Blog do Juca Kfouri

Arquivo : maio 2015

Veja quem cuidará da ética e transparência na CBF
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Juca Kfouri

 
A CBF criou recentemente uma Diretoria de Ética e Transparência e nomeou para chefiá-la o Deputado Federal Marcelo Aro (PHS/MG), na foto.

O fato relevante  é que o citado deputado é sobrinho de Elmer Guilherme e filho de José Guilherme Ferreira Filho, cartolas que mandaram na Federação Mineira por décadas e acabaram, ambos, afastados de seus respectivos cargos na FMF uma vez que o Ministério Público pediu na época (2003) a prisão preventiva dos dirigentes, denunciados então por formação de quadrilha, falsificação de documentos e apropriação indébita.

Segue abaixo matéria publicada na época pela “Folha de S.Paulo”:

São Paulo, quinta-feira, 20 de fevereiro de 2003

Justiça ordena saída de dirigente em MG

A Justiça determinou ontem que o presidente da FMF (Federação Mineira de Futebol), Elmer Guilherme Ferreira, seja afastado imediatamente do cargo. Também foi determinada a quebra do sigilo bancário e o sequestro dos bens dele. A mesma punição foi dada ao secretário-geral da entidade, José Guilherme Ferreira Filho, irmão de Elmer, e a seu tesoureiro, Paulo Alves de Assis.
A medida contraria em parte um pedido do Ministério Público, que, na sexta-feira, solicitou a prisão preventiva dos três dirigentes da FMF, denunciados por formação de quadrilha, falsificação de documentos e apropriação indébita. “Pedimos a prisão para que o esquema de desvios seja interrompido”, disse o promotor Fernando Galvão da Rocha.
Já de acordo com o juiz Walter Luiz de Melo, a prisão preventiva “nem sempre é a melhor solução”. Para ele, o não-acatamento do pedido da Promotoria favorece o andamento do processo.
“É uma verdadeira agonia quando se requisita presos para atos processuais. É que a instância policial, com acentuada e preocupante frequência, deixa de atender, alegando “falta de escolta”, provocando, assim, adiamentos de audiências e desgaste ao juízo.”
A acusação foi formulada após análise do relatório final da CPI do Futebol do Senado, realizada em 2001. O texto apontava a necessidade de intervenção na FMF e levantava indícios de desvio de mais de R$ 4 milhões. Entre as principais irregularidades constatadas pelos promotores estão ainda “o registro de gastos irregulares para fins particulares dos dirigentes”, fato não documentado em livros contábeis da federação.
O juiz agendou o depoimento dos dirigentes para março. A Agência Folha não conseguiu contato com Elmer Guilherme.
A FMF deverá recorrer da decisão, segundo o advogado Antônio Francisco Patente. Para ele, o Ministério Público não tem legitimidade para investigar a federação. “A FMF é uma entidade jurídica de cunho privado. Não houve provocação dos eventuais interessados, que seriam os clubes.”

Veja o que dizia outra matéria da “Folha” sobre a família do deputado Marcelo Aro em 1996:

“Desde agosto de 1966, a família Ferreira mantém o poder na Federação Mineira de Futebol, enfrentando denúncias de corrupção, usando a entidade para fins eleitorais, empregando parentes e amigos e se reelegendo por meio de procurações das ligas do interior.
A dinastia começou no regime militar, quando o coronel José Guilherme Ferreira (avô do deputado Marcelo Aro), então chefe do gabinete militar do governador Magalhães Pinto, chegou à presidência da entidade.
Hoje a federação é presidida pelo filho do coronel reformado, Elmer Guilherme Ferreira, no cargo desde janeiro de 1987.”

 


O Corinthians que mais vezes saiu jogando
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Juca Kfouri

POR GUSTAVO LONGHI DE CARVALHO*
É muito comum ouvirmos dizer, em reportagens, que certo técnico “ainda não conseguiu repetir o mesmo time no ano”.

De fato, é muito raro quando um mesmo grupo de onze jogadores é repetido por várias vezes em uma equipe, mesmo não consecutivas.

E isto pode ocorrer por várias razões: basta uma contusão, uma transferência, uma suspensão, algum problema entre um jogador e o treinador, ou algum jogador reserva se destacar, e o treinador muda a equipe titular, desfazendo-se o “onze” anterior.

