Blog do Juca Kfouri

Arquivo : abril 2015

Aécio Neves tem razão
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Juca Kfouri

  

“Diante de R$ 6 bilhões pelo ralo, o Brasil exige dois pedidos de desculpas. Quem terá coragem de falar primeiro: Lula ou Dilma?”

O candidato derrotado na última eleição tem toda razão.

E também poderia dar exemplo, se antecipando e pedindo desculpas por uma coisa tão menor, teoricamente muito mais fácil, sobre o AEROPORTO DE CLÁUDIO.

Nem se está falando do mensalão tucano mineiro etc, nada disso.

Só do aeroporto na fazenda do titio.

 


Onde eu assino?
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Juca Kfouri

Sabe você o que é o CEV?

Não sabe?

Eu sei!

Saiba você também AQUI.

No CEV você encontra jóias como esta:

Prefácio de José Mourinho no Livro Novo do Manuel Sérgio

Cevnautas do Futebol, Novo livro do prof Manuel Sérgio “O futebol e eu” é prefaciado por ninguém menos do que o seu aluno José Mourinho.
Laercio
Prefácio do livro de Manuel Sérgio, «O futebol e Eu»
Por José Mourinho
«Mais um livro do Prof. Manuel Sérgio, mais umas páginas que vou ler, mais umas lições que vou receber de um filósofo do desporto, que vem ensinando aos seus leitores o que o desporto tem de mais profundo, de mais científico, de mais autêntico. O José Peseiro, meu colega na universidade e também treinador de futebol, já disse publicamente que só agora, como profissional do desporto e com a cabeça a embranquecer, é que passou a entender verdadeiramente o que o Prof. Manuel Sérgio nos ensinava nas aulas. Eu digo o mesmo. Mas, o que nos ensinava ele? Que não sabe de Desporto quem sabe só de Desporto, porque está na prática desportiva tudo o que é tipicamente humano.

E, ao dizer isto, aconselhava-nos a ler os grandes autores que nos mostram o que é a vida e quem nos ensina o que é a vida está a ensinar-nos o que é o desporto. Repetia, muitas vezes, que Desporto é o fenómeno cultural de maior magia no mundo contemporâneo e que deveria ser estudado como se estuda uma ciência humana. Para ele, o treinador do futuro teria de ser um homem culto: com prática constante do futebol, mas também com grande erudição, no que respeita às grandes correntes do pensamento. E, a coroar tudo isto, tinha uma opinião, para o tempo curiosa: o treino, no futebol, ou é com bola, ou não é treino. E dava o exemplo do pianista que não se prepara, saltando e correndo, mas tocando piano. Discordava, muito frontalmente, do biologismo que dominava o treino, dizendo que era a complexidade humana que estava em jogo, na prática do desporto. D ava-nos uma síntese do cartesianismo, para concluir que a Educação Física é um produto do “erro de Descartes”. De quando em vez, falava de um ou de outro filósofo, mas não estou agora em condições para relatar, com verdade, tudo o que a sua erudição espantosa nos apresentava. Não tenho receio em acrescentar que foi um dos professores de maior e melhor cultura que tive, durante a minha vida de estudante liceal e universitário.

E uma faceta curiosa no seu ensino: procurava mostrar a filosofia como um dos fundamentos do desporto. Por isso, vários treinadores dele se aproximavam e aproximam, surpreendidos com as suas ideias, que ele não perde o ensejo de referir que só terão algum valor, se confirmadas na prática. Não esqueço uma das suas frases preferidas: “A prática é o critério da verdade”.

