Blog do Juca Kfouri

Arquivo : julho 2014

Fla vence a pelada do Maracanã: show de horrores
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Juca Kfouri

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Lédio Carmona é um dos comentaristas de que mais gosto e respeito, razão pela qual ele entenderá perfeitamente o que vem a seguir e, espero, você também.

Flamengo e Botafogo jogavam havia 10 minutos no Maracanã e ele comentou, no Sportv, repleto de razão, como fotografia do que acontecia, que o jogo estava longe de ser um primor técnico, que eram inúmeros os erros de passes, “mas” que o clássico, e é contra este “mas” que me insurgirei, estava impressionantemente intenso, com os dois times se doando, marcando implacavelmente.

E por que me insurjo contra o “mas”?

Porque já cansei de fazer o mesmo.

E cansei de fazê-lo.

Porque parece uma compensação para tornar jogos ruins em jogos aceitáveis.

O mesmo poderia ter sido dito dos primeiros 40 minutos do dérbi paulistano, que terminara minutos antes.

Verdade que, ao menos, no clássico carioca, com 26 minutos de jogo, o Botafogo já havia criado duas chances de gol, coisa que, no paulistano, só aconteceu depois do 41.o minuto e que, aos 33, Alecsandro abriu o placar para o Mengo.

Só que o resultado desses nossos “mas” é a complacência que redunda em…7 a 1.

Por mais chatos que sejamos ou pareçamos ser, basta de passar a mão na cabeça de cabeças de bagres, estejam em campo ou estejam no banco.

Temos o direito de ver jogos com a qualidade que vimos na Copa do Mundo, sem contemplação.

Doação em campo é obrigação, dar bons espetáculos é para quem pode e se quem estiver em campo não puder dá-los, que fique fora de campo.

Quando o primeiro tempo terminou, com o Flamengo na frente, a sensação era a de que tinha acabado de ver uma renhida pelada, dessas que vemos na praia ou na várzea.

Claro, como a torcida do Corinthians, a do Flamengo cantava feliz da vida, mas nenhum dos times mostra futebol à altura dos estádios em que ambos jogam.

Quantos torcedores voltarão depois do que viram?

15 mil?

É a média do Brasileirão e é ridícula.

O segundo tempo não foi diferente, num desfile de ruindade em que poucos se salvaram.

Quando se olha para o Botafogo e lá está, de novo, Carlos Alberto, fica claro como existem adeptos do me engana que eu gosto.

Quando se vê um grupo, que ouviu seu presidente dizer que pensa em tirar o time de campo, entrar no Maracanã protestando contra salários atrasados, por mais que tenha se esforçado, e esforço não faltou, só pode dar no que deu: na segunda vitória rubro-negra em seu 12o. jogo, o que ainda lhe garante a lanterna.

E olhe que aos 45, o zagueiro Marcelo entregou o ouro, mas a incompetência de Zeballos não aproveitou, num verdadeiro show de horrores.

No estádio corintiano, ao menos, teve mais um gol.

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E você, já escolheu o seu lado?
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Juca Kfouri

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POR PAULO ANDRÉ, do Bom Senso FC

Vou explicar porque sou CONTRA o projeto de lei de responsabilidade fiscal do esporte que propõe parcelar a dívida dos clubes. Do jeito que está, ele exige apenas a apresentação da CND (Certidão Negativa de Débito), uma vez por ano, como garantia “inquestionável” de uma gestão transparente no futebol nacional. Isso é uma vergonha e justifica o desespero dos dirigentes e a pressão da “bancada da bola” para aprová-lo urgentemente, como ficou claro na última sexta feira, quando os presidentes de clubes se encontraram com a Presidente Dilma.

Além disso, dói só de pensar que mais de R$ 4 bilhões sumiram no futebol e nenhuma alma será punida (exceção aos torcedores que são punidos diariamente por verem seus times capengando por aí). No caso específico dos débitos de que trata a LRFE, se o Governo aceitar parcelar a dívida, os dirigentes que cometeram irregularidades não mais poderão ser acionados por crime de apropriação indébita. Traduzindo burramente, se alguém deve dinheiro ao banco e a entidade, sabendo da dificuldade do devedor em quitar a dívida, resolver parcela-la, assunto encerrado. Basta a pessoa cumprir as condições propostas e o pagamento em dia que ninguém poderá acusá-la posteriormente.

