Blog do Juca Kfouri

Arquivo : fevereiro 2016

Uma vez Flamengo
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Juca Kfouri

POR LUIZ GUILHERME PIVA

1.
“Flamengo, Flamengo, tua glória é lutar!

Flamengo, Flamengo, campeão de terra e mar!”

Nos bailes de Carnaval as bandas sempre tocavam o refrão do Hino Oficial do Flamengo pra demarcar a mudança de um bloco de músicas pra outro.

Flamenguistas vibravam. Quem não torcia pro time cantava do mesmo jeito.

Mas tinha quem não gostava. Fechava a boca, parava de pular e aguardava a nova sequência.

Um deles, mais radical, é um amigo meu.

Botafoguense até a medula, de andar com a camisa, ter escudo no carro, pegar excursão pro Rio pra ver jogos sem importância no meio da semana, discutir no bar, cumprir superstições e gozar e ser gozado até o limite com os resultados do time.

Não bastasse, o time que ele mais detestava era o Flamengo. Ainda mais a partir dos anos setenta, início do auge do rubro-negro e da seca do Fogão.

Pois bem.

No Carnaval, ele ia sempre com o uniforme completo do Botafogo, incluindo as chuteiras – todas as noites, todos os anos.

Pulava e dançava com imensa alegria.

Mas emburrava na hora do refrão. Chegava a sair da pista, ir ao banheiro, ao balcão do bar, até pra rua ele ia. Mas voltava, pulava, cantava – e a banda, daí a pouco, atacava de novo o refrão fatídico.

Chegou a reclamar com a diretoria do clube. Ameaçou se desassociar. Teve uma vez que chamou o maestro pra negociar antes do Carnaval. Sem sucesso, claro.

Até o ano em que, na primeira noite, assim que a banda iniciou o estribilho e ele trincou o rosto, a morena piscou pra ele.

Maravilhosa, de short branco, com a camisa do Flamengo sem mangas, decotada e cortada no umbigo.

Ele parou e olhou pros lados.

Era com ele.

Ela estendeu-lhe os braços e o convocou dobrando os dedos das mãos.

Mal acabou o refrão e estavam abraçados.

A orquestra, que terminara a sessão de marchinhas animadas, fez dois segundos de pausa depois do refrão e mandou “bandeira branca, amor, não posso mais…”.

Beijaram-se.

Listras brancas, pretas, brancas, vermelhas, pretas e brancas enrodilhadas como serpentinas.

E cantaram juntos “pela saudade que me invade eu peço paz”.

Até o final desse bloco de músicas mais lentas não se desgrudaram.

As cores misturadas, molhadas, trançadas num só tecido.

Então veio de novo o refrão com os sopros explodindo: “Flamengo, Flamengo…”.

Ela emendou, olhando nos olhos dele: “tua glória é lutar!”.

Ele pôs os braços pra cima, abriu o sorriso, os sopros repetiram: “Flamengo, Flamengo…”.

Ele completou, soltando os pulmões: “campeão de terra e mar!”.

2.
E assim os dois a noite inteira, e no domingo, na segunda e na terça-feira gorda.

Depois?

Ela era de fora, sumiu, ninguém conhecia.

Nunca mais os brancos, os pretos, vermelhos.

Nunca mais cores.

Só cinzas.

Nunca mais seus olhos, seus braços.

Seus beijos. Sua carne.

Só quaresma.

Ele deixou de ir aos bailes.

E não quis mais saber de futebol: não vê, não ouve, não discute.

Sozinho, passa a vida quase sem conversar.

Outro dia ele me disse – para meu espanto e sob minha promessa de não falar pra ninguém – que na casa dele tem uma camisa do Flamengo emoldurada na parede.

Como um retrato.

Mas que, como a saudade, que é “mal de amor”, o retrato também é “dor que dói demais”.

Só que isso eu não posso contar.

É segredo.
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Luiz Guilherme Piva publicou “Eram todos camisa dez” (Editora Iluminuras).


São Paulo sem poesia
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Juca Kfouri

Apelidado de “Los Poetas” porque tem o nome do maior poeta peruano, o Cesar Vallejo receberá o São Paulo no Estádio Mansiche, na cidade de Trujillo, com capacidade para 25 mil torcedores, às 21h45.
  
O clube ganhou o direito de estar na pré-Libertadores ao ganhar a Copa Inca deste 2015, torneio promovido pela Liga de clubes do Peru, independente da Federação Peruana de Futebol.

Sim, o Peru já tem uma liga de clubes!

O time é o último colocado do ranking da Conmebol, em 152º lugar e, em 2013, caiu logo na pré-Libertadores, também eliminado pelo Tolima, o mesmo clube colombiano que eliminou o Corinthians em 2011.

O jogo de volta, na quarta-feira que vem, será no Pacaembu, porque o gramado do Morumbi está sendo trocado.

O Tricolor, sem poder se dar ao luxo de grandes artes, mais para o texto duro e seco que para a poesia, ainda em formação e repleto de interrogações, é favoritaço no embate.


Estranho, muito estranho. Ou não
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Juca Kfouri

A terceirização da merenda escolar é a melhor alternativa para adoção pelas escolas públicas?

26/02/2009

SIM

Os custos da autogestão

FERNANDO CAPEZ 

 

RECENTEMENTE, temos assistido a uma série de denúncias envolvendo o fornecimento de merenda escolar por empresas privadas. O Ministério Público apura suposta fraude na concorrência, em virtude de alegado direcionamento para beneficiar certos fornecedores.

A Promotoria da Cidadania, braço civil do Ministério Público paulista na proteção do patrimônio público, recomendou à prefeitura o encerramento imediato do sistema de terceirização e o fornecimento direto da merenda pela municipalidade.

Independentemente do resultado da investigação versando sobre o último certame licitatório, o que está em discussão é a manutenção ou não da atual forma de gestão. O prefeito Gilberto Kassab, alicerçado por ampla legitimidade popular haurida das urnas, insiste na adoção do modelo em vigor, alegando impossibilidade econômica de retornar ao regime da autogestão, cuja origem remonta a 1935.

Foi somente em 1999 que surgiu, em Indaiatuba (SP), a gestão terceirizada. Na capital paulista, o primeiro contrato desse tipo foi assinado em caráter emergencial em 6 de dezembro de 2001. Em 2006, o procedimento licitatório foi reformulado, implantando-se a corresponsabilização social das empresas terceirizadas. Era o início do modelo de gestão compartilhada ou de terceirização, o qual entrou em vigor no dia 10 de julho de 2007 e perdura até hoje, com abrangência de 78% das unidades da rede escolar do município de São Paulo.

Dentre as críticas ao atual sistema de gestão, podemos destacar aquela constante do relatório da Fipe, apontando um custo 3,6 vezes maior para a merenda terceirizada. Esse cálculo, no entanto, não serve de parâmetro para sobredita comparação, pois desconsiderou todos os outros gastos envolvidos na prestação do serviço.

Assim, se o poder público quiser voltar ao “ancien régime” e oferecer diretamente a merenda escolar, precisará incluir no custo da refeição outros gastos que também terá, como: contratação de novos servidores para tais tarefas; transporte, estocagem e armazenamento dos gêneros não-perecíveis; planejamento e estudos de logística; treinamentos contínuos; investimentos em equipamentos e utensílios necessários ao serviço; implementação de infraestrutura etc.

O custo maior, no entanto, que não pode deixar de ser incluído no cálculo, é o do desperdício, que hoje é arcado pelas empresas fornecedoras e passaria, com a volta da autogestão, a sê-lo pela própria municipalidade. Em um sistema de terceirização, cabe à fornecedora a obrigação de evitar o prejuízo, pois é ela quem o suporta. Voltando o serviço para a municipalidade, retornam os velhos problemas enfrentados no mundo inteiro pelos regimes estatizantes: superfaturamentos na compra de gêneros, superdimensionamento de quantidades, contratação de pessoal para fiscalização etc.

Por mais eficiente que seja a administração, óbices como esses são inerentes ao funcionamento continuado de qualquer sistema operado pelo poder público, mesmo em países ditos do Primeiro Mundo. Se todos esses gastos tivessem sido embutidos no valor final da alimentação escolar, certamente não se teria chegado à distorção apontada pela Fipe. Estadeia-se, igualmente, que na gestão terceirizada são fornecidos alimentos de qualidade nutricional inferior à dos da gestão direta. Constata-se, entretanto, que o Pnae paga, às prefeituras, o montante de R$ 0,22 por aluno. Já os governos estaduais contribuem com R$ 0,19.

Ambas as quantias têm de ser, ainda, completadas pelo município. Com os valores repassados atualmente, seria impossível ao sistema público fornecer uma merenda melhor, cujo custo hoje gira em torno de R$ 1 em média por aluno. Dessa forma, já que as prefeituras teriam de complementar os valores para bancar os custos da merenda escolar, muitos prefeitos optam pela gestão terceirizada.

Como se vê, a questão demanda um debate profundo, bem como detida reflexão, a fim de que se atenda ao princípio constitucional da eficiência na busca do bem comum.

FERNANDO CAPEZ , mestre em direito pela USP e doutor pela PUC-SP, é deputado estadual do PSDB e Procurador de Justiça licenciado.

FONTE: Jornal Folha de São Paulo São Paulo, sábado, 21 de fevereiro de 2009.


Gols de bicicleta
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Juca Kfouri

POR LUIZ GUILHERME PIVA

Sempre uma desculpa. “Furou o pneu da bicicleta”, “a fila estava muito grande”, “o cliente demorou a me atender”, “foi difícil achar o endereço”, “ninguém sabia quem era o cara”.

Mas era a pelada.

Ele saía pra fazer cobrança e não resistia. Via um campinho, um espaço qualquer em que jogavam bola, e logo parava a bicicleta, amarrava a pastinha de notas no bagageiro e entrava no jogo. No mínimo uma hora.

Chegar suado era normal: rodava a cidade pedalando. O lote grande de cobranças também justificava alguma demora.

Mas os atrasos estavam aumentando. As desculpas se repetindo. E o pior: os resultados das cobranças eram baixos, quase nulos.

Da última vez voltou só à noite. A firma já estava fechada. De manhã o chefe o chamou pra demiti-lo.

Ele abriu o jogo.

Era um campinho lindo, num bairro que ele não conhecia. Grama natural, bica do lado, traves de bambu com travessão, farrapos de rede, sombra farta, bola nova, molecada boa de bola, faltava um pra inteirar – ele não poderia impedir o jogo.

E mais, chefe, foi um jogaço! Escurecendo, empatado em oito a oito. Quem fizesse ganhava.

Não podia parar. Questão de honra. Ninguém enxergava mais nada, mas nem pensava em parar.

E eu fiz o gol decisivo!

Foi uma festa! Abraços, sanduíches, guaraná, risos encharcados de suor, todo mundo junto, dos dois times.

Mas o senhor está certo.

Onde eu assino?

O chefe se levantou, rodou a sala com as mãos nas costas. Entregou a ele o papel para que assinasse. Recolheu a pastinha com as cobranças – nenhum recebimento, como sempre.

Sozinho na sala, sentiu dó do garoto; pensou que a demissão era um castigo exagerado.

Mas disse para si mesmo que a vida é dura.

Que a gente precisa aprender na dor e na perda.

E fingiu que estava coberto de razão.

Mas estava arrasado.

Queria largar tudo e correr pro campinho.

Chamar o garoto para ir com ele.

Chupar manga, lavar o rosto na bica, comer pão com mortadela e, acima de tudo, jogar bola livre, sem regras, sem hora, até anoitecer.

Isso foi há muito tempo.

Ele ficou mais maduro, mais velho.

E até hoje carrega o pesar em algum nó dolorido na alma.

Mas finge que não sente.
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Luiz Guilherme Piva publicou “Eram todos camisa dez” (Editora Iluminuras).


Bola com endereço
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Juca Kfouri

POR LUIZ GUILHERME PIVA

As cartas voltaram à moda – ao menos ao noticiário.

Mas são cartas diferentes das cartas de outra época, classicamente relacionadas a amor e saudades.

Como a da história que o Tostão contou há tempos.

Um colega dele do Cruzeiro ou da Seleção, que não sabia escrever, pediu-lhe, numa excursão longa à Europa, que escrevesse uma carta à amada no Brasil.

O Tostão prontificou-se e, caneta e papel em mãos, esperou o ditado. Houve um longo silêncio e o colega então pediu: “escreve umas coisas bonitas, que falem assim de estrelas, de eternidade”.

Muitas cartas de amor eram anônimas. Como as que, numa cidadezinha do interior, um goleiro começou a receber.

Toda semana o vigia do campo lhe trazia o envelope deixado sob o portão.

Declarações de amor, promessas, elogios, suspiros – e até, talvez, estrelas e eternidade.

Cartas com perfume. Com desenhinhos de coração. Com a letra bordada.

Diziam sempre que a autora estaria no próximo jogo só para vê-lo.

Ele passava o jogo olhando pro alambrado, pros degraus da torcida, pra laje atrás do seu gol, tentando achar um rosto, um sorriso, um olhar que denunciassem a missivista.

Nada.

Sofria a cada jogo.

A consequência é que os gols tomados aumentaram.

Todo jogo uma ou duas falhas.

Acabou afastado do time titular.

E as cartas cessaram.

No banco de reservas, seguia a busca com os olhos, agora mais agoniado.

Perguntava ao vigia, mas nenhum envelope chegava.

Até que chegou uma. Mas o vigia lhe disse que era para o novo goleiro titular. Ele a arrancou das mãos do vigia, abriu e leu: a mesma letra, as mesmas palavras, o mesmo perfume, os coraçõezinhos, as juras, as declarações.

Uma punhalada.

Mas deduziu que, de duas, uma: ou a autora gostava mesmo é de goleiro em ação, ou alguém, adversário, fazia aquilo para distraí-los.

Deixou as novas cartas chegarem ao seu substituto. Que, do mesmo modo, começou a tomar gols fáceis e perdeu a posição.

De volta ao gol titular, proibiu o vigia de lhe entregar as cartas que chegassem. Era pra rasgar e queimar – “para não sofrer mais”, disse.

E nunca mais saiu do time.

Mas até hoje sente uma saudade imensa daquelas palavras, daquele perfume, daqueles desenhos.

À noite, relê as cartas antigas e fica, comovido, olhando as estrelas e pensando na eternidade.

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Luiz Guilherme Piva publicou Eram todos camisa dez (Editora Iluminuras).


Tempo, tempo, tempo, tempo
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Juca Kfouri

POR LUIZ GUILHERME PIVA

No jogo de futebol há a técnica, a tática, os lances individuais e o acaso.

Mas há também outro elemento que, de modo imperceptível, rege, anima e corrói todos aqueles: o tempo.

Joga-se com ele e contra ele. Tudo num jogo funciona com o giro dele. Este giro, no entanto, é também o que exaure tudo no jogo.

E na vida.

A ilusão de renovar o tempo, a cada Ano Novo, é a de insuflar continuamente a vida e de esquecer que aumentam a exiguidade e a corrosão.

O intervalo do jogo é uma ocasião parecida.

Para-se por quinze minutos para aperfeiçoar o que está dando certo e obter ou assegurar a vitória; ou para corrigir os erros e reverter a derrota.

Um Réveillon entre o primeiro e o segundo tempos.

Com revisões, balanços, promessas, mudanças, reafirmações, substituições – e mesmo superstições e fé.

Lutar para que técnica, tática, individualidade e acaso mantenham ou revertam o quadro.

Com o tempo jogando a favor e contra.

A destreza, a maturidade, o conhecimento e a segurança se consolidando à medida que o tempo passa – mas sendo por ele corroídas na mesma medida.

No jogo e na vida.

Às vezes consegue-se. Às vezes, não.

Pode-se perder ou vencer já no primeiro tempo. Pode haver virada a favor ou contra no segundo.

Pode-se vencer ou perder no último minuto.

Com a advertência de que só no jogo de futebol pode haver minutos extras no primeiro e no segundo tempos – na verdade, na vida não há nem mesmo tempo regulamentar a ser cumprido.

E que, portanto, a ilusão de renovação do tempo no Réveillon é muito maior do que aquela do intervalo do jogo.

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Luiz Guilherme Piva publicou Eram todos camisa dez (Editora Iluminuras).


Até quarta-feira chegar!
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Juca Kfouri

Por ROBERTO VIEIRA

Pessoas morrem nas filas dos hospitais.

Arrastões.

Poluição na Baía da Guanabara.

Drogas.

Ocupação de comunidades.

Balas perdidas.

  
O Rio de Janeiro continua lindo.

O Rio de Janeiro continua sendo um retrato do Brasil.

Um Brasil que faliu.

Diante do país analfabeto do ano 2016.

Diante do Brasil corrupto do ano 2016.

Diante do Brasil do toque de recolher.

Resta ao fã do esporte a tristeza.

Agosto será mês da velha amnésia coletiva.

O antigo pacto entre governo e bandidos celebrado.

Todo mundo quieto!

Temos visitas!!

O povo bailando com cachaça, alucinógenos e circo.

Medalhas, medalhas, medalhas.

Seremos durante duas semanas o país do futuro.

Como na Copa do Mundo.

Até quarta-feira chegar…


Quando o Natal (e o futebol) venceu (a primeira) Guerra e o militarismo
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Juca Kfouri

POR AIRTON DE FARIAS*

Um dos casos mais emblemáticos da paixão pelo futebol – e para não dizer, um dos mais belos – deu-se no natal de 1914, quando soldados ingleses e alemães saíram das trincheiras e se confraternizaram por algumas horas na “terra de ninguém”, expressão pela qual chamavam a área “neutra” entre as fortificações inimigas e severamente castigada por bombardeios.

A trégua aconteceu espontaneamente em vários locais do front ocidental (que ia do Mar do Norte aos Alpes suíços, cruzando a França).

Coisas parecidas já tinham ocorrido na semana anterior, como em Armentières (França), quando soldados dos dois lados haviam acertado um cessar-fogo para que ocorresse uma festa de aniversário a um comandante alemão, bem como em Fleurbaix (França), para o enterro dos combatentes tombados nas batalhas.

No caso do que ficou conhecido como “trégua de Natal”, a iniciativa partiu dos alemães, que repetindo seus costumes, passaram a montar árvores de Natal nas trincheiras e a cantar canções do período.

Os ingleses, a princípio, surpresos e desconfiados, passaram a cantar também. Em pouco, soldados de ambos os lados estavam desejando Feliz Natal e confraternizando.

“Em meio à troca de cigarros, bebidas, chocolates, houve notícia de que alguém deu o pontapé inicial, fazendo um jogo de futebol emergir entre as crateras de lama.

Enquanto alguns relatos falam em uma lata de carne sendo chutada […], há quem diga ter sido utilizada uma bola de verdade, o que não era difícil, uma vez que, ao longo de todo o conflito, centenas de bolas foram enviadas ao front” (AGOSTINI, 2002: 31). Nos das 25 e 26, foram organizadas animadas partidas de futebol por centenas de soldados. No lugar das traves, capacetes, tocos de madeiras ou que tivesse disponível. Na maioria das vezes, o jogo era apenas por brincadeira, pouco importando o resultado. Mas também houve partidas “sérias”, inclusive com juiz, intervalo e troca do lado do campo. Ficou famoso o jogo em que tropas alemãs venceram o regimento inglês de Bedfordshire por 3 x 2, com um gol aparentemente em impedimento – a partida foi encerrada quando a bola furou ao cair no arame farpado de uma trincheira…

A maior parte das confraternizações se deu nos 50 quilômetros entre Diksmuide (Bélgica) e Neuve Chapelle (França), envolvendo principalmente soldados alemães e ingleses. Como França e Bélgica estavam com seus territórios ocupados pela Alemanha, era menor a demonstração de boa vontade com os oponentes alemães.

Os comandos militares ficaram profundamente irritados com o que consideraram uma “insana insubordinação”.

Aquela trégua espontânea abalava o processo de satanização do inimigo que vinha sendo propagando há anos tantos na imprensa como nos campos de treinamentos pelos oficiais.

Entre tantos interesses econômicos, geopolíticos, doutrinamentos nacionalistas e militaristas, belicismo, desgraças nos campos de batalha, por alguns momentos, os jovens soldados perceberam que sem as imposições de ordens superiores, armas e obrigações nacionais, os “terríveis inimigos” não passavam de pessoas comuns, homens que estavam ali a seu lado, se divertindo, chutando uma bola, sorrindo, com saudade de casa, com medo da morte, sonhando com a paz e desejosos que tudo aquilo acabasse o mais breve possível.

Assim, compreende-se a fúria dos generais e comandantes: aquele jogo de futebol talvez tenha feito muitos soldados questionarem o sentido da guerra e da hierarquia militar.

Conta-se que em Wijtschate, na Bélgica, um jovem cabo austríaco que lutava ao lado dos alemães, chamado Adolf Hitler, também queixou-se do fato de seus companheiros estarem cantado com os britânicos, em vez de atirarem nos mesmos.

Os governos e os comandos militares (especialmente franceses) tomaram providências contra a “trégua de Natal”.

Dos quartéis-generais, saíram ordens expressas proibindo qualquer tipo de confraternização, sob pena de submeter os responsáveis à corte marcial.

Sir Horace Smith-Dorrien, comandante do II Corpo britânico, reagiu com uma simples instrução: “O Comandante do Corpo, portanto, ordena aos Comandantes de Divisão para incutirem em todos os seus comandantes subordinados a absoluta necessidade de encorajarem o espírito ofensivo das tropas, enquanto estiverem na defensiva, por todos os meios à sua disposição. Relações amistosas com o inimigo, armistícios não oficiais e a troca de tabaco e outros confortos, não importa o quão tentadores e ocasionalmente agradáveis possam ser, estão absolutamente proibidos” .

Os soldados tiveram que voltar para as trincheiras, embora, alguns deles, nos dias seguintes, tenham se recusado a matar os adversários – para manter as aparências, erravam os alvos… Durante alguns meses, alemães e britânicos entrincheirados em Festubert (França) faziam de conta que o conflito não existia. Mas depois as lembranças das confraternizações arrefeceram e a carnificina aumentou. Para evitar um cessar-fogo espontâneo igual ao de 1914, os comandos militares tomaram precauções especiais, determinando que os bombardeios de artilharia fossem aumentados durante os Natais de 1915, 1916 e 1917.

A Grande Guerra deixaria um saldo de 10 milhões de mortos”.

(*FARIAS, Airton de. Uma História das Copas do Mundo. Fortaleza: Armazém da Cultura, 2014).


Natal dos covardes
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Juca Kfouri

POR MARCELO FREIXO*

O que diriam os pregadores da intolerância, os obreiros do justiçamento, os apóstolos do olho por olho dente por dente sobre um homem que manifestou seu amor por um ladrão condenado e lhe prometeu o paraíso?

Brandiriam o velho sermonário: bandido bom é bandido morto?

Nesta sexta-feira,  quase todos os brasileiros, inclusive os cônscios moralistas da violência que amarram adolescentes em postes para linchá-los, se reunirão com suas famílias para celebrar mais uma vez o nascimento desse homem.

Sujeito, aliás, que respondeu à provocação: está com pena? Então, leva para casa!

Pois, é. Jesus Cristo prometeu levar o ladrão para casa.

“Em verdade te digo que hoje estarás comigo no Paraíso”, diz o evangelho de Lucas.


Jesus optou pelos oprimidos e renegados, pelos miseráveis, leprosos, prostitutas, bandidos. Solidarizou-se com o refugo da sociedade em que viveu, contestou a ordem que os excluiu. O Cristo bíblico foi um dos primeiros e mais inspiradores defensores dos direitos humanos e morreu por isso.

Foi perseguido, supliciado e executado pelo Império Romano para servir de exemplo.

Assim como servem de exemplo os jovens que são espancados e crucificados em postes, na ilusão de que a violência se resolve com violência.

Conhecemos a mensagem cristã, mas preferimos a prática romana. Somos os algozes. Questiono-me sobre o que seria dele em nossa Jerusalém de justiceiros.

Não sei se sobreviveria. É perigoso defender a tolerância, o amor ao próximo e o perdão quando o ódio é tão banal. Como escreveu Guimarães Rosa: “quando vier, que venha armado”.

Não é difícil imaginar por onde ele andaria. Sem dúvida, não estaria com os fariseus que conclamam a violência e fazem negócios, inclusive políticos, em seu nome. Caminharia pelos presídios, centros de amnésia da nossa desumanidade, onde entulhamos aqueles que descartamos e queremos esquecer, os leprosos do século 21. Impediria que homossexuais fossem apedrejados, mulheres violentadas e jovens negros linchados em praça pública. Estaria com os favelados, sertanejos, sem tetos e sem terras.

Por ironia, no próximo Natal, aqueles que defendem a redução da maioridade penal, pregam o endurecimento do sistema prisional, sonham com a pena de morte e fingem não ver os crimes praticados pelo Estado contra os pobres receberão um condenado em suas casas.

Diante da mesa farta, espero que as ideias e a história desse homem sirvam, pelo menos, como uma provocação à reflexão. Paulo Freire dizia que amar é um ato de coragem. Deixemos então o ódio para os covardes.

Feliz Natal.

*Marcelo Freixo é historiador e deputado estadual (PSOL-RJ). Texto publicado na “Folha de S.Paulo”.

 


Enciclopédias
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Juca Kfouri

POR LUIZ GUILHERME PIVA

O Armando Nogueira é quem contou, já faz tempo.

Um senhor, passado bem dos sessenta, caminhava no Aterro do Flamengo e parou pra assistir a uma pelada. Sentou-se num degrau e ficou vendo a molecada jogar.

Com alguns minutos, um dos garotos se machucou e saiu. Pra não acabar a partida, alguns deles começaram a pedir ao senhor que entrasse. Ele negou, falou da idade, que só queria assistir. Mas insistiram, disseram que era só pra completar, ficar parado na defesa e o jogo prosseguir.

Ele foi. Mas houve uma discussão constrangedora em qual time o “velho” entraria – que ficaria mais fraco do que o outro, diziam. Tiraram no par ou ímpar. Ele aguardou e foi pro time que perdeu a aposta.

Aí o Armando Nogueira descreve deliciosamente a sequência de lances que o senhor exibiu. Domínio, passes, toques, enfiadas, matadas de peito, tudo com refinada elegância, para pasmo da molecada e para alegria do seu time, que deu um passeio e ganhou de goleada.