Nasceu, na freguesia da Ajuda, em Lisboa, a poucos metros do Estádio José Manuel Soares, ou das Salésias e, desde criança, se habituou a conviver com jogadores de futebol. E até com jogadores de mais três modalidades, em que o Belenenses daquele tempo se distinguia: o andebol de onze, o basquetebol e o râguebi. Não tendo praticado desporto federado, sente-se perfeitamente à vontade, no trato com os praticantes ou ex-praticantes de qualquer modalidade desportiva. Não é o intelectual distante, é o companheiro próximo de todos os desportistas. Nunca faltávamos às suas aulas, por dois motivos: os conteúdos eram diferentes das outras aulas e ele sabia despertar o interesse dos alunos por tudo o que dizia. É de facto um grande comunicador! As suas aulas e os seus livros permitiram-nos e permitem-nos o contacto direto com os nomes mais sonantes da Filosofia e da Cult ura. Um ponto ainda eu quero referir: muito antes de António Damásio, Manuel Sérgio falava nas aulas do “erro de Descartes”, quando nos dizia que a expressão “educação física” aparece, pela primeira vez, em França, no século XVIII. Para ele, a Educação Física é uma expressão que reflete o dualismo antropológico de Descartes.

Sou treinador de futebol, sem tempo e grande jeito, para a escrita. Sou um prático mas que não descura uma constante informação. E fui aluno do Prof. Manuel Sérgio e sou seu leitor, com grande proveito meu. Julgo, por isso, ser meu dever afirmar, publicamente, que o seu conceito de motricidade humana, que ele começou a teorizar, em 1979, ou seja, há 36 anos, se confirma inteiramente, nos dias de hoje: o desporto só como ciência humana se pode entender; a sua metodologia é a específica das ciências humanas.

O trabalho epistemológico que fez foi verdadeiramente inovador, no desporto e até na cultura, em Portugal. Só uma grande ignorância deixará de reconhecer isto mesmo. Termino dizendo, sem problemas, que Manuel Sérgio é um dos grandes teóricos mundiais do Desporto. Se acaso se pudesse fazer uma competição, eu propunha esta: comparem a obra dele, com a de qualquer outro autor, em qualquer língua, que tenha escrito sobre esta problemática. Não é o primeiro, em erudição e inovação? Mas está no pódio, com toda a certeza.

Sou um homem grato a Manuel Sérgio. Ele não me ensinou técnica, nem tática. Mas ensinou-me esta coisa simples: o Desporto é muito mais do que uma Atividade Física e só como ciência humana deverá estudar-se e praticar-se. E isso bastou-me para que o futebol, para mim, passasse a ser uma atividade de meridiana compreensão e de significação e sentido verdadeiramente humanos. Como obra da autoria de Manuel Sérgio, este é um livro que lerei atentamente, porque sei que da sua leitura sairei mais homem e mais treinador de futebol.»


Um programa diferente
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Juca Kfouri


Nota do blog: Entrevista concedida  ao jornalista Maurício Huertas, no dia 25 de março último, antes, portanto, da revelação de que também o governo de São Paulo financia “blogs sujos”, razão pela qual não se fez menção ao fato quando da abordagem do tema.


O expurgo de que o São Paulo precisa
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Juca Kfouri

Por Rafael Bueno*

A internet ainda era uma novidade no começo dos anos 2000. Em nível residencial, poucas eram as famílias que tinham à disposição computadores conectados à rede mundial. Quando ganhei um PC trambolhão – sem nem ter completado 15 anos – duas das primeiras coisas que fiz foram: 1) criar um e-mail no Hotmail com login bueno_tricolor; 2) digitar São Paulo FC e correlatos no ainda incipiente Google.

Assim conheci um site de torcedores que reunia notícias e colunas sobre o time do meu coração. E assim comecei a debater o São Paulo no espaço de comentários do site. Dali para ser convidado a participar de uma lista de discussão por e-mail foi uma ou duas semanas, graças ao convite de um dos sócios dessa página. Depois de um tempo, virei colunista quinzenal.

Fiz amigos e amigas com quem mantenho até hoje contato e o velho hábito de discutir os rumos do Tricolor diariamente. Me envolvi em manifestações contra o golpe estatutário articulado e aplicado em 2011 e até ameaçado pela milícia organizada fui ao panfletar contra o estupro à carta magna são-paulina.

Por que essa história toda? Porque acredito que ela mostre o tamanho da dedicação que tenho pelo Tricolor e, em decorrência, a propriedade que ganhei para falar de seus mais diversos assuntos. Entre eles, chegar à conclusão de que um eventual triste rebaixamento pode ser o único motor propulsor de um processo de depuração do São Paulo FC para que recupere seu protagonismo no futebol brasileiro.

