Blog do Juca Kfouri http://blogdojuca.uol.com.br Juca Kfouri é formado em Ciências Sociais pela USP. Desde 2005, é colunista da Folha de S.Paulo e do UOL. Tue, 17 Jan 2017 16:48:40 +0000 pt-BR hourly 1 http://wordpress.org/?v=4.2.5 Antes que http://blogdojuca.uol.com.br/2017/01/antes-que/ http://blogdojuca.uol.com.br/2017/01/antes-que/#comments Tue, 17 Jan 2017 16:34:09 +0000 https://blogdojuca.uol.com.br/?p=84838 POR RAFAEL PEDROSO KLEIN

Antes que vire lixo
Antes que vire entulho
Antes que vá para o limbo
Antes que acabe o orgulho
Antes que não sobre nem o amanhã
Salvem o Maracanã

Antes que vire ruína

Antes que vire drama
Antes que a grama suma
Antes que vire lama
Antes que não sobre nem o amanhã
Salvem o Maracanã

 
Antes que soltem o Cabral
Antes que calcem o Pezão
Antes que ganhem os de sempre
Antes que façam outra licitação
Antes que não sobre nem o amanhã
Salvem o Maracanã

 
Antes que esqueçam Zico
Antes que segurem Mané
Antes que derrubem Roberto
Antes que blasfemem Pelé
Antes que não sobre nem o amanhã
Salvem o Maracanã

 
Antes que acabem o futebol
Antes que mudem de cartão-postal
Antes que estraguem o domingo
Antes que repitam a geral
Antes que não sobre nem o amanhã
Salvem, urgentemente, o Maracanã

 

]]>
36
Férias! http://blogdojuca.uol.com.br/2017/01/ferias-4/ http://blogdojuca.uol.com.br/2017/01/ferias-4/#comments Sun, 15 Jan 2017 13:00:19 +0000 https://blogdojuca.uol.com.br/?p=84775

]]>
30
Pra fora http://blogdojuca.uol.com.br/2017/01/pra-fora/ http://blogdojuca.uol.com.br/2017/01/pra-fora/#comments Thu, 12 Jan 2017 15:00:31 +0000 http://blogdojuca.uol.com.br/?p=84832 POR LUIZ GUILHERME PIVA

1.
Nunca foi de estudar, não. Negócio dele era bola, o dia todo.

Às vezes ajudava a mãe a preparar as coisas pra vender na rodoviária, mas logo se mandava pro campinho.

Comigo, nem pensar. Veio conhecer o ponto, expliquei tudo (grupo, dezena, os rateios), não quis saber. Deu uma brecha e sumiu.

Mas nunca deu trabalho. Chegava sujo, tomava banho, deitava, de manhã saía pra escola – mas ia nada, só quando não arrumava pelada no caminho.

Bom, agora taí. Moço, alto. Diz que vai embora. Tentar um time numa cidade maior. Fala nisso o dia todo. A gente tenta mudar a cabeça dele, mas vai dizer o quê? Pra vender sacolé, fazer jogo do bicho?

O medo é de que ele não volte nunca mais.

2.
Morava numa pensão ali em frente. Era feriado, almoçou tarde, andou um pouco e resolveu entrar no estadiozinho. Nem gostava muito, mas se distrairia.

Sentou-se no cimento, o campo quase sem grama, os times entrando aos poucos, e viu que só havia ele assistindo.

Certamente chegaria mais gente. Da pensão sempre via ao menos umas dezenas entrando e saindo.

Mas não.

Hora de começar o jogo e ninguém nos degraus, só ele.

Tinha pensado em ficar uns minutos e sair. Mas agora não tinha jeito. Sentiu-se responsável: aprumou a postura, fixou os olhos mostrando interesse, não podia fingir que não estava ali.

O jogo morno, arrastado.

Mas ele começou a aplaudir um lance aqui, a dizer “boa!” pra uma jogada ali, a incentivar os dois times.

Levantava-se: “vamos, vamos!”; “chuta!”, “abre na direita!”; e até um “uh!” num chute que passou mais perto.

Os jogadores foram se animando. Tinham cochichado, antes de começar, que devia ser maluco: sozinho, naquele sol, no feriado, vir assistir a um jogo que não valia nada.

Mas, com os comentários e incentivos, começaram a se dedicar. A jogar para ele. Faziam um lance e o olhavam, como se buscassem sua aprovação. E viam-no cada vez mais envolvido, animado, assoviando, batendo palmas: “toca mais a bola!”; “volta pra marcar!”; “as costas, as costas, cuidado!” – para os dois times.

Até que soltou, muito alto, sem pensar, um “seu filho da puta!” pro centroavante que furou na cara do gol.

