Blog do Juca Kfouri http://blogdojuca.uol.com.br Juca Kfouri é formado em Ciências Sociais pela USP. Desde 2005, é colunista da Folha de S.Paulo e do UOL. Tue, 03 May 2016 09:55:58 +0000 pt-BR hourly 1 http://wordpress.org/?v=4.2.5 Há algo de novo sob o sol http://blogdojuca.uol.com.br/2016/05/76687/ http://blogdojuca.uol.com.br/2016/05/76687/#comments Tue, 03 May 2016 09:55:58 +0000 https://blogdojuca.uol.com.br/?p=76687 Felizmente pertencem à história os tempos em que o sol jamais se punha no Império Britânico.

Mas hoje o sol nasce na Inglaterra para iluminar uma cena jamais vista no futebol mundial: o pequeno Leicester é o campeão inglês da temporada ao deixar para trás gigantes como o Manchester United, o Liverpool, o Arsenal, Chelsea, Totteham, Manchester City e por aí afora.


Para que se tenha uma ideia da façanha, o Leicester é considerado o 21º clube da Inglaterra segundo critérios publicados pelo jornal “Daily Mail” no ano passado.

Os critérios utilizados pelo jornal foram seis: torcida, base das redes sociais, troféus, colocações nos campeonatos, qualidade dos jogadores e faturamento.

Pois terá de mudá-los.

O time da cidade de apenas 340 mil habitantes ganhou o mais difícil campeonato de futebol do mundo e o mais milionário também.

Num campeonato de 20 clubes, tinha orçamento só maior do que os dos três clubes que vieram da segunda divisão, da qual, diga-se, escapou por muito pouco exatamente um ano atrás.

Hoje é o campeão.

Prova de que os sonhos foram feitos para se tornar realidade.

O feito do Leicester é ainda maior do que se a Chapecoense ganhar o Brasileirão deste ano. 

Tomara que ganhe.

Comentário para o Jornal da CBN desta terça-feira, 3 de maio de 2016.


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Pela instituição do recall http://blogdojuca.uol.com.br/2016/05/pela-instituicao-do-recall/ http://blogdojuca.uol.com.br/2016/05/pela-instituicao-do-recall/#comments Tue, 03 May 2016 03:58:41 +0000 https://blogdojuca.uol.com.br/?p=76701 Desde a redemocratização no Brasil, quatro pessoas foram eleitas para presidi-lo: Fernando Collor, Fernando Henrique Cardoso, Lula e Dilma Rouseff.

A primeira foi impedida e a última está a caminho de ser.

O que não faz bem à democracia.


Qualquer reforma política que se faça no país deverá contemplar a instituição d0 recall, instrumento através do qual o povo é convocado a decidir se uma pessoa pode seguir no cargo.

Meio menos traumático do que o impeachment.

E mais democrático.

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“LÉSTER”, uma galeria para a história do futebol! http://blogdojuca.uol.com.br/2016/05/lester-uma-galeria-para-a-historia-do-futebol/ http://blogdojuca.uol.com.br/2016/05/lester-uma-galeria-para-a-historia-do-futebol/#comments Mon, 02 May 2016 20:56:34 +0000 https://blogdojuca.uol.com.br/?p=76677

FALAR MAIS O QUE DO NOVO CAMPEÃO INGLÊS?


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A bola do jogo http://blogdojuca.uol.com.br/2016/05/a-bola-do-jogo/ http://blogdojuca.uol.com.br/2016/05/a-bola-do-jogo/#comments Mon, 02 May 2016 18:00:55 +0000 http://blogdojuca.uol.com.br/?p=76680 POR LUIZ GUILHERME PIVA

Ele era o astro do melhor time da cidade. Goleiro, alto, forte, galã, admirado por todos, desejado pelas mulheres.

Mas a dele, a que ele amava, o deixou.

Trocou-o pelo centroavante do maior rival.

Todos achavam que sairia duelo, ou um tiro à sorrelfa, uma surra encomendada, ao menos uma briga de rua.

O próprio centroavante deixou de sair por um tempo, temendo a vingança.

Mas não. Ele entristeceu, chorou sozinho, perdeu o sono, mas não fez nada.

Manteve-se nos treinos e nos jogos. Com o mesmo garbo. Sorrindo do mesmo jeito para os fãs e as fãs, agora mais esperançosas.

