Blog do Juca Kfouri

Arquivo : setembro 2014

Pobre português
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Juca Kfouri

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Aécio Neves é candidato a novo exterminador da língua portuguesa.

Além de sempre redundar com seus “há anos atrás“, no debate de ontem saiu-se com um terrível “haverão investimentos adequados na saúde pública”.

Lembrou o douto procurador do STJD, Paulo Schmidt, com seus “houveram” pra lá e pra cá.


O Bom Senso FC denuncia a CBF
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Juca Kfouri

A escandalosa indiferença da CBF

Em um ano de demonstrações incontestes da incompetência generalizada no futebol brasileiro – de atrasos de salários, de apropriações indébitas, de clubes sem campeonatos para jogar, de racismo, de violência e de vexames históricos -, a CBF parte aos EUA para acompanhar mais um Brazil Tour, deixando à mingua todo o resto.

Em que pese o desespero de muitos clubes pela aprovação da Lei de Responsabilidade Fiscal do Esporte (LRFE) – projeto de lei que lhes concederia 25 anos para o pagamento de suas dívidas fiscais -, Marin e Del Nero não poderão participar da reunião que definiria contrapartidas à lei, pois estarão acompanhando a Seleção Brasileira em seu amistoso nos EUA.

A bem da verdade, a reunião tem sido procrastinada há quase um mês e, desta vez, deixará de acontecer em função de suas ausências.

É preciso admitir que o mais estarrecedor aqui não é a negligência em si, já sabemos de seu caráter blasé há tempos, mas o seu timing.

Há menos de 24 horas de uma possível votação da LRFE, a CBF ignorou por completo o interesse dos clubes e dos atletas no projeto de lei e falhou com promessa firmada publicamente com o Governo Federal.

O combinado era o seguinte: ao perceberem que o Governo Federal não permitiria que a lei passasse sem a imposição de contrapartidas, a CBF – em nome dos clubes – finalmente cedeu e se predispôs a criar o órgão fiscalizador que pleiteamos em nosso modelo de fair play financeiro.

CBF, clubes e Bom Senso FC ficaram de apresentar ao Governo Federal um modelo de contrapartidas que fosse consensual, e com isso – para a salvação dos clubes – a lei poderia seguir à votação mesmo antes das eleições, nos dia 02 e 03 de setembro.

O Bom Senso já tinha seu dever de casa feito, nosso modelo de fair play financeiro é público.

Caberia apenas a eles nos apresentar uma contraproposta, e depois nos reuniríamos para fechar um modelo de órgão fiscalizador consensual.

Esse órgão fiscalizador é a chave do jogo limpo financeiro que propomos.

Sem ele, é impossível garantir que os clubes controlarão o seu déficit, pagarão as suas dívidas fiscais em dia e cumprirão rigorosamente com seus contratos de trabalho.

Defendemos um órgão independente, democrático e autônomo, capaz de punir os clubes que não se adequarem a requisitos básicos de gestão orçamentária.

Mas a CBF ainda não demonstrou qual é o seu modelo.

Sem haver, portanto, nenhuma resposta da CBF, das duas uma: ou a LRFE é aprovada amanhã, pelas costas do Governo Federal, sem nenhuma contrapartida forte aos clubes; ou a LRFE é empurrada para o momento pós-eleições, deixando muitos clubes em imensas dificuldades para virar o ano.

Pois bem, CBF, a bola estava na marca do pênalti.

E você, com medo de chutar, perdeu por W.O.

Seria isso melhor que o 7 a 1?

Bom Senso Futebol Clube


Por que só Gareca?
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Juca Kfouri

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Ricardo Gareca caiu.

O cheiro de sua queda estava no ar havia tempo.

Era mesmo inevitável para quem dirigiu o time nove vezes no Brasileirão, com apenas uma vitória e um empate, além de sete derrotas, quatro pontos ganhos em 27 disputados.

Técnicos caem e cartolas permanecem. É sempre assim.

Mas quem é o culpado por trazer um técnico estrangeiro para estrear já na décima rodada do Brasileirão?

E por pedir a ele que montasse um novo time em meio ao torneio?

