dos fatos, ainda que impregnada de viés crítico, que, nesse caso, tinha o intuito de informar a sociedade, não basta para a configuração do crime de difamação. STJ: “Nos delitos contra a honra, é necessário, além do dolo, o propósito de ofender (animus) que inexiste se ocorrer mero animus narrandi” (Resp 118.417-DF DJU de 25.2.1998, p. 97-98).

Diante do exposto, com fundamento no artigo 395, inciso III do Código de Processo Penal REJEITO a presente queixa crime oposta em face de JOSÉ CARLOS AMARAL KFOURI.

Façam-se as anotações de praxe.

São Paulo, 02 de abril de 2019.

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Tottenham sobrevive em jogo épico https://blogdojuca.uol.com.br/2019/04/tottenham-sobrevive-em-jogo-epico/ https://blogdojuca.uol.com.br/2019/04/tottenham-sobrevive-em-jogo-epico/#respond Wed, 17 Apr 2019 20:56:51 +0000 https://blogdojuca.uol.com.br/?p=110392 Se eu não tivesse visto, talvez não acreditasse.

Como vi, acredite.

Jogavam em Manchester, Manchester City e Tottenham, com vantagem de 1 a 0 para o time londrino.

Aos 4 minutos, Sterling fez 1 a 0 e já empatou o embate.

Até aí, nada demais.

Mas, aos 6′, o sul-coreano Son fez 1 a 1.

O MC teria de fazer 3 a 1.

E, aos 9′, Son fez 2 a 1.

Os dois belos gols com aporte de Laporte, em noite pra lá de infeliz, o segundo com roubada de bola de Lucas Moura.

O time de Guardiola, atônito, teria de fazer 4 a 2!

Em nove minutos!

Mas, aos 10′, Bernardo Silva empatou.

Convenha que já não era normal: 2 a 2 em dez minutos!

Teria mais, é claro.

Se De Bruyne, estranhamente no banco no jogo de ida, havia passado para o primeiro gol, passou também para o terceiro do MC, outra vez de Sterling, aos 20′.

Sim, aos 20 minutos estava 3 a 2.

Os 25 minutos restantes foram dedicados a que todos pudessem respirar, menos os jogadores do Tottenham, que ainda ficaram sem Sissoko, machucado.

Na batata, nem precisava ter o segundo tempo, com o que, é claro, o City não concordaria, nem sua torcida, nem o árbitro concordou, muito menos a UEFA, em busca de conhecer os semifinalistas da Liga dos Campeões da Europa.

Será que o Felipão estava vendo?

E o Carille?

O Abelão, o Mano Menezes?

Renato Portaluppi, estava, tenho certeza.

Jorge Sampaoli também.

Futebol em estado puro, como vimos tantas vezes no passado do futebol brasileiro.

O City em cinco minutos teve duas chances de gol e, aos 52′, o goleiro Lloris fez defesaça em chute de De Bruyne.

A bola tinha dono e o dono vestia azul.

Não era possível tirar os olhos do jogo.

Jogo?

Jogaço, espetacular, trepidante, elétrico, atômico!

Era tenso?

Era.

Mas mais que tenso, era técnico.

E aos 57′ foi a vez de Ederson evitar o 3 a 3.

A resposta veio dos pés do genial De Bruyne, no minuto seguinte, ao arrancar e dar para Agüero fazer 4 a 2!

Os cidadãos estavam classificados!

Só que faltavam 31 minutos…

Pep Guardiola lançou mão imediatamente de Fernandinho, para dar uma fechadinha, ou fechadona, sem abrir mão de atacar.

David Silva saiu.

De Bruyne brilhava mais, por todos os lados do gramado, que a famosa blue moon.

Que jogo, meu pai!

Sem Harry Kane, lesionado, o Tottenham corria permanentemente o risco de sofrer o quinto gol e quase não ameaçava fazer o terceiro.

Aos 72′, no entanto, ao aparar no braço um escanteio, no Llorente empatou, em gol validado pelo VAR: 4 a 3, 4 a 4 no agregado, para classificar o time londrino.

Gol do substituto de Sissoko…

Os dois mereciam chegar às semifinais…

Enquanto isso, no Porto, o Liverpool fazia 4 a 1 com gols de Mané, Salah, Roberto Firmino e Van Dijk e desconto de Militão para o Porto.

Barcelona x Liverpool numa semifinal e Ajax e quem na outra?