Até que veio o jogo entre eles. Decisão do campeonato.

A tensão durante a semana cresceu a ponto de no domingo, no pequeno estádio, o silêncio se impor: a charanga não tocou, não houve gritos, nem palmas pros times entrando, nem vaias pros juízes.

Todos de olho nos dois.

Camisa 9. Camisa 1. Camisa 1. Camisa 9.

Eles não se olharam durante o aquecimento.

Sabiam que o silêncio era a ansiedade pela cena que todos esperavam: eles haveriam de se encontrar na área. Num escanteio, num cruzamento, ou num bate e rebate.

Mas no primeiro tempo, nada. O melhor time manteve-se no ataque e encurralou o outro. Pressão, chutes, gols perdidos, jogadas pelo alto e pelo chão, uma saraivada. Sem sucesso.

Zero a zero.

No segundo tempo, a mesma coisa. A torcida até já se esquecia do duelo entre os dois. O drama do jogo se sobrepunha ao confronto passional.

Faltando cinco minutos parecia inevitável o gol do melhor time. O goleiro, lá atrás, seguia de roupa limpa, sem qualquer lance que o tivesse testado. Mas.

Mas histórias como esta sempre têm um mas.

E o mas foi uma bola roubada pelo adversário na defesa, tocada pro lateral-esquerdo, que, de primeira, a passou pro meia, que a enfiou lisa, firme, rasteira, pra corrida do centroavante.

O campo adversário todo livre.

O centroavante partiu de seu campo e se viu sozinho, disparando em direção ao gol do rival.

Mesmo sem tocar na bola, correndo atrás dela, ele sabia, pelas distâncias e velocidades, que chegaria nela antes do goleiro. Pouco antes, quase juntos.

O goleiro percebeu o mesmo, mas demorou um pouquinho a mais pra sair, deu um tempo para que o centroavante a dominasse antes da meia-lua e entrasse na área.

Só então se moveu.

Desde o toque do lateral para o meia o estádio pressentira os movimentos e recomeçara a silenciar. Quando o meia enfiou, tudo ficou mudo. Dava pra ouvir os carros passando na rua.

Nos segundos da arrancada do centroavante, nem era mais o silêncio. Era o centro do redemoinho. A absoluta ausência de qualquer som.

Todos parados, olhos abertos, bocas pendentes, mãos sem lugar.

Camisa 9. Camisa 1.

Os demais jogadores ficaram onde estavam. Nenhum deles, dos dois times, ousou se mexer. Só olhavam.

Camisa 1. Camisa 9.

O chiado na grama da chuteira do centroavante correndo. Sua respiração.

A respiração do goleiro.

O centroavante entrou na área e goleiro saiu, avançando firme.

A bola não era mais a bola.

A bola agora era ela.

A ex do goleiro e atual do centroavante.

O corpo e o rosto dela ali, nos pés do atacante, nos olhos do goleiro.

A bola era toda ela.

E ela era a bola do jogo.

O que se deu foi de espantar.

O goleiro ignorou a bola e voou com os pés no peito e no pescoço do centroavante. Derrubou-o com tal violência que ele caiu fora da área.

Derrubou-o e se levantou rapidamente. Pôs-se de pé ao lado do corpo caído, como o toureiro vigiando o estertor do animal.

Um oh varreu a torcida. Um ai envergou os jogadores.

Mas e ela?

E a bola?

Antes de levar o golpe o centroavante havia dado um toquinho de leve, para ajeitá-la, preparando o chute. Esse toquinho a fez ir se movendo lenta, quase parando, em direção ao gol.

O goleiro não olhou para trás. Ela ia sem forças, mas avançando até a linha fatal.

Nem o goleiro, nem os torcedores, nem os jogadores repararam. Fixaram-se na cena do goleiro em pé ao lado do centroavante no chão.

O juiz, assustado, começou a andar para o local para marcar o pênalti. Mas viu.

Só ele viu.

Viu que a bola entrava de mansinho, cruzava a linha, rodava seu último giro, até atravessar inteira a cal e parar dentro do gol, um milímetro depois da listra.

Ele apitou. Soou tão forte que fez com que todos despertassem. Apontou para o centro do campo.

Gol.

Um a zero.

O goleiro, derrotado, foi expulso. O centroavante, campeão, para o hospital.

Terminou o jogo.

Mas não a história.