Paulo Nobre e José Carlos Brunoro não trouxeram nenhum técnico argentino de grife suficientemente forte para segurar tamanho rojão.

Talvez nem mesmo se tivessem trazido Jesus Cristo haveria jeito.

Porque vejamos para quem o Palmeiras perdeu com Gareca no banco: Inter, São Paulo, Galo, Corinthians, Cruzeiro e Santos, além do Sport.

Diga o mais ardoroso dos palmeirenses: exceção feita ao Sport, o Palmeiras tem mais time, mais elenco, que quaisquer outros dos seis que o derrotaram?

E perder para o Sport, no Recife, é anormal?

De todos os resultados, o menos aceitável foi o empate com o Bahia, porque no Pacaembu, mas, lembremos, o Bahia empatou também com o Corinthians, na Arena Corinthians.

Longe daqui a intenção de defender o trabalho do atônito Gareca que deve estar é aliviado, além de feliz com a multa que deve ter a receber.

Mas que o pescoço dele só é pouco parece evidente.

Vem aí Dorival Jr., “o sobrinho de Dudu”, identificado com o clube, hoje em dia com uma legião estrangeira que ele desconhece, e com farta experiência em namorar a Série B, de onde não conseguiu salvar o Fluminense, no ano passado, embora o STJD o fizesse, assim como o Vasco.

Dele os “planejadores” alviverdes só esperam milagres.

Para quem já teve um São Marcos, vai ver canoniza-se mais um — como quase aconteceu com ele no Galo, em 2010, responsável por evitar o rebaixamento do alvinegro mineiro.


E o esporte, minhas senhoras?
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Juca Kfouri

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O que fazer depois do 7?

Duas mulheres no jogo que exige a discussão do esporte como atividade essencial na vida nacional*

AGORA QUE parece claro que a morte de Eduardo Campos sepultou Aécio Neves com a candidatura de Marina Silva, resta saber o que pensam as duas mulheres que disputam a presidência sobre o esporte no Brasil às vésperas da Olimpíada no Rio.

A saída do páreo do tucano significa o alívio de afastar a volta de Ricardo Teixeira, mas é só.

Dilma Rousseff teve quatro anos, e o PT 12, para pouco fazerem além de nomear dois ministros problemáticos e um caricato.

A exemplo dos governos anteriores, não se pensou jamais no esporte como fator de saúde pública, como meio de prevenção de doenças.

Nunca se levou em conta o dado da Organização Mundial da Saúde: cada dólar investido em democratização do acesso à prática esportiva redunda na economia de três em tratamento de doenças.

Formar campeões, ganhar medalhas, motivações importantes para a atividade esportiva da população em geral, devem ser consequências da massificação e não a prioridade de um país ainda tão carente.

O futebol como paixão nacional e patrimônio cultural do povo brasileiro, assim consagrado na Constituição Federal, também passou ao largo na maior parte do tempo(…)

*Assinantes do UOL ou da Folha de S.Paulo podem ler a coluna inteira, publicada ontem no jornal, clicando AQUI.


É amanhã
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Juca Kfouri

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A dupla Marin/Nero (ou será Nero/Marin?) é convidada de honra para participar do debate.

Há quem aposte que não aparecerá.

Não se sabe por quê.


Foi 1 a 1, mas era para ser 3 a 2 para o Flu
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Juca Kfouri

IMG_2231.JPG Daniel Augusto Jr/Agência Corinthians

O Corinthians, mais uma vez, reclamou da arbitragem, agora por causa jogo de ontem, contra o Fluminense: teria havido um pênalti não assinalado do goleiro Klever em Luciano, no fim do empate em 1 a 1.

De fato, o pênalti parece ter acontecido e o árbitro foi pavaroso, um tal Paulo Henrique Bezerra, que o presidente corintiano preferiu chamar de “burro chucro” em vez de Bezerra.

Mas houve outro pênalti, do corintiano Anderson Martins que agarrou Fred quando o jogo ainda estava 0 a 0, também não marcado.

O pênalti convertido por Fred para fazer 1 a 0 foi daqueles que não cabe discutir.

Mas teve mais: o zagueiro carioca Henrique fez um gol mal anulado por impedimento quando o Flu já vencia por 1 a 0.