Porém, ao observar e analisar, através de programas de computador que confeccionei, os bancos de dados com os jogos e escalações do Corinthians, aos quais tive acesso, podemos chegar a resultados muito curiosos referentes, por exemplo, à seguinte pergunta: qual foi o “onze” que mais saiu jogando na história do clube?

Vamos às respostas, que, pelo que se sabe, eram em sua maioria inéditas até agora.

Reforço que estas respostas somente puderam ser obtidas graças à consulta aos Bancos de Dados das equipes que o grande jornalista e pesquisador Celso Unzelte gentilmente disponibilizou, em um trabalho que já executamos há alguns anos – alguns destes bancos (principalmente o do Corinthians), ele próprio montou, jogo a jogo.

Ao Celso, minha gratidão pela oportunidade de pesquisar dados que relatam uma história tão rica.
O primeiro time a ter a resposta divulgada é o Corinthians.

Amanhã e depois serão publicados os dados referentes ao São Paulo e ao Palmeiras.


Corinthians – A Democracia Disciplinada

Em praticamente 105 anos, o Corinthians já fez mais de 5500 jogos.

Logo, foram mais de 5500 times iniciais, que poderiam “sair na foto”.

Neste longo período, o time que mais se repetiu no início dos jogos (contando partidas não consecutivas) e mais teve ocasiões para sair na foto foi, por uma feliz coincidência, uma equipe histórica: trata-se do time campeão paulista de 1982, o clássico time da Democracia Corinthiana!

Este time, que está na foto a seguir, entrou em campo 13 vezes, entre 5 de outubro de 1982 (Corinthians 2 x 3 Peñarol-Uru) e 6 de fevereiro de 1983 (Corinthians 4 x 2 CSA).


No total, foram 7 vitórias, 2 empates e 4 derrotas.

O técnico da equipe era Mário Travaglini. O jogo mais marcante desta formação foi o da foto a seguir, quando o Timão venceu o São Paulo por 3 a 1 na decisão do Paulista de 1982.

Em pé: Elisa (torcedora-símbolo), Solito, Sócrates, Ataliba, Casagrande, Zenon e Biro-Biro. Agachados: Mauro, Daniel González, Alfinete, Paulinho e Wladimir.
Além deste time, o Corinthians teve apenas três equipes na história que saíram jogando 11 vezes, e uma delas, por coincidência, é a equipe acima, apenas com Wagner Basílio no lugar do Daniel González!

Estes 11 jogos ocorreram em 1982 (7V, 3E, 1D). Isto significa que os demais 10 jogadores da equipe saíram jogando mais de 20 vezes juntos, o que indica um grande entrosamento.
As outras duas equipes que saíram jogando 11 vezes na história do Corinthians também são históricas: Tuffy, Grané e Del Debbio; Nerino, Guimarães e Munhoz; Filó, Apparício, Gambinha, Rato e De Maria. Esta equipe jogou em 1930 (foi campeã paulista no ano) e teve um fantástico saldo: 10 vitórias e apenas 1 derrota. Há vários jogadores lendários do clube neste time, cujo técnico era Virgílio Montarini.

Bino, Domingos da Guia e Aldo; Pelliciari, Hélio e Aleixo; Cláudio, Baltazar, Servílio, Nenê e Ruy. Este time atuou em 1947 e também teve um excelente aproveitamento: 9 vitórias, 1 empate e 1 derrota. Seu técnico era Armando Del Debbio, que fez parte do histórico time de 1930, citado acima.
Entre as demais equipes, existem apenas 4 que saíram jogando 10 vezes e todos (!) os demais times do Corinthians somente o fizeram 9 ou menos vezes. Isto não é curioso?

A primeira conclusão que se pode extrair destes dados é a seguinte: os números indicam que a Democracia Corinthiana foi um movimento extremamente sério e profissional, pois os jogadores tiveram uma sequência inédita na história do clube, que só vem com profissionalismo e comprometimento. Este é mais um entre os muitos motivos que colocam este período entre os maiores da história do clube.