O centroavante e a mulher mudaram-se para outro estado. Sumiram.

Só que anos depois ele se desencantou e decidiu se separar.

Ela voltou para a cidade sob os olhos e ouvidos de todos. Foi morar sozinha, trabalhar, refazer a vida. Mas.

Mas estas histórias sempre têm mais de um mas.

E o outro mas é que um dia ela procurou o goleiro.

Tocou sua campainha.

Ele abriu a porta. Olhou-a. Rememorou tudo.

Viu-a como se ela de novo fosse a bola daquele lance.

Como se ela fosse de novo a bola do jogo.

E a porta fosse a linha do gol.

Pensou que agora não poderia falhar. Que não poderia tomar o mesmo gol outra vez.

Respirou fundo, cerrou os olhos – e fechou a porta na cara dela.

Passou a tranca por dentro.

E nunca mais saiu.

Só morto, semanas depois.
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Luiz Guilherme Piva publicou “Eram todos camisa dez” (Editora Iluminuras).


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A República dos 7 x 1: da Copa do Mundo ao impeachment http://blogdojuca.uol.com.br/2016/05/a-republica-dos-7-x-1-da-copa-do-mundo-ao-impeachment/ http://blogdojuca.uol.com.br/2016/05/a-republica-dos-7-x-1-da-copa-do-mundo-ao-impeachment/#comments Mon, 02 May 2016 13:00:15 +0000 http://blogdojuca.uol.com.br/?p=76656 POR RODRIGO ANDRADE*

Quando a seleção brasileira entrou em campo no Itaquerão para o primeiro jogo da copa do mundo, os jogadores em fila indiana com a mão no ombro do jogador à sua frente, me lembrei da pintura de Peter Brueguel, “A parábola dos cegos”, de 1568, em que uma fila de mendigos cegos tropeçam e caem, de acordo com a parábola de Cristo “Se um cego guia outro cego, os dois caem num buraco”. Como pode uma seleção brasileira entrar em campo da mesma maneira que um time de cegos entraria?! E nem precisava ir tão longe para fazer tal associação, pois um pouco antes da copa do mundo houve a copa mundial de futebol de cegos, da qual o Brasil se saiu campeão, e num comercial da Coca Cola veiculada durante o Mundial, esse time campeão tinha o prazer de acariciar a verdadeira copa do mundo, o troféu que viria a ser entregue ao capitão da seleção alemã. E numa cena que seria tocante não fosse a capacidade intrínseca da propaganda de tornar tudo boçal, o nosso time de cegos entra no recinto onde está a taça em fila indiana com as mãos nos ombros do jogador da frente, com a humildade e a dignidade de quem enfrenta dificuldades gigantes.


No caso da seleção brasileira, em vez de humildade e dignidade, havia máscara e demagogia, e a simbologia inscrita na fila de cegos que usava ao entrar em campo acabou sendo a tradução perfeita para o futebol apresentado durante a copa, sem a menor noção de suas limitações, uma ausência total de planejamento futebolístico, de visão de jogo, de qualquer preocupação técnica ou tática, apostando todas as fichas no talento do jogador brasileiro (a esta altura uma figura histórica), na família Felipão, e principalmente no clamor patriótico da torcida e na fé em Deus. A histeria com que os jogadores (e a torcida) cantavam o hino nacional aos berros e no modo como, de olhos bem fechados, os jogadores erguiam seus indicadores para o céu e rezavam antes de começar as partidas, tentando inflamar o ambiente e o time mostram isso (sendo que o time seguia sem a mínima combustão)… Aliás, conseguiram inflamar o time, sim, só que para pior! Já que o destempero emocional de jogadores experientes como o capitão Tiago Silva, incapaz, aos prantos, de bater um pênalti contra o Chile, foi outro fator decisivo para o desastre… Em suma, a seleção brasileira apostou na irracionalidade, apelando para sentimentos nobres (e falsos), se esquecendo de jogar futebol e pagou um preço que jamais sonhou pagar.