Todos pararam e o olharam. Ele estava alterado, vermelho.

E então se deu conta. Estancou. Sentiu o impacto.

Estranhou-se como se saísse de um transe que o tomara aos poucos.

Olhou em volta. Vazio. O campo. Os jogadores.

O eco do palavrão ainda reverberava, subia, batia no sol e descia como uma bigorna.

Sentou-se desajeitado. O jogo recomeçou lento.

Minutos depois, ele se levantou, foi saindo aos poucos, cabeça baixa, passou pelo portão, foi embora.

Os jogadores ficaram espiando sua saída. Mantiveram os lances devagar checando se ele desistiria. Depois, pararam e esperaram pra ver se ele voltava.

Ã-ã.

Só o sol, o silêncio e o vazio.

E desistiram.

Acabaram o jogo – não tinha juiz mesmo, eles é que resolviam.

Mas não perdoaram o centroavante, que foi sendo xingado por todos até o vestiário.

Quer dizer, o barraco atrás do gol.
___________________________________________
Luiz Guilherme Piva publicou “Eram todos camisa dez” (Editora Iluminuras).


]]>
7
A despedida de Bernardão http://blogdojuca.uol.com.br/2017/01/a-despedida-de-bernardao/ http://blogdojuca.uol.com.br/2017/01/a-despedida-de-bernardao/#comments Wed, 11 Jan 2017 23:16:19 +0000 https://blogdojuca.uol.com.br/?p=84825 Se há um motivo para interromper as férias este se chama o anúncio de que Bernardinho não dirigirá mais a seleção brasileira de vôlei masculina que lhe rendeu duas medalhas de ouro olímpicas além de todos os títulos que alguém possa conquistar.


Bernardinho que de diminutivo só tem o apelido porque é um dos treinadores mais superlativos do esporte mundial, se despede com chave de ouro, depois de subir ao degrau mais alto do pódio na Rio-16, fecho brilhante dos Jogos num Maracanãzinho inesquecível.

Se o primeiro ouro, em Atenas em 2004, veio com um time dos sonhos, 12 anos depois foi conquistado também com arte, mas, sobretudo, com o coração, numa campanha inesquecível para quem se despede ainda com três medalhas de prata e duas de bronze olímpicas, além do tricampeonato mundial em 2002/6/10, do bi na Copa do Mundo em 2003/7 e nada menos que oito títulos da Liga Mundial.

Os olhos de Bernadinho(ão) revelavam, em sua entrevista coletiva depois da semifinal olímpica, contra a Rússia, no Rio, já de madrugada, que ele não ficaria, embora o coração parecesse não querer a despedida.

Consumada agora, só resta dizer: muitíssimo obrigado, Leão das Quadras!

]]>
20
Justiça rejeita duas ações de danos morais pedidas pela CBF http://blogdojuca.uol.com.br/2017/01/justica-rejeita-duas-acoes-de-danos-morais-pedidas-pela-cbf/ http://blogdojuca.uol.com.br/2017/01/justica-rejeita-duas-acoes-de-danos-morais-pedidas-pela-cbf/#comments Mon, 09 Jan 2017 21:31:35 +0000 https://blogdojuca.uol.com.br/?p=84809 A juíza Flavia de Almeida Viveiros de Castro (foto), da 6ª Vara Cível da Barra da Tijuca negou duas ações de danos morais movidas pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF). Nas duas decisões, a juíza condenou a CBF e os coautores ao pagamento das custas do processo e de verba honorária fixada em R$ 10 mil. As decisões foram publicadas nesta segunda-feira, dia 09.


Em uma delas, a CBF foi autora, junto com o ex-presidente da entidade, Ricardo Teixeira, contra o jornalista Juca Kfouri, por uma coluna publicada no dia 10 de maio de 2009, no jornal Folha de São Paulo. Na decisão, a juíza considerou que a reportagem retrata apenas a opinião do jornalista. “O réu pratica o que se chama de jornalismo opinativo, elaborando um texto jornalístico em coluna assinada, que não tem o intuito de noticiar, mas sim de deixar clara uma opinião”, relata a magistrada.

A juíza também julgou improcedente outra ação de danos morais movida pela CBF e pelo ex-diretor de registros da entidade, Luiz Gustavo Vieira de Castro, desta vez contra matéria veiculada pelo jornalista Paulo Cesar de Andrade Prado, no Blog do Paulinho.

 Neste processo, a magistrada destacou o caráter informativo da publicação. “Os textos produzidos pelo réu têm caráter meramente informativo, acerca da transferência irregular de jogadores de futebol”.

Processo nº 0012555-87.2009.8.19.0209 (processo contra Juca Kfouri).