*Gustavo Longhi de Carvalho é jornalista e engenheiro. É autor ou coautor de quatro livros, sendo três deles ligados a futebol. Seus dois livros mais recentes, lançados no ano passado, são “Uma Nova Ordem: Como Resolver ou Diminuir o Problema da Violência Atacando suas Causas” (Ed. In House) e “Infográficos das Copas” (Ed. Panda Books – escrito juntamente com o jornalista Rodolfo Rodrigues).


Porque hoje é sábado
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Juca Kfouri

Porque hoje é sábado você pode ver AQUI  o “Programa Diferente”.

Nele você verá, editada, uma entrevista do blogueiro já publicada, na íntegra,  no blog, razão pela qual pode pulá-la.

Mas tem também uma simpática reportagem sobre o Juventus da Mooca e um debate sobre o Bom Senso FC.

De quebra, ouça  neste endereço (www.youtube.com/watch?v=jpfymRLaPaA) Vinicius de Moraes declamando o “Poema da Criação”, também conhecido como “Porque hoje é sábado”…


Sete motivos para aprovar a MP do Futebol
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Juca Kfouri

POR BOM SENSO FC

Tornou-se público nos últimos dias, documento elaborado pela Confederação Brasileira de Futebol com argumentos contrários à aprovação da MP do Futebol.

 Neste texto, além de negligenciar o fato de que a MP oferece um generoso refinanciamento que pode salvar financeiramente os clubes, a CBF não menciona méritos indiscutíveis, como: a limitação dos mandatos dos dirigentes a quatro anos, com direito a uma reeleição; e o direito de voto dos atletas em suas eleições internas, assembleias gerais e conselhos técnicos. Direitos básicos da democracia, que o Brasil conquistou há 30 anos e que ainda não chegaram à entidade máxima do futebol nacional.

O Bom Senso, como apoiador do projeto em tramitação no Congresso Nacional, responde os argumentos da CBF e espera a pronta confirmação do novo presidente da entidade, Marco Polo Del Nero, na Audiência Pública marcada para 7 de maio, no Congresso Nacional, em que ambas entidades, CBF e Bom Senso, estão convidadas.

1) Sobre a constitucionalidade da MP

A tese central da CBF contra a MP baseia-se em leitura equivocada tanto da Medida Provisória, quanto do artigo 217 da Constituição Federal, que prevê autonomia das entidades desportivas, na sua organização e funcionamento.

 Coerente ao texto da Constituição, a MP apresenta contrapartidas facultativas aos clubes que aderirem ao refinanciamento das dívidas, o que não constitui “intervencionismo estatal” sobre a autonomia das entidades esportivas.

 Além disso, matéria análoga já foi julgada pelo Supremo Tribunal Federal na ADIN nº 2937, quando por unanimidade, totalizando o placar de 9X0, o entendimento foi de que o conceito de autonomia não é absoluto, não se confunde com a noção de soberania e independência, e deve sofrer os condicionamentos estabelecidos pelo Estado.

2) Presença dos clubes brasileiros em competições internacionais

Os clubes poderão, sim, participar de competições internacionais. O art. 5º da MP não deve ser interpretado de forma isolada, e sim dentro do contexto geral da MP, que visa a modernização do futebol brasileiro e não a regulamentação de competições e entidades internacionais.

Essa questão pode ser facilmente superada. O Bom Senso irá propor ao relator da Medida Provisória, deputado Otávio Leite, a simples alteração do texto do art. 5º, estabelecendo que as regras ali contidas só serão válidas para competições regionais e nacionais.

3) Adequação dos regulamentos das competições aos parâmetros previstos na MP

Para garantir o equilíbrio e, consequentemente, a atratividade e sucesso das competições, é fundamental que as regras da competição sejam isonômicas, ou seja, aplicáveis de forma justa e igualitária a todos os competidores. É esse sentido da redação do inciso VI do art. 5º da Medida Provisória. Visa preservar a condição de igualdade entre os clubes nas competições.

4) Presença dos clubes em competições organizadas pela CBF

Um dos argumentos mais frágeis apresentados pela CBF é de que os clubes signatários do refinanciamento ficarão sem competições, perdendo rendas de bilheteria, televisão e patrocínios.
A Medida Provisória contém duas possibilidades de competições aos clubes.

 A primeira, e mais óbvia, é seguir em competições promovidas pela CBF, desde que a entidade esteja adequada aos novos parâmetros de gestão e democracia.