Menos de dois anos depois, o Brasil inteiro se vê arrasado por um tsunami de ódio e irracionalidade baseados nos mesmos sentimentos nobres do patriotismo (“o último reduto dos canalhas”**) da fé, da luta do bem contra o mal (que se coloca acima da lei), num maniqueísmo primitivo e fanático (como acontece entre as torcidas de futebol). Uma onda gigante de panelaços, gritos guturais, intolerância e até discursos em prol da ditadura militar varreu o Brasil de norte a sul. Pois a meu ver esse movimento, que teve seu germe nas manifestações de 2013, se plasmou com forma e unidade um ano depois, justamente na Copa do Mundo, em dois momentos marcantes: o vexaminoso xingamento da torcida à presidenta Dilma no jogo de abertura e nos inacreditáveis 7 x 1 contra a Alemanha. O primeiro por razões óbvias, o segundo por ser o desfecho humilhante daquela apoteose de patriotismo e fé. Ninguém esperava 7 x 1, mas o que esperava aquela torcida ignorante de futebol que só sabia cantar ” Sou brasileiro com muito orgulho”? Que cantar o hino nacional à capela ganhasse os jogos, derrubando os adversários como se fossem as muralhas de Jericó? Tentavam ganhar no grito.

E se uma simples derrota num jogo de futebol já é difícil de engolir (a culpa é quase sempre do juiz), imagine uma derrota da nossa seleção, símbolo máximo da nossa excelência, reconhecida como a melhor do mundo, em casa?! Acrescente-se a isso a derrota patética da fé e do patriotismo em tamanho fervor! O baixo nível do nosso time, a profundidade abissal da nossa incompetência em campo é por demais doloroso para ser aceito ou meramente reconhecido e foi simplesmente recalcado, enterrado vivo, e vivo permanece, oculto. Sentimentos ruins como vergonha, desprezo e raiva daquela porcaria de time apodrecendo no espírito dessa gente orgulhosa. Pra onde foram esses fétidos sentimentos todos? Acredito que o recalque dos 7 x 1 é um elemento fundador (entre outros, claro, mais importantes, claro) desse movimento pró impeachment, dessa onda de ódio. Não é a toa que esses manifestantes usavam a camisa da seleção brasileira como uniforme para protestar contra o governo e usam calças e saias brancas, como a seleção brasileira em quase todos os jogos da Copa (embora não contra a Alemanha, diga-se). Em cada brasileiro e brasileira gritando pelo impeachment, um David Luiz, um Fred, um Hulk. A vergonha, a frustração e a raiva que aquele uniforme inspirava foi trocada, neuroticamente, patrioticamente, pela veneração. Me pergunto se, à luz da polarização que divide hoje o Brasil, a seleção brasileira não representa apenas um lado do país, o lado que clama pela pátria, deus e a família, o lado incapaz de criticar o time em nome do patriotismo, que veste com orgulho o distintivo da CBF (símbolo máximo da corrupção brasileira), do lado coxinha, enfim… aliás, noso time vem deixando de ser a seleção brasileira e se tornando a seleção da CBF desde de 2006, quando começou a escalada de vexames do nosso escrete (nosso ou deles?)…

Assim como o 7 x 1, a corrupção geral do Brasil é difícil de aceitar, nossa incompetência é difícil de aceitar, o nosso ridículo é difícil de aceitar, e bem ao modo como Freud explica o conceito de projeção, sentimentos indesejados e recalcados em nós são projetados no outro, como defesa. E a visão religiosa que divide o universo entre bem e mal, e que parece tomar conta do mundo em geral e do Brasil em particular, e dessa ala golpista em especial, favorece tal projeção: o mal é o outro. E se na Copa não tínhamos um “outro” a quem projetar nossa vergonha e nossa raiva (então só restava jogar nossa incompetência para debaixo do tapete), na política sim, passamos a ter, já que a polarização produzida pela onda de ódio que tomou conta do país permitiu isso, e ao se jogar toda a conta da corrupção para o PT, para o governo, abre-se uma pizzaria. É claro que a verdadeira razão para tal é a manutenção do poder político e econômico, algo muito concreto, e não um sutil mecanismo psíquico de defesa, mas acredito que o recalque dos 7 x 1 teve sim um efeito psicológico que contribuiu para a formação das hordas de paneleiros patrióticos antes frustrados e agora exultantes e redimidos.