Acabado o jogo, a molecada o cercou, elogiou, perguntou quem ele era, pediu que ele voltasse sempre. Ele sorriu, passou a mão na cabeça de alguns e foi embora.

Nesta semana um bando de moleques cercou outro senhor e, ao contrário do caso acima, pediu que ele saísse do jogo. Ofendeu-o, disse que ele prejudicava o time (de quem? de quem?). Mais um pouco o agrediria.

O senhor sorriu, exalou tranquilidade, sabedoria, elegância, domínio, matadas de peito, dribles sutis, chutes suaves e certeiros como folhas secas – e, sem que os moleques percebessem, venceu-os de goleada, deu-lhes um passeio humilhante.

O senhor do primeiro caso era o Nilton Santos.

O do segundo, o Chico Buarque.

Ambos de igual estatura, de igual dignidade, de igual orgulho para os brasileiros.

E que saíram de situações parecidas ainda maiores do que sempre foram.

O que mudou diametralmente de uma situação para outra, com vertiginosa e lamentável piora em compostura e discernimento, foi a qualidade da molecada com que eles jogaram.

O que é muito, muito triste.
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Luiz Guilherme Piva publicou Eram todos camisa dez (Editora Iluminuras)


Mamãe Noel
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Juca Kfouri

POR LUIZ GUILHERME PIVA

Era o que ele mais gostava quando era menino.

Tinha um senhor que morava no fim da rua que no Natal enchia um caminhão-baú de bonecas e bolas, estacionava na praça, formava duas filas, de meninos e meninas, e distribuía tudo pra criançada.

Ele passava a semana anterior ansioso, vigiando da janela, contando horas e dias.

Quando ganhava a dele, vinha correndo eufórico, gargalhando, gritando, feliz como se tivesse ganhado o mundo inteiro.

Era a única coisa que ele ganhava. Viúva, pobre, mesmo tendo só ele de filho, que Natal eu poderia lhe dar?

Foram dez anos seguidos. Sei por causa das bolas que até hoje estão guardadas no quarto dele aqui em casa: em cada uma está escrito o ano em que ele a ganhou.

Nunca jogou com elas. Nem deixou que pegassem. Estão intactas. Passava pano, acariciava, ajeitava no lugar, mas não usava nem pra quicar.

Quando ele era rapazinho, o senhor faleceu e acabou a festa do caminhão-baú.

Meu filho foi estudar, trabalhar, viajou, ganhou algum dinheiro, mora longe, e só vem aqui pra me ver quando é Natal. Talvez porque não tenha ninguém, nem esposa nem filhos.

Ele vai até o quarto, pega as bolas, confere, diz “lembra, mãe?”. Ele, já um senhor, e eu, já bem velha, nos abraçamos. Fingimos não chorar.

Quase quarenta anos já esse ritual. Ele fica ali com as bolas um tempo, depois vai pra rua, anda nas redondezas e, depois de uns dias, logo depois do Natal, vai embora.

Este ano telefonou dizendo que não vem. Não explicou direito por quê. Falou de exames, doença leve, coisa à toa. Eu disse que entendia. Mas senti – mãe não se engana – que é coisa séria. Pela voz dele meu coração vislumbrou o fim de uma longa história.

Dele e minha.

Resolvi que vou abrir a varanda, chamar dez meninos desses que zanzam pela rua, fazê-los formar uma fila e dar a eles as dez bolas, com um beijo e um abraço em cada um.

O que eu mais quero é vê-los correr pela rua gargalhando, gritando, felizes como se tivessem ganhado o mundo inteiro.

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Luiz Guilherme Piva publicou “Eram todos camisa dez” (Editora Iluminuras).


Wladimir também endossa o manifesto “Por uma nova CBF”
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Juca Kfouri

POR WLADIMIR*

“Dedico total apoio a este manifesto.

É o legítimo sentimento de indignação de todos os brasileiros que se sentem traídos por uma gestão fraudulenta e inconseqüente de nosso maior orgulho, que é o futebol brasileiro”.


*Wladimir Rodrigues dos Santos foi um dos líderes da “Democracia Corinthiana”.

Se você também quiser  apoiar o manifesto, assine AQUI.

https://secure.avaaz.org/po/petition/Manifesto_por_uma_Nova_CBF/?nWlgZjb


Walter Salles apoia o manifesto “Por uma nova CBF”
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Juca Kfouri

POR WALTER SALLES*

“Ótima versão final.

Parabéns a todos que criaram um texto tão preciso e importante.

Torço para que o posicionamento de todos aqueles que querem romper esse ciclo horroroso da CBF consiga virar esse jogo viciado- e esse sistema falido.
Pela qualidade emblemática que o futebol tem no nosso país, essa é uma iniciativa que ultrapassa o esporte e ganha uma importância política vital.

É a sociedade civil, em seus diversos segmentos, reagindo contra aquilo que é ética e moralmente inaceitável.
Assino embaixo.”


*Walter Salles é o diretor de sucessos como “Central do Brasil”, “Diários de Motocicleta”, “Linha de Passe”, “Terra Estrangeira”, tantos ótimos filmes.

E se você também quiser apoiar o manifesto, clique AQUI.

https://secure.avaaz.org/po/petition/Manifesto_por_uma_Nova_CBF/?nWlgZjb

 


O depoimento inteiro de Nero na CPI do Futebol
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Juca Kfouri

Para quem tiver com dificuldades de pegar no sono, eis:

  

Notas Taquigráficas

16/12/2015 – 18ª – CPI do Futebol – 2015

Horário(O texto a seguir, após ser revisado, fará parte da Ata da reunião.)
14:45