 Caso não ocorra a adequação por parte da CBF e Federações, os clubes poderão participar de campeonatos organizados através de Ligas criadas nos termos do art. 6º da MP 671, que respeitem o disposto na Medida Provisória.

5) A possibilidade da criação de uma Liga

A CBF argumenta investir R$ 100 milhões anuais para financiar os campeonatos que organiza e que atualmente são deficitários.

A partir disso, critica a criação de uma Liga que não se responsabilize financeiramente pelas divisões inferiores nacionais.

Esse ponto sugere uma reflexão: é a CBF que sustenta o futebol brasileiro ou o futebol brasileiro é que sustenta a CBF?

De nossa parte não há dúvida de que é o futebol brasileiro, especialmente com a exploração comercial dos símbolos pátrios, que fazem a fortuna da CBF.

 O modelo atual é comprovada e assumidamente deficitário.

 Não funciona e deve ser mudado. Atualmente ganham CBF e Federações (superavitárias) e perdem os clubes (deficitários) e atletas (desempregados e sem receber).

Atualmente, dos cerca de 700 clubes “profissionais” existentes, aproximadamente apenas 100 tem competições durante o ano todo.

 Ou seja, após o término dos estaduais, 600 clubes ficam inativos e 20.000 profissionais do futebol ficam sem emprego ou em condições de sub emprego.

Os balanços publicados pela CBF, que, por natureza, é sem fins lucrativos, demonstram um lucro líquido acumulado de quase R$ 400 milhões nos últimos 5 anos, que deveriam ser usados para o fomento e desenvolvimento do esporte. Diante desse cenário, a criação das ligas pode representar a mudança necessária. A liga inglesa é um exemplo prático.

A primeira divisão inglesa, conhecida como Premier League, é comandada somente pela liga dos clubes. Da 2º à 9ª divisão, a responsabilidade pela organização é da Federação inglesa (FA – Football Association).
 O modelo é simples – um percentual do que é arrecadado pela Premier League é repassado às divisões menores para ajudar a sustentar o futebol do país. O modelo funciona tão bem que a segunda divisão inglesa tem mais público nos estádios do que a primeira divisão brasileira.

6) Limite de 70% da receita bruta gastas com a folha de pagamento do futebol

Medida considerada abusiva pela CBF, é na verdade a garantia de que os clubes não gastarão mais do que arrecadam com a folha de pagamento deo futebol. O descontrole das contas dos clubes gerou enormes déficits.

7) Instituição Financeira Centralizadora

Concordamos com a CBF e com os clubes neste ponto. 

A preocupação do governo em receber as parcelas do refinanciamento em dia levou a um excesso. 

Em que pese a finalidade da norma, deve ser preservado o direito aos clubes de livre e ilimitada escolha das instituições bancárias, conforme melhor conveniência e de acordo com as diferentes ofertas desse mercado.


Aécio Neves tem razão
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Juca Kfouri

  

“Diante de R$ 6 bilhões pelo ralo, o Brasil exige dois pedidos de desculpas. Quem terá coragem de falar primeiro: Lula ou Dilma?”

O candidato derrotado na última eleição tem toda razão.

E também poderia dar exemplo, se antecipando e pedindo desculpas por uma coisa tão menor, teoricamente muito mais fácil, sobre o AEROPORTO DE CLÁUDIO.

Nem se está falando do mensalão tucano mineiro etc, nada disso.

Só do aeroporto na fazenda do titio.

 


Onde eu assino?
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Juca Kfouri

Sabe você o que é o CEV?

Não sabe?

Eu sei!

Saiba você também AQUI.

No CEV você encontra jóias como esta:

Prefácio de José Mourinho no Livro Novo do Manuel Sérgio

Cevnautas do Futebol, Novo livro do prof Manuel Sérgio “O futebol e eu” é prefaciado por ninguém menos do que o seu aluno José Mourinho.
Laercio
Prefácio do livro de Manuel Sérgio, «O futebol e Eu»
Por José Mourinho
«Mais um livro do Prof. Manuel Sérgio, mais umas páginas que vou ler, mais umas lições que vou receber de um filósofo do desporto, que vem ensinando aos seus leitores o que o desporto tem de mais profundo, de mais científico, de mais autêntico. O José Peseiro, meu colega na universidade e também treinador de futebol, já disse publicamente que só agora, como profissional do desporto e com a cabeça a embranquecer, é que passou a entender verdadeiramente o que o Prof. Manuel Sérgio nos ensinava nas aulas. Eu digo o mesmo. Mas, o que nos ensinava ele? Que não sabe de Desporto quem sabe só de Desporto, porque está na prática desportiva tudo o que é tipicamente humano.