Não porque eu seja adepto do “quanto pior, melhor”, mas porque parece ter chegado em tal ponto que este é o acontecimento mais factível para o expurgo necessário, uma vez que uma mandatória revolução interna se mostra, mais do que improvável, utópica no atual cenário do Morumbi.

Conselho recluso, são-paulino excluso

Hoje (e já há alguns anos), a irresolúvel equação tricolor é: departamento de futebol à deriva + futebol fraco + declarações desastradas do presidente + inoperância de diversos departamentos + falta de grupos políticos e ideias novas insurgindo na imprensa.

O Conselho Deliberativo, como costuma dizer meu amigo, grande são-paulino e blogueiro do Globoesporte.com Emerson Gonçalves – que já foi sócio do clube –, é uma ação entre amigos. Do total de 240 conselheiros, 160 são vitalícios e indicados pelo presidente, enquanto as vagas restantes são preenchidas por eleições indiretas no clube em processo pautado pela relação de amizade e interesses que muitas vezes escanteiam o “Futebol” que o São Paulo carrega em seu nome.

Nesta dinâmica, o torcedor vira mero financiador. Dele só se espera uma fé cega e a aceitação passiva de que deverá gerar dinheiro para o São Paulo com a compra de ingressos, camisas e outros produtos. O projeto de sócio-torcedor funciona praticamente como um dízimo, no qual o são-paulino fica de mãos atadas, sem poder dar a resposta sobre como a sua contribuição está sendo aproveitada pelo clube.

Sim, eleições diretas. Dar o direito de voto ao sócio-torcedor são-paulino para que, democraticamente, ele possa escolher os rumos do futebol do clube. Obviamente, mediante regras e deveres a serem cumpridos para que possa exercer esse direito. Para isso, é preciso coragem e desprendimento de vaidades e apego a cargos oferecidos aos conselheiros amigos.

Coragem é tudo o que não existe no São Paulo de hoje.

A cruz que o São Paulo carrega

Desde o tricampeonato brasileiro no triênio 2006-07-08, precedido pelas conquistas da terceira Libertadores e do terceiro Mundial, muita coisa nunca antes pensada passou a acontecer naquele que era tido como “clube-modelo”: trocas de treinadores frequentes, funcionários vitoriosos demitidos, golpe de presidente para manter-se no cargo, marketing inoperante. O castelo virou ruína.

Trocou-se o presidente caricato pelo boquirroto, mas um cidadão manteve-se forte e intacto: Milton Cruz.

Milton Cruz, cujo caderninho com extensa lista de jogadores um dia foi renomado, hoje apenas se vale do São Paulo, que pouco ou nada se vale dele. O que faz Milton Cruz, além de servir de tampão para a saída de treinadores, recheando o time de volantes (e desmontando a retranca quando ela se mostra inútil)?

Sob a função de coordenador técnico, mantém boa, amistosa e descontraída relação com o grupo de jogadores, no entanto não lhe são traçadas metas de desempenho. Recentemente, após eliminar o Red Bull Brasil, destacou o seu trabalho no clube para defender a ideia de não seguir a carreira de treinador. “Não é o que eu quero (ser treinador). O que eu quero é o que faço: trazer jogadores, promover atletas e dar retorno como funcionário do clube. Tenho experiência para ser treinador, mas nunca quis. Hoje eu estou como treinador, mas não sou técnico”.

Trazer jogadores é o que mais tem feito o São Paulo, que traz, manda embora, traz de novo. Joga dinheiro fora ou dá a ele destinos misteriosos. Promover atletas? Promover não é simplesmente subir da base e fazer treinar no profissional. Logo, que retorno é esse que tem dado como funcionário?