15:00
O SR. PRESIDENTE (Romário. Bloco Socialismo e Democracia/PSB – RJ) – Passo palavra agora ao Relator, Senador Romero Jucá.
O SR. ROMERO JUCÁ (PMDB – RR) – Sr. Presidente, Senador Romário, Sr. Presidente da CBF licenciado, Dr. Marco Polo Del Nero; Dr. Batochio, que o acompanha; Srªs e Srs. Senadores, eu vou dividir os meus questionamentos em duas fases.
A primeira fase é uma fase que a imprensa tem noticiado, de alguma forma, e é, de certa forma, um dos pontos de averiguação desta CPI, que trata da questão da investigação da possibilidade de irregularidades na CBF, no que diz respeito à questão da Copa do Mundo e de benefícios feitos pelo governo.
A gente sabe que a CBF é uma empresa privada, um entendimento privado entre clubes e a Confederação (Fifa). Mas como na Copa do Mundo ocorreram isenções tributárias… Na verdade, essa CPI pediu as informações, no que diz respeito à questão de recursos do COL, exatamente para verificar o tipo de relação e a existência de algum tipo de irregularidade nessa questão.
Então, eu queria, apesar de V. Exª já ter falado na sua apresentação, fazer algumas indagações. Primeiro: Como o senhor vê essa investigação que está sendo feita na Fifa pelo governo americano e a prisão de diversos membros de direção na Fifa? Qual seu posicionamento sobre essa questão? Se V. Exª já foi intimado, se V. Exª está respondendo a algum tipo de questionamento
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e se esses questionamentos têm a ver com a questão da Copa do Mundo do Brasil, com esses incentivos que foram dados pelo Brasil, e de que forma isso tem repercussão na gestão da CBF.
Era a primeira pergunta. A partir daí eu vou….
O SR. PRESIDENTE (Romário. Bloco Socialismo e Democracia/PSB – RJ) – Presidente, você pode responder a todas as perguntas, por favor.
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Bem, posso começar de trás para adiante, Senador?
O SR. ROMERO JUCÁ (PMDB – RR) – Pois não.
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Com relação às investigações da Fifa. É um assunto sobre o qual o governo americano apurou determinados fatos. Está sendo investigado. Para mim, foi uma surpresa muito grande as pessoas envolvidas. Enfim, não tenho detalhes do que está ocorrendo nesses procedimentos dos Estados Unidos da América. Então não tenho muito o que falar sobre isso. Não sei. Sei que determinadas pessoas foram presas e acusadas de determinados fatos. Temos de ter a presunção de inocência e esperar o final disso tudo para saber se são culpados ou inocentes.
Com relação ao COL. Assumi o COL agora em abril de 2015. Sempre estive muito distante. Apenas participava de algumas reuniões de board meeting que a Fifa vinha ao Brasil fazer junto com o COL. Mas está aqui o advogado do COL, o Dr. Alvaro, que pode dar uma explicação, se for permitido.
O SR. ROMERO JUCÁ (PMDB – RR) – Na questão do COL estou apenas indagando a V. Sª…Nós pedimos a quebra do sigilo do COL exatamente para verificarmos que tipo de encaminhamento de despesas foi feito. No momento em que as informações forem checadas, vamos convidar o advogado e quem for necessário para fazer qualquer tipo de esclarecimento. Apenas queria saber se V. Sª tem conhecimento de alguma irregularidade na gestão do COL, durante a Copa do Mundo, e se isso tem alguma ramificação com a CBF?
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Nenhuma informação de qualquer irregularidade no COL.
O SR. ROMERO JUCÁ (PMDB – RR) – V. Sª tem alguma informação acerca de irregularidades ou transações da CBF com o Governo brasileiro ou com alguma entidade pública que possa ter desvirtuado o objetivo dessas ações com qualquer tipo de desvio de recursos públicos ou de ação de cobrança de propina, de ações nesse sentido com relação ao Governo ou algum tipo de verba pública?
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Não tenho notícia nenhuma a respeito disso, Senador. Nós temos… Mesmo porque o COL acompanhava essas operações. As obras eram governamentais, não tinham nenhuma relação com o COL. O COL tinha um caderno de encargos e o Governo brasileiro se incumbiu de fazer obras. As obras foram feitas pelo Governo, não foram feitas pelo COL.
O SR. ROMERO JUCÁ (PMDB – RR) – Bom, queria passar agora para a área propositiva e de definição das questões do futebol brasileiro.
Nós temos ouvido aqui…Nós ouvimos presidentes de federações, dirigentes de clubes. A gente constata uma situação de extrema dificuldade, tanto da federação quanto dos clubes, no que diz respeito à renda e à sustentação de talentos de jogadores aqui no campeonato do Brasil. A gente vê meninos de 13, 14 anos, sendo vendidos, indo treinar fora. Estamos discutindo aqui de que forma a gente pode fortalecer a gestão do futebol brasileiro para possamos ter um outro tipo de situação.
Um dos pontos recorrentes aqui é exatamente a questão dos empresários que são donos dos contratos de jogadores de futebol. Na verdade, terminam os clubes recebendo quase nada. Há um comércio, inclusive, com muitas denúncias de irregularidades nessas transações.
Queria saber, sob a ótica de V. Sª – que é atualmente Presidente licenciado, mas que já tem uma longa experiência nessa questão da federação de São Paulo – , que tipo de visão o senhor tem sobre isso, que tipo de mudança deveria haver no futebol brasileiro, qual a sua visão no sentido de como fortalecer os clubes. Há uma discussão aqui, por exemplo
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discussão aqui, por exemplo, de se acabar com a questão do passe para os empresários e os clubes serem donos dos passes dos jogadores, para que a renda pudesse ser auferida pelos clubes. Eventualmente, alguém poderia ser agente de comercialização, mas não haveria o loteamento de jogadores, como existe hoje no futebol brasileiro, que gera uma distorção do modelo de arrecadação. Portanto, existem hoje empresários ricos, clubes pobres e jogadores brasileiros jogando no exterior.
Queria saber a opinião de V. Exª sobre isso, com a sua experiência e que tipo de proposição e análise a CBF está fazendo hoje para tentar reverter esse quadro.
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Antigamente, outrora, antes da Lei Pelé, as coisas fluíam muito bem para os clubes e para os atletas, porque os atletas menores de 16 anos, caso quisessem se transferir para outro clube e não houvesse acordo entre os clubes, ele era obrigado a ficar dois anos em estágio no clube sem participar de competições.
Isso impedia que os clubes grandes tirassem os jogadores dos clubes pequenos; isso permitia aos clubes pequenos, num determinado instante, negociar com os clubes grandes sobre determinados jogadores.
Hoje a lei aberta como está, os clubes simplesmente vão lá, fazem um depósito de um determinado valor, insignificante, e levam o jogador embora. Então, temos que fazer uma legislação apropriada sobre isso. É aqui no Congresso que temos que buscar esse resultado. Tem muitos Deputados aqui que são presidentes de clubes menores, alguns Deputados presidentes de clubes maiores, que sabem as dificuldades que passam o futebol em relação a esses fatos.
É sumamente importante que o Congresso Nacional ajude nesse sentido, porque os clubes pequenos estão passando grandes dificuldades exatamente por causa disso. Os meninos são levados sem que haja uma remuneração, sem que seja pactuada uma remuneração entre o que for amador e o clube que está adquirindo.
Já há uma melhora, porque há uma lei que protege alguma coisa, mas é muito pouco. Veja, Sr. Senador Relator, um menino com menos de 14 anos não pode trabalhar no clube, não pode jogar futebol. A lei brasileira proíbe que o menor de 14 anos participe de atividades em clube. O Ministério do Trabalho tem ido nos clubes e tem multado os clubes, por entender que é trabalho e o menor de 14 anos não pode trabalhar. Isso é o que mais rapidamente temos que resolver.
Enquanto que no mundo inteiro as crianças começam a jogar futebol com seis anos, oito anos nos clubes, aqui no Brasil é proibido. Está aqui um presidente de clube grande, ex-presidente Deputado Andres Sanchez, que pode testemunhar isso.
Esse é o grande problema que estamos enfrentando e que precisamos resolver imediatamente, porque no espaço de 8 ou 10 anos certamente vai ficar muito distante o Brasil em relação ao mundo, porque o futebol do mundo inteiro, da Europa, da Ásia, da África recolhe esses meninos de 6 anos, 8 anos, e começam a praticar esporte dentro das suas associações. Aqui no Brasil não pode, é proibido por lei federal.
A exportação de jovens talentos é bastante complicada. A FIFA procura coibir isso, mas o que acontece é que os empresários arrumam emprego para os pais lá fora, na Espanha, na Itália, na França e os pais levam o rebento, levam as crianças junto. A FIFA tem procurado monitorar esse fato, mas é muito difícil. É importante que tivéssemos também algum remédio jurídico no Brasil, uma legislação pertinente para impedir isso, porque essas crianças estão indo para Europa com 6 anos, 8 anos, e lá eles podem jogar futebol, aqui não podem num clube grande. Com essa idade eles começam a vivenciar a bandeira do país
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a bandeira do país em que ele está vivendo. Ele começa a amar o local que o recebeu, e muitos jogadores brasileiros já pediram dupla cidadania, estão esquecendo a cidadania brasileira, e um craque já deixou de servir a seleção brasileira para servir a seleção da Espanha. Isso é um fato profundamente lamentável. Temos que tomar uma providência urgente no sentido de viabilizar. Mas tudo começa no lado infantil. Se só pode jogar futebol a partir de 14 anos. Essas crianças vão embora mesmo.
Então, aqui no Congresso é que nós temos que resolver essa situação, permitindo que essas crianças pratiquem futebol com seis, sete, oito, nove, dez, onze, doze, treze até ela poder desenvolver e ter seu sucesso dentro de um clube de futebol.
Não havendo essa modificação, certamente, Senador, nós vamos ficar muito tempo perdendo valores, e o Brasil vai ficar, nesses próximos dez anos, muito distante da realidade do futebol mundial, porque esses grandes talentos começam com seis, oito anos. O Neymar começou cedo a jogar futebol. Perceberam que ele tinha talento para jogar futebol e já foi protegido. Com essa legislação que nós temos hoje, ele poderia ter sido levado embora naquela época.
Então, nós temos que tomar uma medida drástica, rapidamente, nesse sentido, a meu ver.
O SR. ROMERO JUCÁ (PMDB – RR) – Eu queria tratar agora da questão da transparência e gestão tanto da CBF quanto das federações.
Nós tivemos, recentemente, uma legislação que criou um parcelamento e alguns critérios para a gestão dos clubes. Alguns clubes estão reclamando sobre essa questão, dizendo que vão ficar inviabilizados de participar dos campeonatos por conta das exigências. Eu queria ouvir também a sua posição sobre isso.
Mas, nessa legislação, permitiu-se apenas uma reeleição de presidente de federação e criaram-se alguns tipos de mecanismos de transparência.
Eu perguntaria se a CBF está acompanhando isso, se há mais algum dispositivo de gestão, de modernização, enfim, de assistência técnica até à modernização das federações. Como a CBF viu essa nova legislação? Existe essa dificuldade de pactuação e de participação nos campeonatos de alguns clubes que não terão certidão da forma como a legislação permite? E que tipo de proposição a CBF está fazendo para modernizar tanto a gestão e a transparência da CBF quanto das federações?
O SR. MARCO POLO DEL NERO (Fora do microfone.)
…e o Deputado Luiz Sanches também, que acompanharam, em São Paulo, prepararmos esse projeto que virou o Pró-Fut.
Não era bem assim; era um projeto completamente diferenciado. O nosso projeto era que as dívidas dos clubes fossem pagas pelos clubes mediante contrapartida em formação de atividades para as Olimpíadas tais como arco e flecha, basquete, vôlei. Na medida em que os clubes fizessem essas – porque o clube tem essa experiência; ele conhece profundamente como se faz isso – competições, eles poderiam ir pagando as suas dívidas com a União. Mas, infelizmente, isso tomou um outro rumo, e nós estamos com esse Pró-Fut, que é sumamente delicado.
Há de se dizer, Sr. Relator, que há necessidade de mudanças urgentes. Há, de fato, um paradigma, nesse momento, de você proibir que o clube tenha dívidas. Isso é importante. Nós fizemos, em 2004, esse projeto de lei, que, depois, foi aprovado aqui. Isso é muito importante. O clube quer isso. Ele quer pagar a conta, desde que o outro também pague. Agora, um clube paga a conta direitinho; o outro não paga a conta, faz contratações irreais, que não vai pagar, disputa a competição e ganha. Então, os próprios clubes têm muito interesse em que todos sejam iguais, que haja uma lei para todos e que todos sejam punidos se fizerem alguma coisa fora da normalidade
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que é entre a receita e a despesa.
Esse paradigma eu vejo sumamente importante, está vigendo, mas nós temos que fazer alguns reparos, porque essa certidão inviabiliza os clubes neste instante. Nós temos que dar um tempo para que os clubes se ajustem. Como será o Campeonato Brasileiro de 2016? Todos terão a certidão? Não creio que todos terão a certidão. E daí vai para o aspecto financeiro e deixa o desportivo, sem que ele tivesse tempo suficiente, ou seja, dois ou três anos para a preparação.
É isso que eu entendo que deva ser feito.
O SR. ROMERO JUCÁ (PMDB – RR) – Presidente Romário, para não ficar (Fora do microfone.)
monopolizando as perguntas, eu me reservo o direito de, depois, perguntar algumas questões. Mas, por enquanto, estou satisfeito e devolvo a palavra para V. Exª.
O SR. PRESIDENTE (Romário. Bloco Socialismo e Democracia/PSB – RJ) – Muito obrigado, Senador.
Eu tenho aqui algumas perguntas. E, da mesma forma que foi feito com o relator, será feito também comigo e com os outros participantes aqui desta CPI.
O senhor entende que esta CPI foi criada com o objetivo de reorganizar o futebol e, principalmente, de moralizá-lo. Então, no meu entendimento – e acredito que no entendimento de todo os Senadores aqui presentes –, essas perguntas feitas são de grande importância e, suas respostas, com certeza, de grande relevância. Esperamos, eu acredito que não seja diferente, que sejam verdadeiras essas respostas. Posso afirmar isso, que são verdadeiras as respostas que o senhor tem dado aqui?
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Desde que eu possa responder à altura, posso, não tenho dúvida nenhuma. O que eu puder responder. Estou aqui para responder às perguntas que me for possível responder.
O SR. PRESIDENTE (Romário. Bloco Socialismo e Democracia/PSB – RJ) – Muito bem, a primeira pergunta é: o senhor está formalmente indiciado pela Justiça americana, acusado de participação em esquema criminoso que envolve mais de 200 milhões de dólares em recebimento de propinas. Até então o senhor negava ser o conspirador da denúncia inicial. E agora? Como negar a sua participação nesse esquema?
Essa é a minha primeira pergunta, eu gostaria que o senhor respondesse.
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Senador, as pessoas podem serem indiciadas, mas com o direito de fazer a sua defesa. E eu vou ter esse direito, eu vou provar que há um equívoco muito grande desse indiciamento do governo americano.
O SR. PRESIDENTE (Romário. Bloco Socialismo e Democracia/PSB – RJ) – Muito bem.
O atual presidente em exercício da CBF, indicado pelo senhor, um aliado histórico, publicou artigo no último domingo em que afirma: “A derrota para a Alemanha na semifinal da Copa de 2014 expôs ao mundo o perigoso estágio de paralisia, letargia e atraso do futebol brasileiro”. O senhor concorda com isso? Sente-se como responsável?
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Desculpe, o ex-presidente?
O SR. PRESIDENTE (Romário. Bloco Socialismo e Democracia/PSB – RJ) – O presidente atual da CBF, colocado pelo senhor.
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Ah sim, o Deputado Marcus Vicente. Sei.
O SR. PRESIDENTE (Romário. Bloco Socialismo e Democracia/PSB – RJ) – É. A frase dele foi: “A derrota para a Alemanha na semifinal da Copa de 2014 [por sete a um] expôs ao mundo o perigoso estágio de paralisia, letargia e atraso do futebol brasileiro”. A pergunta é: o senhor concorda com isso? E outra é: o senhor também se sente responsável por isso?
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Acho que todo o brasileiro se sente responsável, principalmente aquele que é dirigente. Eu assumi… há necessidade de entender, e o nobre Presidente conhece, como funciona um clube. Quem manda dentro do clube é o presidente da entidade. O diretor de futebol cumpre determinações, faz contratações junto com o presidente e com o apoio do presidente.
Eu entendo que nós temos que fazer algumas melhorias. Nós não podemos dizer que isso aqui é terra arrasada! O futebol morreu! O futebol é fraco! O futebol brasileiro não serve para nada! O Brasil perdeu da Alemanha. A Alemanha foi jogar com a Argentina, perdeu da Argentina logo em seguida. O Brasil, logo em seguida, foi jogar com a Argentina e ganhou. Então, aquele dia, sete a um, foi uma tragédia! Caiu um prédio em cima dos jogadores brasileiros. Agora, chamar o futebol brasileiro de terra arrasada, eu não posso chamar de terra arrasada não. Os jogadores brasileiros são os melhores jogadores do mundo. Nós temos grande quantidade de valores. Nós temos tudo para poder voltar a ser campeões agora mesmo, nas Olimpíadas, e, muito provavelmente, em 2018.
O SR. PRESIDENTE (Romário. Bloco Socialismo e Democracia/PSB – RJ) – O senhor declarou, na Câmara dos Deputados, em audiência pública em junho, que “renuncia quem tem alguma coisa errada na vida. Eu não renuncio, vou até o final do meu mandato”.
Agora que o senhor
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vou até o final do meu mandato. Agora que o senhor se licenciou do cargo, pediu para sair dos cargos da FIFA e da Conmebol, enfim, o senhor tem consciência de que errou?
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Não, não errei não, Deputado. Não errei não.
O SR. PRESIDENTE (Romário. Bloco Socialismo e Democracia/PSB – RJ) – Então, já que o senhor não errou, eu queria só saber…
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Eu tenho consciência absoluta.
O SR. PRESIDENTE (Romário. Bloco Socialismo e Democracia/PSB – RJ) – … por que o senhor pediu licença da FIFA, da CBF e da Conmebol.
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Eu pedi licença da CBF para poder me defender; e da FIFA e da Conmebol, da mesma forma: para poder me defender dessas acusações. Você tem que colher documentos, fazer a preparação, entregar para o seu advogado, para o seu advogado poder fazer a defesa correta. Essa é uma presunção de inocência que todos nós temos, deve ser respeitada. E a Constituição, Carta Magna soberana do nosso povo… E eu tenho o direito e vou demonstrar a minha inocência.
O SR. PRESIDENTE (Romário. Bloco Socialismo e Democracia/PSB – RJ) – Por que o senhor não viajava com a Seleção quando o senhor era Presidente?
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Porque os meus advogados me aconselharam a não fazê-lo.
O SR. PRESIDENTE (Romário. Bloco Socialismo e Democracia/PSB – RJ) – Com a preocupação de talvez ser preso pelo FBI?
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Não sei. Os advogados aconselharam a não fazê-lo, Deputado.
O SR. PRESIDENTE (Romário. Bloco Socialismo e Democracia/PSB – RJ) – O seu antecessor na Presidência da CBF, José Maria Marin, está preso. Ele é acusado de inúmeros atos de corrupção, e o senhor herdou a gestão da CBF. No período da sua presidência – a primeira pergunta –, o senhor investigou a gestão do Sr. José Maria Marin? E o que o senhor teria a dizer sobre os atos praticados pelo seu antecessor?
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Eu não vi nada que ele cometesse de irregularidade. Eu não vi nada.
O SR. PRESIDENTE (Romário. Bloco Socialismo e Democracia/PSB – RJ) – Ele é inocente?
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Ele tem o direito de defesa, não é? Eu não posso dizer por ele.
O SR. PRESIDENTE (Romário. Bloco Socialismo e Democracia/PSB – RJ) – O FBI está errado então.
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Eu não posso falar por ele. Eu posso falar por mim. A pergunta foi destinada a mim, eu vou responder a minha pessoa.
O SR. PRESIDENTE (Romário. Bloco Socialismo e Democracia/PSB – RJ) – Então tudo isso foi inventado, na concepção do FBI?
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Não sei. Pode ser que sim.
O SR. PRESIDENTE (Romário. Bloco Socialismo e Democracia/PSB – RJ) – Tanto do senhor como do José Maria Marin?
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Pode ser que sim. Não sei. Pode ser que as provas estejam equivocadas. Nós temos que esperar transitar em julgado,para considerar alguém culpado. É isso que diz a nossa Constituição.
O SR. PRESIDENTE (Romário. Bloco Socialismo e Democracia/PSB – RJ) – Ele já está preso.
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Mas preso não significa que ele é culpado. Ele não está condenado.
O SR. PRESIDENTE (Romário. Bloco Socialismo e Democracia/PSB – RJ) – Está certo.
Ao longo dos últimos anos, temos visto no noticiário uma série de escândalos envolvendo as gestões da CBF. A compra da sede e os principais torneios promovidos pela CBF nos últimos anos estão envoltos em contratos obscuros e acusações de corrupção.
Os três últimos presidentes da CBF, incluindo o senhor, foram indicados por corrupção, lavagem de dinheiro e outros crimes. Um deles, José Maria Marin, está preso em prisão domiciliar. O senhor acha que o modelo de gestão facilita a corrupção? Em sua opinião, o que precisa mudar?
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Nós contratamos… Logo que eu assumi….
O SR. PRESIDENTE (Romário. Bloco Socialismo e Democracia/PSB – RJ) – Antes de responder, na verdade, fora os senhores saírem, o que precisa mudar? Pode responder.
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Logo no início da minha administração, em abril de 2015 – portanto, oito, nove meses atrás –, eu contratei uma das maiores empresas que pudesse trazer a governança, que pudesse nos indicar os melhores caminhos de administração. Isso está praticamente terminado. Nós vamos começar a implantar muito proximamente. Tudo isso pode viabilizar muita coisa que possa estar errada – não estou dizendo que tenha alguma coisa errada –, que possa estar errada no futuro. Também eu era vice-presidente da casa e sempre respeitava as decisões da Presidência. Eu não era um fiscal do presidente, também não estou dizendo que ele fez qualquer coisa errada na Confederação Brasileira de Futebol. O que eu posso afirmar é que as contas dele foram aprovadas, mercê de um exame de um conselho fiscal e de uma auditoria terceirizada.
O SR. PRESIDENTE (Romário. Bloco Socialismo e Democracia/PSB – RJ) – A CBF é uma instituição corrupta?
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Não. Que eu saiba, não. Eu não sou corrupto.
O SR. PRESIDENTE (Romário. Bloco Socialismo e Democracia/PSB – RJ) – A CBF é uma instituição corrupta?
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Não.
O SR. PRESIDENTE (Romário. Bloco Socialismo e Democracia/PSB – RJ) – Acusação recente de…
O SR. MARCO POLO DEL NERO – A CBF é formada da sua presidência e de 200 funcionários. Eu respeito todos.
O SR. PRESIDENTE (Romário. Bloco Socialismo e Democracia/PSB – RJ) – Recentemente, foi divulgado pela Justiça americana (cita nas páginas 48 e 79) que o senhor pediu e recebeu propina do Sr. Alejandro Burzaco, da empresa argentina Torneos y Competencias. Essa propina seria relativa a várias edições da Copa América e da Copa Libertadores.
O senhor conhece o Sr. Alejandro Burzaco? O senhor recebeu propina dessa empresa?
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Conversei duas ou três vezes na vida com ele. Quem assinava documentos não era eu. Eu nunca assinei documentos.
O SR. PRESIDENTE (Romário. Bloco Socialismo e Democracia/PSB – RJ) – Quem assinava?
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Quem assinava era a Conmebol.
15:35
O SR. PRESIDENTE (Romário. Bloco Socialismo e Democracia/PSB – RJ) – No processo de justiça americano, o senhor era acusado de fraude, corrupção, lavagem de dinheiro…
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Perdão, posso interromper?
O SR. PRESIDENTE (Romário. Bloco Socialismo e Democracia/PSB – RJ) – Claro.
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Não existe nenhum contrato, que eu saiba, da CBF com essa empresa do Alejandro Burzaco.
O SR. PRESIDENTE (Romário. Bloco Socialismo e Democracia/PSB – RJ) – Aqui diz que existe. O senhor desconhece os contratos?
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Desconheço os contratos, mas tenho certeza… Quase certeza de que não existe.
O SR. PRESIDENTE (Romário. Bloco Socialismo e Democracia/PSB – RJ) – Mas o senhor, então, no período em que esteve como presidente da CBF, o senhor não levantou, como tem que fazer qualquer outro presidente, tudo aquilo que a CBF tem ou não tem, principalmente contratos com empresas ou com outra qualquer entidade?
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Não… Agora eu sei porque eu sou o presidente…
O SR. PRESIDENTE (Romário. Bloco Socialismo e Democracia/PSB – RJ) – Mas antes o senhor não sabia que era? O senhor sabe que é o presidente agora, antes o senhor não sabia, quando assumiu?
O SR. MARCO POLO DEL NERO – O regime é presidencialista, não é? Nós temos que respeitar o presidente. Eu tenho…
O SR. PRESIDENTE (Romário. Bloco Socialismo e Democracia/PSB – RJ) – Não, o senhor não entendeu a pergunta. A pergunta que eu falo… Se o senhor, quando assumiu a CBF como presidente, o senhor não viu todos os contratos que existiam entre a CBF e… Todos os contratos que a CBF tinha?
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Eu cheguei a ver alguns contratos. Muitos contratos eu vi, sim.
O SR. PRESIDENTE (Romário. Bloco Socialismo e Democracia/PSB – RJ) – Não todos?
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Todos os contratos datam… Não dá para ver todos, são centenas de contratos.
O SR. ROMÁRIO (Bloco Socialismo e Democracia/PSB – RJ) – E esse, por exemplo, com as empresas argentinas poderia ter sido um que o senhor não percebeu?
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Esse contrato, Senador, é feito com a Conmebol, não é com a Confederação Brasileira de Futebol.
O SR. PRESIDENTE (Romário. Bloco Socialismo e Democracia/PSB – RJ) – O.k. Perfeito. No processo da justiça americana, o senhor é… Desculpe, eu já fiz essa pergunta.
Em 2013, o senhor declarou ter quitado um contrato de multa no valor de R$700 mil com o advogado Angelo Verospi. No mesmo ano em que ele vendeu um apto de R$2.340.000 milhões para Wagner Abrahão, um empresário que tem inúmeros negócios com a CBF. O senhor poderia nos explicar qual foi o objetivo desse contrato com o Sr. Angelo Verospi e como o senhor pagou essa dívida?
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Está no meu imposto de renda. É um mútuo que eu fiz com ele. Eu precisei de um dinheiro emprestado, R$600 ou R$700 mil, não me lembro exatamente quanto e eu o paguei. Paguei com dinheiro saindo da minha conta-corrente.
O SR. PRESIDENTE (Romário. Bloco Socialismo e Democracia/PSB – RJ) – Quem é o Sr. Angelo Verospi? O que ele faz? Onde o senhor o conheceu?
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Ele é um advogado. Advogado e um amigo nosso.
O SR. PRESIDENTE (Romário. Bloco Socialismo e Democracia/PSB – RJ) – Advogado?
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Advogado.
O SR. PRESIDENTE (Romário. Bloco Socialismo e Democracia/PSB – RJ) – De acordo com as investigações desta CPI, o Comitê Organizador da Copa do Mundo de 2014, o COL, pagou R$985 mil a título de participação nos lucros ou resultados para o Sr. José Maria Marin em 2013 porque ele era o presidente do COL. Esse pagamento contraria o próprio regulamento do COL, que dizia que os lucros deveriam ser alocados em contas de reserva e só poderiam ser distribuídos após a final da Copa do Mundo.
Pois bem. O Sr. José Maria Marin possui apenas uma cota de um total de dez mil cotas do COL. O acionista majoritário é a CBF, da qual o senhor era vice-presidente à época. Se a proporção de distribuição de lucros fosse respeitada, a CBF deveria ter recebido quase R$10 bilhões do COL.
O senhor atualmente é o diretor-presidente do COL e, portanto, conhece a situação pelos dois lados. A CBF recebeu algum recurso do COL a título de participação dos lucros?
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Não, não recebeu. Que eu saiba, não recebeu. Está aqui o advogado…
O SR. PRESIDENTE (Romário. Bloco Socialismo e Democracia/PSB – RJ) – E por que o Sr. José Maria Marin recebeu?
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Está aqui o advogado do COL, que poderá informar inclusive sobre esse pagamento mencionado pelo senhor. Está aqui o advogado do COL, que tem todos os dados aqui. Se o senhor permitir, ele explica para o senhor agora.
O SR. PRESIDENTE (Romário. Bloco Socialismo e Democracia/PSB – RJ) – A empresa Atena, cujo sócio é o Sr. Wagner Abrahão, velho conhecido dos negócios da CBF, depois de aberta, recebeu um depósito de R$4.782.945,09 milhões, vindo da CBF, em março de 2015. Em seguida, a empresa fez um saque de R$1,5 milhão na boca do caixa, além de uma provisão de saque de mais de R$3 milhões. O senhor poderia nos esclarecer por que a CBF contratou uma empresa recém-criada e qual foi o objetivo desse contrato? E qual seria o motivo desse depósito?
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Não tenho como informar. Eu assumi em abril de 2015. Não conheço…
O SR. PRESIDENTE (Romário. Bloco Socialismo e Democracia/PSB – RJ) – Pelo que eu estou vendo, o senhor não tem muita noção e muita consciência do que acontece na CBF, né?
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Não, tenho consciência a partir de abril de 2015…
O SR. PRESIDENTE (Romário. Bloco Socialismo e Democracia/PSB – RJ) – Não, pelo que eu estou vendo, toda vez o senhor diz que não sabe, “não sei”…
O SR. MARCO POLO DEL NERO – A partir de abril de 2015, o que o senhor perguntar, eu respondo.
O SR. PRESIDENTE (Romário. Bloco Socialismo e Democracia/PSB – RJ) – Mas o senhor era vice nessa época.
O SR. MARCO POLO DEL NERO – O vice é vice. Vice não manda, né?
O SR. PRESIDENTE (Romário. Bloco Socialismo e Democracia/PSB – RJ) – Está certo.
O SR. MARCO POLO DEL NERO – O vice é sempre vice. Vice é uma expectativa de direito.
15:40
expectativa de direito.
O SR. PRESIDENTE (Romário. Bloco Socialismo e Democracia/PSB – RJ) – O senhor sabe que nós, aqui, estamos numa situação bem interessante em relação a uma mudança definitiva para o nosso futebol.
O senhor, hoje, na minha visão – aprendi já há muitos anos a falar por mim –, é uma pessoa muito mal vista dentro do futebol. Para mim, o senhor é uma das pessoas que mais fazem mal ao futebol brasileiro e, consequentemente, ao futebol mundial.
Eu queria, aqui, em público, fazer um pedido a V. Exª, ao senhor: que o senhor se retirasse definitivamente da CBF para que possamos, daqui para a frente, voltar a ter uma CBF honesta, não corrupta, séria e que possa realmente ajudar o nosso futebol brasileiro, principalmente a Seleção brasileira. Porque, infelizmente, esses atos de corrupção que o senhor, o Sr. Ricardo Texeira, o José Maria Marin e outros aliados, que são muitos e que são da CBF,… são realmente o câncer do nosso futebol. Por isso, posso afirmar que o nosso futebol está vivendo este momento ridículo, tanto fora quanto dentro de campo.
Isso não é pergunta, não. Isso é afirmação que estou fazendo, aqui, para o senhor.
Eu vou aqui, agora, passar a palavra ao Senador Ciro Nogueira para fazer as suas perguntas.
O SR. CIRO NOGUEIRA (Bloco Parlamentar Democracia Progressista/PP – PI) – Sr. Presidente, Sr. Relator, agradeço a presença do nosso Presidente Marco Polo.
Tenho alguns questionamentos, Sr. Presidente.
A minha primeira pergunta é a seguinte: a CBF recebe alguma forma de pressão dos seus patrocinadores a respeito dos locais dos jogos da Seleção brasileira?
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Não, em hipótese alguma. Não! Não!
O SR. CIRO NOGUEIRA (Bloco Parlamentar Democracia Progressista/PP – PI) – Perfeito.
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Nunca ouvi falar sobre isso. E agora nós temos um relacionamento, o nosso departamento de marketing faz uma aproximação muito importante com os patrocinadores. Os patrocinadores são pessoas, são empresas que devem ser muito bem tratadas; são parceiros da entidade.
Então, nunca ouvi falar em nada disso. Nem seria cabível isso.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – E como são decididos os locais? Desculpe-me, Senador Ciro, só para completar a pergunta. Como são decididos os locais dos jogos da Seleção?
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Os locais são decididos da seguinte forma. Por exemplo, foi escolhido o primeiro jogo da Seleção no Estado do Ceará. Eu conversei com o Departamento de Competições, e ele me fez ver que aquele Estado era o melhor para iniciar a competição. O outro jogo que nós fizemos foi no Estado da Bahia. Novamente me reuni com o Departamento de Competições, e nós discutimos qual seria o melhor. A orientação dele foi de que seria melhor no Estado da Bahia. Também conversamos com o Departamento de Seleções. Eles são ouvidos também.
Neste caso, o futuro jogo da Seleção, em março, está previsto para ser em Pernambuco. Então, são discussões administrativas que faço exclusivamente dentro da Seleção brasileira sem nenhuma solicitação de alguém. Aliás,…
O SR. PRESIDENTE (Romário. Bloco Socialismo e Democracia/PSB – RJ) – Não há nenhuma influência política? Não há nenhuma influência política nessa escolha?
O SR. MARCO POLO DEL NERO – … houve uma solicitação, houve uma solicitação…
Só respondendo, se o senhor me permite.
Houve uma solicitação, senhor, do Presidente do Uruguai, que queria jogar o jogo do Brasil contra o Uruguai, no Brasil, lá no Estado do Rio Grande do Sul. A Seleção brasileira e o Departamento de Competições entenderam que não, que tinha que ser em Pernambuco. E, assim, foi feito. É estratégico, não muito do Presidente, muito mais do Departamento de Competições, muito mais do Departamento de Seleções e muito menos do Presidente. O Presidente só dá o o.k., afirma.
O SR. CIRO NOGUEIRA (Bloco Parlamentar Democracia Progressista/PP – PI) – Complementando a minha pergunta, Sr. Presidente – eu sei que o senhor está afastado da Presidência da CBF e parabenizo a escolha que foi feita do Deputado Marcus Vicente, que tenho certeza que vai desenvolver um grande trabalho lá –, mas que se levem em conta esses Estados que não foram agraciados com os jogos da Copa do Mundo. Em relação a isso, o meu Piauí está de braços abertos para receber jogos da Seleção.
ORADOR NÃO IDENTIFICADO (Fora do microfone.) – Já que está no Nordeste, não é?
O SR. CIRO NOGUEIRA (Bloco Parlamentar Democracia Progressista/PP – PI) – Já que está no Nordeste…
Mas que se leve isso em conta. Acho que seria justo com o restante do País,
15:45