E, ao dizer isto, aconselhava-nos a ler os grandes autores que nos mostram o que é a vida e quem nos ensina o que é a vida está a ensinar-nos o que é o desporto. Repetia, muitas vezes, que Desporto é o fenómeno cultural de maior magia no mundo contemporâneo e que deveria ser estudado como se estuda uma ciência humana. Para ele, o treinador do futuro teria de ser um homem culto: com prática constante do futebol, mas também com grande erudição, no que respeita às grandes correntes do pensamento. E, a coroar tudo isto, tinha uma opinião, para o tempo curiosa: o treino, no futebol, ou é com bola, ou não é treino. E dava o exemplo do pianista que não se prepara, saltando e correndo, mas tocando piano. Discordava, muito frontalmente, do biologismo que dominava o treino, dizendo que era a complexidade humana que estava em jogo, na prática do desporto. D ava-nos uma síntese do cartesianismo, para concluir que a Educação Física é um produto do “erro de Descartes”. De quando em vez, falava de um ou de outro filósofo, mas não estou agora em condições para relatar, com verdade, tudo o que a sua erudição espantosa nos apresentava. Não tenho receio em acrescentar que foi um dos professores de maior e melhor cultura que tive, durante a minha vida de estudante liceal e universitário.

E uma faceta curiosa no seu ensino: procurava mostrar a filosofia como um dos fundamentos do desporto. Por isso, vários treinadores dele se aproximavam e aproximam, surpreendidos com as suas ideias, que ele não perde o ensejo de referir que só terão algum valor, se confirmadas na prática. Não esqueço uma das suas frases preferidas: “A prática é o critério da verdade”.

Nasceu, na freguesia da Ajuda, em Lisboa, a poucos metros do Estádio José Manuel Soares, ou das Salésias e, desde criança, se habituou a conviver com jogadores de futebol. E até com jogadores de mais três modalidades, em que o Belenenses daquele tempo se distinguia: o andebol de onze, o basquetebol e o râguebi. Não tendo praticado desporto federado, sente-se perfeitamente à vontade, no trato com os praticantes ou ex-praticantes de qualquer modalidade desportiva. Não é o intelectual distante, é o companheiro próximo de todos os desportistas. Nunca faltávamos às suas aulas, por dois motivos: os conteúdos eram diferentes das outras aulas e ele sabia despertar o interesse dos alunos por tudo o que dizia. É de facto um grande comunicador! As suas aulas e os seus livros permitiram-nos e permitem-nos o contacto direto com os nomes mais sonantes da Filosofia e da Cult ura. Um ponto ainda eu quero referir: muito antes de António Damásio, Manuel Sérgio falava nas aulas do “erro de Descartes”, quando nos dizia que a expressão “educação física” aparece, pela primeira vez, em França, no século XVIII. Para ele, a Educação Física é uma expressão que reflete o dualismo antropológico de Descartes.

Sou treinador de futebol, sem tempo e grande jeito, para a escrita. Sou um prático mas que não descura uma constante informação. E fui aluno do Prof. Manuel Sérgio e sou seu leitor, com grande proveito meu. Julgo, por isso, ser meu dever afirmar, publicamente, que o seu conceito de motricidade humana, que ele começou a teorizar, em 1979, ou seja, há 36 anos, se confirma inteiramente, nos dias de hoje: o desporto só como ciência humana se pode entender; a sua metodologia é a específica das ciências humanas.

O trabalho epistemológico que fez foi verdadeiramente inovador, no desporto e até na cultura, em Portugal. Só uma grande ignorância deixará de reconhecer isto mesmo. Termino dizendo, sem problemas, que Manuel Sérgio é um dos grandes teóricos mundiais do Desporto. Se acaso se pudesse fazer uma competição, eu propunha esta: comparem a obra dele, com a de qualquer outro autor, em qualquer língua, que tenha escrito sobre esta problemática. Não é o primeiro, em erudição e inovação? Mas está no pódio, com toda a certeza.