Não tinha desespero, não tinha chuveirinho na área, tinha Sané, no lugar de Mendy, aos 83′.

Gundogan jogou o quinto gol por cima aos 85′.

O City atacava com tudo e o Tottenham defendia com tudo e mais alguma coisa.

Cinco minutos de acréscimos.

Aos 92′, Sterling!!!

Para culminar a blitz do City.

Mas Agüero estava impedido e o VAR anulou…

Ninguém reclama!

Tristeza em Manchester, alegria em Londres.

O Tottenham perdeu. Mas ganhou. E como!

O Tottenham está classificado para enfrentar o Ajax.

O futebol está de parabéns!

E eu só acredito porque vi.

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O VAR e o lance interpretativo https://blogdojuca.uol.com.br/2019/04/o-var-e-o-lance-interpretativo/ https://blogdojuca.uol.com.br/2019/04/o-var-e-o-lance-interpretativo/#respond Wed, 17 Apr 2019 18:57:40 +0000 https://blogdojuca.uol.com.br/?p=110388 POR ANDRÉ KFOURI*

No consultório de um gastroenterologista, o paciente fala sobre a dor que o incomoda:

– Bom dia, doutor. É por aqui (leva a mão ao lado direito do abdome), e começou ontem. Uma dor bem forte. Estou preocupado porque pode ser algo sério, por isso marquei a consulta o quanto antes.

– Claro, claro. Mas não fique ansioso, vamos descobrir o que é. Eu vou te fazer algumas perguntas para avaliar seu estado de saúde, vou te examinar aqui no consultório e provavelmente também vou fazer um pedido de exame.

– Que exame, doutor?

– Uma endoscopia, um exame de imagem. Esse é o protocolo: o exame clínico e o exame de imagem. Assim temos maiores possibilidades de fazer um diagnóstico preciso e indicar um tratamento, se for necessário.

– Mas é necessário mesmo, doutor? Não podemos resolver logo aqui?

– Veja, o exame clínico nos dá algumas respostas. Mas a endoscopia, que é a introdução de um equipamento com uma microcâmera no seu tubo digestivo, nos permite ver tudo o que é necessário para montar um diagnóstico acertado. A combinação dos dois exames é ideal para saber que curso seguir.

– Mas doutor… eu sou um pouco tradicionalista nesse aspecto. Posso ou não posso confiar na sua capacidade de determinar o que tenho? Porque, ao longo dos tempos, as pessoas sempre tiveram esses problemas e não podiam contar com esses exames de imagem. É para isso que médicos servem, o senhor não acha?

– Médicos servem para tratar de pessoas com todos os recursos que estão disponíveis. Quando exames de imagem não existiam, não podíamos ir além do exame clínico, e problemas graves não eram detectados até que fosse tarde demais. A evolução da tecnologia colabora para a nossa atividade, com mecanismos que nos dão mais informações e nos ajudam a tomar decisões. Eu seria um péssimo médico se te mandasse para casa depois de te examinar, sem investigar essa dor de todas as formas que hoje nos auxiliam. Não posso ignorar essa possibilidade.

– Mas isso vai atrapalhar a dinâmica da minha vida. Vou ter de marcar o exame, gastar algumas horas, e esperar dias para ter o resultado… Eu prefiro que o senhor faça o seu melhor aqui no consultório, e aí sigo minha vida.

– O resultado sai no mesmo dia, e existem diversos locais onde o senhor pode realizar o exame. Se for uma úlcera, ou até um tumor, nós só poderemos saber com certeza com a imagem. Eu recomendo insistentemente que você faça o exame.

– Mas quem me garante que o exame vai salvar minha vida, doutor? Se for algo grave, e o senhor não detectar aqui, talvez não haja mais nada a fazer, certo?

– Não é isso. O propósito do exame não é salvar sua vida, mas oferecer a maior quantidade de elementos sobre a sua condição, para aumentar as possibilidades de um diagnóstico correto. É uma questão de informação.

– E os falsos positivos? Não existem? Minha sogra teve um problemão por causa disso, doutor. Fez um monte de outros exames, tomou remédios errados por dois meses, porque um médico avaliou mal uma ressonância magnética. Valeu a pena? Claro que não! Por isso digo que precisamos ter bons médicos, que saibam fazer bem seu trabalho. Os exames não vão resolver todos os problemas.