Seja como for, o Brasil tinha uma copa do mundo em casa para jogar, um prato cheio para um espetáculo do nosso futebol, mas cego para suas próprias limitações técnicas, perpetrou um fiasco. Depois do fiasco, outro prato cheio, agora pra mudar completamente a gestão do futebol brasileiro, mas sobreveio outro fiasco, a continuidade, na figura lamentável de Dunga (um moralizador de estilo militar) como técnico da seleção, que continua cega (e a caminho de ficar fora de uma copa do mundo pela primeira vez). Agora a Operação Lava Jato é uma oportunidade de ouro para se desbaratar um cartel de empresas gigantes que alimenta um sistema corrupto que toma quase a totalidade da classe política e dos governos, seja que governo for, há décadas! Uma chance única de conseguir uma vitória histórica, de dar um salto como sociedade e como sistema político. A Lava Jato é como uma copa do mundo em casa! Mas ao invés de mudança, vemos um golpe de estado de colarinho branco para manter as coisas como sempre foram, com a distorção escandalosa do processo todo em prol da tomada de poder por parte dos chefes da classe política corrupta e fisiológica. Usando a nossa cultura arraigada cada vez mais punitiva, moralista e conservadora, aponta-se toda a máquina policial, jurídica, econômica e midiática contra o governo atual, certamente envolvido no sistema da corrupção geral e perene que domina o país, mas que tem legitimidade popular. Articula-se assim a continuidade – agora vacinada! – com a volta do golpismo. Se expulsa o PT e a visão social da política e então, como diz um locutor de futebol: “segue o jogo”…

E não é que aquela apoteose histérica de patriotismo e fé está ganhando o jogo da política no grito?! O Brasil virou várzea! Um impeachment baseado em provas pífias, lançado por uma advogada que mais parece uma fanática religiosa em transe, liderado pelo inacreditável Eduardo Cunha, aprovado por parlamentares invocando Deus e a família (como os slogans de 64) e até torturadores da ditadura militar, conduzido por um juiz também religioso que, dizem, a tempos se gaba entre amigos de que “ainda vai pegar o Nine Fingers”, usando sem escrúpulos (mas muito bem apoiado e garantido) expedientes como a vergonhosa liberação das escutas, a condução coercitiva etc, sempre em sintonia com o Jornal Nacional para inflamar a opinião pública – é tudo na base da inflamação, como na copa! – levou o pais a um passo de um fiasco histórico, uma derrota humilhante da democracia que pesará para sempre sobre nós. Estamos tomando uma surra ainda mais inimaginável que a da copa. O impeachment será o nosso 7 x 1 em proporções republicanas. O que aquela derrota foi para o futebol brasileiro o impeachment será para a história do país (o 7 x 1 inscrito nos números finais da votação do congresso – 367 x 137 – acabou dando um toque irônico de verdade naquela sessão infame). A comparação pode ser desproporcional, pois quem se importa com a seleção brasileira hoje em dia? Mas justiça seja feita, ela é o modelo exemplar da nação: um time de cegos.

*Rodrigo Andrade, autor também da ilustração,  é artista plástico.

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**Samuel Johnson

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O nordeste aos pés do Santa Cruz http://blogdojuca.uol.com.br/2016/05/o-nordeste-aos-pes-do-santa-cruz/ http://blogdojuca.uol.com.br/2016/05/o-nordeste-aos-pes-do-santa-cruz/#comments Mon, 02 May 2016 09:55:57 +0000 https://blogdojuca.uol.com.br/?p=76640 O Inter ganhou do Juventude, em Caxias do Sul, por 1 a 0,  e está a um empate do hexacampeonato gaúcho.

O Atlético Paranaense enfiou 3 a 0 no Coritiba e está pertíssimo do título paranaense.

O Santos arrancou um empate do Audax, 1 a 1, e está a uma vitória, na Vila Belmiro, do bicampeonato paulista.

Como o Vasco está a um empate do bicampeonato carioca depois de bater o Botafogo por 1 a 0.

Já o América também precisa empatar com o Galo, depois de vencê-lo por 2 a 1, para ser campeão mineiro, o que não acontece desde 2001.

Na Bahia, o Vitória saiu na frente no Ba-Vi ao ganhar o clássico por 2 a 0 e está próximo de recuperar a taça que perdeu para o rival nos dois últimos anos. 


Mas campeão mesmo o domingo só consagrou um, o Santa Cruz, que ao empatar 1 a 1 com o Campinense, em Campina Grande, ganhou sua primeira Copa do Nordeste.

 O Santa Cruz, que venceu quatro dos últimos cinco campeonatos pernambucanos e volta neste ano à Série A brasileira, está com tudo e está prosa.

O frevo ferve no Recife.