já que… Eu acho que dez Estados foram agraciados com jogos da Seleção. Eu tenho certeza de que os outros Estados vão receber muito bem a Seleção brasileira.
O SR. CIRO NOGUEIRA (Bloco Parlamentar Democracia Progressista/PP – PI) – A minha segunda pergunta, Sr. Presidente, diz respeito justamente a esses Estados que não foram agraciados e que ficaram de receber o famoso legado da Copa. Eu gostaria de saber em que pé está a construção desses Centros de Treinamento e se a CBF já definiu quem serão os donos desses Centros de Treinamento nos seus Estados.
O SR. MARCO POLO DEL NERO – O que foi acertado em documento com a Fifa foi que seriam agraciados com esses centros, com esses legados, os 15 Estados que não tiveram a Copa do Mundo. Então, esses 15 Estados serão agraciados com o legado da Copa do Mundo. E esse processo está em andamento. Agora, face à situação crítica que a Fifa está vivendo, ela pediu que suspendêssemos até a nova administração.
O SR. CIRO NOGUEIRA (Bloco Parlamentar Democracia Progressista/PP – PI) – Perfeito.
Minha última pergunta, Sr. Presidente, diz respeito ao fato de que chegou ao conhecimento de que a CBF contratou a firma Ernst & Young, não é?
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Não entendi, Senador.
O SR. CIRO NOGUEIRA (Bloco Parlamentar Democracia Progressista/PP – PI) – A firma é…
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Ernst & Young. Sei, sei!
O SR. CIRO NOGUEIRA (Bloco Parlamentar Democracia Progressista/PP – PI) – A CBF contratou Ernst & Young, não é?
E eu gostaria de saber o que a CBF tem já apresentado sobre esse trabalho e quais são as sugestões – até para o caso de o senhor deixar aqui para o nosso Relator – que possa apresentar. É lógico que nós temos de esclarecer qualquer malfeito que, por acaso, tenha ocorrido em gestões anteriores. Mas o que mais me preocupa é o que a CPI vai deixar de legado para o futebol brasileiro, quais são as propostas que nós podemos ter no trabalho do nosso grande Relator, Romero Jucá.
Eu gostaria muito que o senhor falasse, até como forma de sugerir posições e ações que esta CPI possa tomar para que se transforme numa legislação que possa ajudar o nosso futebol.
O SR. MARCO POLO DEL NERO – A Ernst & Young está terminando um caderno de orientação sobre o que deve ser feito para a CBF melhorar na sua forma de administração. E sobre todos os temas: funcionários, cargos, futuro, governança, ética, tudo isso está sendo feito. E esse caderno de encargos deve estar sendo entregue à CBF agora, porque eles estão finalizando o serviço.
Tão logo tenha esse caderno de encargo, eu me comprometo a passar aos senhores e ao comando da Comissão Parlamentar de Inquérito, porque é muito importante. É sumamente importante isso. É muito bom, será muito bem-vindo. Todos os funcionários da CBF foram ouvidos, todos os departamentos participaram. Foi um trabalho muito bom, muito positivo. Eu tenho certeza de que vai trazer para o futebol brasileiro muita coisa boa, se nós seguirmos essas regras. E nós vamos segui-las.
O SR. CIRO NOGUEIRA (Bloco Parlamentar Democracia Progressista/PP – PI) – Já tem prazo de conclusão esse trabalho?
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Eu tenho a impressão de que é por esses dias, Senador.
O SR. CIRO NOGUEIRA (Bloco Parlamentar Democracia Progressista/PP – PI) – Perfeito.
Então são esses os meus questionamentos, Sr. Presidente.
Muito obrigado!
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Obrigado!
O SR. PRESIDENTE (Romário. Bloco Socialismo e Democracia/PSB – RJ) – Presidente, eu perguntei ao senhor, antes, se o senhor falaria a verdade aqui de acordo com as perguntas.
Eu perguntei ao senhor sobre o pagamento ao senhor… Angelo Verotti. O senhor respondeu que estava na sua…
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Declaração de Imposto de Renda.
O SR. PRESIDENTE (Romário. Bloco Socialismo e Democracia/PSB – RJ) – Não está, não.
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Está, sim.
O SR. PRESIDENTE (Romário. Bloco Socialismo e Democracia/PSB – RJ) – Por acaso, na sua quebra de sigilo bancário não existe o pagamento ao Angelo Verotti.
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Eu posso afirmar ao senhor que está.
O SR. PRESIDENTE (Romário. Bloco Socialismo e Democracia/PSB – RJ) – Eu posso afirmar que o senhor está mentindo. Mas, enfim, vamos dar seguimento.
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Não, não estou e vou provar. Vou provar!
O SR. PRESIDENTE (Romário. Bloco Socialismo e Democracia/PSB – RJ) – No art. 7º da CBF consta o seguinte.
Art. 7º. A CBF não terá atividade político-partidária nem religiosas, sendo terminantemente proibida a discriminação de qualquer tipo contra o País etc.
O senhor colocou mais de quatro Deputados Federais, hoje, dentro da CBF. Por quê?
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Porque eles gostam de futebol, se interessavam…
O SR. PRESIDENTE (Romário. Bloco Socialismo e Democracia/PSB – RJ) – Minha mãe também gosta!
O SR. MARCO POLO DEL NERO – … em trabalhar pelo futebol e qualquer Parlamentar…
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – Desculpe-me, Presidente, mas esse critério contempla duzentos milhões de brasileiros. Gostar de futebol…
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Eu não discrimino pessoas. Eu não discrimino pessoas.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – Mas o senhor está apresentando aqui um critério(Expressão vedada pelo art. 19 do Regimento Interno do Senado Federal.) que, simplesmente, nos chama de ignorante. Permita-me, porque o senhor está estabelecendo um critério de que, para ser integrante da CBF,
15:50
parecendo um critério de que, para ser integrante da CBF, basta gostar de futebol, 200 milhões de brasileiros gostam.
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Não só gostar, interessar-se em trabalhar em favor do futebol.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – Mas a pergunta que o Presidente da CPI fez…
O SR. PRESIDENTE (Romário. Bloco Socialismo e Democracia/PSB – RJ) – Os senhores recebem, todos são remunerados.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – … foi a vinculação política.
O SR. PRESIDENTE (Romário. Bloco Socialismo e Democracia/PSB – RJ) – Detalhe: todos gostam, adoram, amam, mas todos são remunerados.
Você vai me responder que ninguém trabalha de graça. Não é isso? Perfeito.
O senhor, como membro do Comitê Executivo da Conmebol, também não sabe sobre esse contrato que eu citei, de que o senhor falou que não é a CBF que assina?
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Porque, Senador, normalmente eram feitos pelos presidentes dos países…
O SR. PRESIDENTE (Romário. Bloco Socialismo e Democracia/PSB – RJ) – Foi o senhor que assinou que os contratos da televisão. O senhor afirma isso, pelo menos?
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Não entendi.
O SR. PRESIDENTE (Romário. Bloco Socialismo e Democracia/PSB – RJ) – Os contratos de televisão da Conmebol foi o senhor que assinou?
O SR. MARCO POLO DEL NERO – De 2015, de abril…
O SR. PRESIDENTE (Romário. Bloco Socialismo e Democracia/PSB – RJ) – Na época em que o senhor era membro.
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Muito provavelmente não, porque quem assinava era o presidente da entidade.
O SR. PRESIDENTE (Romário. Bloco Socialismo e Democracia/PSB – RJ) – Não. Na verdade, quem assinou foi o senhor.
Enfim, outra mentira.
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Eu posso tentar buscar esses contratos na Conmebol, mas quem assinava os contratos…
O SR. PRESIDENTE (Romário. Bloco Socialismo e Democracia/PSB – RJ) – Nós já temos os contratos, pode ficar tranquilo.
O SR. MARCO POLO DEL NERO – … era o presidente.
O SR. PRESIDENTE (Romário. Bloco Socialismo e Democracia/PSB – RJ) – Pode ficar tranquilo, que nós já temos os contratos. O senhor não precisa buscar não, porque esta CPI pode parecer para uns que não anda, mas anda. Aqui é uma CPI democrática, nós estamos vendo, mas ela anda.
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Eu tenho certeza.
O SR. PRESIDENTE (Romário. Bloco Socialismo e Democracia/PSB – RJ) – O meu papel de Presidente é muito bem feito, graças a Deus, e será até o final.
Passo a palavra agora ao Senador Randolfe.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – Obrigado, Presidente.
Sr. Del Nero, o senhor estava acompanhado do Sr. José Maria Marin, na Suíça, quando ele foi preso, no mesmo hotel, em 27 de maio passado. Pessoas próximas de José Maria Marin dizem que ele não o perdoa por ter deixado sozinha a sua mulher, Neusa Marin, na ocasião da prisão do Sr. José Maria Marin em Zurique.
O senhor tem conhecimento desse ressentimento do Sr. Marin com o senhor?
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Não. Não tenho conhecimento.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – O senhor tinha prometido ao Sr. Marin que daria assistência a ela, à esposa do Sr. Marin, no entanto, imediatamente, logo após a prisão dele, o senhor tomou um avião de volta ao Brasil.
Eu lhe pergunto: por que o senhor abandonou a Srª Marin no hotel após a prisão do marido?
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Eu tinha que voltar ao Brasil. Era um fato grave que acontecera na Suíça, eu estava lá. Não vi a prisão dele, porque provavelmente foi num quarto, às 6h da manhã. Eu acordei mais tarde, fui tomar café, quando soube que isso aconteceu.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – Mas o senhor assumiu com ele o compromisso de garantir proteção à Srª Neusa?
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Não, de jeito nenhum. Em hipótese alguma, em nenhum momento, nem conversei com ele, nem conversei com ela.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – O senhor não recebeu um telefonema dela pedindo a sua ajuda e dizendo que o senhor tinha prometido ajudá-la? Sim ou não?
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Não me lembro de ter recebido telefonema dela.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – O senhor não se lembra?
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Eu não me lembro se eu recebi algum telefonema dela.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – Deixe-me ver se eu entendi…
O SR. PRESIDENTE (Romário. Bloco Socialismo e Democracia/PSB – RJ) – Faz muitos anos já. Faz dez anos.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – O senhor estava em Zurique.
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Sim.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – Há um episódio da prisão do senhor na CBF…
O SR. PRESIDENTE (Romário. Bloco Socialismo e Democracia/PSB – RJ) – Ano passado, ou melhor, este ano.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – … do qual o senhor é o sucessor, isso este ano, um episódio dessa gravidade, que foi amplamente divulgado pela imprensa mundial, e o senhor não se lembra dos acontecimentos desse episódio? Alguma memória seletiva neste momento?
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Eu não me lembro de ter recebido telefonema dela sobre esse fato. Eu não me lembro, mesmo porque nós não falamos sobre isso.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – O senhor se lembra do fato?
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Do fato da prisão dele sim.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – Entre os fatos, o senhor não lembra se houve ou não um telefonema.
O SR. MARCO POLO DEL NERO – A Conmebol…
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – É só uma resposta: houve o telefonema, ou não houve o telefonema.
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Eu não me lembro, Exª.
Como eu vou me lembrar de um telefonema ou não, se tantas pessoas ligaram para mim nesse dia?
O SR. MAGNO MALTA (Bloco União e Força/PR – ES) – Senador Randolfe, só para cooperar.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – Pois não, Senador.
O SR. PRESIDENTE (Romário. Bloco Socialismo e Democracia/PSB – RJ) – Senador Malta, com a palavra.
O SR. MAGNO MALTA (Bloco União e Força/PR – ES) – Eu até acho que o senhor está sendo complacente com ele e deve ser, porque, com um susto do cão desse que eles tomaram lá, o cara se lembra até do nome dele. Então, se ele se esqueceu do telefonema, releve, porque o susto deve ter sido muito grande.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – Aceitarei sua ponderação, Senador Magno Malta.
Então, responda para nós: qual foi a sua atitude imediata diante daquela situação? Como o senhor se comportou?
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Eu conversei com o Presidente da Conmebol, e ele me disse o seguinte: “Estamos contratando advogado para o Presidente José Maria
15:55
contratando advogado para o Presidente José Maria Marin.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – E em seguida, menos de 24 horas depois, o senhor pegou um avião e veio para o Brasil?
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Depois por compromisso…
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – Por que tanta pressa para voltar para o Brasil?
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Porque eu entendia que devia estar aqui no meu País para acompanhar os fatos.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – Mas abandonando o Congresso da FIFA?
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Não, não abandonei o Congresso da FIFA. Tinha os delegados. Eu não votaria no Congresso da FIFA, eu não depositaria o voto. Quem deposita o voto são dos delegados. Os delegados é que votaram.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – Sr. Marco Polo, me permita, o senhor é Presidente de uma das principais confederações de futebol do planeta, do único País do mundo que é pentacampeão de futebol, o único. E não era importante a sua presença no momento ápice da eleição da Federação Internacional de Associações de Futebol?
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Eu deixei…
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – Conte outra, mas essa não…
O senhor está duvidando da nossa inteligência.
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Não, não estou duvidando não. Tenho o maior respeito por V. Exªs.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – Pois é, mas não insiste nessa tese de que não era importante a sua presença. O Presidente da CBF depois que o titular foi preso no Congresso da FIFA.
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Mas eu peço a V. Exª que me escute também no sentido de poder explicar.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – Por favor.
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Quem vota no Congresso da FIFA são os delegados que o Brasil indica.
E o Brasil votou, estava presente. Naquele instante eu era membro do Comitê Executivo da FIFA, e não poderia votar. Quem votava seriam os delegados, que estavam lá e votaram.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – O senhor acha que essa sua pressa para sair da Suiça não caracteriza uma fuga?
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Não, porque eu estava lá, no dia que o Presidente, o ex-Presidente Marin foi preso, junto com outras pessoas, mais cinco ou seis pessoas foram ouvidas.
O SR. PRESIDENTE (Romário. Bloco Socialismo e Democracia/PSB – RJ) – Senador, antes da sua pergunta…
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – Por favor.
O SR. PRESIDENTE (Romário. Bloco Socialismo e Democracia/PSB – RJ) – O que o senhor foi fazer lá?
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Eu fui para a reunião da FIFA.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – E por que saiu tão rapidamente?
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Porque eu entendi que era mais importante estar no meu País naquele instante.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – Deixa eu ver se a gente consegue entender?
O senhor vai para a reunião da FIFA. Quando o titular da linha sucessória da CBF, que o senhor é o imediato sucessor, é preso o senhor decide voltar?
O SR. MARCO POLO DEL NERO – O que eu posso fazer na Suiça por ele?
Nada.
Eu tenho que cuidar do nosso Brasil, cuidar da nossa Confederação Brasileira de Futebol.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – Mas o senhor tinha que cuidar o quê?
O que que o senhor tinha que cuidar no Brasil que era mais importante do que o Congresso da Federação Internacional de Associações de Futebol?
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Eu não poderia fazer nada lá. Eu não sou advogado lá, a Comembol…
O SR. PRESIDENTE (Romário. Bloco Socialismo e Democracia/PSB – RJ) – A CBF precisava dele naquela hora, não é Senador?
O SR. MARCO POLO DEL NERO – A Comembol naquele instante…
O SR. PRESIDENTE (Romário. Bloco Socialismo e Democracia/PSB – RJ) – Era melhor ele estar aqui do que lá na Suiça. Na verdade ele foi lá só para passear para comprar o relógio suíço.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – O senhor não acha que era mais condizente, no momento grave como aquele em que o Presidente da CBF é preso o senhor chamar uma entrevista coletiva com toda a imprensa internacional, inclusive tranquilizar a nós brasileiros que somos torcedor de futebol?
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Eu fiz isso, Senador. Mas fiz aqui no meu País.
Eu vim para cá, chamei a imprensa e expliquei os fatos.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – Me diga então porque depois desse fato o senhor não mais viajou para o exterior? Reiterando a pergunta do Senador Romário.
O SR. MAGNO MALTA (Bloco União e Força/PR – ES) – Aí é o senhor que está subestimando a inteligência dele.
Você fica perguntando por que ele veio embora, por que foi embora, o senhor está subestimando a nossa inteligência…
O senhor que está subestimando a dele.
Ele veio porque ele é sabido.
Ele não foi porque ele é sabido.
Fui bem? (Risos.)
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – Obrigado Senador Magno.
Vou fazer uma pergunta inevitável após a provocação e a pergunta do Senador Magno.
O senhor tem medo de ser preso?
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Não há motivo para ser preso, Senador.
Nenhum motivo para que eu possa ser preso.
O SR. PRESIDENTE (Romário. Bloco Socialismo e Democracia/PSB – RJ) – Como não Presidente? Pera aí…
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Eu vou provar…
O SR. PRESIDENTE (Romário. Bloco Socialismo e Democracia/PSB – RJ) – Motivo tem de sobra para o senhor ser preso. O FBI está aqui. Como não tem motivo? O senhor está enganado. Tem vários motivos. Corrupção…
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Senador, indiciamento…
O SR. PRESIDENTE (Romário. Bloco Socialismo e Democracia/PSB – RJ) – Formação de quadrilha, motivo tem um monte.
Como que o senhor não tem motivo para ser preso?
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Não, eu não.
Eu vou provar. Mas eles podem falar.
O SR. PRESIDENTE (Romário. Bloco Socialismo e Democracia/PSB – RJ) – Provar é uma coisa, mas motivo tem. Está aqui nos autos do FBI.
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Não, não tem.
Eu discordo e vou discordar…
O SR. PRESIDENTE (Romário. Bloco Socialismo e Democracia/PSB – RJ) – O senhor além de ser corrupto, ladrão, também é mentiroso.
O SR. MARCO POLO DEL NERO – E vou discordar também disso tudo.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – Deixa eu te falar uma coisa, Sr. Del Nero, ainda no sentido do que o Senador…
O senhor alega que não tem razões. Mas veja só, tem gravações do FBI que revelam a sua presença numa conversa entre José Maria Marin e J. Hawilla.
Nessa conversa o Sr. Marin, pede que o dinheiro destinado a Ricardo Teixeira
16:00
pede que o dinheiro destinado a Ricardo Teixeira passe a ser entregue a ele e ao senhor. Isso é uma gravação do FBI.
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Eu nunca estive juntamente com Marin e Ávila em qualquer reunião.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – Mas essa gravação revela que o senhor ouviu tudo isso calado.
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Mesmo porque à essa época que falam, que comentam que o Sr. Marin estava lá e que conversou com o Sr. Ávila, eu não estava nos Estados Unidos.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – Deixe-me lhe dizer. Essa gravação do FBI é falsificada, então?
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Deve ser, porque eu não estava lá.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – É falsificada e mentirosa?
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Eu não estava lá. Mentirosa, eu não estava lá.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – O senhor nunca esteve nessa reunião?
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Nunca, em hipótese…
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – Mas a gravação não diz o local em que ela ocorreu. Estou lhe dizendo que há uma gravação do FBI.
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Sim, mas…
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – Ela não diz se foi na Suíça, no Brasil…
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Não, mas eu posso afirmar para o senhor que eu nunca estive reunido com o Sr. Ávila e com o Sr. Marin, nem com o Sr. Ávila particularmente, nem com o Sr. Marin e o Sr. Ávila juntamente.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – Deixe-me ver se entendo, vou tentar entender mais uma coisa. O senhor era Vice do Sr. Marin, e o senhor nunca se reuniu em separado com ele? É normal…
O SR. MARCO POLO DEL NERO – O senhor fez a pergunta sobre o Ávila e o Marin. Eu nunca estive reunido com o Sr. Ávila juntamente com o Sr. Marin, e nunca estive conversando com o Sr. Ávila sobre qualquer assunto.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – Pois não, Magno.
O SR. MAGNO MALTA (Bloco União e Força/PR – ES) – Sr. Presidente.
O SR. PRESIDENTE (Romário. Bloco Socialismo e Democracia/PSB – RJ) – Por favor, Senador, com a palavra V. Exª, Senador Magno Malta.
O SR. MAGNO MALTA (Bloco União e Força/PR – ES) – Quero cumprimentar o Dr. Batoquio, estou o vendo ali bem sereno.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – Desculpe, eu esqueci de cumprimentá-lo, Dr. Batoquio.
O SR. MAGNO MALTA (Bloco União e Força/PR – ES) – Ele acabou contratando o melhor… Batoquio, qualquer outro advogado já tinha criado um clima aqui, e feito pergunta, mandado calar a boca, cochichado no ouvido do depoente…
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – O Sr. Del Nero é sabido, escolheu um ótimo advogado. (Risos.)
O SR. MAGNO MALTA (Bloco União e Força/PR – ES) – E eu quero fazer uma referência aqui, porque o Batoquio foi Deputado Federal comigo, pertenceu à CPI do Narcotráfico comigo. E uma das razões pelas quais eu não errei, na minha impetuosidade, eu devo a esse nobre colega, que era Deputado do PDT, que prestou um grande serviço ao País naquela ocasião.
O SR. PRESIDENTE (Romário. Bloco Socialismo e Democracia/PSB – RJ) – Parabéns, Doutor!
O SR. MAGNO MALTA (Bloco União e Força/PR – ES) – Mas eu sei que o senhor, doutor, está em desvantagem. O cara que depõe em CPI já vem na desvantagem, devendo ou não devendo, ele já está na desvantagem. Ele vai ser inquirido, vai ser exposto, a família dele está vendo.
O senhor tem filhos, deve ter netos, deve ter uma família em torno de si. Não é um momento bom, é um momento ruim. E eu posso, eu que já presidi grandes CPIs, entender o seu momento emocional, a sua desvantagem, o seu medo de jogar com as palavras para não se comprometer.
Mas eu gostaria de saber uma coisa do senhor, com toda a sinceridade: o mundo vive um processo depurativo. Olhe o que está acontecendo com o Presidente da Câmara! Olhe o que está acontecendo aqui com algumas incidências no Senado, um Senador da República preso!
A sociedade foi para cima, e o Judiciário, que passou tanto tempo sendo achincalhado sem reação, reagiu. Não haverá mais refresco para nenhuma situação. O Judiciário do mundo, por causa da globalização, juntou-se; a informação que está aqui hoje é a mesma dos Estados Unidos de ontem ou daqui a pouco, ou daqui a cinco minutos, e qualquer investigação de crime.
Veja, eles foram à Suíça, acharam a conta do Presidente da Câmara. Ele está dizendo que não, não sei o quê, e depois já era, era um trust, pensando que o Brasil é trouxa. Entendeu? E nós não somos trouxas. Sei lá, foi na Suíça.
Não somos trouxas, e há muita gente que é traste, e acha que nós somos trouxas, que temos trust. E acha que, com essa linguagem embolada… Ninguém está engolindo nada, ninguém tá comendo nada. É conversa de boleiro, ninguém está comendo nada.
A minha pergunta é a seguinte: com esse processo investigativo tão minucioso do Judiciário nessa questão da Fifa – o Judiciário é do mundo, da Suíça, dos Estados Unidos, viraram cães farejadores desses bem preparados que querem as últimas consequências –, diga-me diga uma coisa, com pureza d’alma, esse processo investigativo chegará ou não chegará no senhor?
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Eu posso dizer que não vai chegar. E posso afirmar para o senhor, o Senador Randolfe Rodrigues, falou agora há pouquinho que eu estava presente numa reunião com o Ávila e o Marin, que não é verdade. Nunca estive reunido com essas pessoas.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – Segundo o FBI, o senhor estava e ficou calado (Fora do microfone.) Isso é informação do FBI.
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Nunca estive reunido com essas pessoas em lugar nenhum, nem falando. Nunca estive reunido, nunca estive junto.
O SR. MAGNO MALTA (Bloco União e Força/PR – ES) – Deixe-me falar uma coisa para o senhor, que é amigo do Marin, que já esteve com ele. Isso não compromete, não, porque amigo é amigo. Ele caiu, mas o senhor
16:05
Isso não compromete, não, porque amigo é amigo. Ele caiu, mas o senhor tem que ter dignidade de…
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Claro, claro.
O SR. MAGNO MALTA (Bloco União e Força/PR – ES) – O senhor sempre se reuniu com ele, estava na diretoria…
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Sim.
O SR. MAGNO MALTA (Bloco União e Força/PR – ES) – Foi amigo dele. Como ele agora está preso, o senhor não é mais amigo dele?
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Sou.
O SR. MAGNO MALTA (Bloco União e Força/PR – ES) – Então, não tem problema nenhum o senhor ter se reunido com ele. Isso não o compromete.
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Mas não foi.
O SR. MAGNO MALTA (Bloco União e Força/PR – ES) – Está bem. Estar reunido ou não não quer dizer absolutamente nada.
Eu quero só dizer o seguinte: quando tem esse tipo de reação… É como isto: o Delcídio foi preso, e o Presidente Lula deu uma declaração chamando o cara de idiota. O cara, que achou que ele era amigo dele, está preso, na desvantagem, e o advogado vem e diz: “Lê isso aqui, porque ele te chamou de idiota agora”. E o cara tem uma perspectiva de tomar 30 anos. Sabe o que o cara vai falar: “O idiota agora vai contar quem é de nós dois que é mais idiota”.
Quando o senhor fala que não conhece o Marin, o Marin está depondo lá…
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Não, não, não.
O SR. MAGNO MALTA (Bloco União e Força/PR – ES) – Desculpe-me. Não é “não conheço, não”. Eu que errei a palavra. Perdoe-me. É “eu nunca estive” que não sei o quê…
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Mas não estive.
O SR. MAGNO MALTA (Bloco União e Força/PR – ES) – Sim, mas não é o “nunca estive”. Com essas pessoas, com esses caras que foram presos, com esses caras que fraudaram e tal, essa reação pode ser negativa do outro lado.
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Então, desculpe, Senador, eu…
O SR. MAGNO MALTA (Bloco União e Força/PR – ES) – O senhor não ofendeu a mim. Eu só estou dizendo que ele… O senhor imagina que a família dele está tudo vendo, o advogado dele está vendo, está todo mundo vendo. Eu nem pertenço a esta CPI…
O SR. CIRO NOGUEIRA (Bloco Parlamentar Democracia Progressista/PP – PI) – Eu queria que senhor esclarecesse, até para não ficar nenhuma dúvida: o senhor está dizendo que não esteve na reunião com o Hawilla e o Marin? Não é isso?
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Eu não estive nessa reunião em hipótese alguma, em momento algum, em tempo algum.
O SR. CIRO NOGUEIRA (Bloco Parlamentar Democracia Progressista/PP – PI) – Foi o que eu entendi.
O SR. MAGNO MALTA (Bloco União e Força/PR – ES) – Dr. Del Nero, não é isso que eu estou falando, não. Senador Ciro, me desculpe, não é isso que eu estou falando, não. V. Exª está querendo ajudá-lo, mas não foi isso que eu quis dizer.
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Naquele instante, falei “pessoas”, mas, na verdade, respeitosamente…
O SR. MAGNO MALTA (Bloco União e Força/PR – ES) – E vou esclarecer novamente.
V. Exª o ajude da maneira que o senhor quiser, mas não foi isso que eu falei. E eu também não estou desajudando o senhor, não. Eu só estou dizendo que há uma pessoa na desvantagem, presa, e, por exemplo, se sou eu, uma frase como “Eu nunca estive com essas pessoas”, eu vou dizer: “Agora, eu sou essas pessoas?”
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Não…
O SR. MAGNO MALTA (Bloco União e Força/PR – ES) – Agora, me escute. Eu só estou falando… O senhor não ofendeu a mim.
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Eu peço…
O SR. MAGNO MALTA (Bloco União e Força/PR – ES) – Quando o senhor daqui, se o senhor ao Batochio se eu estou certo, ele vai falar que eu estou certo no que eu estou falando.
Eu estou perguntando o seguinte… Não sei o que o senhor conversou, o que o senhor falou, o que o senhor investigou, mas, por exemplo, se essas pessoas que o senhor está falando…
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Eu retiro “essas pessoas” e digo o seguinte: nunca estive reunido com ex-Governador, ex-Presidente da CBF José Maria Marin…
O SR. MAGNO MALTA (Bloco União e Força/PR – ES) – Seu amigo.
O SR. MARCO POLO DEL NERO – … que é meu amigo e o Sr. José Hawilla, meu conhecido.
O SR. MAGNO MALTA (Bloco União e Força/PR – ES) – Pois é. À medida que eles começarem a depor…
O SR. MARCO POLO DEL NERO – O senhor tem razão, Deputado. Eu fui infeliz. Senador, eu fui infeliz.
(Intervenção fora do microfone.)
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Juntos. Não estive reunido junto…
O SR. MAGNO MALTA (Bloco União e Força/PR – ES) – Mas foi Batochio que me ensinou, na CPI do Narcotráfico, a falar desse jeito.
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Batochio é Batochio…
O SR. MAGNO MALTA (Bloco União e Força/PR – ES) – Ele que me treinou.
Então, a minha palavra é a seguinte: eles estão depondo lá, o senhor ainda está aqui, e o senhor não é menino, nem eu sou, nem o Romário é menino. Um cara que faz mil gols é menino? Um cara que fez mil gols não é menino. Então, qual a minha palavra nesse sentido? É que…
(Intervenção fora do microfone.)
O SR. MAGNO MALTA (Bloco União e Força/PR – ES) – É para eu encerrar?
O SR. PRESIDENTE (Romário. Bloco Socialismo e Democracia/PSB – RJ) – Não, não.
O SR. MAGNO MALTA (Bloco União e Força/PR – ES) – Alguém quer que eu pare? Vou parar.
(Intervenção fora do microfone.)
O SR. MAGNO MALTA (Bloco União e Força/PR – ES) – Não, mas, para mim, tudo bem.
(Intervenção fora do microfone.)
O SR. MAGNO MALTA (Bloco União e Força/PR – ES) – Ah, sim. Eu pensei que era igual à Comissão de Ética da Câmara: os que defendem querem que os outros não falem.
(Intervenção fora do microfone.)
O SR. MAGNO MALTA (Bloco União e Força/PR – ES) – Está bom, está bom.
A minha palavra é o seguinte. No que o senhor voltou… Eu não sou menino, eu sei por que o senhor voltou. Então, só de o senhor ficar calado é bom para mim. O senhor não voltou mais ao exterior. Por quê? O senhor calado é bom, porque quem cala não consente? Consente. É a máxima do adágio popular, mas que vale na hora em que a pessoa está depondo. E nós sabemos disso. O Senador Randolfe está insistindo, mas ele sabe, virou Senador com 35 anos de idade, porque também não é menino – de menino, ele só tem a cara, essa cara de Harry Potter – e sabe aonde quer chegar.
(Intervenção fora do microfone.)
O SR. MAGNO MALTA (Bloco União e Força/PR – ES) – Muito obrigado, Senador Romário. Eu acho que o pessoal…
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – Só concluir as perguntas.
O SR. MAGNO MALTA (Bloco União e Força/PR – ES) – Muito obrigado pelo aparte, Senador.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – Por favor, Senador Magno.
Sr. Del Nero, quais são suas relações com o Sr. Sergio Luis de Sousa Gomes?
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Ele foi uma pessoa que trouxe alguns patrocínios à Confederação Brasileira de Futebol. Um deles foi a Chevrolet, uma montadora.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – Ele teve alguma ruptura com esse patrocínio depois? Teve alguma ruptura da CBF com esse patrocínio?
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Que eu saiba, não. Não tenho conhecimento disso.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – O senhor tem contas no exterior?
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Não, senhor.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – Com certeza, não tem?
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Com certeza que não.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – Esta CPI não chegará, na sua quebra de sigilo, a nenhuma conta no exterior? Com certeza?
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Nem truste.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – Nenhuma conta?
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Nada, nada.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – O. k..
Só lembrando que o último que fez essa negativa numa CPI está em maus lençóis hoje na Casa vizinha, na Câmara dos Deputados. É o caso do Sr. Eduardo Cunha. O senhor afirma, então, nesta CPI, que não tem nenhuma conta no exterior?
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Não.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – Em nenhum lugar? (Pausa.)
O.k..
As contas que o senhor tem são
16:10
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – As contas que o senhor tem são declaradas ao Fisco? Todas?
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Cem por cento declaradas.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – Senador Romário, só lhe informando, eu perguntei ao nosso depoente, ainda há pouco, se ele possuía contas no exterior, e ele afirmou a esta CPI que não possui; eu me lembrei do que ocorreu com o Sr. Eduardo Cunha, na Câmara dos Deputados; ocorreu uma situação de igual teor, mas ele está afirmando aqui na CPI que não possui contas no exterior, e é fundamental que seja assim registrado.
O SR. PRESIDENTE (Romário. Bloco Socialismo e Democracia/PSB – RJ) – Será.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – O senhor frequentou ou frequenta algum paraíso fiscal?
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Não.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – Não. Nunca frequentou?
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Nunca frequentei.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – Segundo registros colhidos por esta CPI com autoridades aeronáuticas brasileiras, esteve em Barbados, que é um paraíso fiscal, em 2014. O senhor esteve em Barbados em 2014…