Com a troca de presidência e os atritos entre sucessor e antecessor da cadeira, foram noticiadas diversas intenções do atual mandatário em dispensar serviços de pessoas ligadas ao seu desafeto político. Nesse processo, Milton Cruz parece ter perdido também a função de levar informações ao mandatário, o que era comum na gestão anterior. Mas, afinal, por que se preocupar se a boquinha está garantida? Mais importante ainda, com tantos fracassos nos últimos anos e em função central no departamento de futebol, POR QUE MILTON CRUZ AINDA PERMANECE NO CLUBE?

Não dá para afirmar nada concretamente. Até porque, o clube é fechado, é uma ação entre amigos, como dito anteriormente. Quando o atual presidente fala em transparência e implantação de gestão moderna, com análise de consultoria e contratação de CEO, por que não se coloca nesse rol a apreciação do trabalho de Milton Cruz? Será que ele sabe demais? O que tanto sabe?

Na falta de coragem, o choque

De novo, falta coragem para mexer nesse vespeiro e também para abrir o clube e transformá-lo numa instituição – pelo menos no que tange ao futebol – verdadeiramente democrática aos olhos do torcedor. Se essa limpeza não vem por bem, não vem por ações de pessoas com legítima e genuína vontade de alterar o panorama, talvez seja preciso o choque. E o choque pode ser o trágico acidente de uma inédita Série B, mais cedo ou mais tarde.

Não há mais perspectiva. A escolha do novo treinador, a dispensa de jogadores e a contratação de outros novos – nada disso parece mais indicar uma possibilidade de retomar o protagonismo de outrora. O vestiário é parte, e não o cerne do problema, que mora na falta de direção e de ideias que deem ao torcedor a representatividade que merece e que tem.

O São Paulo é um Boeing 747 em voo que perde altitude e sem qualquer comunicação com a torre de controle. Os pilotos são inábeis e a queda se desenha iminente. Se cair, a caixa preta poderá ser desvendada e então haverá a chance de uma dolorida retomada e depuração para voltar a ser um clube vanguardista, que mire o futuro com as honras e renovação das glórias de seu passado.

*Rafael Bueno é jornalista


Verdão na final!
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Juca Kfouri

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O Corinthians, coisa rara, saiu atrás, porque Victor Ramos foi mais esperto e cutucou para o gol, aos 13 minutos, uma bola dividida depois de cobrança de escanteio.

Até ali o jogo era equilibrado e o Palmeiras mostrava coragem e personalidade, mesmo sem a experiência de Zé Roberto.

Mas fez o gol e recuou.

O Corinthians foi à frente empurrado pela Fiel em sua casa e também em bola parada, posta por Jadson na cabeça de Danilo, o reserva mais titular do país, o homem dos gols importantes, empatou de cabeça 20 minutos depois.

Os dois times sentiram o empate.

O alviverde negativamente, o alvinegro positivamente.

Até que o colombiano Mendoza, que não prima pelas finalizações e havia perdido um gol por isso, desceu com a bola no contra-ataque, deu a sensação que passaria para Fábio Santos aberto na esquerda, e soltou um petardo belíssmo para virar o placar.

Mesmo sem Elias, Renato Augusto e Guerrero, o Corinthians respondia aos que queriam saber qual seria sua capacidade de reação.

Oswaldo de Oliveira fez o que deveria ter feito no intervalo e trocou Lucas por Cleiton Xavier.

O Palmeiras foi para cima numa blitz impressionante que culminou numa linda troca de passes e com Dudu chutando na trave, na cara de Cássio, que desviou levemente a pelota.

Segundos antes, Mendoza havia perdido em contra-ataque o segundo gol.

Vendo a coisa feia, Tite pôs Renato Augusto no lugar de Jadson.

Aos 20, Vagner Love exigiu um milagre de Fernando Prass.

Três minutos depois, Valdivia saiu e Gabriel, o menino xodó, entrou, assim como Kelvin substituiu Wellington.

Tite pôs Elias no lugar de Love, apagado.

O ônibus corintiano estava estacionado na frente da área, mas, desta vez, com uma porta e algumas janelas abertas que os palmeirenses tentavam usar e usavam.

E foi numa janela do lado direito que Rafael Marques, de peixinho, entrou, aos 29, para empatar em cruzamento da esquerda. Era justo.