 Processo nº 0012794-57.2010.8.19.0209 (processo contra Paulo Cesar de Andrade Prado).

O blogueiro segue em férias e pode viajar.

Eis a coluna que originou a ação, por incrível que pareça, publicada em maio de 2009:

JUCA KFOURI

Começou! Começou?

Começou no sábado, meio clandestinamente e sem pompa, com três partidas, o 39º Brasileiro de futebol

ERA PARA ter banda, esquadrilha da fumaça, fogos de artifício e luzes estroboscópicas. Mas começou às 18h30 do sábado, sem pompa nem circunstância apesar de ser o Campeonato Brasileiro mais estrelado dos últimos anos, como os da década de 70.

Também, pudera.

Quem o organiza é dona CBF, só preocupada mesmo em faturar alto com a seleção brasileira e, graças ao comodismo e à covardia dos clubes, ainda responsável pela competição, ao contrário do se dá na Inglaterra, na Espanha, na Itália, enfim, onde as ligas dos clubes promovem suas competições.

E começa sem dar tempo para os campeões estaduais curarem a ressaca de suas comemorações e sem dar tempo para os vice-campeões pensarem as mágoas de suas dores.

E num fim de semana que precede jogos fundamentais da Copa do Brasil, o que leva cada um dos seis times da Série A que estão na quartas-de-final a priorizá-las em relação ao Brasileirão.

Ora, não seria possível escolher um domingo isolado, sem nada antes nem depois, para começar a competição mais importante de nosso futebol desde 1971 em tarde de gala pelo país afora?

Sendo realista, a resposta verdadeira é não, porque o excesso de datas conferido aos estaduais, que garantem as reeleições do presidente da CBF, de fato, impede que se alterne inteligentemente o Campeonato Brasileiro com a Copa do Brasil, a ponto de nossos clubes na Libertadores nem a disputarem.

E está aí o Corinthians mais preocupado com o Fluminense do que com o adversário de hoje, este badalado Inter, também campeão estadual invicto, num jogo que poderia ser uma verdadeira festa em todos os sentidos, com Ronaldo Fenômeno se opondo ao trio mágico gaúcho de D’Alessandro, Nilmar e Taison, o que de mais próximo temos por aqui, heresias à parte, a Messi, Eto’o e Henry.

Como o Flamengo, mais preocupado com o Inter que recebe na quarta-feira do que com o Cruzeiro, que visita hoje.

Menos mal que ouvimos, nesta semana, o presidente da CBF dizer que obrigará “alguns” estádios a garantir que o torcedor sente no lugar numerado que corresponda ao seu ingresso, para treinar para a Copa do Mundo de 2014.

Verdade que ele disse “alguns”, apesar de o Estatuto do Torcedor, de maio de 2003, impor tal exigência desde então, algo que parece não dizer respeito ao cartola, acima do bem e do mal. Investido como Ricardo I, o Único, desde que a Fifa confirmou a Copa de 2014 no país, o ex-plebeu Rico Terra, da Casa Bandida do Futebol, se dá ao luxo de desobrigar que se cumpra a lei, certo de que terá o aval de seus parceiros nos tribunais superiores.


Daí não ser surpresa que um relator da Comissão de Ética da Câmara dos Deputados, como Sérgio Moraes (PTB-RS), diga que está se lixando para a opinião pública, ou para que os jornais dizem ou deixem de dizer, porque ele sempre se reelege. E é a pura verdade, dos melhores socos já dados no estômago da dócil sociedade civil nacional.

Se o deputado não liga para a opinião pública, porque o cartola ligará para o futebol? 


 

]]>
13
Legados, largados, escândalos http://blogdojuca.uol.com.br/2017/01/legados-largados-escandalos/ http://blogdojuca.uol.com.br/2017/01/legados-largados-escandalos/#comments Sat, 07 Jan 2017 11:23:00 +0000 https://blogdojuca.uol.com.br/?p=84801 No “Globo” de hoje:


Na “Folha” de hoje:


O blogueiro segue em férias, mas atento.

 

]]>
28
Legado olímpico http://blogdojuca.uol.com.br/2017/01/legado-olimpico/ http://blogdojuca.uol.com.br/2017/01/legado-olimpico/#comments Thu, 05 Jan 2017 11:38:56 +0000 https://blogdojuca.uol.com.br/?p=84796 Para alegria dos que sofrem do complexo de cadela no cio, eis, como mostra “O Globo” de hoje, a situação do cartão de visitas do esporte brasileiro, o Maracanã.

E, como sempre, o CoRio-16 tem uma explicação capenga para o descalabro.

Carlos Nuzman segue solto.


O blogueiro segue em férias, mas atento.