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Não! Não estive em Barbados. Não…
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – … em um jatinho executivo.
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Não conheço. Não conheço Barbados.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – O senhor não esteve em Barbados?
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Não estive e não conheço Barbados!
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – Em 2014, o senhor não esteve em Barbados?
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Não! Não estive em Barbados, não conheço Barbados!
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – Nenhum jatinho executivo seu…
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Nenhum jatinho executivo…
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – Nenhum jatinho excecutivo da CBF?
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Aí eu não sei. Não sei…
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – Não, espere lá.
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Não, espere um pouquinho só.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – Ôpa!
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Eu sou o presidente…
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – O senhor estava veementemente dizendo “não” e agora o senhor disse “não sei”; então, espere aí…
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Não.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – Um jatinho executivo da CBF esteve em Barbados em 2014?
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Não sei!
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – Mas o senhor é presidente da CBF!
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Não, eu não sou presidente. Em 15 eu sou presidente. Em abril de 2015, eu sou presidente e sei o que acontece.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – Um jato não é um patrimônio qualquer.
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Certo.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – Eu imagino que qualquer dirigente de qualquer empresa, instituição ou até do Governo deve saber os deslocamentos de um patrimônio… Não é comum para uma empresa ou uma instituição ter um jato.
O SR. MARCO POLO DEL NERO – O vice-presidente não teve conhecimento de que alguém esteve em Barbados.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – O senhor nunca voou no jatinho executivo da CBF?
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Voei.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – Nenhum desses voos foi para Barbados?
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Barbados nem conheço, Senador. Nunca estive lá, nem sabia que o avião da CBF esteve lá.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – E nenhuma aeronave em que o senhor esteve foi fretada para lá, passando por lá?
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Não, nunca estive em Barbados.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – Nem passando?
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Nem passando por Barbados.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – Bom…
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Eu só viajo em voo de carreira normal, em jato comercial.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – Não, o senhor também viaja em jatinho executivo porque o senhor mesmo falou ainda há pouco.
O SR. MARCO POLO DEL NERO – No Brasil.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – Sim, mas viaja. Não é só em voo de carreira, não é?
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Não.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – Quais funções o senhor exercia no COL, comitê organizador para administrar a Copa do Mundo?
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Nenhuma função. Eu era um membro da FIFA que, quando havia board meeting, eu participava. Quando havia reunião bimestral junto com o Jérôme Valcke, ele estava representando a FIFA, e eu, também.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – Mas, em abril de 2015, o senhor assumiu a Presidência?
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Assumi a presidência do COL.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – Quando assumiu a presidência da CBF?
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Quando assumi a presidência da CBF, por força estatutária.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – Não teve nenhuma relação de sociedade com o Sr. Marin?
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Não, não.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – Quanto o senhor recebeu no COL, no exercício de suas funções?
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Está no Imposto de Renda, Excelência.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – O senhor tem uma ideia?
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Não tenho ideia não. Não me lembro aqui.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – É muito ou é pouco?
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Eu acho que é… Eu não tenho os valores exatos.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – Sr. Del Nero, permita-me…
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Mas o senhor pode ter. O senhor tem minha quebra de sigilo, é fácil ver.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – Mas me permita, Sr. Del Nero…
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Se eu estivesse com o meu Imposto de Renda aqui, eu diria ao senhor; mas eu não tenho aqui, eu não trouxe.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – Mas permita-me: qualquer brasileiro tem ideia do rendimento que recebe. Ele tem ideia. Ele deduz. A não ser que seja dinheiro demais.
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Não.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – Realmente… Aí, realmente, fica difícil.
O senhor não se lembra de telefonema em Zurique; o senhor não se lembra de quanto recebeu no COL?
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Não, mas é só verificar.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – O senhor não sabe se era maior ou menor que R$40 mil?
O SR. MARCO POLO DEL NERO – O senhor tem a quebra de sigilo; o senhor pode informar.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – Certo. O senhor não sabe se era maior ou menor que R$40 mil?
O SR. MARCO POLO DEL NERO – É por aí. É por aí sim.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – Eu estou ajudando a sua memória?
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Está ajudando.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – NO COL, o senhor poderia receber valores a título de lucros ou resultados?
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Que eu saiba, não.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – Que o senhor saiba? Não pode ser “sim” ou “não”?
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Que eu saiba, não.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – Mesmo porque, se fossem lucros e resultados, o senhor não seria dirigente, seria sócio.
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Mesmo porque eu só assumi em abril de 15, já na desmobilização. Já estava desmobilizado o COL.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – Certo.
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Já tinha…
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – Veja: o Sr. Marin declarou, no Imposto de Renda, que recebeu, em 2013, valores de R$717.046,00…
16:15
R$717.046,00 a título de participação nos lucros ou resultados do COL e isso corresponde a uma cota da sociedade enquanto a CBF detinha 9.999 cotas. Pela proporção, a CBF teria recebido uma quantia dez mil vezes maior, seria algo em torno de R$7 bilhões.
O senhor não tinha conhecimento disso?
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Não é da minha gestão e não posso informar nada a respeito disso.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – Mesmo como Vice-Presidente?
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Nem creio que tenha sido isso. O advogado do COL está aqui e pode informar ao senhor?
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – O senhor pode dizer qual foi o faturamento do COL? O senhor assumiu depois.
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Do COL hoje? Eu não tenho o faturamento.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – Não, o faturamento anterior.
Quando o senhor assumiu, o senhor deve ter tido acesso às contas da gestão anterior.
Nem isso o senhor pode me dizer?
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Não, não posso dizer porque a contabilidade é que informa.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – Sr. Del Nero, Dr. Del Nero, o senhor não lembra o telefonema em Zurique, o senhor não lembra quando recebia do COL e, agora, o senhor está me dizendo que não lembra qual era a contabilidade de uma instituição que o senhor herdou. Qualquer um que herda uma instituição deve ter acesso às contas anteriores.
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Se o senhor permitir, o advogado pode lhe responder. Eu não tenho esses dados.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – Não, mas eu não estou perguntando para o advogado, estou perguntando para o senhor porque o senhor foi o presidente que sucedeu o Sr. Marin no COL.
Qualquer prefeito de qualquer cidade, quando assume uma prefeitura, sabe quanto foi deixado no caixa, na conta da prefeitura. Eu estou falando de uma prefeitura, mas em qualquer instituição é básico isso.
O senhor não sabe me dizer?
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Eu não tenho esse número aqui. Não posso, de cabeça, informar o senhor.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – Deixa eu perguntar ao senhor: o § 1º da Cláusula 17 do contrato social do COL permitia a distribuição de lucros só após o final da Copa do Mundo 2014.
Eu lhe pergunto como foi possível distribuir lucros do COL ao então Presidente Marin como consta da declaração dele?
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Eu não participava da sociedade.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – Quando o senhor assumiu, o senhor não ficou tentado a pedir uma auditoria que é um procedimento normal?
O SR. MARCO POLO DEL NERO – A auditoria é feita pela FIFA e por uma auditoria nacional….
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – O senhor não teve acesso aos dados da auditoria?
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Não, não tive.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – Mas o senhor não pediu?
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Não, não pedi.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – Como o senhor assume uma entidade e não pede sequer acesso aos dados da auditoria dessa entidade?
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Não, eu não pedi. Sinceramente, não pedi.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – Como o senhor considera isso?
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Eu considero dentro da normalidade administrativa.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – O senhor acha normal encontrar uma entidade, não encontrar normalidade nas contas e não ter – não é nem pedir auditoria – estou pedindo acesso aos dados da auditoria?
O senhor acha isso normal?
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Eu acho normal dentro de um critério de honestidade e princípios que entendo que todos devem ter.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – Bom, desculpe, isso é tudo menos honestidade. Mas, sigamos.
Qual a sua relação com o Sr. Kleber Fonseca de Souza Leite?
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Nenhuma, relação de conhecimento. Eu o conheço há muitos anos.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – A empresa de Kleber Leite, a Klefer foi alvo de busca e apreensão esse ano, a pedido de investigadores do FBI. Existem contratos vigentes entre a CBF..
Eu lhe pergunto: existem contratos vigentes entre a CBF e a Klefer?
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Existem.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – Que providências o senhor adotou como Presidente da CBF diante a devassa policial que ocorreu na empresa do Sr. Kleber Leite?
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Nós temos um contrato, temos contratos com a Klefer que estão sendo enviados ao Departamento Jurídico para avaliação do que pode ser feito.
É contrato vigente. Eu não tenho notícia de que, até o presente momento, a Klefer tenha sido autuada, proibida de atuar no Brasil…
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – Não, isso não foi, mas o senhor acha normal uma empresa que tem contrato com a CBF sofrer busca e apreensão?
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Mas é um contrato, temos que cumprir o contrato até…
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – Mesmo que a empresa seja inidônea?
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Mas não está provado que é inidônea ainda.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – Não, eu lhe pergunto o seguinte: o senhor acha normal uma empresa receber uma busca e apreensão e – o senhor trata como normal – continua o contrato com essa empresa normalmente?
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Só porque recebe uma busca e apreensão?
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – Só.
ORADOR NÃO IDENTIFICADO – ????
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Uai…
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – Só?
O SR. MARCO POLO DEL NERO – É…só porque uma busca e apreensão…
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – Então, o senhor acha que qualquer empresa do Brasil pode sofrer uma busca e apreensão?
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Pode e, por causa disso, ela é culpada?
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – Não, mas veja o seguinte: o senhor não pede uma auditoria, o senhor acha isso normal. Daqui a pouco o senhor vai dizer para nós que roubar é normal.
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Não, não vou falar isso porque sei que não, sei que é crime, sei que roubar é crime.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – Busca e apreensão é uma investigação, uma empresa está sob investigação. Os senhor acha que não tem que ser auditada?
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Essa empresa está analisada, estão sendo analisados pelo Departamento Jurídico os contratos dessa empresa. Esses contratos
16:20
os contratos dessa empresa. Esses contratos foram assinados em 2011 e estão vigendo até hoje. O departamento jurídico está avaliando e vamos ver o parecer do departamento jurídico.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – Tem prazo para essa avaliação?
O SR. MARCO POLO DEL NERO – não, não foi dado o prazo. Foi feito que ele fizesse uma avaliação.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – não, mas assim no infinitivo do pretérito, “foi dado um prazo”, “está avaliando”, no gerúndio, nunca acaba isso, não é? E continua o contrato com uma empresa que foi objeto de busca e apreensão.
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Se ela se tornar inidônea, é evidente que nós temos conhecimento… temos obrigações imediatas.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – Mas o senhor vai aguardar isso? O senhor não dá um prazo para o seu departamento jurídico concluir o seu serviço? Qualquer presidente faz isso.
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Normalmente se faz isso.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – E o senhor não fez?
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Não. Eu disse para o departamento: analise os contratos da Klefer, e eles estão analisando.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – E quando conclui o trabalho?
O SR. MARCO POLO DEL NERO – São vários contratos.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – Imagino. Mas o senhor não deu um prazo? Aos seus subordinados, o senhor não deu um prazo: eu quero isso?
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Não, não dei o prazo. Estou esperando a resposta do departamento jurídico
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – E o senhor esperará até quando?
O SR. JOSÉ ROBERTO BATOCHIO – Peço a palavra pela ordem.
O SR. PRESIDENTE (Romário. Bloco Socialismo e Democracia/PSB – RJ) – Senador.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – Tudo bem.
O SR. JOSÉ ROBERTO BATOCHIO – Sr. Presidente, gostaria, com todo o respeito, que o eminente Senador fizesse as perguntas ao convidado, de sorte que fizesse uma pergunta e aguardasse a resposta. Porque é uma cachoeira de perguntas, uma em cima da outra. Está ficando impossível.
O SR. PRESIDENTE (Romário. Bloco Socialismo e Democracia/PSB – RJ) – Ele não responde nenhuma.
O SR. JOSÉ ROBERTO BATOCHIO – Por favor. Então, faço esse apelo.
O SR. PRESIDENTE (Romário. Bloco Socialismo e Democracia/PSB – RJ) – Doutor, mas ele tem que responder a pelo menos uma, de verdade. Uma! Pelo menos verdadeira. Uma pelo menos. Ele tem que ajudar o seu cliente.
O SR. JOSÉ ROBERTO BATOCHIO – Então, quando se fazem mil ao mesmo tempo…
O SR. PRESIDENTE (Romário. Bloco Socialismo e Democracia/PSB – RJ) – Seu cliente não ajuda.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – Mas ele está tentando responder. Ele não está é conseguindo, mas tentando ele está.
O SR. JOSÉ ROBERTO BATOCHIO – Não, mas um momento. A minha ponderação é a seguinte: para cada pergunta, uma resposta, por favor. É só isso.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – O.k., Dr. José Roberto.
Sr. Del Nero, a Anac e a Polícia Federal acabam de nos informar que o avião era de propriedade da CBF e os passageiros, segundo a Anac, eram o Sr. José Maria Marin, o Sr. Marco Polo Del Nero e o Sr. Ricardo Teixeira.
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Não é verdade.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – Não é verdade? A Anac mentiu?
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Não é verdade. Eu nunca viajei para Barbados, eu nunca estive nos Estados Unidos.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – A Polícia Federal… Essa informação é da Anac. Acabou de chegar.
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Eu nunca estive nos Estados Unidos.
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Não, estou falando em Barbados.
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Em barbados. Eu nunca estive em Barbados. Nunca viajei no jato particular, no executivo da CBF…
O SR. MAGNO MALTA (Bloco União e Força/PR – ES) – Não, mas é fácil. É só levantar a data aqui…
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – Não, já foi levantada.
O SR. MAGNO MALTA (Bloco União e Força/PR – ES) – …e o senhor levanta na sua vida a data, onde o senhor estava. Pode ser uma data que marca.
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Mas eu provo, com certeza.
O SR. MAGNO MALTA (Bloco União e Força/PR – ES) – É o passaporte.
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Com certeza, o passaporte. Pronto!
O SR. MAGNO MALTA (Bloco União e Força/PR – ES) – Isso. Então levanta a data aqui e o senhor promete…
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Com certeza! Meu passaporte.
O SR. MAGNO MALTA (Bloco União e Força/PR – ES) – O senhor está com o seu passaporte ou a Justiça recolheu?
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Não, não estou aqui…
O SR. MAGNO MALTA (Bloco União e Força/PR – ES) – Recolheu? O senhor tem ele?
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Não, não, eu tenho o meu passaporte, sim.
O SR. MAGNO MALTA (Bloco União e Força/PR – ES) – Então, se não recolheu, nessa data o senhor pode imprimir essa página e mandar à CPI. Pode, Batochio?
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Posso. Só a data.
O SR. MAGNO MALTA (Bloco União e Força/PR – ES) – Então pronto.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – Se nós trouxermos a data, o senhor lembra o que fez na data?
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Eu mostro o passaporte.
O SR. PRESIDENTE (Romário. Bloco Socialismo e Democracia/PSB – RJ) – Claro que não lembra. Ele não lembra o que aconteceu quatro meses atrás na FIFA? Como é que ele vai lembrar?
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Eu passo o passaporte. Eu passo o passaporte.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – Eu solicito à Secretaria da CPI trazer a data do voo…
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Não viajei para Barbados, nunca viajei em voo comercial.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – Eu estou lhe dizendo que é uma informação da Anac. Se a Anac está mentindo, é o primeiro caso na história em que o que foi reportado por um piloto para a Anac foi mentira. Nós vamos ter que montar a CPI da Anac aqui também, daqui a pouco.
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Pode montar, mas eu posso informar que não viajei.
O SR. WELLINGTON FAGUNDES (Bloco União e Força/PR – MT) – Mas tem a imigração também, claro.
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Tem a imigração, eu tenho meu passaporte.
O SR. GLADSON CAMELI (Bloco Parlamentar Democracia Progressista/PP – AC) – Sr. Presidente, pela ordem.
É fácil para debater esse assunto, esclarecer. O Dr. Marco está dizendo que não esteve em Barbados e há relatórios da Anac que diz que ele estava a bordo do avião. É só ele mandar uma cópia com a data do passaporte, com carimbo, e esclarece esse fato.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – Perfeitamente.
O SR. MARCO POLO DEL NERO – É só esclarecer a data que eu resolvo.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – Eu vou passar adiante, enquanto a Secretaria traz a data do voo.
A denúncia da Justiça dos Estados |Unidos, Sr. Del Nero, aponta o pagamento de propinas pelas eleições da Copa do Brasil, entre 2015 e 2022. Um dos valores da propina corresponde ao pagamento de US$500 mil da empresa Klefer para um fabricante de iates de luxo, registrado na agência do Banco HSBC em Londres.
O senhor possui alguma embarcação?
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Possuo. Embarcação ano 2011.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – 2011. E onde está registrada?
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Na Capitania dos Portos, não é?
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – Qual fabricante?
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Sunseeker
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – Sunseeker.
Como se deu a aquisição e de quem foi comprado esse barco?
16:25
Como se deu a aquisição e de quem foi comprado esse barco?
O SR. MARCO POLO DEL NERO – É uma lancha que era denominada Rosana 1, ano 2011, que passou para o nome de My Way, e foi vendida a mim por R$1,9 milhão. Eu dei uma embarcação em pagamento por 1,5 mil, e dei mais R$400 mil em cheque.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – Quem vendeu para o senhor ?
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Quem fez a negociação foi a Boats Nautic Center, mas o recibo veio em nome do vendedor, do ex-dono do barco.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – Quem era ?
O SR. MARCO POLO DEL NERO – RJM Participações e Empreendimentos.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – Pois é, os registros que temos na CPI mostram que esse iate foi vendido pela RJM, que é o vendedor, não para o senhor, mas para Boats Nautic Center.
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Sim, acontece que a Boats Nautic Center que fez a operação. Quem me passou o recibo foi a RJM. Eu nem conheço essa pessoa.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – Sim, é uma pessoa jurídica.
Qual a forma de pagamento?
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Nem o dono dessa empresa não conheço. No pagamento, dei uma embarcação, no valor de 1,5 milhão, mais R$400 mil em cheque.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – O senhor conhece a empresa Boats Nautic?
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Conheço. Foi a que fez a operação.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – O senhor conhece só da relação comercial?
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Só da relação comercial.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – O Coaf classifica de operação suspeita a informação dada pelo senhor de uma transferência bancária de R$600 mil feita em seu nome para empresa NDT Comercial, Importação e Exportação Ltda. O senhor poderia esclarecer aqui à CPI origem dessa suspeita?
O SR. MARCO POLO DEL NERO – NDT?
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – N de navio, d de dado, t de tatu; NDT. (Pausa.)
O senhor não se lembra dessa transação comercial?
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Quando foi a data?
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – Foi em 2014.
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Não me lembro dessa operação. Eu acho que… Deve estar havendo algum engano aí. Em todo caso…
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – Mas um engano do Coaf?
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Eu preciso examinar, eu não me lembro, eu realmente não me lembro desse detalhe.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – O senhor já disse para nós aqui que a Anac está errada, que a Polícia Federal está errada. Agora o senhor está nos dizendo que o Coaf…
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Quando eu falo que está errado, está errado.
O SR. PRESIDENTE (Romário. Bloco Socialismo e Democracia/PSB – RJ) – O FBI também.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – O FBI também.
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Quando eu falo que está errado, está errado. Quando eu não me lembro, eu não me lembro, eu preciso examinar.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – Não, eu percebi, só que o senhor nos diz que dessa informação do Coaf… O senhor não se lembra, está errado?
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Não me lembro. R$600 mil eu não me lembro.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – O senhor não se lembra de uma movimentação de 600 mil?
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Não me lembro, não me lembro, não me lembro, realmente não me lembro.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – Perfeito.
O senhor sabe que a NDT é uma empresa com endereço de fachada, o senhor não tem essa informação, não é?
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Não.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – Talvez por isso o senhor não se lembre.
Bom, outra operação colocada sob suspeita pelo Coaf indica que o senhor emitiu um cheque de R$900 mil em favor de João do Carmo Mendes. O senhor sabe dizer do que se trata essa operação financeira?
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Acho que foi um apartamento, se não me engano. Foi em 14 isso?
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – Sim. O Sr. João do Carmo quem é?
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Foi o proprietário do meu apartamento.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – O Coaf ainda informa que, entre 2013 e 2015, o senhor movimentou um montante de 27,5 milhões. O senhor acha isso compatível com a sua condição financeira?
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Eu acho que sim. Na minha declaração de imposto de renda está lá, está à disposição.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – Esses rendimentos seriam de quê, R$27,5 milhões?
(Intervenção fora do microfone.)
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Em 2014? Em 2014? Em 2014?
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – 2013-2015.
(Intervenção fora do microfone.)
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Não, não tem esse valor, não.
(Intervenção fora do microfone.)
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – Bom, a informação é do Coaf.
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Mas pode ser. O Coaf não pode se enganar?
O SR. ROMÁRIO (Bloco Socialismo e Democracia/PSB – RJ) – Também está mentindo?
O SR. MARCO POLO DEL NERO – O Coaf não pode se enganar, não pode estar equivocado ?
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – Não, o senhor já disse que a Anac está errada, o FBI está errado…
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Mas eu não tenho esse valor…
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – [Ininteligível.] está errado também. Não é?
O SR. MARCO POLO DEL NERO – R$ 27 milhões? Eu não tenho esse valor, não.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – Não tem? Então, o Coaf está errado?
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Deve estar.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – O Coaf está errado. O.k.
O senhor sabe me dizer quanto o senhor pagou pelo apartamento no Les Residences Saint Tropez, adquirido da Srª Lilian Cristina Martins Maia?
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Esse apartamento… Sim… Esse apartamento é no Bloco 6, Apartamento 508
16:30
Bloco 6, Apartamento 508. O valor – escriturado, porque eu mandei fazer a escritura – é de R$1,6 milhão. O valor venal, em 2015, é de R$1,9 milhão. É um prédio com quatro unidades por andar, que ocupa somente o quadrante de fundos, sem vista frontal para o mar. Ele necessitava de uma reforma e tinha uma penhora.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – O.k.
Por que essas informações…
O SR. MARCO POLO DEL NERO – O imóvel estava gravado, em garantia de um processo número tal – eu tenho aqui –, junto à 2ª Vara Cível da Barra da Tijuca. Então, em tese, era um risco adquiri-lo. Mas aceitei o risco. E, logo que eu pude, eu me desfiz dele. Eu não fiquei nem três, quatro meses com ele.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – O valor é de R$1,6 milhão.
O SR. MARCO POLO DEL NERO – É.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – O senhor não acha abaixo do mercado esse valor?
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Se considerar que precisava de reforma, se considerar que estava gravada uma garantia em cima dele, que havia uma hipoteca em cima dele, ou uma garantia judicial, melhor afirmando, sob a promessa de o vendedor pagar, eu acho que está dentro do…
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – É? Porque o valor de mercado, segundo avaliação da Prefeitura do Rio de Janeiro, é de R$3,3 milhões. E, segundo imobiliárias, o valor de mercado é de R$4 milhões, ou seja, duas vezes o valor pelo qual o senhor comprou.
O SR. MARCO POLO DEL NERO – O que eu posso informar é que isso está sob investigação.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – Bom, que está sob investigação nós sabemos.
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Fica melhor ainda, não é? Para mim, fica ótimo, porque nós vamos poder mostrar as razões, o porquê do valor um pouco abaixo do mercado. O imóvel estava gravado, com penhora, ou dado em pagamento. Alguma coisa assim.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – O senhor declarou, no imposto de renda, que pagou, em 2014, a quantia de R$273.334. Esse valor foi pago para quê?
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Eu não entendi. Desculpe-me.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – Estou fazendo outra pergunta: o senhor declarou no imposto de renda que pagou, em 2014, a quantia de R$273.334.
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Está indicado lá, não é?
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – Pois é.
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Está indicado. Não me lembro. Não me lembro.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – O senhor não se lembra de um pagamento de R$273 mil?
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Eu não me lembro. Neste instante, não me lembro.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – Pois é. Por isso eu estou perguntando.
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Mas se está aí, por favor, me ajude, porque eu não me lembro.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – Não, mas espere lá: é o senhor quem tinha que saber.
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Mas como eu vou saber?
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – Ainda mais um pagamento de R$273 mil… O senhor é quem tinha que ter essa informação. O senhor tinha que nos dar essa informação.
Eu lembro as contas que pago, eu lembro os telefonemas que dou… Os fatos relevantes da minha vida, de movimentação financeira, eu costumo lembrar.
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Eu gostaria de ter uma memória igual à sua.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – Não, não precisa. Talvez eu não ganhe tanto quanto o senhor. Deve ser por isso.
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Talvez, mas, quanto à memória, eu invejo a de V. Exª.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – Não precisa, não. A sua é que eu acho que está seletiva.
Bom, o senhor não registrou a aquisição do Apartamento nº 9 no cartório de registro de imóveis, como determina a lei. O senhor sabe informar por quê?
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Que imóvel é esse?
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – O imóvel do qual falamos anteriormente.
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Porque eu o vendi em seguida.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – Aí o senhor achou por bem não registrar. Mas a lei determina que o senhor registre…
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Não, foi feita a escritura pública… e eu não sei se houve o registro, porque você passa isso para o despachante…
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – O senhor não lembra também se houve o registro…
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Não. Escritura pública tinha, porque eu faço com escritura pública e registro no meu imposto de renda. A operação está registrada no imposto de renda. Se foi feito o registro do imóvel… Existe a escritura e o registro do imóvel. A escritura foi feita e declarada no meu imposto de renda. Agora, se foi feito o registro, eu não sei.
O SR. MAGNO MALTA (Bloco União e Força/PR – ES) – Deixe-me fazer uma pergunta ao senhor: diante de tanto registro de pagamento de R$600 mil, de lancha de R$1 milhão, não sei o quê, qual é a atividade empresarial do senhor? O senhor tem alguma atividade fora do futebol?
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Eu sou advogado.
O SR. MAGNO MALTA (Bloco União e Força/PR – ES) – O senhor foi um advogado bem-sucedido?
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Fui muito bem-sucedido.
O SR. MAGNO MALTA (Bloco União e Força/PR – ES) – Não, eu não estou duvidando de nada não, porque no Brasil há um que ganhou 27 milhões só de palestras, em quatro anos. Não estou duvidando de nada.
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Eu não tenho 27 milhões, doutor.