Bruno Henrique se machucou e Petros entrou, aos 32.

O jogo era disputadíssimo e, embora com pênaltis no horizonte, tinha cara de que escolheria um vencedor no tempo normal.

Qualquer vencedor seria adequado, mas a decisão ficou para a marca da cal.

O Corinthians seguiu invicto em casa, no ano e contra o Palmeiras, que manteve a vantagem de uma vitória a mais no confronto direto.

Faltava definir quem iria à final do Paulistinha.

Robinho bateu um tiro de meta, por cima do gol.

Fábio Santos bateu na trave, mas a bola entrou: 1 a 0.

Rafael Marques empatou.

Renato Augusto fez 2 a 1.

Victor Ramos empatou.

Fágner fez 3 a 2.

Claiton Xavier empatou.

Ralf fez 4 a 3.

Dudu empatou.

Elias bateu e Fernando Prass defendeu brilhantemente.

Kelvin converteu.

Gil pediu para bater e também marcou.

Jackson converteu.

Petros bateu e Prass classificou o Verdão, lembrando São Marcos, diante de 38 mil torcedores. Agora imagine a burrice do regulamento, com um jogo só para definir os finalistas: com seis pontos a mais que o Palmeiras, o Corinthians está eliminado invicto.

O Palmeiras não tem nada com isso e o Corinthians aceitou a burrice.

 

 

 

 


Amanhecer
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Juca Kfouri

  

Diversos coletivos e estudantes estão se mobilizando para Amanhecer o Rio de Janeiro contra a redução da maioridade penal.

 
Na madrugada do dia 28 para 29 de abril as praças serão cobertas com materiais contra a redução (lambes, stencil, pipas, tecidos, fitas, adesivos).

 
Participe!

 
1) Junte um grupo de pelo menos 5 amigos.

 
2) Escolha uma praça movimentada em seu território.

 
3) Inscreva sua praça (até o dia 25 de abril!): http://amanhecer.strikingly.com/.

 
4) Eles entrarão em contato nos próximos dias para entregar o kit de materiais para a ação.

 
#ReduçãoNãoÉSolução #VoaJuventude


CoRio-16 nega documentos ao TCU
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Juca Kfouri

Reportagem do jornalista Afonso Morais, que você lê AQUI, revela que o CoRio-16, comandado por Carlos Nuzman, também presidente do COB, fato inédito em mais de 100 anos de Olimpíadas,  tem negado documentos solicitados pelo Tribunal de Contas da União sob a estapafúrdia justificativa, para quem usa dinheiro público, de que há “cláusulas contratuais confidenciais”.

Com o que permanecem as suspeitas sobre os bastidores da construção da Vila Olímpica.


Cartolicismo
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Juca Kfouri

Por ROBERTO VIEIRA

O sujeito não jogava nadinha de nada. Zero à esquerda menos zero. Não era nem o dono da bola – dono que era perronha, mas sonhava-se craque. Pra ser sincero o distinto nem gostava de futebol. Gostava mesmo era de dinheiro.

Onze camisas e uma bola. Campinho de barro vermelho. Não tinha lugar pra ele nem pro dinheiro. Futebol era apenas diversão. Futebol pagão sem lenço nem documento.

Mas o país cartorial exigia que tudo tivesse licença, atestado, alvará, segunda via e lá se foram os meninos vestirem o uniforme dos colégios religiosos, das agremiações quatrocentonas, dos clubes de bela e nem tão bela estampa.

O sujeito não gostava de bola, mas gostava de estar nas manchetes e fofocas dessa vida assumiu o futebol. Polainas, gravatas, cartolas e bigodinho, o sujeito transformou o que era simples em atividade congressual. O fato simples de botar uma bola entre duas pedras ou duas traves, viu-se subitamente engessado por dezenas de regras.

Uma dia surgia a federação, noutro a confederação, ali um tribunal de justiça, acolá um efeito suspensivo.