]]>
30
Festeje 2017 dançando! http://blogdojuca.uol.com.br/2017/01/festeje-2017-dancando/ http://blogdojuca.uol.com.br/2017/01/festeje-2017-dancando/#comments Sun, 01 Jan 2017 02:00:45 +0000 http://blogdojuca.uol.com.br/?p=84739

]]>
9
O ano que não vamos esquecer http://blogdojuca.uol.com.br/2016/12/o-ano-que-nao-vamos-esquecer/ http://blogdojuca.uol.com.br/2016/12/o-ano-que-nao-vamos-esquecer/#comments Sat, 31 Dec 2016 02:00:23 +0000 https://blogdojuca.uol.com.br/?p=84770 Por ROBERTO VIEIRA

 

Alguns anos na história da humanidade vieram para ficar.

1492.

1776.

1789.

1917.

1939.

1968.

Não diria que 2016 chegou nesse nível.

Mas com certeza é um ano que não iremos esquecer.

Um ano em que Bowie, George, Gullar, Carrie e Debbie disseram adeus.

Um ano de Impeachment.

Um ano de prisão do presidente da Câmara.

Um ano de Phelps e Bolt.

Um ano de atentados.

Um ano de golpe e contragolpe na Turquia.

Um ano de ouro no futebol brasileiro e sangue nas ruas.

Um ano de crise profunda.

Um ano de Trump.

Um ano em que Messi disse adeus – e voltou.

Um dia em que até Massa disse adeus – e quer voltar.

Um ano em que Renan se segurou no picadeiro com ajuda do STF.

Um ano em que a Odebrecht se superou na vilania.

Superando todas as empreiteiras rivais.

Um ano em que o doping revelou o subterrâneo russo.

Um ano em que a Síria revelou o subterrâneo humano.

Um ano em que o terror islâmico lembrou o terror cristão nas Cruzadas.

Um ano em que a Inglaterra largou a Europa na mão.

Um ano de Aquarius…

Um ano em que o mundo chorou a verde Chapecó.

Um ano em que os Stones balançaram Havana.

Um ano em que o imortal Fidel se mortalizou.

Um ano em que mais um Arns nos deixou na saudade.

Um ano em que a gente só pode dizer que acabou no segundo final.

E olhe lá, olhe lá!

]]>
11
As torcidas brasileiras que se cuidem http://blogdojuca.uol.com.br/2016/12/as-torcidas-brasileiras-que-se-cuidem/ http://blogdojuca.uol.com.br/2016/12/as-torcidas-brasileiras-que-se-cuidem/#comments Fri, 30 Dec 2016 21:52:32 +0000 https://blogdojuca.uol.com.br/?p=84779 O Diário Oficial da União publicou hoje o texto abaixo:


Assim, uma lei de 1971, assinada pelo então ditador de plantão, o general Emílio Garrastazu Médici, com tais acréscimos da dupla Temer/Freire, passa a obrigar em todo país que o Hino Nacional seja executado antes de quaisquer competições esportivas, uma estupidez que apenas banaliza o hino e o submete ao desrespeito a que estamos acostumados, até hoje por exigência de leis estaduais e não em todos os Estados.

Torcida alguma dá bola e a do Palmeiras vai além, porque acompanha a melodia cantando “meu Palmeiras, meu Palmeiras, meu Palmeiras”, castigo que, no fundo, os autores de tais bobagens fazem por merecer.


Veja quais são as punições previstas desde 1971 e mantidas no texto atual:

Art. 30º – Nas cerimônias de hasteamento ou arriamento, nas ocasiões em que a Bandeira se apresentar em marcha ou cortejo, assim como durante a execução do Hino Nacional, todos devem tomar atitude de respeito, de pé e em silêncio, os civis do sexo masculino com a cabeça descoberta e os militares em continência, segundo os regulamentos das respectivas corporações.
Parágrafo único. É vedada qualquer outra forma de saudação.
Art. 34º – É vedada a execução de quaisquer arranjos vocais do Hino Nacional, a não ser o de Alberto Nepomuceno; igualmente não será permitida a execução de arranjos artísticos instrumentais do Hino Nacional que não sejam autorizados pelo Presidente da República, ouvido o Ministério da Educação e Cultura.
CAPÍTULO VI

Das Penalidades

(*)Art. 35º – A violação de qualquer disposição desta lei, excluídos os casos previstos no art. 44 do Decreto-lei nº 898, de 29 de setembro de 1969, é considerada contravenção, sujeito o infrator à pena de multa de uma a quatro vezes o maior valor de referência vigente no País, elevada ao dobro nos casos de reincidência.
(*)Art. 36º – O processo das infrações a que alude o artigo anterior obedecerá ao rito previsto para as contravenções penais.

Será que cobrarão multas de estádios inteiros?

]]>
15