Então é essa a discussão que você precisa entender.

Se o Congresso Nacional e a Presidente Dilma, que representam o povo nesse debate, optarem por tomar o caminho de parcelar a dívida e consequentemente isentar os dirigentes pela infração, que a decisão seja tomada pela certeza da GARANTIA de contrapartidas claras e severas, cuja fiscalização seja eficaz e a punição aos clubes e aos dirigentes seja direta.

Não caiam no papo do Sr. Vilson de Andrade, espertalhão, que diz que eles (dirigentes de clubes) defendem uma punição mais dura do que a que propõe o Bom Senso. “90% da proposta deles (jogadores) está incluída na dos clubes. Eles falam em perda de pontos, nós falamos em rebaixamento. Essa é a grande diferença”, disse, com gigantesca cara de pau, o atual presidente do Coritiba. Ele sabe que, do jeito que está, a LRFE não punirá ninguém. Dizer que há severidade em apresentar a CND uma vez por ano para garantir que os clubes que não pagarem em dia as parcelas do “financiamento” sejam rebaixados de divisão é coisa de quem está mal intencionado. E achar que isso é suficiente para moralizar o futebol brasileiro é uma ofensa à inteligência alheia.

Sr. Vilson, cadê o controle de déficit sob pena de punição esportiva? Cadê a garantia do cumprimento dos contratos de trabalho sob pena de punição esportiva? Cadê o limite do custo futebol sob pena de punição esportiva? Cadê a padronização das demonstrações financeiras e a reavaliação do endividamento sob pena de punição esportiva? Cadê o parcelamento da dívida trabalhista já transitada sob pena de punição esportiva? (Desculpe os termos técnicos mas são cinco pontos imprescindíveis, propostos pelo Bom Senso F.C e ausentes no projeto dos clubes).

Ora, chega de enrolação! Tratemos o assunto com a seriedade com que ele deve ser tratado. Vocês são presidentes de clubes de futebol, não estão acima do bem e do mal!

Então, amigo, Secretário do Ministério do Esporte, Toninho Nascimento, temos que correr para quê? “Tem clube que não chega ao final do ano se esse projeto não for aprovado”, disse ele. E daí? Há clubes que estão há sei lá quantos anos se apropriando do IR e INSS de atletas, usando esse dinheiro “sujo” para contratar mais jogadores e aumentar suas dívidas à espera do “perdão” do Governo e somos nós que temos que correr? O clube escocês do Glasgow Rangers, mais vezes campeão nacional no planeta, quebrou, recomeçou na quarta divisão e sua torcida não o abandonou por isso. O Napoli, a Fiorentina e o Racing também.

Se querem moralizar, façam direito. Parem de correr e pensem. Não é isso que se pede aos jogadores “brucutus”? Estamos tratando com alguns dirigentes “brucutus” então chegou a nossa vez de lhes pedir: Parem de correr e pensem. Será que vale tudo nesta terra de ninguém? É preciso restringir a possibilidade de erro, de corrupção e defender melhores práticas de gestão que refletirão diretamente na qualidade do produto final, dos clubes e do espetáculo do futebol brasileiro.

A Presidente e o Congresso Nacional estão entre a cruz e a espada: Ou se apoiam numa possível benção do voto do torcedor apaixonado (desprovido de razão) e deixam passar tudo como está (inclusive via MP – um absurdo), ou se aproveitam da maior oportunidade de se reformar e de se modernizar o futebol brasileiro, optando por incluir as emendas levantadas pelo Bom Senso à LRFE para garantir de verdade uma gestão melhor e mais transparente no nosso futebol. Esta decisão deverá sair esta semana e nós acompanharemos de perto para saber quem está jogando para quem. Que cada um escolha o seu lado, porque o meu, já escolhi.


2 a 0 foi pouco para o Corinthians
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Juca Kfouri

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O Corinthians passou sem maiores problemas pelo Palmeiras no seu estádio em Itaquera: 2 a 0, diante de pouco mais de 31 mil torcedores.

Jogou melhor o tempo todo, embora só tenha passado a ameaçar o rival a partir do 41o. minuto do primeiro tempo, em lances com Ralf, Guerrero e Gil, os dois primeiros ao exigirem as duas primeiras defesas do bom goleiro Fábio e o zagueiro cabeceando no travessão.