Sou um homem grato a Manuel Sérgio. Ele não me ensinou técnica, nem tática. Mas ensinou-me esta coisa simples: o Desporto é muito mais do que uma Atividade Física e só como ciência humana deverá estudar-se e praticar-se. E isso bastou-me para que o futebol, para mim, passasse a ser uma atividade de meridiana compreensão e de significação e sentido verdadeiramente humanos. Como obra da autoria de Manuel Sérgio, este é um livro que lerei atentamente, porque sei que da sua leitura sairei mais homem e mais treinador de futebol.»


Um programa diferente
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Juca Kfouri


Nota do blog: Entrevista concedida  ao jornalista Maurício Huertas, no dia 25 de março último, antes, portanto, da revelação de que também o governo de São Paulo financia “blogs sujos”, razão pela qual não se fez menção ao fato quando da abordagem do tema.


O expurgo de que o São Paulo precisa
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Juca Kfouri

Por Rafael Bueno*

A internet ainda era uma novidade no começo dos anos 2000. Em nível residencial, poucas eram as famílias que tinham à disposição computadores conectados à rede mundial. Quando ganhei um PC trambolhão – sem nem ter completado 15 anos – duas das primeiras coisas que fiz foram: 1) criar um e-mail no Hotmail com login bueno_tricolor; 2) digitar São Paulo FC e correlatos no ainda incipiente Google.

Assim conheci um site de torcedores que reunia notícias e colunas sobre o time do meu coração. E assim comecei a debater o São Paulo no espaço de comentários do site. Dali para ser convidado a participar de uma lista de discussão por e-mail foi uma ou duas semanas, graças ao convite de um dos sócios dessa página. Depois de um tempo, virei colunista quinzenal.

Fiz amigos e amigas com quem mantenho até hoje contato e o velho hábito de discutir os rumos do Tricolor diariamente. Me envolvi em manifestações contra o golpe estatutário articulado e aplicado em 2011 e até ameaçado pela milícia organizada fui ao panfletar contra o estupro à carta magna são-paulina.

Por que essa história toda? Porque acredito que ela mostre o tamanho da dedicação que tenho pelo Tricolor e, em decorrência, a propriedade que ganhei para falar de seus mais diversos assuntos. Entre eles, chegar à conclusão de que um eventual triste rebaixamento pode ser o único motor propulsor de um processo de depuração do São Paulo FC para que recupere seu protagonismo no futebol brasileiro.

Não porque eu seja adepto do “quanto pior, melhor”, mas porque parece ter chegado em tal ponto que este é o acontecimento mais factível para o expurgo necessário, uma vez que uma mandatória revolução interna se mostra, mais do que improvável, utópica no atual cenário do Morumbi.

Conselho recluso, são-paulino excluso

Hoje (e já há alguns anos), a irresolúvel equação tricolor é: departamento de futebol à deriva + futebol fraco + declarações desastradas do presidente + inoperância de diversos departamentos + falta de grupos políticos e ideias novas insurgindo na imprensa.

O Conselho Deliberativo, como costuma dizer meu amigo, grande são-paulino e blogueiro do Globoesporte.com Emerson Gonçalves – que já foi sócio do clube –, é uma ação entre amigos. Do total de 240 conselheiros, 160 são vitalícios e indicados pelo presidente, enquanto as vagas restantes são preenchidas por eleições indiretas no clube em processo pautado pela relação de amizade e interesses que muitas vezes escanteiam o “Futebol” que o São Paulo carrega em seu nome.

Nesta dinâmica, o torcedor vira mero financiador. Dele só se espera uma fé cega e a aceitação passiva de que deverá gerar dinheiro para o São Paulo com a compra de ingressos, camisas e outros produtos. O projeto de sócio-torcedor funciona praticamente como um dízimo, no qual o são-paulino fica de mãos atadas, sem poder dar a resposta sobre como a sua contribuição está sendo aproveitada pelo clube.