Ou seja, reclamação por reclamação, o Fluminense tem mais motivos para reclamar.

Admitindo-se a hipótese de os dois pênaltis não marcados serem convertidos e somado o gol mal invalidado de Henrique, o resultado do jogo teria sido 3 a 2 para o tricolor.

Todos têm o sagrado direito de reclamar, berrar feito bezerro desmamado, mas melhor que reclamar é jogar, coisa que o Corinthians só fez melhor que o Flu no segundo tempo.

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Nelson Perez/Fluminense
Comentário para o Jornal da CBN desta segunda-feira, 1o. de setembro de 2014, que você ouve aqui.


Flamengo faz a quina! E joga bem!
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Juca Kfouri

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Num jogo animadíssimo no Barradão, o Vitória, que só se ferra em casa talvez porque o gramado esteja muito bom graças à Copa do Mundo, foi derrotado pelo Flamengo por 2 a 1.

Com chances divididas no primeiro tempo, o Mengo saiu na frente com Marcelo e tomou o empate num gol de pura sorte de Caio, o chamado gol achado.

Melhor em campo, permanentemente em busca da vitória, no segundo tempo o Flamengo seguiu melhor e só não obteve com mais facilidade a sua quinta vitória consecutiva, que já o coloca em nono lugar, porque Fernandez fez duas defesas milagrosas logo no recomeço do jogo.

O gol do aparente desafogo só veio aos 28 minutos, com Alecsandro batendo pênalti cometido por Juan, braço na bola.

Só que três minutos depois o árbitro interpretou novamente como mão na bola um lance em Marcelo, mas Juan bateu para defesa de Paulo Vítor, não vista por Vanderlei Luxemburgo, fartamente responsável pela recuperação do rubro-negro carioca, de costas para a cobrança.

Depois ouviu seu nome ser aclamado pela nação.

O empate não seria mesmo justo.

Tanto que, em seguida, quase Éverton ampliou.

O quinto triunfo seguido certamente alimentará novas ambições na Gávea, o que é absolutamente natural faltando ainda 20 rodadas para o fim do Brasileirão.

Quem também gostou da derrota do Vitória foi a torcida do Palmeiras que viu ainda o Bahia perder do Grêmio por 1 a 0, gol de Barcos em Porto Alegre, resultados que mantiveram o Alviverde fora da ZR.


Renato Augusto muda o jogo em Itaquera
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Juca Kfouri

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O Fluminense se aproveitou de um primeiro tempo em que foi bem melhor que o Corinthians e saiu na frente, em pênalti de Gil sobre Wagner, que Fred aproveitou, aos 40 minutos.

Mais de 35 mil torcedores sofriam no estádio corintiano com mais uma exibição abaixo da crítica do alvinegro ansioso, queimando as bolas, errando passes e criando apenas uma chance de gol, com Romero, salva por Diguinho na linha fatal.

O segundo tempo foi outra coisa.

Renato Augusto substituiu o fraco Lodeiro e mudou o jogo.

A bola mudou de dono e o Flu passou a se defender apenas, embora tenha tido a chance de matar o jogo em cabeçada de Fred que Cássio defendeu no reflexo.

Daí em diante só deu Corinthians que perdeu a segurança em seu miolo de zaga com a perda de Cléber e a entrada de Anderson Martins.

Renato Augusto comeu dois tricolores na área e quando ia finalizar para o gol Romarinho chegou antes para empatar.

O mesmo Renato Augusto, ao receber de Romarinho, tirou lasca da trave da entrada da área e ainda ele em bela jogada pela direita deu para Romero mandar com violência no travessão para sorte do tricolor.

Diego Cavalieri fez tanta falta na defesa carioca quanto Guerrero no ataque corintiano.

A rodada foi ótima para o Cruzeiro e para o Inter e péssima para os paulistas que além da derrota palmeirense para o Colorado, viram o Santos perder para o Botafogo com lindo gol de Daniel no segundo tempo, no Maracanã e o empate do São Paulo em Floripa.

São Paulo que perdia no começo do segundo tempo com gol de Giovanni Augusto, o mesmo que fez o primeiro gol da Arena Corinthians, para o Figueirense, mas que empatou em pênalti parecido com o feito por Gil em Wagner e que Rogério Ceni converteu.