A religião que não tinha deus virou Monte Olimpo. Os jogadores eram incensados pelas multidões; os dirigentes manipulando os cordões do circo de marionetes. Durante muito tempo, quase um século, a paixão infantil daquele jogo de moleques suportou a tudo e todos como somente a paixão consegue suportar. Palcos lotados, gritos histéricos, barbaridades nas arbitragens e nas regras do esporte toleradas com o mito de que o belo no futebol era o erro. Grana preta rolando nas bolsas de apostas. Fiéis cegos gritando em êxtase diante dos pecados capitais: Amém!

O futebol pagão virou Cartolicismo.

Até que as crianças foram descobrindo que ninguém ressuscitou após o terceiro pênalti…


A Copa das Copas?
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Juca Kfouri

  

Leia AQUI o livro “A Copa das Copas?”, uma seleção de artigos de especialistas da Academia que analisam com profundidade, em seus diversos aspectos, o que foi a Copa do Mundo de 2014, no Brasil

Trata-se de  mais um fruto das  Edições Ludens, ótima companhia para o fim de semana entre um jogo e outro das decisões estaduais.


Em defesa do futebol carioca e brasileiro
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Juca Kfouri


  

POR BOM SENSO FC

Diante dos episódios recentes do Campeonato Carioca que dominaram os debates do mundo do futebol, o Bom Senso F.C. manifesta sua solidariedade ao Clube de Regatas Flamengo e ao Fluminense Football Club. As arbitrariedades cometidas não são condizentes com o papel que as Federações deveriam cumprir.

 
Ao contrário do que alguns divulgam, o Bom Senso não é contrário a existência das Federações. Acreditamos que as Federações estaduais têm, teoricamente, um papel fundamental para o desenvolvimento do futebol brasileiro em suas dimensões educacionais e sociais. Para nós, elas deveriam ser a ramificação pela qual a CBF disseminaria e aperfeiçoaria sua metodologia, ainda inexistente, para o fomento e a democratização do esporte, para o desenvolvimento e capacitação dos profissionais da área técnica e de gestão de todo o futebol brasileiro.

 
Isso não quer dizer que sua participação na organização das competições de atletas profissionais seja preponderante. Está claro que não é por meio dessas competições que essas entidades cumprem sua função primordial, a social. Não concordamos com o modelo atual dos estaduais, com 19 datas. Esse período representa 25% do ano e gera apenas entre 6 e 15% da arrecadação dos grandes times.

 
Atualmente o Sr. Eurico Miranda e o Sr. Rubem Lopes, críticos circunstanciais, dizem que o fim dos estaduais representa o desemprego de 3 mil famílias. O Bom Senso afirma há 2 anos que a manutenção desse modelo de calendário resulta, ao final dos estaduais, o desemprego de 15 mil famílias por todo o Brasil. O que eles têm a dizer sobre isso?

 

Também não concordamos que as Federações tenham tanto poder, com a maioria dos votos no Colégio Eleitoral da CBF. Lutamos por mais democracia na eleição da Presidência da CBF – pedra filosofal para a oxigenação do futebol brasileiro e mola propulsora para que as decisões sejam mais técnicas e menos políticas. Defendemos que as entidades de administração desportiva, regionais ou nacionais, sejam mais democráticas e transparentes, com massiva participação dos clubes e dos atletas nos colegiados e conselhos técnicos.

 
Reivindicamos e propusemos uma fórmula de calendário que ofereça estabilidade de emprego a todos os profissionais do futebol e previsibilidade das datas dos jogos durante o ano todo, para que se permita aos clubes do interior conquistarem sua autossuficiência.

 
A média de público dos estaduais brasileiros é mais baixa que a de países como Vietnã, Uzbequistão e Israel. Os clubes e as novas arenas acumulam déficits, ao passo que a arrecadação das federações aumentou 25% de 2012 para 2013. Vemos ainda que 1/3 dos seus presidentes estão há mais de 20 anos no poder.

 
O objetivo de todas as entidades de administração do futebol brasileiro – além das dimensões sociais e educacionais – deve ser melhorar a visibilidade e competitividade do futebol que administram. Infelizmente, em todas esses aspectos as Federações estaduais fracassaram.

 
Bom Senso FC,
por um futebol melhor para todos.