O SR. MAGNO MALTA (Bloco União e Força/PR – ES) – Não, eu estou só… Porque a sua movimentação, de acordo com o Coaf, é uma movimentação que passa…
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – Ele informa que o Coaf está mentindo.
O SR. MAGNO MALTA (Bloco União e Força/PR – ES) – É muito difícil todo mundo estar mentindo, assim, de forma seguida. O senhor tem até o direito constitucional de falar o que o senhor quiser. E é até uma contradição muito séria, porque o nosso ordenamento jurídico é meio esquizofrênico, não é? Ele é
16:35
é meio esquizofrênico, ele é esquizofrênico, porque um cidadão de bem é arrolado como testemunha. Não cometeu crime nenhum, só testemunha. Ele chega na frente do juiz. O juiz: “O senhor jura falar a verdade? Porque, se o senhor mentir, eu lhe prendo.” O cara nem é o criminoso, mas o criminoso pode mentir. E o outro que não é o criminoso, se mentir vai preso. E a lei diz que o criminoso pode mentir, porque ele não tem obrigação de criar prova contra si mesmo, para mim o ordenamento jurídico é esquizofrênico.
Agora, um dado errado da Polícia Federal, o senhor vai mostrar no seu passaporte, como eu sugeri, mostra aí que o senhor não não viajou e tal, se equivocaram e tal, o jato era da CBF, tudo bem. O Marinho estava dentro, é tanto que já botaram a mão nele. Também não sei se ele estava ou não, mas beleza. Mas todo mundo não dá, não é? Todo mundo não dá, quando todo mundo está errado, só falta uma coisa na vida: é chover para cima e aí isso não ajuda ninguém, isso não ajuda ninguém.
Eu acho que, neste momento, além de o senhor não criar prova contra o senhor, o senhor é advogado, nem precisava falar isso, porque advogado também precisa de advogado, não é? Mas, nem eu que não passei no vestibular já sabia disso também, então, ninguém precisa ensinar essa parte para ninguém, mas também o senhor precisa fazer alguma coisa que contribua com o senhor, porque quem está no processo investigativo não quer ser chamado de mentiroso, porque o senhor duvida que o FBI está vendo o seu depoimento? O senhor duvida que a Polícia Federal está vendo o seu depoimento? Que o Ministério Público Federal, não, está todo mundo vendo o seu depoimento? Está todo mundo vendo o seu depoimento. Então, não dá para achar que todo mundo é mentiroso. O senhor pode não ser, pode não ter cometido crime que estão lhe imputando do tamanho que ele é, agora, tanto nesse bojo, não é possível, que o senhor… Isso só acontece no Palácio do Planalto: Eu não vi, não sei quem foi, eu não vi, não estava perto. Porque viu. Sabe. Tem erro? Tem. É tanto que a Alemanha já sabia tudo o que ia acontecer com a CBF no Brasil. É tanto que deram de 7 a 1. Isso é emblemático: 171. Eles já sabiam, meteram 7 a 1 para dar certo depois. Quer dizer, um placar profético, lá para a frente. Deu no 171.
Agora, o senhor não pode se isentar o tempo inteiro, o senhor está na frente de Senadores, de um processo investigativo, de uma CPI, ninguém aqui é tolo para dizer: “Eu não fiz, eu não estou, eu não vi, não é bem desse jeito.” Porque é um processo investigativo. E essas informações que os Senadores estão com ela aqui e perguntando ao senhor, não é fruto de imaginação nem do que publicou a revista Veja. É fruto do que foi mandado dessas instituições que estão dentro do processo investigativo.
Quando o presidente da CPI, Senador Romário, abre, eu estou aqui, com o que disse o FBI, com o que disse o FBI. Esse é o mesmo FBI que prendeu a cúpula da FIFA, que levou o Marinho embora e que, se ele não entrar num acordo, numa delação muito boa, nunca mais ele vai volta na Pátria amada aqui, vai ter que ficar por lá mesmo.
Então, o que me intriga é que o processo não é só desta CPI, para no final esse relatório do senador Romero, que é um relatório que tem que ter a robustez do tamanho da investigação da Polícia Federal, tem que ter a robustez do tamanho do que disse – não dá para ser menos do que isso – o FBI, de que lá na frente o senhor pode até se aliviar neste momento, porque esse não vi, não sei e tal, mas não é o que vai colaborar a seu favor. Ninguém está lhe pedindo delação premiada aqui, mas também não dá para o senhor, o tempo inteiro, dê essas negativas de que não vi, não foi.
No dia das prisões na Suíça, que o senhor veio embora, eu até entendo, porque um momento daquele lá, eu teria esquecido até meu nome. Eu nem saberia mais quem eu era, eu ia sofrer de amnésia para a vida inteira. Eu nem iria lembrar que eu saí do Brasil. E o fato de o senhor ter lavado, certo? Qualquer cidadão no seu lugar em igual oportunidade teria feito a mesma coisa e voltar, nunca mais.
O senhor quer visitar a Suíça? Nunca mais, nem que a passagem seja de graça, estou certo? Então, veja, mas… (Risos.)
Não, eu não estou com brincadeira não, eu estou falando uma coisa séria, é que eles ficam sorrindo, acho que é do meu sotaque, eu sou nordestino e as pessoas têm esse preconceito conosco, com o nosso sotaque.
Então, veja, nem com passagem paga o senhor volta mais lá.
Então, veja, não dá para o senhor dar essas negativas todo o tempo com valores e tal. Com esse menino aqui, você viu ele falar, que ele é colega de vocês, só que isso é um criminalista, é um constitucionalista, isso sabe tudo, com essa cara de menino e ele sabe tudo desse Código doente nosso.
Então, ele não está falando bobagem, então, isso não colaborará com o relatório do senhor, certamente, o Senador Romero não pode diminuir uma palavra do que foi posto aqui. O relatório terá a mesma robustez, não colaborará com o senhor.
Aqui não. Aqui não, mas quando essa reunião terminar e vocês forem para casa, o nobre, excelente, o maioral dos advogados de São Paulo, que é
16:40
dos advogados de São Paulo, que é o Batochioi, vai dizer que eu estava certo. Até porque isso não está em quatro paredes e aqui, na TV Senado, de baixa audiência. O mundo todo que está nesse processo investigativo está olhando para o senhor.
Então, num eventual aperto em cima do João Havelange, do genro dele, esse menino que é quase inocente… Os presidentes dessas federações do interior do Brasil afora, que mantiveram esse cara no poder tanto tempo só porque o achavam bonito, só porque achavam que ele tinha os olhos azuis, eles votavam nele. Esse processo vai muito a fundo. Então, penso que o senhor é um homem inteligente, um advogado. O senhor sabe que não pode construir prova contra o senhor. Agora, dar negativa de número: “Eu não sei, esse imóvel aqui eu não me lembrava”.
E essa lancha aqui? Uma lancha? Isso não é uma canoa. Não estamos falando de uma canoa de tirar areia da beira do rio, não, estamos falando de uma lancha. Então, esse relatório certamente não contribuirá com o senhor.
Eu não estou fazendo nenhuma pergunta porque eu não pertenço a esta CPI e não disponho dos elementos investigativos que estão na CPI. Eu estou tão somente fazendo considerações, com a experiência que sempre tive presidindo grandes CPIs de resultado neste País. Isso não colabora.
Todo mundo que eu vi depor ao meu lado… E olhe que, na CPI do Narcotráfico – eu não estou falando de inocente, estou falando de feras brabas, de Hildebrando Pascoal e companhia para a frente –, quem tentou usar esse artifício, o final é o final que todos nós conhecemos.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – Rapidamente, Presidente, já concluindo.
O SR. PRESIDENTE (Romário. Bloco Socialismo e Democracia/PSB – RJ) – Por favor.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – O senhor conhece o Sr. Wagner Abrahão?
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Conheço.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – O senhor comprou um apartamento da empresa JAT Imóveis, que pertence aos filhos dele?
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Comprei.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – O senhor sabe me dizer o valor do apartamento?
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Cinco milhões e duzentos mil reais.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – Ainda bem que o senhor se lembra, há aspectos…
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Eu falei do primeiro também.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – O senhor sabe que o Sr. Wagner Abrahão é dono do grupo Águia, que é fornecedor da CBF, durante muitos anos foi fornecedor da CBF?
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Sim.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – O senhor declarou ter pago R$2,82 milhões. Logo em seguida, a empresa JAT Imóveis sacou R$2,85 milhões em espécie, na boca do caixa. Eu lhe pergunto: houve alguma triangulação aqui, com o Sr. Wagner Abrahão?
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Eu sei que eu paguei. O que ele fez com o dinheiro eu não sei. E não foi com o Wagner, não, foi com a JAT.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – O senhor não recebeu de volta o dinheiro?
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Ah em hipótese alguma. Era absurdo, não é, eu receber de volta?
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – O senhor declarou ter doado, em 2014, a quantia de R$1,14 milhão para Srª Carolina dos Santos Galan. Como e por que foi feita essa doação?
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Esse é um problema que eu não gostaria de falar. Trata-se de uma ex, uma moça com quem eu vivi. É um assunto privado, eu dei esse dinheiro para ela.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – Obviamente, nós não queremos…
O SR. MARCO POLO DEL NERO – É quase que uma partilha.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – Perfeito. Nós não queremos adentrar ou nos imiscuir na sua vida privada, particular, que diz respeito ao senhor.
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Mas foi dado, foi feito, mesmo. Eu tinha que fazer.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – Foi feito. O.k.
Mas não consta dos registros bancários nenhuma transferência identificada. Como o senhor fez?
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Não, esses R$900 mil do apartamento fazem parte desse valor.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – Eu não falei de R$900 mil.
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Mas eu estou dizendo para o senhor, eu estou afirmando. O senhor falou de R$900 mil de um apartamento…
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – Não, mas espere aí, o senhor está falando de R$900 mil dos quais eu não estava falando. O senhor pode me dizer de onde vêm esses R$900 mil?
O SR. MARCO POLO DEL NERO – O senhor me falou agora há pouquinho sobre um apartamento, sobre o nome de uma pessoa a quem eu emiti um cheque de R$900 mil.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – Desculpe, repita.
O SR. MARCO POLO DEL NERO – O senhor me falou agora há pouquinho sobre determinada pessoa. O senhor mencionou o nome, eu não me lembro agora novamente.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – João do Carmo Mendes?
O SR. MARCO POLO DEL NERO – João do Carmo, é. Eu não sei se é esse, não me lembro do nome dele. Eu sei que eu paguei R$900 mil num apartamento que foi escriturado em favor dela, mas com cheque meu. Quando eu declarei os valores, eu declarei junto esse valor.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – Então, deixe-me ver se entendi. Esses R$900 mil têm relação com o R$1,14 milhão?
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Foi na separação, faz parte. Desse R$1,14 milhão, os R$900 mil fazem parte.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – O senhor declarou que doou, em 2014, R$130 mil a Carolina Oliva Muniz Ferreira. Como e por que foi feita essa doação?
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Porque tive uma relação com ela e resolvi presenteá-la com isso.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – Cento e trinta mil?
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Na verdade, isso faz parte da compra de um carro.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – Carolina dos Santos Galan…
16:45
Carolina do Santos Galan foi um processo de separação?
O SR. MARCO POLO DEL NERO – De separação.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – E Carolina de Oliva Muniz Ferreira foi um presente?
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Foi um relacionamento que nós tivemos durante algum tempo.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – Não, não precisa falar detalhes, só… Foi um presente?
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Foi um presente.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – Só que não consta registros bancários. O senhor passou foi pelo banco?
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Cento e trinta mil, declarado no meu Imposto de Renda.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – Perfeito.
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Tem declaração de Imposto de Renda.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – Nós não temos registro bancário. No Imposto de Renda nós temos; não temos registro bancário. Então, foi em espécie esse dinheiro?
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Eu tinha dinheiro em espécie também.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – Essa informação é importante, é uma informação importante que o senhor nos presta.
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Está previsto, está no meu Imposto de Renda.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – O.k., está no Imposto de Renda.
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Tudo está no Imposto de Renda.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – Mas o senhor há de convir que não é normal andar com 130 mil em espécie.
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Às vezes é, nós tivemos uma fase…
ORADOR NÃO IDENTIFICADO – Senador Randolfe, foi um gesto…
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – Entendi.
O senhor declarou ainda no Imposto de Renda que doou, em 2014, 85 mil à Marcia Baldrati Del Nero, que é a sua ex-esposa. Como e por que foi feita essa doação?
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Acho que foi um acordo de família, acordo de família.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – Só que também não consta em registro bancário. Também foi em espécie?
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Provavelmente, sim, mas eu tenho os valores.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – É que tem várias movimentações aqui que eu relatei que não tem em registro bancário. O senhor costuma movimentar dinheiro em espécie, então?
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Mas o senhor pode examinar o meu Imposto de Renda que…
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – Não, do Imposto de Renda, Dr. Del Nero, não escapa nada.
O SR. MARCO POLO DEL NERO – O dinheiro, pode ser feito pagamento em espécie e em cheque, em banco.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – Perfeitamente, Dr. Del Nero, pode ser feito por registro bancário, que é o mais e trivial.
O SR. MARCO POLO DEL NERO – É que o real é a moeda circulante, não é?
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – Claro que é!
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Não é proibido.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – O que não é comum são movimentações dessa monta, e tem três movimentações com pessoas com que o senhor se relacionou em espécie, em que o senhor não utilizou o sistema bancário. O que nos chama, o que nos causa? Espécie.
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Mas não é proibido.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – Não, claro que não.
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Então?
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – Só que chama a atenção e é estranho a movimentação ter sido feita em dinheiro em espécie.
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Mas tem origem a chegada.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – O senhor tem alguma aversão à transferência bancária, não?
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Tem origem a chegada desse dinheiro para mim.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – Não, a pergunta que eu lhe faço é a seguinte…
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Depois que eu recebi, eu faço o que bem entender dele.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – Não, do imposto, ninguém escapa do imposto, Dr. Del Nero, ninguém escapa. Tem duas coisas de que ninguém escapa na vida: a morte e os impostos, principalmente o de renda. Escapa, né?
Então, eu lhe pergunto, a questão da minha pergunta em relação a isso é a seguinte: o senhor tem alguma aversão à transferência bancária?
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Não.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – Não?
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Nenhuma aversão.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – Só que, nesses casos, o senhor resolveu fazer…
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Algumas vezes, sim; outras vezes, não.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – O.k.
O senhor declarou ainda, no seu Imposto de Renda, ter doado 1 milhão, 140 mil para, como já foi dito, a Srª Carolina Galan, sendo 420 mil em 2013 e 1 milhão, 140 mil, em 2014. Em seu sigilo bancário não constam operações identificadas equivalentes a esse valor. Então… Mas o senhor já respondeu, foi também em espécie. Todas as transferências em dinheiro, tanto em 2013 quanto 2014, para a Srª Carolina Galan, foram em espécie?
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Todas em espécie.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – Foi dinheiro vivo?
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Moeda corrente nacional parcelada.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – Perfeito.
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Dentro do exercício.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – Perfeito.
Eu concluo, Sr. Presidente, dizendo o seguinte: os últimos três presidentes da CBF, aí incluo o senhor, foram afastados da entidade sob suspeita de corrupção. O senhor pediu afastamento. O senhor considera que a CBF é um terreno fértil para a corrupção?
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Não, não considero. Não porque nunca me foi proposto nada e nunca aceitaria que alguém propusesse, nunca permitiria que isso ocorresse.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – O senhor afirma, então, que não há corrupção na CBF?
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Não.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – Não tem corrupção na CBF?
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Não há corrupção na CBF.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – A CBF… E o que aconteceu com o Sr. Ricardo Teixeira e o Sr. José Maria?
O SR. MARCO POLO DEL NERO – A CBF não tem caixa dois, não faz nada errado, paga todos os seus impostos.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – E o que aconteceu com o Sr. José Maria Marin? O senhor considera que é um equívoco da Justiça, do FBI?
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Eu não sei se… Ele está respondendo alguma coisa nos Estados Unidos. Eu não sei aqui, no Brasil se tem alguma coisa contra ele.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – Talvez porque lá tenham sido mais espertos do que nós aqui.
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Não sei.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – Segundo
16:50
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – … Segundo a Procuradora-Geral dos Estados Unidos, ele dirigiu, e uma máfia se apropriou do futebol, em um esquema de corrupção sem precedentes. As palavras não são minhas; são da Procuradora-Geral de Justiça do Estado norte-americano.
O SR. MARCO POLO DEL NERO – É a opinião dela.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – Eu lhe pergunto, Sr. Del Nero… O senhor é um presidente licenciado. Eu lhe pergunto, em homenagem a esta CPI, ao Senado e ao povo brasileiro. Eu lhe faço um apelo. Não há dúvidas de que o futebol do nosso País está no fundo do poço. E esse fundo do poço, Presidente Romário, não é por causa dos 7 a 1; é pela sequência de fatos e pelas denúncias que existem em relação à CBF. O senhor não acha que o melhor procedimento de sua parte hoje é renunciar para iniciarmos uma fase nova da história do futebol brasileiro?
O SR. MARCO POLO DEL NERO – É um assunto opinativo de V. Exª, mas eu acho que nós temos que fazer uma reflexão sobre isso. Não é o que eu penso neste momento.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP. Fora do microfone.) – Sem mais perguntas.
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Eu só gostaria de esclarecer, mais uma vez, que nunca fui a Barbados; nunca me reuni com o ex-presidente Marin e o Sr. Hawilla juntos; não movimentei 27 milhões de 2014 a 2015; comprei e vendi o apartamento hipotecado e avaliado e com valor venal. Achei que fiz um negócio aparentemente bom, em um momento, mas corri para me desfazer dele, porque fiquei com medo. Depois que fizesse uma reforma, eu poderia perder o apartamento. E, aí, como é que ficaria? Expliquei a compra da lancha e tenho cópia do cheque.
O SR. PRESIDENTE (Romário. Bloco Socialismo e Democracia/PSB – RJ) – Muito bem.
Passo a palavra, agora, ao Senador Wellington Fagundes.
O SR. WELLINGTON FAGUNDES (Bloco União e Força/PR – MT) – Sr. Presidente, quero aqui saudar o nosso Presidente Romário, também o Relator Romero e o nosso Vice-Presidente Paulo Bauer; como foi falado aqui também, cumprimentar o nosso ex-companheiro, Deputado, que tem também, como foi dito, uma larga experiência como jurista, mas também uma brilhante atuação nesta casa, Dr. Batochio; e cumprimentar também o Sr. Marco Polo Del Nero.
Eu tenho algumas perguntas – já estão todas elas prontas –, e o senhor pode responder de acordo com o que entender que fica melhor.
Sr. Marco Polo, há suspeitas de que o senhor teria influenciado os votos das demais federações e dos clubes para a sua eleição a partir de um contrato de patrocínio da Chevrolet com as federações estaduais. Qual foi a sua participação na expansão dos contratos de patrocínio da montadora às federações estaduais?
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Todos os dias, já quando presidente da Federação Paulista de Futebol, que era uma federação muito poderosa, muito grande, todas as federações vinham lá e perguntavam: “poxa, me indique um patrocinador, me indique alguém que pudesse…” E a gente, dentro do possível, fala para muita gente. Mas não é todo mundo que patrocina.
No caso dessa empresa que o senhor está mencionando, quero afirmar o seguinte: essa empresa também patrocinou pessoas que eram oposição à minha pessoa, à candidatura a presidente da CBF, caso do Estado do Rio Grande do Sul, caso do Estado de Santa Catarina. Não sei outros, não, mas com certeza esses dois foram. Não sei se Paraná também foi. Não sei. Esses dois, com certeza, eu posso lhe informar. Mas não tem nada a ver.
Não faz muito tempo, não, que eu pedi para a Itaipava, que também patrocina o Campeonato Paulista, que ajudasse as outras federações, porque é voz das federações pedirem para… Se o senhor encontrar um presidente de federação, ele vai pedir para o senhor ajudar. Está aqui o Deputado Góes, que está querendo patrocinador. Se o senhor puder indicar… E todos nós queremos ajudar.
Então, conversei com o pessoal da Itaipava. Ele ligou para a Bahia, o único local que tinha interesse, e a Bahia não poderia fazer. E ela não fez. Isso é normal. Você tem a obrigação… Eu tenho a obrigação de ajudar. O senhor… obrigação de ajudar. O senhor não tem, mas eu tenho. Como Presidente da Federação eu tenho a obrigação de querer ajudar as outras federações.
16:55
O SR. WELLINGTON FAGUNDES (Bloco União e Força/PR – MT) – Normalmente, esses patrocínios têm algum agenciamento, empresas que cuidam disso – como, por exemplo, existe patrocínio na cultura, empresas que fazem a captação. Isso é normal no esporte? O SR. MARCO POLO DEL NERO – Isso é normal.
O SR. WELLINGTON FAGUNDES (Bloco União e Força/PR – MT) – Isso também faz parte do trivial? Como é que funciona isso? O SR. MARCO POLO DEL NERO – Normal. Funciona. Quem traz a empresa recebe uma comissão.
O SR. WELLINGTON FAGUNDES (Bloco União e Força/PR – MT) – Inclusive, também, isso com empresas e até privados, por exemplo, um profissional, um advogado ou outra profissão qualquer? Também isso é normal? O SR. MARCO POLO DEL NERO – Pode ser.
O SR. WELLINGTON FAGUNDES (Bloco União e Força/PR – MT) – Eu acho que é no sentido de esclarecer. O SR. MARCO POLO DEL NERO – Eu não vi, eu não me lembro agora se algum advogado teve essa participação. Creio que não. Mas as pessoas que levam alguma coisa pedem um contrato antes de trazer o patrocinador.
O SR. PRESIDENTE (Romário. Bloco Socialismo e Democracia/PSB – RJ) – Desculpe-me a interferência.
O SR. WELLINGTON FAGUNDES (Bloco União e Força/PR – MT) – Pois não.
O SR. PRESIDENTE (Romário. Bloco Socialismo e Democracia/PSB – RJ) – Nesse caso do contrato com a Chevrolet, quem foi o intermediário? O SR. MARCO POLO DEL NERO – Foi o Sérgio Gomes.
O SR. PRESIDENTE (Romário. Bloco Socialismo e Democracia/PSB – RJ) – Sérgio Gomes. Muito obrigado.
Por favor.
O SR. WELLINGTON FAGUNDES (Bloco União e Força/PR – MT) – Nessa linha, isso, normalmente – é claro –, é feito de uma forma profissional? O SR. MARCO POLO DEL NERO – Profissional
O SR. WELLINGTON FAGUNDES (Bloco União e Força/PR – MT) – As pessoas que vão lá fazem isso… O SR. MARCO POLO DEL NERO – Sim.
O SR. WELLINGTON FAGUNDES (Bloco União e Força/PR – MT) – … recebem o seu honorário, digamos, com toda a documentação da vinculação ou da triangulação, enfim, oficial. É isso? O SR. MARCO POLO DEL NERO – Sim.
O SR. WELLINGTON FAGUNDES (Bloco União e Força/PR – MT) – Isso é a prática normal dentro do futebol? O SR. MARCO POLO DEL NERO – Prática normal.
O SR. WELLINGTON FAGUNDES (Bloco União e Força/PR – MT) – Quanto ganha um dirigente da CBF? E, também, os dirigentes das federações, normalmente, têm um salário? Como é que funciona isso? As despesas, como é que funcionam? O SR. MARCO POLO DEL NERO – Algumas federações, sim; outras, não.
O SR. WELLINGTON FAGUNDES (Bloco União e Força/PR – MT) – Nós vamos falar da CBF, então. O SR. MARCO POLO DEL NERO – A CBF tem salário.
O SR. WELLINGTON FAGUNDES (Bloco União e Força/PR – MT) – Tem salário. E claro, também, todas as despesas de transporte, enfim, tudo isso é de forma… O SR. MARCO POLO DEL NERO – Sim, sim, todas as despesas.
O SR. WELLINGTON FAGUNDES (Bloco União e Força/PR – MT) – E o salário é público? O SR. MARCO POLO DEL NERO – Aumentando o meu imposto de renda (Risos.)
O SR. WELLINGTON FAGUNDES (Bloco União e Força/PR – MT) – Está bom, isso a CPI pode procurar. É claro que o senhor não tem a obrigação, aqui, de estar colocando. Acho que não – não é? –, mas, aí, o Presidente pode depois, até, questionar em relação ao poder da CPI.
Em reportagem publicada no início deste mês, o jornalista Rodrigo Mattos teceu comentários acerca do documento do Departamento de Justiça dos Estados Unidos – que já foi abordado aqui, inclusive, antes – que tornou público o indiciamento de 16 dirigentes ligados à FIFA, entre eles, o seu nome também é indicado e o senhor até já abordou esse assunto aqui. Gostaria que o senhor aqui nos falasse qual o valor oficial pelo qual eram vendidos os direitos de transmissão da Copa do Brasil? E quanto era repassado aos clubes participantes da competição? Ou alguma outra captação de patrocínio? O SR. MARCO POLO DEL NERO – Eu não tenho o contrato neste momento aqui. Qualquer coisa que eu falaria para V. Exª estaria equivocado.
O SR. WELLINGTON FAGUNDES (Bloco União e Força/PR – MT) – Certo. O SR. MARCO POLO DEL NERO – Mas esses contratos que foram mencionados, tão logo houve a prisão do pessoal, daquelas… dos presidentes na Suíça, tão logo isso ocorreu – e foi mencionado –, os contratos da Copa do Brasil e da Nike, imediatamente, a CBF, reunindo com o Presidente o departamento jurídico, entenderam que deveria ser encaminhado à Polícia Federal, ao Ministério Público Federal. Então, esses contratos foram enviados a essas autoridades públicas.
O SR. WELLINGTON FAGUNDES (Bloco União e Força/PR – MT) – Aqui, foi até abordado, também, que V. Exª pediu licença da CBF tão logo isso aí foi apontado. Eu até quero dizer que é elogiável, porque tivemos aqui, inclusive, o exemplo do Ministro Hargreaves – ele fez o mesmo –, e tão logo tudo foi esclarecido, ele voltou até fortalecido – não é? – por parte dentro do próprio ministério, na Casa Civil à época.
Aqui, o Sr. Marcus Vicente, em recente artigo assinado pelo… aqui na Folha de São Paulo, ele diz:
“Não se troca governo, não se exorciza os fantasmas do esporte nem se concertam as mazelas de gestões infelizes atropelando lei e ritos. Agir assim é ilegal e ilegítimo, tanto na política quanto no futebol. Fora das regras, tudo é jogo sujo.”
Levando em considerações as prisões denunciadas e as investigações de dirigentes da CBF em curso, tanto em nível nacional quanto internacional, o senhor consegue identificar algum
17:00
o senhor consegue identificar algum erro nas gestões anteriores? E quais os planos para a sua gestão? Vou partir do princípio da sua inocência, depois de tudo julgado. O senhor pediu licença. Licença é um ato de afastamento. O senhor pretende voltar para a CBF?
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Pretendo provar a minha inocência e voltar.
O SR. WELLINGTON FAGUNDES (Bloco União e Força/PR – MT) – O senhor pretende voltar. Voltando…
Esta CPI tem o objetivo de investigar, mas também tem o objetivo de contribuir para a melhoria do futebol brasileiro.
Voltando a assumir a CBF, quais são os seus planos para melhorar aquilo que o senhor entende que foi errado e que precisa ser aperfeiçoado?
Nós gostaríamos, inclusive como fizemos aqui com outros dirigentes das federações, que V. Sª falasse, se tiver um planejamento, porque todo o Brasil espera isso. Nós queremos elucidar, queremos resolver, mas queremos contribuir também para a melhoria do futebol. Nós gostaríamos que V. Sª mandasse para a Comissão aquilo que a CBF pretende fazer – inclusive poderemos incluir as propostas no relatório final – em termos de sugestões, de melhoria da legislação. O senhor poderia abordar esse aspecto? Como o senhor vê isso?
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Na minha fala inicial, eu disse o que pretendo fazer e o que estamos pretendendo fazer na CBF.
A gestão, a transparência e a ética são fundamentais. Por isso, nós contratamos a empresa Ernst & Young, que fez um trabalho muito grande e conheceu a CBF profundamente. Ela está entregando esse trabalho para nós, e tudo que está lá, muito certamente, será colocado em prática.
O SR. WELLINGTON FAGUNDES (Bloco União e Força/PR – MT) – Mas quando eles vão terminar esse trabalho?
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Tenho a impressão que terminará agora, no final do ano.
O SR. WELLINGTON FAGUNDES (Bloco União e Força/PR – MT) – Não é muito tempo, não é?
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Não, não, não.
O SR. WELLINGTON FAGUNDES (Bloco União e Força/PR – MT) – Está bem.
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Eles estão lá desde abril. Desde quando eu entrei, eles estão trabalhando. Então, logo que concluam, nós vamos colocar em prática. Muitas das propostas nós já colocamos em prática. Uma delas, por exemplo, refere-se à reeleição. Tudo que eles vão falando nós vamos captando e fazendo. Código de Ética: já colocamos no estatuto da entidade. Há coisas que já vamos colocando em prática.
O SR. WELLINGTON FAGUNDES (Bloco União e Força/PR – MT) – Nessa linha, como nós já estamos… Como a maioria já falou, já o inquiriu, como o senhor se sente neste momento? Está valendo a pena vir à CPI? A sua apreensão era apenas de que esta CPI tivesse a preocupação de inquiri-lo para investigação ou V. Sª entende que é possível aproximar-se mais do Parlamento, inclusive da própria CPI, para promover a melhoria do futebol?
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Eu tenho, pelo nosso Congresso, o mais alto respeito. Sou advogado e sei o quanto é importante um Congresso vivo, trabalhador.
Então, eu venho aqui com muita honra e com muita satisfação, no sentido de poder contribuir com alguma coisa. Modestamente, quero contribuir. A gente fala alguma coisa, e certamente os senhores vão avaliar e vão acrescentar algo àquilo que estou fazendo. Mas é uma honra muito grande estar aqui com os senhores.
O SR. WELLINGTON FAGUNDES (Bloco União e Força/PR – MT) – A harmonia entre V. Sª e o Vice-Presidente, que hoje está como Presidente interino, é total?
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Perfeita. Eu que indiquei o nome dele. Poderia ter feito a indicação de outras pessoas, mas indiquei o nome dele.
O SR. WELLINGTON FAGUNDES (Bloco União e Força/PR – MT) – Apesar de ter mais algumas perguntas, antes quero dizer, pela minha experiência como Deputado Federal, que nós já tivemos aqui, no passado…
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Tivemos.
O SR. WELLINGTON FAGUNDES (Bloco União e Força/PR – MT) – … a CPI da CBF.
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Da Nike.
O SR. WELLINGTON FAGUNDES (Bloco União e Força/PR – MT) – Da Nike, exatamente. Mas havia o envolvimento da CBF. Àquela época, a CBF inclusive montou uma estrutura aqui. E é normal toda instituição ter aqui a relação parlamentar, contando com funcionários para acompanharem os trabalhos. Por que V. Sª entende que isso foi abandonado?
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Não. Não foi abandonado. Desculpe-me. Nós temos aqui uma subsede e um diretor de assuntos parlamentares no Congresso, que é o Dr. Vandenberg, que está presente aqui. Nós nunca deixamos de acompanhar a legislação, de nos aproximar para ver o que acontece. Os projetos… para ver o que acontece, os projetos dos Deputados, aqueles que nós pudermos apresentar, nós trazermos, não só para os Deputados mais próximos, mas, de uma forma geral, a gente às vezes estarta para todos.
17:05
O SR. WELLINGTON FAGUNDES (Bloco União e Força/PR – MT) – Em relação à Lei Geral da Copa, o senhor entende que a CBF acompanhou pari passu o que nós votamos aqui? Quais foram os erros e o que poderia ter sido melhorado, inclusive em relação àquilo que foi o pós-Copa? Hoje a população cobra muito de todos nós. Qual o legado que ficou com a Copa do Mundo? O SR. MARCO POLO DEL NERO – Nós…
O SR. WELLINGTON FAGUNDES (Bloco União e Força/PR – MT) – Só vou concluir.
Fora o sete a um, que foi o trauma maior… Eu me lembro bem que muitos diziam que o Brasil já tinha comprado, e que o Brasil ia ganhar e aquele seria o resultado da eleição, inclusive presidencial. Eu apoiava a Presidente Dilma, como apoio até hoje. Fazemos parte da Base. Acho que cada um paga pelo seu erro. Mas, naquele momento, todos nós íamos para as praças públicas, principalmente nos grandes centros que foram montados nas capitais, e tínhamos também convicção, como eleitor brasileiro, que queríamos que o Brasil ganhasse. Eu me lembro quando cheguei a um grande centro em Cuiabá. Como era o nome dos centros onde eram os telões, a praça onde havia os shows?