Sim, eleições diretas. Dar o direito de voto ao sócio-torcedor são-paulino para que, democraticamente, ele possa escolher os rumos do futebol do clube. Obviamente, mediante regras e deveres a serem cumpridos para que possa exercer esse direito. Para isso, é preciso coragem e desprendimento de vaidades e apego a cargos oferecidos aos conselheiros amigos.

Coragem é tudo o que não existe no São Paulo de hoje.

A cruz que o São Paulo carrega

Desde o tricampeonato brasileiro no triênio 2006-07-08, precedido pelas conquistas da terceira Libertadores e do terceiro Mundial, muita coisa nunca antes pensada passou a acontecer naquele que era tido como “clube-modelo”: trocas de treinadores frequentes, funcionários vitoriosos demitidos, golpe de presidente para manter-se no cargo, marketing inoperante. O castelo virou ruína.

Trocou-se o presidente caricato pelo boquirroto, mas um cidadão manteve-se forte e intacto: Milton Cruz.

Milton Cruz, cujo caderninho com extensa lista de jogadores um dia foi renomado, hoje apenas se vale do São Paulo, que pouco ou nada se vale dele. O que faz Milton Cruz, além de servir de tampão para a saída de treinadores, recheando o time de volantes (e desmontando a retranca quando ela se mostra inútil)?

Sob a função de coordenador técnico, mantém boa, amistosa e descontraída relação com o grupo de jogadores, no entanto não lhe são traçadas metas de desempenho. Recentemente, após eliminar o Red Bull Brasil, destacou o seu trabalho no clube para defender a ideia de não seguir a carreira de treinador. “Não é o que eu quero (ser treinador). O que eu quero é o que faço: trazer jogadores, promover atletas e dar retorno como funcionário do clube. Tenho experiência para ser treinador, mas nunca quis. Hoje eu estou como treinador, mas não sou técnico”.

Trazer jogadores é o que mais tem feito o São Paulo, que traz, manda embora, traz de novo. Joga dinheiro fora ou dá a ele destinos misteriosos. Promover atletas? Promover não é simplesmente subir da base e fazer treinar no profissional. Logo, que retorno é esse que tem dado como funcionário?

Com a troca de presidência e os atritos entre sucessor e antecessor da cadeira, foram noticiadas diversas intenções do atual mandatário em dispensar serviços de pessoas ligadas ao seu desafeto político. Nesse processo, Milton Cruz parece ter perdido também a função de levar informações ao mandatário, o que era comum na gestão anterior. Mas, afinal, por que se preocupar se a boquinha está garantida? Mais importante ainda, com tantos fracassos nos últimos anos e em função central no departamento de futebol, POR QUE MILTON CRUZ AINDA PERMANECE NO CLUBE?

Não dá para afirmar nada concretamente. Até porque, o clube é fechado, é uma ação entre amigos, como dito anteriormente. Quando o atual presidente fala em transparência e implantação de gestão moderna, com análise de consultoria e contratação de CEO, por que não se coloca nesse rol a apreciação do trabalho de Milton Cruz? Será que ele sabe demais? O que tanto sabe?

Na falta de coragem, o choque

De novo, falta coragem para mexer nesse vespeiro e também para abrir o clube e transformá-lo numa instituição – pelo menos no que tange ao futebol – verdadeiramente democrática aos olhos do torcedor. Se essa limpeza não vem por bem, não vem por ações de pessoas com legítima e genuína vontade de alterar o panorama, talvez seja preciso o choque. E o choque pode ser o trágico acidente de uma inédita Série B, mais cedo ou mais tarde.

Não há mais perspectiva. A escolha do novo treinador, a dispensa de jogadores e a contratação de outros novos – nada disso parece mais indicar uma possibilidade de retomar o protagonismo de outrora. O vestiário é parte, e não o cerne do problema, que mora na falta de direção e de ideias que deem ao torcedor a representatividade que merece e que tem.

O São Paulo é um Boeing 747 em voo que perde altitude e sem qualquer comunicação com a torre de controle. Os pilotos são inábeis e a queda se desenha iminente. Se cair, a caixa preta poderá ser desvendada e então haverá a chance de uma dolorida retomada e depuração para voltar a ser um clube vanguardista, que mire o futuro com as honras e renovação das glórias de seu passado.