– Desculpe, o senhor está um pouco confuso. Que situação te deixaria mais confortável em relação a essa dor na barriga: apenas um exame clínico e a receita de uma medicação para dor, ou, além disso, um exame de imagem que mostra tudo o que é necessário saber para determinar o seu quadro?

– Mas o senhor garante que o exame vai solucionar o problema? Não, certo? Eu posso sair daqui, agendar o exame, perder metade do dia, e mesmo assim continuar sentindo dores e precisar ser operado…

– É exatamente por isso. Só com o exame eu poderei te dizer qual é a origem dessa dor.

– E tem outra coisa: em várias regiões do Brasil e do mundo as pessoas não têm acesso a endoscopias, e continuam vivendo do mesmo jeito. Esse é o valor da medicina; poder tratar a todos com a experiência dos profissionais de saúde, que, esses sim, estão em todos os lugares.

– Esse raciocínio não faz sentido. O que temos de fazer é trabalhar para que esses avanços cheguem a cada vez mais pessoas, ao invés de ignorá-los. Não é uma conduta inteligente deixar de utilizar recursos tecnológicos disponíveis, e confiáveis, só porque eles não estão ao alcance de todos…

– Espera aí, o senhor está dizendo que não sou inteligente? O que é isso? Acho melhor eu ir embora… médicos que se prezam não usam exames como muleta. Se o senhor fosse bom, mesmo, saberia me diagnosticar agora. Se for para fazer exames a toda hora, não precisamos mais de médicos. O exame diz o que está acontecendo e pronto. Assim é fácil.

– Não, exames não são feitos a toda hora. Mas em todos os casos em que colaboram de maneira determinante para esclarecer quadros. E exames não dizem “o que está acontecendo”. Quem diz isso é o médico, com base em todas as informações que tem. É assim que se faz um diagnóstico.

– Desculpe doutor, não me convence. Eu sou da época em que o médico dizia o que estava acontecendo e a gente confiava. Se estivesse errado, paciência. Obrigado.

– Lamento. Passar bem.

*Publicado originalmente no blog do jornalista, no “Lance!”.

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Em time que está perdendo não se mexe! https://blogdojuca.uol.com.br/2019/04/em-time-que-esta-perdendo-nao-se-mexe/ https://blogdojuca.uol.com.br/2019/04/em-time-que-esta-perdendo-nao-se-mexe/#respond Wed, 17 Apr 2019 17:28:17 +0000 https://blogdojuca.uol.com.br/?p=110386 POR ANTONIO CARLOS SALLES*

A equipe chegou a um marco histórico.

São 100 dias sem uma vitoriazinha expressiva sequer e o burburinho da torcida veio junto. 

Ainda são gritos um tanto quanto abafados. Protestos à meia-boca.

Muitos torcedores não querem reconhecer que apoiaram o técnico e os atletas que ele trouxe pra formar a equipe.

Mas vestir a camisa do time e sair às ruas, peito estufado, não mais.

Por enquanto, só a torcida organizada. 

A arquibancada, e principalmente a tribuna de honra, local dos ingressos mais caros, estão esvaziando a cada jogo.

O time desanda em campo mas o treinador não altera o bordão:
_ reforma o passe!
_ reforma o tiro de meta!
_ reforma o pé na forma!

E nada.

O jeito foi dispensar o auxiliar responsável pela educação técnica da equipe, um mestre em caneladas.

A coisa tá azeda.

Já teve jogador que se rebelou. 

Ameaçou contar tudo o que viu e participou no escurinho do vestiário. 

Por enquanto está na moita. 

Prometeram que será transferido para um time de expressão.

Aceita Roma, Paris, Madrid, talvez Berlim. Coisa grande.

Dirigentes, crônica esportiva e torcida perceberam que o treinador nunca foi boleiro de verdade.

Já foi chamado de peladeiro.

O currículo de vitórias era papo furado.

Passou anos ali perto do banco de reservas, observando. 

Ouvia as conversas mas eram táticas complexas, de gente experiente.

Fingia que entendia.

Mas como dizia o filósofo da bola, treino é treino, jogo é jogo.

Viajou.

Procurou se informar. Queria refrescar as ideias, motivar o time.

Até encontrou um “coacher”, um cara parrudo, topete alto, tipo manda quem pode. 

Voltou sabendo tudo de baseball e de como tomar conta de campos de golfe.

Vida de treinador não é fácil.

Ou está no calvário, ou no carvalho.

*Antonio Carlos Salles é jornalista.

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