O SR. PRESIDENTE (Romário. Bloco Socialismo e Democracia/PSB – RJ) – Fan Fest.
O SR. WELLINGTON FAGUNDES (Bloco União e Força/PR – MT) – Fan Fest. Lá nós estávamos, com meu candidato a Governador, toda a equipe. Na hora que foi um a zero, dois a zero, eu já estava saindo. Meu filho já me ligou: “pelo amor de Deus, pai, o que o senhor está fazendo aí?” Esse, na verdade, foi um resultado que ninguém tinha como conduzir. É claro que nós não queríamos o 7 a 1.
Mas, nesse aspecto, a população nos cobra, por exemplo, os estádios. Nós já discutimos com o Presidente da Federação, por exemplo, de Rondônia. O que eles mais querem é um estádio lá. Por outro lado, naqueles estádios que foram construídos, existe a crítica de que são os elefantes brancos. A CBF tem algum planejamento? Até agora, o que a CBF fez para o pós-Copa?
Também há os centros de treinamento. Não sei quantos centros ficaram de obrigação de a CBF construir nas cidades que não foram contempladas como subsedes. Como está isso? A CBF tem um recurso suficiente para a construção desses centros, que foi o compromisso? A CBF tem o planejamento para fazer o desenvolvimento desses centros, para melhorar o esporte do interior? O SR. MARCO POLO DEL NERO – Senador, nós temos que lembrar… A memória da vitória, o prazer da vitória, passa rapidamente. A derrota fica amarga, às vezes, eternamente. Em 2013, na Copa das Confederações, o Brasil entrou desacreditado e disputou a final contra uma Espanha que era campeã do mundo. Eu me lembro muito bem que um dirigente da FIFA, antes do jogo, me olhou e falou: “Olha, hoje vai ser quatro a zero para a Espanha”. Ele não era espanhol, não; era francês. “Vai ser quatro a zero para a Espanha”. E nós fomos campeões da Copa das Confederações. Talvez até eu possa dizer que isso tenha sido um erro, daí para a frente, do grande técnico, espetacular técnico, Scolari, porque ele ficou com essa vitória de um ano, pensando que os mesmos jogadores, um ano depois, poderiam dar conta. E o jogador de futebol é de temporadas. No primeiro semestre, ele joga muito bem; no segundo semestre, ele não está bem; dois anos seguidos, ele vai muito bem; dois anos depois, ele passa várias temporadas sem jogar bem.
O SR. WELLINGTON FAGUNDES (Bloco União e Força/PR – MT) – Só o Romário, que foi craque muito tempo e continua craque aqui na CPI. O SR. MARCO POLO DEL NERO – Mas os fora de série são os fora de série, e nós temos que respeitar sempre. Nós temos o Neymar também, fora de série, o próprio Ronaldo, e outros tantos jogadores que são fora de série, mas que também tiveram uma fase às vezes momentânea, muito pequena, mas não boa.
Eu acredito que o Felipe Scolari, que é um grande técnico, um homem de bem, que merece o maior respeito, ficou com o mesmo time da vitória da Copa das Confederações
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e isso fez com que nós não tivéssemos, na Copa do Mundo, os melhores jogadores do mundo, creio eu. Os melhores preparados para a Copa. Porque um jogador, só, não ganha. Nós temos que ter um conjunto de jogadores para ganhar uma competição. Eu acho que esse foi o grande erro do grande técnico Felipe Scolari na época e a razão de a gente não ter ganhado essa Copa do Mundo.
Com relação ao legado, como eu lhe falei, muita coisa boa ficou. Nós percebemos que nos estádios novos o público faz questão de participar, o clube sente aquilo como se fosse o país dele, num estádio novo. Ele sente uma felicidade muito grande. Nós temos tido públicos espetaculares em São Paulo, na Arena Corinthians e na Arena Palmeiras.
Vejo até – o Corinthians nem tanto, porque ele sempre teve grande presença de público até no Pacaembu, porque ele sentia que aquela era a sua casa também. Mas na Arena do Corinthians, lá em Itaquera, o público é presente, são 40 mil pessoas presentes em todos os jogos. E isso tem acontecido também com a arena nova construída pelo Palmeiras. Menor, mas 38, 39 mil pessoas presentes. E em outros Estados também ocorre da mesma forma.
É evidente que o legado tinha que deixar outras coisas. E deixou. Sei que o aeroporto de São Paulo foi melhorado, outros aeroportos foram melhorados, vias de acesso foram construídas, enfim muita coisa boa ficou. Talvez devesse ficar muito mais. Mas foi o que pôde ser feito naquela oportunidade.
O SR. WELLINGTON FAGUNDES (Bloco União e Força/PR – MT) – Mas o senhor não colocou… Qual a responsabilidade, como é que o senhor sente que a CBF tem a responsabilidade com esse pós-Copa, em relação à organização do futebol e principalmente ao apoio aos Estados menores, como é o caso do Estado de Mato Grosso e outros Estados, que, infelizmente, o nosso futebol praticamente está acabado.
Aliás, tivemos lá agora o Lucas do Rio Verde, enfim, mas…
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Exmo Senador, outrora nos campeonatos, em qualquer competição…
O SR. WELLINGTON FAGUNDES (Bloco União e Força/PR – MT) – É o Rioverdense, para não ficar…
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Em qualquer competição estadual – Vamos dar um exemplo de São Paulo –, não se permitia sair de São Paulo para fazer a mando do Corinthians, do São Paulo, do Palmeiras, ou do Santos, lá no estádio de Curitiba e qualquer outro local. Não se permitia.
Da mesma forma, os clubes grandes do Rio de Janeiro não permitiam isso. Com a presença, com a criação desses novos estádios, não teve como o presidente da Federação não conversar com os clubes e mostrar a eles que havia necessidade de ajudar esse Brasil maior.
Então, esses clubes, nós autorizamos – a Federação carioca e a Federação de São Paulo começaram a autorizar – que esses clubes viajassem para esses outros Estados. Antes não havia isso, era muito raramente. Agora, costumeiramente.
E depois disso, depois que começou a realização de grandes partidas fora do Estado, começou também uma reclamação dos clubes. Que nós corrigimos em 2015. Qual seja, vamos dar um exemplo: o Oeste, de São Paulo. É um clube pequeno e que teria que jogar no Estado de São Paulo ou na sua cidade. Então, o empresário contratava o Oeste ou ele sabia que a Praça de Manaus, que é uma grande praça, daria um público espetacular. Então, ele levava o Flamengo para jogar em Manaus, evidentemente que as passagens eram pagas, mas isso acarretava para os clubes grandes um grande problema de deslocamento, de cansaço para os seus jogadores, etc., etc.
Então, nós fomos obrigados a colocar na competição, no regulamento geral das competições
17:15
(Em execução).
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contribuir para uma melhor sobrevivência desses times do interior, dos campeonatos regionais. Enfim, como seriam as seleções estaduais, como tinha antigamente.
Aqui sugeri também a possibilidade, inclusive, da criação de um fundo – e aí eu gostaria que a CBF também pudesse contribuir com isso, com ideias – que a gente pudesse captar de todos para ser distribuído para aqueles Estados que mais necessitam. Inclusive, essa questão da formação de ligas. O senhor vê isso como positivo também? Os times que se juntam e formam ligas? Como é que o senhor vê isso?
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Nós damos muito apoio à Copa do Nordeste. A Copa do Nordeste tem uma diretoria, não é uma liga. Tem uma diretoria, é uma forma de liga, que é a parte comercial. Toda a parte organizacional pertence à Confederação Brasileira de Futebol, tanto que ela participa do nosso calendário.
Não faz muito tempo, entendi que nós temos de fazer competições para o Brasil inteiro, porque só dá o Sul, o Sul e o Sudeste. Então, nós temos de fazer para o Brasil inteiro. Como? Fortalecendo a Copa do Nordeste. Ela está fortalecida, está realizada, vai muito bem obrigado. Daí nós criamos a Copa Verde. E até um nome que eu sugeri e o marketing gostou do nome, Copa Verde. Envolve toda a Região Norte e Centro-Oeste. Até o seu Estado também está na Copa Verde. Foi feito o segundo ano, vai para o terceiro ano. Está crescendo, mas tem muita coisa para fazer, Senador.
Posso dizer ao senhor que sinto vontade de fazer muita coisa por este País ainda.
Acho que nesta Copa do Brasil…Temos de fazer uma Pré-Copa do Brasil para dar vida. Essa Copa do Brasil, só para explicar para o senhor, é dos clubes de cada Estado. São representados no campeonato estadual, que indica alguém para a Copa do Brasil. Mas vão disputar essa Copa do Brasil, na primeira fase, jogam um jogo, são desclassificados e morre o sonho. E também os jogadores não são mais empregados, ficam desempregados. Então, temos de fazer uma Pré-Copa do Brasil – mormente no Nordeste, no Norte, mais no Norte, mas também no Centro-Oeste, em várias regiões que têm dificuldades. Haveria um espaço de seis, sete meses, disputando o futebol para se classificarem para a Copa do Brasil. E daí, evidentemente, seriam remunerados, os clubes seriam remunerados para pagar. Como as contas seriam pagas? Como são pagas as contas nas séries “C” e “D” do Campeonato Brasileiro? A CBF paga tudo, só não paga o salário do jogador. Isso é muito importante.
O SR. WELLINGTON FAGUNDES (Bloco União e Força/PR – MT) – Sr. Presidente, dou-me por satisfeito.
O SR. PRESIDENTE (Romário. Bloco Socialismo e Democracia/PSB – RJ) – Muito obrigado, Senador.
Antes de passar a palavra ao Senador Paulo Bauer, gostaria só de fazer a comunicação de que o aliado do Presidente, o Coronel Nunes, do Pará, acaba de ser reeleito. Dos 55 votos possíveis ele obteve 44. O golpe da CBF foi dado.
A pergunta que eu tenho para fazer ao senhor é a seguinte: senhor Marco Polo Del Nero, o senhor vai sair agora da CBF?
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Não. Estou de licença. Vou responder a esses problemas que nós temos. Tão logo eu demonstre a minha inocência eu volto.
O SR. PRESIDENTE (Romário. Bloco Socialismo e Democracia/PSB – RJ) – E o senhor não vai renunciar?
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Não vou renunciar.
O SR. PRESIDENTE (Romário. Bloco Socialismo e Democracia/PSB – RJ) – Então, qual é o motivo para colocar o Coronel Nunes, do Pará, como um Vice de mais idade, já que existia, dentro do curso natural da CBF?
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Não foi escolha minha. Eu chamo aqui o testemunho do nobre Deputado Góes, Presidente da Federação do Amapá, que estava presente. Foi uma escolha…Como ele representa mais a região…
O SR. PRESIDENTE (Romário. Bloco Socialismo e Democracia/PSB – RJ) – Do Nordeste.
O SR. MARCO POLO DEL NERO – A Região Norte…
O SR. PRESIDENTE (Romário. Bloco Socialismo e Democracia/PSB – RJ) – E o Marinho era do Sudeste.
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Do Sudeste.
O SR. PRESIDENTE (Romário. Bloco Socialismo e Democracia/PSB – RJ) – Pertinho.
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Rio de Janeiro, São Paulo, Minas, Espírito Santo…
O SR. PRESIDENTE (Romário. Bloco Socialismo e Democracia/PSB – RJ) – Hoje não têm um representante.
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Eles é que indicaram essa pessoa. Não foi o Presidente da CBF que determinou. Foi em um reunião aberta, como estamos aqui, que foi decidido.
O SR. PRESIDENTE (Romário. Bloco Socialismo e Democracia/PSB – RJ) – Preidente, o senhor pode contar isso para eles, para mim não.
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Democraticamente – desculpe-me, só para concluir, Senador, os clubes opinaram. Reinaldo Bastos, você quer ser candidato a Presidente? “Não”; Rubens Lopes, quer ser candidato a Presidente? “Não”. E os outros que também foram convidados não aceitaram. E quem vocês indicam?
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e os outros também foram convidados e não aceitaram. Quem vocês indicam? Indicamos o Coronel Nunes, Presidente da Federação do Pará, e assim foi feito, democraticamente, dentro de um processo eleitoral, normal, aprovado pela justiça agora.
O SR. PRESIDENTE (Romário. Bloco Socialismo e Democracia/PSB – RJ) – Exatamente. Democrático, como sempre foi a CBF, principalmente na sua gestão.
Passo aqui a palavra ao Senador Paulo Bauer.
O SR. PAULO BAUER (Bloco Oposição/PSDB – SC) – Obrigado, Sr. Presidente.
Quero aqui inicialmente registrar que uma das informações – se assim podemos dizer – oferecida pelo presidente licenciado da CBF foi de que tudo na CBF foi registrado. Quero dizer a V. Sª que não tenho nenhuma dúvida disso.
Na verdade, a contabilidade da CBF deve registrar tudo. Agora, o que nós questionamos e o que nós estamos procurando identificar não são os registros que efetivamente existem na CBF. Nós precisamos identificar os negócios que são feitos a partir desses registros no entorno da CBF, conforme denunciado pelo FBI, conforme várias vezes denunciado por jornalistas especializados e inclusive denunciado por pessoas envolvidas.
A propósito, já que a contabilidade registra tudo, eu queria consultar V. Sª a respeito do seguinte fato: A CBF comprou a sede onde se encontra instalada por cerca de R$70 milhões e a CBF gastou para reformar esta sede R$23 milhões. O senhor teve alguma participação na decisão das obras que foram feitas como vice-presidente? O senhor pode me dar alguma informação a respeito da razão que levou a CBF a ter esse volume de despesas para reformar um edifício, uma instalação comprada para sua instalação?
O SR. MARCO POLO DEL NERO – A CBF tinha uma sede alugada, pagava entre R$100 e R$150 mil por mês, não sei exatamente quanto. O Presidente Marin entendeu comprar uma sede para a CBF. Ele criou uma comissão de compras – eu não participava dessa comissão de compras – mas alguns presidentes de federações participavam, inclusive o de Santa Catarina.
Esses homens administraram a negociação da compra ou posso estar enganado, existia a comissão de compras, compra do imóvel e a comissão de obras ou as duas eram a mesma coisa – não tenho bem certeza – mas havia uma comissão com membros de vários Estados para a compra do imóvel e, provavelmente, para as obras.
O SR. PAULO BAUER (Bloco Oposição/PSDB – SC) – O senhor entende que R$ 23 milhões de reforma, numa obra que custou 70, é um investimento que se justifica?
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Se o senhor conhecer a sede da CBF…
O SR. PAULO BAUER (Bloco Oposição/PSDB – SC) – Não tive essa oportunidade.
O SR. MARCO POLO DEL NERO – O senhor está convidado a comparecer, juntamente com os demais Senadores. É uma honra muito grande. É uma sede muito bonita, à altura do futebol brasileiro.
Lá dentro foi criado um museu da história do futebol brasileiro, que é algo espetacular.
Hoje são 9 mil metros quadrados de área construída. É alguma coisa espetacular. O museu tem mostrado a grandeza do futebol brasileiro, registrado para o mundo a grandeza do futebol brasileiro.
Agora, é evidente que essa comissão trabalhou e fez todo o seu papel. Agora, perguntei há pouco tempo para o departamento jurídico, em razão dessas notícias, o departamento jurídico, que era o presidente da comissão. Ele disse que fizeram três avaliações no mercado, todas acima de 70 milhões. O imposto predial veio com valor de 71 milhões. O valor venal do imóvel veio com o valor de 71 milhões.
Então, foram feitas avaliações. Tenho certeza absoluta
17:30
tenho certeza absoluta de que são pessoas de bem, que trabalharam em favor do futebol e fizeram o melhor.
Infelizmente, eu não participei em detalhes das obras.
O SR. PAULO BAUER (Bloco Oposição/PSDB – SC) – Esta é exatamente a questão: se o mercado avalia um imóvel em R$70 milhões, por ele você paga R$70 milhões e o reforma por R$23 milhões, significa que o imóvel estava completamente danificado, sem condições de uso, ou se gastou mais dinheiro em cima, mas a questão não é…
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Não, desculpe, eu posso esclarecer. Quando foram feitas avaliações, era no estado em que se encontrava o prédio.
O SR. PAULO BAUER (Bloco Oposição/PSDB – SC) – Pois não.
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Hoje, esse prédio, com essa melhora que foi feita, deve valer pelo menos R$200 milhões.
O SR. PAULO BAUER (Bloco Oposição/PSDB – SC) – Pois não.
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Pelo menos, porque eram 4,5 mil metros ou 5 mil metros. Não tenho exatamente quanto, mas quase dobrou a metragem com a reforma, e hoje é um prédio espetacular, à altura do nosso futebol.
O SR. PAULO BAUER (Bloco Oposição/PSDB – SC) – A outra pergunta é: qual é a sua relação com o Sr. José Margulies, também conhecido como José Lázaro?
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Zero. Só o conheço.
O SR. PAULO BAUER (Bloco Oposição/PSDB – SC) – O senhor nunca teve nenhuma viagem com ele, nenhuma frequência dele na sua casa ou no seu escritório ou sua na dele ou no escritório dele?
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Não.
O SR. PAULO BAUER (Bloco Oposição/PSDB – SC) – Nunca? O senhor pode afirmar isso categoricamente?
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Posso afirmar. Nunca tive um relacionamento com ele íntimo. Eu o conheço…
O SR. PAULO BAUER (Bloco Oposição/PSDB – SC) – O senhor consideraria, então, que o acordo de delação premiada que ele firmou com as autoridades norte-americanas e onde ele, inclusive, se comprometeu a devolver US$9 milhões, que é dinheiro resultante de propina, e ele acusar o senhor de ser um beneficiário desse processo de propinas do qual ele participou tem alguma razão de uma relação odiosa que ele poderia ter com o senhor ou alguma frustração por não tê-lo como seu amigo ou como pessoa do seu contato?
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Eu não sei o que ele pensou, mas, com certeza, eu não tive nenhuma participação em qualquer ato que ele menciona, e meu relacionamento com ele era muito distante. Eu entendia até que ele era um homem de segundo, terceiro escalão.
O SR. PAULO BAUER (Bloco Oposição/PSDB – SC) – O.k.
Antes de o senhor assumir a vice-presidência da CBF, o senhor atuava em seu escritório de advocacia, correto?
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Também.
O SR. PAULO BAUER (Bloco Oposição/PSDB – SC) – Prestava serviços na área, como advogado?
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Sim.
O SR. PAULO BAUER (Bloco Oposição/PSDB – SC) – A sua empresa de advocacia ou o senhor, como pessoa física, teve algum tipo de contrato de prestação de serviço ou de defesa de qualquer fornecedor ou contratado da CBF nos últimos cinco anos anteriores a sua posse como vice-presidente?
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Creio que não. Não me lembro, mas creio que não. Não havia razão para fazer esse tipo de contrato.
O SR. PAULO BAUER (Bloco Oposição/PSDB – SC) – Muito bem.
Outra pergunta: o senhor, durante o período em que ocupou a vice-presidência, vivenciou todos os atos e fatos relacionados à Copa do Mundo realizada no Brasil, correto?
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Sim.
O SR. PAULO BAUER (Bloco Oposição/PSDB – SC) – O senhor teve alguma participação, auferiu alguma renda relacionada à Copa do Mundo tanto como pessoa física quanto em seu escritório de advocacia?
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Não, zero.
O SR. PAULO BAUER (Bloco Oposição/PSDB – SC) – Nenhuma? O.k.
Outra pergunta que eu lhe faço é que nós sabemos que a CBF realiza negociação para contratar empresas que vão patrocinar a seleção brasileira e também firma contratos para a veiculação dos eventos esportivos. O senhor, desde que assumiu a presidência da CBF, teve algum tipo de modificação ou de substituição de empresa antes do vencimento do respectivo contrato?
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Não.
O SR. PAULO BAUER (Bloco Oposição/PSDB – SC) – Continua cumprindo todos os contratos?
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Todos os contratos, é.
O SR. PAULO BAUER (Bloco Oposição/PSDB – SC) – Continua cumprindo todos os contratos firmados na gestão anterior?
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Sem dúvida.
O SR. PAULO BAUER (Bloco Oposição/PSDB – SC) – E os contratos vencidos? Algum foi renovado ou aditado no prazo – que o senhor lembre?
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Não, não teve nenhum contrato vencido ou aditado, que eu me lembre. Na minha administração, não teve.
O SR. PAULO BAUER (Bloco Oposição/PSDB – SC) – Muito bem. Então, não houve, portanto, nenhuma nova contratação também?
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Não, não houve.
O SR. PAULO BAUER (Bloco Oposição/PSDB – SC) – Se nenhum venceu, nenhum foi renovado e nenhum foi aditado?
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Não.
O SR. PAULO BAUER (Bloco Oposição/PSDB – SC) – Continuou apenas na sequência, fazendo o que vinha sendo
17:35
feito.
Muito bem, uma pergunta: o senhor conhece uma providência – e quero aqui até justificar essa pergunta, porque o senhor está em uma CPI que também serve para esclarecer algumas coisas que são publicadas e noticiadas como verdades, e V. Sª tem a oportunidade aqui de esclarecer. Quando o senhor foi dirigente da CBF, na condição de vice-presidente, e também participou da Copa do Mundo, o senhor teve alguma participação naquela distribuição de relógios personalizados oferecidos pela CBF aos dirigentes da FIFA?
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Isso foi uma determinação do presidente Marin, de comemorar os cem anos da CBF e entregar um mimo aos participantes da FIFA e das federações participantes da Copa do Mundo.
O SR. PAULO BAUER (Bloco Oposição/PSDB – SC) – Consta que esses relógios custaram, cada um, R$33 mil, embora o seu valor de mercado fosse acima de R$100 mil. O senhor, na época, participou da decisão, da compra e da distribuição?
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Não, não participei.
O SR. PAULO BAUER (Bloco Oposição/PSDB – SC) – O presidente Marin decidiu isso isoladamente e sozinho?
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Provavelmente decidiu isso com os departamentos.
O SR. PAULO BAUER (Bloco Oposição/PSDB – SC) – O senhor chegou a receber um relógio desses como presente?
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Recebi.
O SR. PAULO BAUER (Bloco Oposição/PSDB – SC) – Tendo em vista que o Comitê de Ética da FIFA decidiu que não era adequado e nem ético…
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Devolvi! Devolvi na FIFA.
O SR. PAULO BAUER (Bloco Oposição/PSDB – SC) – O senhor devolveu na FIFA? Recebeu na CBF e entregou para a FIFA? E a FIFA entregou para uma organização beneficente, é isso?
O SR. MARCO POLO DEL NERO – É.
O SR. PAULO BAUER (Bloco Oposição/PSDB – SC) – O.k.
A outra pergunta é: o senhor, como representante do Brasil na FIFA, desde que houve e aconteceu o episódio da prisão de Marin, na Suíça, aconteceram várias reuniões do Comitê Dirigente da FIFA. O senhor recebeu remuneração para estas reuniões acontecidas?
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Não.
O SR. PAULO BAUER (Bloco Oposição/PSDB – SC) – Não recebeu, o.k.
Por fim, eu quero só fazer um comentário aqui, dizendo a V. Sª que as Oscips, no Brasil, são fiscalizadas pelo Ministério público; as Organizações Não-Governamentais são fiscalizadas, muitas vezes, por Ministério Público e, outras vezes, por Tribunais de Contas; e a CBF não é fiscalizada por ninguém, apenas pela sua direção e pelo seu conselho. O senhor considera que a CBF deveria merecer a fiscalização permanente de alguma instituição que não fosse apenas vinculada ao futebol, para atestar a sua transparência e a exatidão das suas contas?
O SR. MARCO POLO DEL NERO – A CBF tem um Conselho Fiscal. É auditada por auditoria externa e seus balanços são aprovados em assembleia geral. É uma entidade privada.
O SR. PAULO BAUER (Bloco Oposição/PSDB – SC) – Perfeito, mas como ela é uma entidade privada que lida com um negócio que, no Brasil, nós devemos considerar como patrimônio público – ou seja, o futebol. E, principalmente, quando falamos da Seleção Brasileira, nós estamos falando de algo que representa o País no exterior. A pergunta é se nós devemos considerá-la como uma instituição privada não sujeita a nenhuma fiscalização pública.
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Ela é fiscalizada pelo imposto de renda, pela fiscalização federal…
O SR. PAULO BAUER (Bloco Oposição/PSDB – SC) – Eu também sou.
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Ela é fiscalizada pela – se for o caso, tiver alguma fraude – Polícia Federal, pelo Ministério Público. Todos nós estamos sujeitos à fiscalização e a CBF também. Ela pode ser fiscalizada sim, por que não?
O SR. PAULO BAUER (Bloco Oposição/PSDB – SC) – Uma última pergunta: V. Sª pediu licença do cargo de presidente e, conforme o estatuto da instituição – até onde eu tenho informações –, o presidente escolhe quem o sucede em sua ausência. E V. Sª escolheu um Deputado Federal, Marcus Vicente, contra quem eu não tenho nenhuma observação a fazer porque sequer o conheço. Mas eu pergunto se não teria sido mais lógico V. Sª reunir o colegiado de vice-presidentes e dar a eles a oportunidade de escolherem, entre eles, quem devesse sucedê-lo, ou mesmo escolher aquele que fosse o mais antigo ou aquele que estivesse em atividade no esporte. Porque há – não estou dizendo exclusivamente o de Santa Catarina, porque outros dirigentes também estão envolvidos no esporte – quem entenda e interprete os
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quem entenda e interprete o seu ato e a sua decisão como uma tentativa de fazer com que houvesse uma proximidade política entre o Congresso Nacional, através do novo presidente que ocupa as funções em seu lugar, e esta Casa e também a Câmara dos Deputados para que não ficasse tão exposta a questão da CBF perante esta Comissão. Apenas por essa razão faço a pergunta.
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Não… Marcos Vicente, antes de ser Deputado Federal, ele já foi… No tempo em que eu tive o relacionamento com o Marcos Vicente, ele não era Deputado Federal. Então, ele ficou Deputado Federal agora nesse mandato. Eu sei que, mais atrás, ele foi Deputado Federal.
Mas a escolha lá é o presidente que indica. Tinha o Fernando Sarney, que a gente conversou um pouquinho. Fernando estava um pouco atrapalhado. O Feijó havia uma possibilidade. O Delfim estava afastado da gente, é Oposição, se mantém como Oposição. E ficou o Marcos Vicente, que aceitou.
O SR. PAULO BAUER (Bloco Oposição/PSDB – SC) – O senhor perdeu uma grande oportunidade. Devia ter dado para a Oposição, para vê-la convalidar seus atos. O senhor preferiu um aliado, agora…
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Não sei, não sei, não sei se a melhor administração é em Santa Catarina.
O SR. PAULO BAUER (Bloco Oposição/PSDB – SC) – Mas é só uma opinião, é só uma opinião.
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Eu… Aqui… CBF não tem parente nenhum meu trabalhando lá.
O SR. PAULO BAUER (Bloco Oposição/PSDB – SC) – Perfeito.
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Com certeza, não tem.
O SR. PAULO BAUER (Bloco Oposição/PSDB – SC) – Muito obrigado.
O SR. PRESIDENTE (Romário. Bloco Socialismo e Democracia/PSB – RJ) – Presidente, dentro disso aí que o senhor falou, o senhor pode afirmar aqui que o senhor não tem nenhum filho ou filhos ligados, como pessoa física ou jurídica, à CBF? E nem à federação paulista ou a nenhuma federação? Ou seja, filho ou filhos do senhor não prestam nenhum serviço nem à CBF nem à federação paulista nem às empresas que estão ligadas à CBF e à federação? O senhor pode afirmar isso aqui?
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Eu posso informar ao senhor que eu tenho um filho que é diretor de arte, que trabalha, que não é administrador da empresa, que foi convidado cinco, seis anos atrás para trabalhar em uma das empresas que presta serviço à CBF por qualidade pessoal dele. Ele não é administrador, não tem nenhuma relação a não ser a arte de trabalhar em um computador.
O SR. PRESIDENTE (Romário. Bloco Socialismo e Democracia/PSB – RJ) – Qual é a empresa?
O SR. MARCO POLO DEL NERO – É Mova.
O SR. PRESIDENTE (Romário. Bloco Socialismo e Democracia/PSB – RJ) – Muito bem.
O SR. MARCO POLO DEL NERO – E nem fui eu que pedi que ele fosse lá.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – Presidente.
O SR. PRESIDENTE (Romário. Bloco Socialismo e Democracia/PSB – RJ) – Senador Randolfe.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – Só uma questão, uma informação complementar ainda sobre o famoso voo aqui peremptoriamente negado pelo Sr. Del Nero. O senhor pode disponibilizar para esta CPI cópia do seu passaporte entre os dias 1º de fevereiro e 11 de fevereiro de 2014? E pode confirmar para nós, garantir para nós que nesse período não há nenhuma passagem pelos Estados Unidos da América?
O SR. MARCO POLO DEL NERO – 1º de fevereiro…
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – 1º a 11 de fevereiro de 2014. A pergunta é: o senhor pode garantir para nós que nesse período não há nenhuma passagem pelos Estados Unidos da América?
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Estados Unidos eu me lembro, sim, Senador. Mas em Barbados com certeza eu não passei.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – Pois é, Barbados geralmente não faz o registro, mas os Estados Unidos fazem. O voo seria Estados Unidos – Barbados – Galeão.
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Mas também eu posso comprovar que viajei com avião comercial.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – Nesse período?
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Se eu viajei, eu não me lembro. Se eu viajei…
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – O senhor continua não se lembrando.
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Não, não. Se eu viajei nessa época, eu viajei em avião comercial.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – O senhor não viajou no Papa Papa Alpha Alpha Delta?
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Não, não. Em hipótese alguma.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – Não teve esse voo nesse período?
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Não teve, mas eu ofereço o passaporte para V. Exª.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – O senhor não estava…
(Intervenção fora do microfone.)
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Se não estava no voo? Não.
O SR. CIRO NOGUEIRA (Bloco Parlamentar Democracia Progressista/PP – PI) – O senhor não pode dizer que não existiu o voo. O senhor está dizendo que não estava no voo. Não é isso?
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Não, não estava no voo. Foi o que eu falei, que eu não estava no voo.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – O senhor não pode informar também sobre se teria uma passagem pelos Estados Unidos nesse período?
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Eu não me lembro, preciso verificar.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – Essa informação o senhor poderia prestar à CPI? Cópia desse período especificamente?
O SR. MARCO POLO DEL NERO – 1º de fevereiro a 11 de fevereiro.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – 1º a 11 de fevereiro. E em especial se no dia 11 de fevereiro… É porque a informação que temos é que essa aeronave…
O SR. ROMERO JUCÁ (PMDB – RR) – Deixa eu só completar o pedido. A informação com cópia do passaporte se houve algum registro nesse período e, se houve uma viagem para o exterior, cópia da passagem que foi utilizada em voo comercial
17:45
passagem que foi utilizada em voo comercial para viagem no exterior.
O SR. MARCO POLO DEL NERO – A cópia da passagem é mais difícil, mas não é impossível.
O SR. ROMERO JUCÁ (PMDB – RR) – É informação da empresa, enfim, qualquer coisa que possa comprovar.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – O senhor pode conseguir a informação da empresa sobre isso?
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Da empresa em que eu viajei?
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – Sim.
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Eu acho que sim, vou ter que procurar.
O SR. RANDOLFE RODRIGUES (Bloco Socialismo e Democracia/REDE – AP) – Se o senhor viajou, a informação de por qual empresa o senhor viajou neste período.
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Sem dúvida.
O SR. PRESIDENTE (Romário. Bloco Socialismo e Democracia/PSB – RJ) – Presidente, mais uma pergunta aqui relacionada a seu filho, com todo o respeito, não sei se ele trabalha ainda, ou trabalhou nessa empresa chamada Mowa, não é isso? Por acaso, o dono dessa empresa é Wagner Abrahão.
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Não, não é Wagner Abrahão não.
O SR. PRESIDENTE (Romário. Bloco Socialismo e Democracia/PSB – RJ) – Não é? O senhor pode afirmar? Mário Rosa?
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Não sei se ele sócio, mas eu acho quenão.
O SR. PRESIDENTE (Romário. Bloco Socialismo e Democracia/PSB – RJ) – Muito bem.
Antes de qualquer coisa, eu gostaria de colocar aqui em votação a Ata da 17ª Reunião da Comissão, solicitando a dispensa da sua leitura.
O SR. MARCO POLO DEL NERO – O sócio é o Alfredo e uma outra pessoa cujo nome eu não lembro.
Eu nunca soube que Mário Rosa fosse…
O SR. PRESIDENTE (Romário. Bloco Socialismo e Democracia/PSB – RJ) – Muito bem.
Alguma coisa, Senador?
Senador Ciro, alguma coisa?
O SR. MARCO POLO DEL NERO – … sócio dessa empresa ou que Wagner Abrahão fosse sócio. Nunca soube.
O SR. PRESIDENTE (Romário. Bloco Socialismo e Democracia/PSB – RJ) – O.k.
Coloco em votação a Ata da 17ª Reunião da Comissão, solicitando a dispensa da sua leitura.
Os Srs. Senadores que a aprovam permaneçam como se encontram. (Pausa.)
A Ata está aprovada.
Eu gostaria só de pedir aos nobres pares que, depois de tudo que foi colocado aqui, principalmente do que nós ouvimos, e nós temos, a partir do ano que vem, alguns requerimentos já colocados, os senhores pensem com tranquilidade, com calma e decidam se realmente nós devemos ou não devemos ajudar o futebol.
Eu acredito que aprovar esses requerimentos que todos sabem quais são será de uma grande importância para a nossa CPI e para o andamento da moralidade do futebol.
Não havendo mais nada a tratar, agradeço a presença de todos.
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Sr. Presidente, o senhor me permite só uma conclusão final?
O SR. PRESIDENTE (Romário. Bloco Socialismo e Democracia/PSB – RJ) – Pois não.
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Quero reafirmar que nunca fui a Barbados, que nunca me reuni com o Presidente Marin e o Sr. Ávila juntos, quenão movimentei R$27 milhões entre 2014 e 2015 e que comprei e vendi o apartamento hipotecado e avaliado, como consta em registro de imóveis. Expliquei a compra da lancha, tenho a cópia do cheque.
O SR. PRESIDENTE (Romário. Bloco Socialismo e Democracia/PSB – RJ) – Nem 27,nem 24, não é?
O SR. MARCO POLO DEL NERO – Nem 27, nem 24.
O SR. PRESIDENTE (Romário. Bloco Socialismo e Democracia/PSB – RJ) – Nem 24, nem 27 milhões.
O SR. MARCO POLO DEL NERO – É isso que eu gostaria de deixar claro, Sr. Senador.
O SR. PRESIDENTE (Romário. Bloco Socialismo e Democracia/PSB – RJ) – Declaro encerrada a presente reunião.
(Iniciada às 14 horas e 48 minutos, a reunião é encerrada às 17 horas e 48 minutos.)