Ao manter a mesma sede no começo do segundo tempo, Elias deu com açúcar para Guerrero abrir o marcador e, ao não recuar para segurar o resultado, o mesmo Elias deu para Petros, no fim, ampliar.

Mas o 2 a 0 não reflete a superioridade individual do Corinthians, diferença que Ricardo Gareca quase conseguiu compensar com o jogo coletivo de seu time, incapaz, porém, de fazer Cássio trabalhar.

Fosse mais atrevido, olhasse para o que foi a Copa do Mundo, e o Corinthians poderia ter feito do dérbi uma enorme festa e não apenas uma vitória.

O Corinthians segue vice-líder, mas, em apenas 12 rodadas, já a cinco pontos do Cruzeiro, com quem jogou e até venceu, o que diminui sua chance de tirar a diferença.


Sem olhos em Gaza
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Juca Kfouri

Em “O Globo” de hoje

POR DORRIT HARAZIN*

Guerra entre a liderança palestina e o governo de Israel se trava pelo controle da narrativa do horror

Foi em 1936 que Aldous Huxley, autor do clássico “Admirável mundo novo”, espécie de antiutopia sobre a desumanizada sociedade do futuro, publicou o aclamado “Sem olhos em Gaza”. Retrato sem contemplações da espécie humana, o romance tem por título um verso de John Milton (1608-1674) sobre a cegueira do personagem bíblico Sansão na Gaza dos filisteus. No livro, Huxley ambienta na alta sociedade britânica no início do século XX a cegueira inerente ao homem.

O mundo melhorou pouco de lá para cá. Hoje continua-se a tatear em Gaza, sempre às cegas. Dentro do enclave de 40 quilômetros de extensão e menos de dez quilômetros de largura vivem perto de dois milhões de palestinos ali confinados. Há três semanas eles não conseguem escapar da ratoeira transformada em campo de morte em pleno Ramadã.

Fora do enclave, a guerra entre a liderança palestina e o governo de Israel se trava pelo controle da narrativa do horror. São mútuas as acusações de responsabilidade do outro pelos mais de 800 mortos e 160 mil deslocados que vagam por Gaza desde o início da operação militar lançada por Israel. O ponto de não retorno parece ter sido atingido na quinta-feira, quando uma escola empilhada de famílias e transformada em abrigo de emergência pela ONU foi alvejada pela artilharia das Forças Armadas invasoras.

A escola era uma das 80 mantidas pela agência das Nações Unidas para refugiados palestinos e abrigava moradores de Gaza em fuga dos bombardeios. Com cada sala de aula transformada em dormitório para 80 adultos e crianças já suficientemente castigados e desprovidos, o ataque matou o que lhes restava de esperança. “Hoje é como em 1948”, disse ao jornal “Libération” um ancião que sobreviveu a muito. Ele se referia à chamada nakba (“a catástrofe”), o êxodo das populações palestinas após a criação do Estado de Israel. “Não tenho mais para onde ir.”

Para o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, seguidor da cartilha dos partidos da extrema-direita israelense, a diferença entre Israel e a organização terrorista Hamas, que comanda a vida dos palestinos em Gaza, é elementar: “Nós usamos mísseis para proteger nossos civis, eles usam os civis para proteger os seus mísseis.” Como frase de efeito ela pode ter servido a seu propósito. Mas não traduz a realidade da intrincada história de dois povos condenados a viver lado a lado.

“Um país que exige perfeição moral em sua política externa”, sustentava Henry Kissinger durante seus anos de poder em Washington, “não vai conseguir perfeição nem segurança.” E Stalin dizia que uma morte é uma tragédia enquanto um milhão de mortos vira estatística.

Para a aflita intelectualidade judaica da diáspora mundial, contudo, essas receitas de Realpolitik não têm serventia. A inquietude com os desdobramentos do conflito em curso já fez emergir as primeiras vozes dissonantes e reflexivas. Muitas outras virão.

A largada foi dada em Paris esta semana pelo filósofo francês Daniel Schiffer, com sua “Carta aberta de um intelectual judeu a seus pares Alain Finkielkraut, André Glucksmann, Bernard-Henri Lévy”. Nela, o autor de “Critique de la déraison pure”, defensor do direito de defesa do Estado de Israel e órfão de pais mortos em campo de concentração, cobra dos ilustres colegas uma postura coerente com as respectivas biografias.