Comentário para o Jornal da CBN desta segunda-feira,2 de maio de 2016.

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Professor Fernando Diniz http://blogdojuca.uol.com.br/2016/05/professor-fernando-diniz/ http://blogdojuca.uol.com.br/2016/05/professor-fernando-diniz/#comments Mon, 02 May 2016 01:31:54 +0000 https://blogdojuca.uol.com.br/?p=76645 Que Fernando Diniz inscreveu seu nome na história do futebol brasileiro já é fora de discussão.

Perguntar se ele se daria bem num clube grande não faz sentido.

Com o mínimo de tempo que se exige para um treinador mostar serviço, Diniz fará qualquer time que venha a dirigir jogar como joga o Audax.


Mas o ponto nem é este.

O ponto está em saber que clube grande terá a competência de contratá-lo para dirigir…as categorias de base.

Talvez ele nem aceite, se veja diminuído.

Mas não.

O que se propõe aqui é o contrário.

É dar a alguém como ele a chave para fazer a revolução técnica e tática de que o futebol brasileiro tanto necessita.

A CBF seria o lugar ideal, mas a CBF…

Um grande clube que o contratasse faria em cinco anos a diferença no atual cenário do nosso futebol.

E teria que ser assim: contrato com salário de técnico consagrado para dirigir apenas a base, sem tentações de fazê-lo substituir o treinador do time principal na primeira crise que surgir.

Diniz é certamente o cara para fazer num grande clube brasileiro o trabalho que, por exemplo, o Barcelona faz em “La Masia”, a fábrica de craques que deu uma cara, um padrão que começa entre os jovens e continua no time de cima.

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O Santa Cruz de Barbosa e Grafite http://blogdojuca.uol.com.br/2016/05/o-santa-cruz-de-barbosa-e-grafite/ http://blogdojuca.uol.com.br/2016/05/o-santa-cruz-de-barbosa-e-grafite/#comments Sun, 01 May 2016 21:26:27 +0000 http://blogdojuca.uol.com.br/?p=76631 Por ROBERTO VIEIRA
Moacir Barbosa chegou ao Santa Cruz em 1955.

Amargurado com o Vasco da Gama.


Passe comprado com moedas recolhidas pelas ruas do Recife.

O Santa Cruz sonhando com Barbosa.

Barbosa sonhando com a Copa de 50.

No dia 5 de março de 1956 – Barbosa no gol.

O Santa Cruz batia o Vitória da Bahia por 4 x 0.


E ganhava a Taça Pernambuco – Bahia.

Até hoje?

Este era o maior título coral fora de Pernambuco.

Mas com a chegada de Grafite ao Santa Cruz.

Grafite que levou o Santa Cruz a Série A.




Grafite que surgiu no tricolor e viajou o mundo.

Grafite que nunca havia sido campeão pelo clube do Arruda.

O Santa Cruz levanta a taça de Campeão do Nordeste.

Sessenta anos depois de Barbosa.

Provando que vale sempre apostar no craque.

Agora?

Quem é que segura o Terror do Nordeste?

Terror do Nordeste que vai pra cima do Sport na decisão do estadual.

Em Clássico das Multidões que completa cem anos este ano.

Clássico das Multidões para um país de estádios cada vez mais vazios…

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Santos e Vasco com a faca e o queijo nas mãos http://blogdojuca.uol.com.br/2016/05/santos-e-vasco-com-a-faca-e-o-queijo-nas-maos/ http://blogdojuca.uol.com.br/2016/05/santos-e-vasco-com-a-faca-e-o-queijo-nas-maos/#comments Sun, 01 May 2016 20:59:26 +0000 https://blogdojuca.uol.com.br/?p=76626 Enquanto o Maracanã via um primeiro tempo de 0 a 0 sem emoções e com o Botafogo um pouco mais agressivo que o Vasco, Osasco presenciava outro empate sem gols, mas com o Santos se impondo ao Audax, com duas bolas no travessão mandadas por Ricardo Oliveira e um pênalti não marcado no zagueiro Gustavo Henrique.

Esperto, Dorival Júnior fez que deixaria o Audax jogar como gosta e passou a dar o bote a partir do 15º minuto do jogo, quando tomou conta, correu poucos riscos e foi para o intervalo merecendo estar na frente.


Enquanto o estádio José Liberatti recebia mais de 12 mil torcedores, lotação plena, o Mário Filho tinha muito espaço, com 37 mil pagantes, 43 mil presentes.