Quem é o coronel Nunes, novo vice da CBF
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Juca Kfouri

POR LÚCIO DE CASTRO

O que era para ser um golpe de mestre pode virar um enorme pesadelo. Quando imaginaram que transformar Antonio Carlos Nunes de Lima, o Coronel Nunes, 79 anos, em vice-presidente era a solução perfeita para não ferir o estatuto e ao mesmo tempo manter o poder, o comando da CBF não pensou em um detalhe fundamental: a biografia do presidente da Federação Paraense de Futebol (FPF) tem elementos comuns as histórias dos três antecessores enredados com a lei. Alçado ao comando e transformado em vidraça, pode se juntar a Ricardo Teixeira, José Maria Marin e Marco Polo del Nero, forçados a deixar o poder. Uma sucessão de acusações e histórias nebulosas cercam os anos do coronel da Polícia Militar no comando do futebol paraense. Uma agência de viagens favorita da entidade é apenas uma das semelhanças. Há também um relatório financeiro anual da instituição que dirige envolto em sombras e dúvidas com a assinatura de um relator suspenso pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) por suas “auditorias ineptas”. Para completar, tem ainda outro traço dos antecessores: nenhuma ideia conhecida sobre futebol.

Imagine a pequena agência de viagens Rocha Romano concorrendo com a supremacia do poderoso Grupo Águia. Certamente não será para tanto, e a ascensão do Coronel Nunes não deve ameaçar o longo reinado e hegemonia da agência de viagens de Wagner Abrahão, parceiro preferencial da CBF desde os tempos de Ricardo Teixeira e responsável por todas as viagens que envolvem a entidade. Mas Nunes também tem uma agência para chamar de amiga. As relações estreitas da FPF com a Rocha Romano, aberta em 2004, de propriedade de Paulo César da Rocha Romano, diretor do departamento de futebol profissional da FPF, foram citadas na “CPI do Futebol Paraense”, instalada em 2013 na Assembleia Legislativa daquele estado. De acordo com a acusação que serviu como base para instalação da CPI, o esquema era coordenado pelo presidente da FPF. Uma comissão externa, ou seja, de fora da assembleia, formada pelos senadores Mário Couto (PSDB-PA), como presidente, Ivo Cassol (PP-RO) como relator Ataídes Oliveira (PSDB-TO) chegou a ouvir depoimento do dono da agência e diretor da FPF no dia 18 de abril de 2013 sobre o tema. Apesar de instalada, do teor das acusações e da repercussão local que teve, a CPI não chegou a resultados significativos, ocupada por vários deputados relacionados com a FPF.

Há um ponto que eventualmente pode vir a ser um fator complicador para o Coronel Nunes no comando da CBF. Ao contrário dos antecessores, que sempre prezaram evitar dinheiro público nos negócios, fugindo assim de controle maior dos órgãos de fiscalização do estado, como Polícia Federal e Ministério Público, (embora exista a jurisprudência de que, ainda que privada, uma entidade como a CBF, por ser de interesse público, estaria sim sujeita a tais regras), o provável novo mandatário teve relações estreitas com o estado e foi beneficiário, através da FPF, de farta distribuição de dinheiro público.

O próprio negócio das viagens denunciado pela CPI foi amplamente regado por verba estatal, de acordo com a comissão de inquérito parlamentar. Tiveram um impulso significativo com a entrada em cena do governador Simão Jatene (PSDB), novamente no poder na atualidade. No primeiro mandato, de 2003 a 2007, o governador criou o programa que visava “interiorizar o futebol no Pará”. Com verba saindo da Secretaria Executiva de Esporte e Lazer (SEEL) para as passagens e hospedagens das equipes. A secretaria era comandada por José Angelo Souza de Miranda, ligado historicamente com a FPF e atualmente vice-presidente da entidade. Na ocasião, por exemplo, sete jogos do São Raimundo foram levados para Santarém.

Embora em resultados concretos do duradouro programa de interiorização do futebol do estado não sejam perceptíveis nas divisões do campeonato nacional, a verba seguiu generosa para viagens com o intuito de cumprir tal intento. Em 2011, a Secretaria de Esporte e Lazer determinou aporte de R$ 1.105.810,00 (um milhão, cento e cinco mil e oitocentos e dez reais para levar o futebol aos diversos rincões do Pará. Consumidos em passagens e hospedagens. No ano anterior, R$ 720.000,00 (setecentos e vinte mil reais) foram destinados.

O balanço financeiro da FPF, tanto nos últimos anos como o atual, tem pontos cegos. O mais evidente é talvez o principal ponto do relatório: o auditor financeiro que assina tem currículo controverso. No momento, o contador Tadeu Manoel Rodrigues de Araújo, registrado pelo Conselho Regional de Contabilidade (CRC) do Pará, está suspenso e impedido de assinar relatórios pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), autarquia vinculada ao Ministério da Fazenda que fiscaliza tal tipo de atividade. A suspensão é por cinco anos, tendo começado no dia 9 de outubro de 2010 e indo até 8 de outubro de 2017. De acordo com a CVM, consultada pela reportagem, a punição da entidade é válida para relatórios de companhias abertas, o que não inclui a FPF.

A CVM já acusou o auditor da FPF em diferentes ocasiões. Por “auditoria inepta”, (“Possíveis irregularidades praticadas pelo Sr. Tadeu Manoel Rodrigues Araújo, Auditor Independente – Pessoa Física, ao realizar trabalhos de auditoria em diversas empresas beneficiárias de incentivos fiscais”, processo RJ2001/7661) e ainda “Não realização de trabalhos de auditoria dentro dos padrões requeridos pelas normas profissionais, processo RJ2003/11503). Suspenso, não cumpriu a pena e por fim tomou o gancho de 5 anos, já transitado em julgado e uma multa de quinhentos mil reais, a qual ainda cabe recurso.

Invariavelmente, ano após ano, o auditor suspenso pela CVM encerra o relatório da federação paraense repetindo que “em nossa opinião, as demonstrações financeiras acima referidas apresentam adequadamente, em todos os aspectos relevantes, a posição patrimonial e financeira da Associação FPF – Federação Paulista de Futebol em 31 dedezembro de ____, o desempenho de suas operações e os seus fluxos de caixa para o exercício findo naquela data, de acordo com as práticas contábeis adotadas no Brasil”, mudando apenas o ano corrente.

A reportagem tentou contato com o Coronel Nunes através da FPF, sem resposta. Tentou também via CBF, que da mesma forma não respondeu.

Procurou Paulo César da Rocha Romano, vice-presidente da FPF e dono da agência de viagens Rocha Romano na federação e na empresa, sem sucesso.

Enviou questões para o contador Tadeu Manoel Rodrigues de Araújo e não obteve resposta.


#Ocupa CBF
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Juca Kfouri

Nota oficial

#OcupaCBF

O movimento #ocupacbf foi lançado hoje com uma manifestação em frente à sede da CBF no Rio de Janeiro.

Um manifesto, que pede a renúncia de Del Nero e de toda a diretoria da CBF, foi lido pelo ex-jogador Raí, um dos líderes do Atletas pelo Brasil. O texto pede alterações no estatuto da entidade para permitir a convocação de novas eleições sem a barreira de exigência de apoio de ao menos oito federações e cinco clubes, o que impede hoje o lançamento de candidaturas independentes.

É imperativo que esta cláusula seja derrubada para tornar possível a construção de uma nova CBF, sentimento expresso no título do documento.

Na ocupação simbólica da CBF também foi lida, pelo ex-jogador Alex, integrante do Bom Senso, a lista com os mais de 100 signatários do manifesto. São destacados nomes da sociedade civil que exigem mudanças na entidade que comanda o futebol do Brasil com braço de ferro, sem oposição.

São personalidades que resolveram se engajar num processo de mudança que deu seu primeiro passo hoje e que só estará finalizado quando a CBF for, de fato, ocupada pelos que vão trabalhar para recuperar a nossa maior paixão e ficar então livre dos que a usam para tirar vantagens e não para servir ao futebol brasileiro.


Cantar pra não dançar
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Juca Kfouri

Por ROBERTO VIEIRA

Messi não canta o hino argentino.

Os torcedores pegam no pé de Messi.

Messi decidiu não cantar o hino.

Garrincha também não cantava o hino.

Nem Zizinho.

Leônidas sabia a letra e Piola também.

O fascismo exigia.

Pelé aprendeu na caserna.

Puskas cantava no quartel.

Kubala aprendeu o tcheco e esqueceu o húngaro.

Kubala que não entendia o espanhol.

Crujff queria saber do dindim.

Banks e Moore sabiam de cor – o hino inglês é goiaba*.

Maradona também sabe o hino de cor.

Maradona foi obrigado a saber.

Maradona e todos os argentinos nos anos 70.

Cantar o hino era tão fundamental quanto cortar o cabelo.

Cabelo cortado rente na Copa de 70.

Messi não canta o hino argentino.

Os torcedores pegam no pé de Messi.

Messi decidiu não cantar o hino.

Cantar ou não cantar o hino não significa absolutamente nada.

A não ser quando temos um Videla ou Médici no nosso cangote.

E é preciso cantar pra não dançar…


Futebol Companhia Limitada
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Juca Kfouri

POR LUIZ GUILHERME PIVA

Todo ano tinha pancadaria, às vezes o jogo nem acabava, mas todo ano tinha jogo de novo – em dezembro, pra confraternização da fábrica, juntando gerentes, supervisores, operários, faxineiros, motoristas, vigias e até um ou outro diretor mais corajoso ou otimista.

Muitos ficavam meses sem se falar. Teve quem pediu demissão e quem foi demitido. Suspensões e férias forçadas. Só aos poucos, com os meses se repetindo, se restabelecia o clima.

E vinha dezembro, vinha o jogo e vinha a pancadaria.

Talvez fossem rusgas acumuladas por pequenos atritos ao longo do ano, talvez fosse pela bebida que jorrava antes e durante o jogo, ou ainda pela tensão classista entre os diferentes salários e postos de trabalho.

Começava com dois ou três, envolvia os próximos ao lance, agrupava os mais amigos entre si, e em poucos minutos titulares, reservas e os que só iam assistir se engalfinhavam em socos, agarrões, rasteiras e gravatas e só paravam por exaustão ou ferimentos mais graves.

Este ano o dono chamou todo mundo. Disse que não haveria jogo. Que a empresa é de todos e que eles formam uma família. Que futebol é esporte de confraternização. Que fim de ano é para renovação de esperanças. E que, depois de tantos anos de brigas, ele decidiu acabar com a tradição do futebol da empresa.

Mas o que se comentou entre os funcionários é que, na verdade, com a crise e as demissões, não daria pra alugar campo, comprar bebidas e petiscos e mal e mal daria pra formar dois times com os que sobraram.

Muitos não se conformaram. Procuraram o dono e propuseram terceirizar uma parte dos jogadores – no caso, convidar conhecidos e parentes. Disseram que rachariam as despesas com o campo e a comida e que não haveria bebida.

E que todos, gerentes, supervisores, operários, faxineiros, motoristas, vigias e diretores, se comportariam.

O jogo foi ontem à noite.

E, claro, quebrou o maior pau.

Que é, no fundo, o que eles queriam.

O futebol é só um ensejo para a tradição que eles de fato apreciam e fazem questão de manter.

______________________________­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­_________
Luiz Guilherme Piva publicou “Eram todos camisa dez” (Editora Iluminuras).


Ser é não ser
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Juca Kfouri

O Brasil está tão confuso que ser é não ser.

Ser desfavorável ao impeachment não é ser favorável ao governo.

Impeachment não é brincadeira como tucanos e petistas imaginam ou imaginaram.

E se pensassem no país não teriam feito o que já fizeram e nem estariam fazendo o que fazem agora.

Lutam pelo poder, apenas.

FHC não é corrupto e Dilma Rousseff também não, embora ambos tenham pedalado e cometido estelionatos eleitorais.

O PSDB não é exemplo para ninguém e o PT tampouco.

Leia a matéria escrita pela jornalista Isabella Souto, no “Estado de Minas”, e refresque a memória:

Com o impeachment novamente em pauta, história mostra que Lula e FHC trocaram de lado

Há 16 anos, petistas e tucanos se enfrentaram em torno de um pedido de afastamento do presidente Fernando Henrique, com acusações mútuas e inversas às atuais. O governo venceu


O tiroteio político entre PT e PSDB em torno de um processo de impeachment do presidente da República tem cara de reprise, mas com os papéis trocados. Há 16 anos, os brasileiros viveram um processo semelhante ao atual quando petistas encabeçaram um movimento pela destituição do então presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), reconduzido para o cargo nas eleições de 1998 ao vencer Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no primeiro turno, com 53,6% dos votos. Ainda não se sabe quando ou como será o desfecho do processo envolvendo a presidente Dilma Rousseff, mas na era FHC o Palácio do Planalto saiu vitorioso. Em 18 de maio de 1999, 342 votos de aliados enterraram a possibilidade de afastamento do tucano. FHC havia sido alvo de 14 pedidos de afastamento, contra os 34 apresentados por opositores de Dilma Rousseff. Os números podem até ser bem diferentes, mas os argumentos para a cassação do mandato presidencial mantêm a mesma linha: o chamado crime de responsabilidade.

A petista foi enquadrada pelas ditas “pedaladas fiscais” – nome dado ao uso de recursos de bancos públicos para o custeio de programas sociais –, gastos do governo sem autorização do Congresso Nacional e dívidas não contabilizadas. Em 1999, Fernando Henrique foi alvo de denúncias durante a execução do Programa de Estímulo à Reestruturação do Sistema Financeiro Nacional, o Proer, além de ter sido acusado de tentar constranger o Ministério Público e outros órgãos responsáveis pela investigação.

Propostas

Quando era oposição ao Palácio do Planalto, o PT alegava ter propostas alternativas para tirar o Brasil da crise – e, por isso, defendia o afastamento do presidente tucano. Pois agora é o PSDB que diz ter a receita de salvação do país. Tanto que, no próximo dia 8, o presidente nacional do PSDB, senador Aécio Neves (MG), deve fazer um discurso na tribuna do Senado sobre a situação do país e apresentar as primeiras soluções encontradas pelos tucanos para driblar a crise econômica.

A defesa da democracia foi propagandeada pelo PSDB aos quatro cantos para combater o afastamento de FHC. O discurso era de que os petistas não se conformavam com a terceira derrota consecutiva de Lula nas urnas – duas delas para o próprio Fernando Henrique Cardoso. Na era Dilma, o PT é que usa esse argumento contra o PSDB, já que os tucanos não aceitariam ter perdido quatro eleições para o PT – Lula, em 2002 e 2006, e Dilma, em 2010 e 2014.

“O que presumo é que existe ainda uma frustração enorme na alma e no peito desses ilustres parlamentares, que não concordam ou não aceitam a deliberação majoritária da sociedade brasileira”, discursava no plenário o então líder do PSDB na Câmara, Aécio Neves, em 1999. No início deste ano, o líder do PT no Senado, Humberto Costa (PE) usou argumento bem parecido: “Parece que o senador Aécio perdeu em 2014 e agora não aceita mais derrota”.

‘Golpismo’ agora mudou de lado

Golpe, golpismo, golpistas são palavras que voltaram para o cotidiano político nacional, especialmente pelos petistas, para referir-se aos que defendem o impeachment. As expressões foram utilizadas pelo PSDB na defesa de Fernando Henrique. Agora, fazem parte do vocabulário petista. A própria presidente Dilma tocou no assunto na sexta-feira, durante discurso no encerramento da 15ª Conferência Nacional de Saúde, em Brasília. Ela disse que vai lutar contra o impeachment. “Para a saúde da democracia, nós temos de defendê-la contra o golpe”, declarou a presidente.

Em 1999, o deputado tucano Arnaldo Madeira disse: “Ao pedir a abertura de processo de impeachment contra FH, a oposição está repetindo uma tradição histórica da esquerda brasileira, que é a de adotar atitudes golpistas e se negar sempre a fazer o jogo político”. “É o povo na rua que está falando cada vez mais nisso (impeachment). Não se pode falar em golpismo quando se pronuncia a palavra impeachment”, disse recentemente o senador tucano Cássio Cunha Lima (PB).

As críticas entre petistas e tucanos em relação às suas gestões também se assemelham. Fernando Henrique foi acusado de estelionato eleitoral pela oposição, por não tirar do papel a promessa de campanha de crescimento e geração de emprego e renda no país no seu segundo mandato. Da mesma forma, agora o PSDB acusa o PT do mesmo, ao conduzir o país de forma bem diferente daquela anunciada na disputa eleitoral.