O São Paulo criou muito mais, o goleiro Tiago Volpi do Figueira fez dois milagres, mas Kaká perdeu um gol imperdível. Ganso fez muita falta para que o time não errasse tantos passes e Pato também não jogou.

De todo modo, o São Paulo manteve o terceiro lugar e o Corinthians se segurou em quarto, embora o Palmeiras ainda corra o risco de terminar a rodada na ZR.

O Inter reassumiu o segundo lugar e o Cruzeiro cada vez é mais isolado na liderança, oito pontos à frente ainda na penúltima rodada do primeiro turno.

Atualização às 22h45: Revendo os lances polêmicos do jogo em Itaquera, o blog conclui que mais razão para reclamar da arbitragem tem o Flu que o Timão:

1. O pênalti marcado em Fred foi claro; houve outro, de Anderson Martins, que o agarrou, não assinalado;

2. Henrique estava em posição legal e teve seu gol mal anulado;

3. O lance do goleiro Klever em Luciano é daqueles interpretativos; eu teria marcado pênalti.
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Pena do Vasco!
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Juca Kfouri

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Sinto pena do Vasco.

Muita pena!

O Vasco de queridos amigos como o saudoso Hedyl Valle Jr., Luisinho Nascimento, de quem também sinto saudade, de Milton Coelho da Graça e Milton Temer.

O Vasco da mistura.

O Vasco democrático.

O Vasco do Expresso da Vitória, que não vi, mas li.

O Vasco supercampeão de 1958, que vi menino e jamais esqueci.

Tantos Vascos depois!

Não o Vasco de Eurico Miranda, mas que, ao menos, não traiu, porque é o que sempre foi, ele mesmo e mais ninguém, o da herança maldita.

Nem o do cartola Carlos Roberto de Oliveira que, este sim, traiu, não só quem nele acreditou, como eu, mas traiu, sobretudo e miseravelmente, Roberto Dinamite.

Impotente, hoje sinto pena do Vasco, o pior dos sentimentos.

Mas tenho certeza de que, mesmo que eu não veja, que o Vasco ressurgirá depois da tormenta, porque a Nau do Almirante não é o Titanic, passageiro.

O Vasco da Gama é uma frota eterna que saberá emergir mais forte do que nunca.


Cruzeiro vira e goleia. Inter domina e ganha de pouco
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Juca Kfouri

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Não é que a Chapecoense assustou o Cruzeiro no primeiro tempo e saiu na frente do líder no Mineirão?

Assustou, mas o Cruzeiro não deu susto diante de 26.682 pagantes.

Em cinco minutos do segundo tempo virou para 2 a 1, mais um pouquinho fez o terceiro, sofreu o segundo gol e devolveu com o quarto no minuto seguinte porque, é claro, a diferença entre mineiros e catarinenses é abissal.

Ninguém que joga de futebol pode se queixar do que viu numa noite de seis gols e outras tantas chances criadas pelo Cruzeiro.

Léo e Marcelo Moreno (duas vezes) fizeram seus gols de cabeça para variar e Alísson completou.

Já no Pacaembu a noite foi do Inter que derrotou o Palmeiras por 1 a 0, embora pudesse ter vencido por bem mais.

Digamos que se o jogo terminasse com um 5 a 2 não seria demais.

Como desgraça pouca é bobagem, o gol colorado nasceu de uma devolução de bola de Dida que Rafael Moura desviou de cabeça para o ex-corintiano Jorge Henrique chegar antes de Fábio, que se atrasou, e tocar para o fundo da rede, aos 20 minutos do primeiro tempo.

Depois disso Fábio fez pelo menos duas grandes defesas, em lances que Aránguiz e Jorge Henrique apareceram na sua cara, Rafael Moura chegou um décimo de segundo depois em outra chance e o Palmeiras teve duas oportunidades, uma defendida por Dida em cabeçada de Mendieta e outra jogada nas nuvens por Felipe Menezes.

31.178 pagantes foram ao Pacaembu e viram o Palmeiras voltar a namorar a ZR porque, também, o Inter é muito melhor que o alviverde.

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