“O silêncio de vocês nestas tristes circunstâncias é tão ensurdecedor quanto o dos muçulmanos que se recusam a condenar abertamente os crimes cometidos pelos extremistas jihadistas. Um humanista tem por imperativo categórico denunciar o crime de onde ele venha… O sofrimento humano não tem nacionalidade, cultura ou religião: é universal… Deem logo uma prova de honestidade intelectual, de coragem moral e de nobreza d’alma… Israel, esta nação que outrora inventou o conceito de ‘lei’, estaria agora, por algum privilégio absurdo e injusto, acima do direito internacional?”

Por uma irônica coincidência, um dos destinatários do manifesto de Schiffer, o filósofo-celebridade Bernard-Henri Lévy (ou simplesmente, BHL), havia publicado no mesmo dia, nas páginas de Opinião do “New York Times”, um artigo intitulado “O crime de Putin, a covardia da Europa”, no qual chama a Comunidade Europeia de pusilânime por não se manifestar frontalmente contra a atuação da Rússia na Ucrânia do Leste. No artigo Lévy fala em “obrigação moral”.

Engana-se, porém, quem atribui essa primeira diatribe entre intelectuais judeus a um típico cacoete de filósofos da França. A reflexão não é nova. É profunda e honra a História de Israel. Vale, por isso, relembrar uma outra carta aberta escrita um quarto de século atrás por Arthur Hertzberg, um rabino conservador que perdera 37 membros da família nos campos nazistas. Autor de uma obra considerada magistral (“The french enlightment and the jews: the origins of modern semitism”), Hertzberg publicou na “New York review of books” de agosto de 1988 um texto endereçado a Elie Wiesel. Era a época da primeira intifada palestina contra a ocupação de Israel.

No longo artigo, Herztberg cobra do sobrevivente do holocausto, Prêmio Nobel da Paz e autor do seminal “Noite”, uma maior liberdade de crítica à política da força assumida por Israel. “Como sabemos”, escreveu o rabino, “o silêncio é uma forma de atuação.”

Como apoio a seu arrazoado, Herztberg transcreveu trecho de um discurso feito em Jerusalém pelo veterano político israelense Abba Eban (ex-chanceler, ex-ministro da Educação, ex-vice-primeiro-ministro, ex-embaixador na ONU, entre outros).

O trecho soa mais atual do que nunca:

“Alcançamos um patamar que nos permite dizer que Israel nunca foi tão forte em poder e recursos. Jamais Israel teve sua existência menos ameaçada. Nunca Israel esteve mais segura contra um ataque externo e mais vulnerável à insanidade doméstica. Os maiores perigos que ora enfrentamos vêm de nós mesmos. Eles emergem da insana loucura de tentar implantar uma jurisdição permanente de Israel sobre um milhão e meio de árabes da Cisjordânia e Gaza.”

*Dorrit Harazin é jornalista.


Para pensar antes de dormir
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Juca Kfouri

O escritor francês Phillipe Sollers escreveu o que segue e faz pensar, à esquerda, sobre o momento político brasileiro:

“Dois mais dois são seis, disse o tirano.

Dois mais dois são cinco, disse o tirano moderado.

Ao cidadão corajoso que recorda, mesmo correndo riscos e perigos, que dois mais dois são quatro, os policiais lhe dizem:

‘você não há de querer voltar aos tempos em que dois mais dois eram seis’”.


Cruzeiro implacável
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Juca Kfouri

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Um, dois, três, quatro, cinco.

Alemanha?

Não, Cruzeiro, o único time brasileiro que está dando gosto ver jogar.

Mesmo sob chuva pesada e gramado encharcado no Mineirão.

E o Figueirense?

Brasil?

Não, nada disso.

Apenas conseguiu resistir quase o primeiro tempo todo, mas, no fim, tomou o 1 a 0, de pênalti.

Porteira aberta, levou mais quatro no segundo, um deles de Ricardo Goulart, cada vez mais artilheiro do Brasileirão.

Mas não tomou de sete…

A pergunta que percorre o país é uma só: alguém fará frente ao campeão brasileiro?

Bi?

Tri?!

Já sei.