O que se errava de passes no Rio, acertava-se em São Paulo, mas tanto o Vasco quanto o Botafogo, no começo do segundo tempo, criaram suas duas primeiras chances de gol.

Fernando Diniz tirou Juninho e pôs Wellignton, que melhorou o poderio ofensivo do Audax.

Aos, 13, enfim, gol!

Do Audax, tocando bola, de pé em pé, ao receber de Tchê Tchê, agora do Palmeiras, Mike, que é do Inter,  recebeu entre a dupla de zagueiros santistas, e abriu o placar.

Aos 15, outro gol!


Do Vasco,  de Jorge Henrique, ao se antecipar a uma saída em falso de Jefferson, em cruzamento de Nenê.

A vida do Santos se complicou aos 20 quando Lucas Lima, o melhor em campo,  torceu o tornozelo esquerdo e foi trocado por Ronaldo Mendes.

O Audax era melhor e Vanderlei fez uma defesaça aos 24 para evitar o segundo gol.

No Botafogo, Sassá foi expulso, e bem, aos 24, por entrada violenta em Jorge Henrique.

Audacioso, o torcedor osasquense, aos 30 minutos, ensaiou um olé fora de hora.

Mas, de fato, a troca de passes do Audax, mais uma vez, impressionava.

Só que, aos 33, um erro na saída de bola proporcionou um tirambaço de Ricardo Oliveira que o goleiro Sidão defendeu espetacularmente.

No minuto seguinte, de fora da área, ao interceptar uma péssima saída de bola de Tchê Tchê, Ronaldo Mendes empatou, de fora da área, sem nenhuma marcação.

Pelo balanço dos dois tempos, era justo e a torcida do Audax engolia o olé como a do Santos, no domingo passado, teve de engolir o “eliminado” para o Palmeiras, quando estava 2 a 0 e o empate veio em dois minutos, depois dos 40.

O Santos tomava conta e se aproximava da virada enquanto o Botafogo, valente, duas vezes quase empatou, impedido pelo goleiro Martin Silva.

O Audax terá agora a Vila Belmiro pela frente, onde o Santos não perde há 27 jogos, há cinco anos no estadual, há 10 meses em qualquer competição.

Claro que pode empatar e ganhar nos pênaltis. Mas…

Já o Vasco, que não perde há seis meses e 24 jogos, será bicampeão com o empate.

Inegáveis as vantagens do Santos e do Vasco.

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Sugestão aos vaiadores do Independência http://blogdojuca.uol.com.br/2016/04/sugestao-aos-vaiadores-do-independencia/ http://blogdojuca.uol.com.br/2016/04/sugestao-aos-vaiadores-do-independencia/#comments Sun, 01 May 2016 02:26:03 +0000 http://blogdojuca.uol.com.br/?p=76620 POR BRUNO S. QUIRINO

Quando vou ao Independência e vejo algumas pessoas vaiando Marcos Rocha, Lucas Pratto ou o treinador, fico pensando onde essa gente estava quando Márcio Mexerica representava nossas esperanças de gols.

O que faziam esses “cornetas” quando Catanha foi nossa grande contratação do ano?

Onde se encontravam durante a curta vida da abominável SeleGalo de 1994?

Por acaso se recordam eles que há exatos 10 anos disputávamos a segunda divisão enchendo o Mineirão a apoiar o meio-campo formado por Rafael Miranda, Márcio Araújo, Bilu e Marcinho?

Nem ouso questionar a respeito daquele maldito domingo em Sete Lagoas…

Essa gente não sabe sofrer – ou porque perderam a memória ou porque acordaram para o futebol há quatro anos.

Pagam caro e querem seu produto – a vitória. Exigem que o Galo lhes entregue um resultado, sem reconhecer que sua obrigação seria ajudar o time a vencer, usando a força de suas gargantas.

É legítimo se irritar com alguma jogada atrapalhada ou com a teimosia do técnico. Não é honesto nem inteligente vaiar o próprio time em campo.

Sugiro que o Galo faça, com essa parte de sua torcida, o que normalmente os clubes fazem com jogadores jovens de cuja qualidade inspira dúvida.

Galo, empreste essa banda da torcida para algum time menor, para que peguem experiência e voltem mais maduros, para que aprendam a se comportar numa arquibancada.

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