*Rafael Bueno é jornalista


Verdão na final!
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Juca Kfouri

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O Corinthians, coisa rara, saiu atrás, porque Victor Ramos foi mais esperto e cutucou para o gol, aos 13 minutos, uma bola dividida depois de cobrança de escanteio.

Até ali o jogo era equilibrado e o Palmeiras mostrava coragem e personalidade, mesmo sem a experiência de Zé Roberto.

Mas fez o gol e recuou.

O Corinthians foi à frente empurrado pela Fiel em sua casa e também em bola parada, posta por Jadson na cabeça de Danilo, o reserva mais titular do país, o homem dos gols importantes, empatou de cabeça 20 minutos depois.

Os dois times sentiram o empate.

O alviverde negativamente, o alvinegro positivamente.

Até que o colombiano Mendoza, que não prima pelas finalizações e havia perdido um gol por isso, desceu com a bola no contra-ataque, deu a sensação que passaria para Fábio Santos aberto na esquerda, e soltou um petardo belíssmo para virar o placar.

Mesmo sem Elias, Renato Augusto e Guerrero, o Corinthians respondia aos que queriam saber qual seria sua capacidade de reação.

Oswaldo de Oliveira fez o que deveria ter feito no intervalo e trocou Lucas por Cleiton Xavier.

O Palmeiras foi para cima numa blitz impressionante que culminou numa linda troca de passes e com Dudu chutando na trave, na cara de Cássio, que desviou levemente a pelota.

Segundos antes, Mendoza havia perdido em contra-ataque o segundo gol.

Vendo a coisa feia, Tite pôs Renato Augusto no lugar de Jadson.

Aos 20, Vagner Love exigiu um milagre de Fernando Prass.

Três minutos depois, Valdivia saiu e Gabriel, o menino xodó, entrou, assim como Kelvin substituiu Wellington.

Tite pôs Elias no lugar de Love, apagado.

O ônibus corintiano estava estacionado na frente da área, mas, desta vez, com uma porta e algumas janelas abertas que os palmeirenses tentavam usar e usavam.

E foi numa janela do lado direito que Rafael Marques, de peixinho, entrou, aos 29, para empatar em cruzamento da esquerda. Era justo.

Bruno Henrique se machucou e Petros entrou, aos 32.

O jogo era disputadíssimo e, embora com pênaltis no horizonte, tinha cara de que escolheria um vencedor no tempo normal.

Qualquer vencedor seria adequado, mas a decisão ficou para a marca da cal.

O Corinthians seguiu invicto em casa, no ano e contra o Palmeiras, que manteve a vantagem de uma vitória a mais no confronto direto.

Faltava definir quem iria à final do Paulistinha.

Robinho bateu um tiro de meta, por cima do gol.

Fábio Santos bateu na trave, mas a bola entrou: 1 a 0.

Rafael Marques empatou.

Renato Augusto fez 2 a 1.

Victor Ramos empatou.

Fágner fez 3 a 2.

Claiton Xavier empatou.

Ralf fez 4 a 3.

Dudu empatou.

Elias bateu e Fernando Prass defendeu brilhantemente.

Kelvin converteu.

Gil pediu para bater e também marcou.

Jackson converteu.

Petros bateu e Prass classificou o Verdão, lembrando São Marcos, diante de 38 mil torcedores. Agora imagine a burrice do regulamento, com um jogo só para definir os finalistas: com seis pontos a mais que o Palmeiras, o Corinthians está eliminado invicto.

O Palmeiras não tem nada com isso e o Corinthians aceitou a burrice.

 

 

 

 


Amanhecer
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Juca Kfouri

  

Diversos coletivos e estudantes estão se mobilizando para Amanhecer o Rio de Janeiro contra a redução da maioridade penal.

 
Na madrugada do dia 28 para 29 de abril as praças serão cobertas com materiais contra a redução (lambes, stencil, pipas, tecidos, fitas, adesivos).

 
Participe!

 
1) Junte um grupo de pelo menos 5 amigos.

 
2) Escolha uma praça movimentada em seu território.

 
3) Inscreva sua praça (até o dia 25 de abril!): http://amanhecer.strikingly.com/.

 
4) Eles entrarão em contato nos próximos dias para entregar o kit de materiais para a ação.

 
#ReduçãoNãoÉSolução #VoaJuventude