Os cruzeirenses responderão TETRA!


Hora de virar o jogo
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Juca Kfouri

Vilson de Andrade é o presidente do Coritiba e andou representando os clubes em conversas com o Bom Senso FC.

Um brincalhão como outro cartola qualquer, ele diz que a proposta dos clubes para punir quem não honrar seus compromissos é mais severa que as dos jogadores.

Brincadeira sem graça dele, que conta com mais uma esperteza para enganar o governo desde que, é claro, o governo queira ser enganado.

Governo que tem como Secretário de Futebol o jornalista Toninho Nascimento, ex-editor de Esporte de “O Globo” e que conhece muito bem as artimanhas da cartolas, o suficiente para não se deixar enganar e virar cúmplice de mais um assalto.

Dois lados se enfrentam e o governo até hoje ficou com os clubes, cedendo às chantagens.

Está na hora de virar o jogo.

Sem pressa, sem medidas provisórias, discutindo com a sociedade e dando vez e voz a quem faz o espetáculo, o jogadores, em benefício de quem paga por ele, os torcedores.

Fora disso, será mera empulhação.

Basta dizer que ao mesmo tempo em que os cartolas se reuniam ontem com Dilma Rousseff, o mais endividado dos clubes, o Flamengo, negociava repatriar o ex-Jogador em atividade Robinho por nada menos que 900 mil reais mensais.


O desafio do novo roupeiro da CBF
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Juca Kfouri

O novo roupeiro da Seleção Brasileira, de apelido Ratinho e funcionário do São Paulo, muito provavelmente não sabe da ratoeira que terá de desmontar, ou não, na Granja Comary.

Um fato que chama atenção em Teresópolis é a quantidade de gente com agasalhos e camisas da CBF que, supõe-se, foram compradas em lojas de material esportivo.

Só que a suposição é errada.

Em rápida pesquisa é possível saber que a maior parte das roupas, segundo os passantes uniformizados, foram adquiridos de “gente de dentro da CBF”, num comércio paralelo que há anos faz a alegria da arraia miúda da entidade e deve intrigar a Nike.

Desmontar tal esquema pode custar caro a Ratinho.

Mantê-lo pode enriquecê-lo.


Um desastre chamado Maurício Assumpção
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Juca Kfouri

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O presidente do Botafogo fez tudo errado desde o começo.

Vendeu-se por um empréstimo da CBF e traiu o Clube dos 13 logo que assumiu.

Fez contratações irresponsáveis, parou de pagar as dívidas do clube, que estavam consolidadas, e apostou que seria salvo por mais uma medida de anistia do governo.

Vendeu a camisa alvinegra para a Telexfree por mais que soubesse que não se tratava de empresa idônea.

Engoliu a interdição do Engenhão sem tugir nem mugir, afinal feita por gente de seu PMDB.

Agora chantageia a ameaça abandonar o Brasileirão porque está, como era de se esperar, com as receitas bloqueadas, tamanha sua indigência como gestor, mesmo depois de ter abandonado a vida de dentista para cuidar dos dentes dos cavalos dados que galopam no mundo do futebol.

Além do mais cercou-se de economistas que já contribuíram para desgraçar o Brasil e, agora, acrescentam o Botafogo em seu currículo, simuladores de eficiência com discurso “moderno” e prática predadora.

Que o governo brasileiro não se curve e pague para ver se Assumpção cumpre a ameaça.

Depois, ele que se explique com a torcida do Glorioso, que não merece tamanho desastre.


Dunga nega o inegável
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Juca Kfouri

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Dunga sempre negou participação em negociação de jogadores, prática, diga-se, legal.

Surge agora, em reportagem de Lúcio de Castro, na ESPN Brasil, documentos que provam sua intermediação na venda de Éderson ao futebol europeu, em 2004, antes, portanto, de ele ter assumido a Seleção Brasileira pela primeira vez, em 2006.

Mas ele segue negando, mesmo diante da evidência dos documentos publicados na página da ESPN Brasil, que tenha feito o que fez.

Aí é chato. Muito chato. E bote chato nisso.

Cheguei a escrever que Dunga não precisava do aval moral de José Maria Marin para reassumir o posto.

Teria sido melhor não ter dito.

Comentário para o Jornal da CBN desta sexta-feira, 25 de julho de 2014.