Blog do Juca Kfouri

Arquivo : agosto 2015

Fundação
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Juca Kfouri

POR LUIZ GUILHERME PIVA

Diego: “Foi o que falaram: erregê de todo mundo. Titular e reserva.”

Paulinho: “Erregê?”

Diego: “É.”

Zeca: “Que que é isso?”

Diego: “Não sei.”

Pedro: “Por que não perguntou?”

Carlão: “E o nome? Vamos decidir?”

Beto: “Eu sugiro Debóis.”

Diego: “Fiquei com vergonha.”

Carlão: “Debóis? Isso não é nome de time!”

Zeca: “Que que é Debóis?”

Paulinho: “Burro, devia ter perguntado! Vê aí no Google o que que é erregê!”

Diego: “Como é que escreve?”

Beto: “Claro que é! Debóis Esporte Clube.”

Fabinho: “Pessoal, podia ser Arco-Íris!”

Zeca: “O que é arco-íris?”

Fabinho: “Aquela ponte colorida que aparece no céu, Zeca!”

Carlão: “Zeca, você não sabe nada de nada, não?”

Fabinho: “Não fala assim com meu irmão! Ele tem só tem oito anos!”

Beto: “Eu também tenho oito e sei muito mais coisa!”

Diego: “E-erre-erre… É? O que é Debóis, então?”

Beto: “Não sei. Vi num filme.”

Fabinho: “Viu? Nem sabe e quer dar o nome pro time!”

Zeca: “O Diego nem sabe escrever erregê!”

Carlão: “Arco-íris não! Muito mulherzinha.”

Fabinho: “Mas é tão bonito!”

Pedro: “E o uniforme ia ter que ser cheio de cor!”

Paulinho: “Que cor vai ser o uniforme?”

Carlão: “Branco e preto!”

Diego: “Vermelho e preto!”

Zeca: “Podia ser todo branco!”

Paulinho: “Todo preto!”

Diego: “Meu irmão respondeu que erregê é identidade.”

Zeca: “Seu irmão tá no Google?”

Diego: “Não, Zeca! Eu escrevi pra ele!”

Zeca: “Eu não tenho identidade!”

Beto: “Nem eu.”

Carlão: “Vamos usar branco com azul porque dá pra aproveitar a camisa do colégio.”

Pedro: “Já sei: Erregê Esporte Clube!”

Paulinho: “Erregê?”

Carlão: “Gostei. Tá resolvido.”

Beto: “Por que você decide?”

Carlão: “Porque sou o mais velho, já fiz treze.”

Zeca: “Então põe Identidade Esporte Clube, pra todo mundo entender.”

Carlão: “Até que enfim, Zeca! Boa Ideia!”

Diego: “Quem vai lá fazer a inscrição?”

Pedro: “Vocês viram o time do Ricardo do sexto ano? Só tem grandalhão!””

Fabinho: “Precisa de foto?”

Beto: “Pode ser Identidade Debóis Clube?”
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Luiz Guilherme Piva publicou “Eram todos camisa dez” (Editora Iluminuras)


O TCU acorda tarde
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Juca Kfouri

  

“Ele (Nuzman) exerce, também, a presidência da Co-Rio 2016, caso único na mais que centenária história das Olimpíadas, e se justifica dizendo que o duplo exercício evita ‘conflito de interesses’, como estaria acontecendo na Inglaterra, onde o presidente do comitê olímpico é um e o do Jogos de Londres é outro, o campeoníssimo atleta Sebastian Coe.

Na verdade, o insubstituível cartola confunde conflito de interesses com livre concorrência.

E aproveita a dupla função para arrancar dos patrocinadores do COI, com espaço obrigatório na Olimpíada do Rio, mais dinheiro para o COB, ameaçando os que não aceitarem com “pão e água” durante o megaevento de 2016.”

Em maio de 2012, mais de três anos atrás, portanto, o que você leu acima foi escrito em minha coluna, na “Folha de S.Paulo”.

Só agora, porém, nosso intrépido Tribunal de Contas da União se deu conta do evidente conflito de interesses vivido por Carlos Nuzman ao acumular as duas funções e exige que ele renuncie a uma delas — o que não fará.

O TCU é um órgão do faz de conta e faz bem apenas aos seus membros.


Bergman e o Galo
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Juca Kfouri

POR LUIZ GUILHERME PIVA

Um mesmo cinema de Belo Horizonte está exibindo, em uma das salas, “O Dia do Galo” e, em outra, “O Sétimo Selo”, de Ingmar Bergman.

Difícil imaginar coisas à primeira vista mais diferentes uma da outra.

O primeiro filme acompanha torcedores atleticanos no dia 24 de julho de 2013, data em que o Galo conquistou o título de campeão da Libertadores. O segundo filosofa sobre a vida e a morte, Deus e o diabo, o bem e o mal, o sentido ou não da existência.

Até os espectadores de um filme e de outro são física e psicologicamente – ao menos naquele momento – seres de espécies longínquas entre si.

Sem falar no comportamento dentro das salas: em um, o transe de uma torcida, incluindo xingamentos e comemorações; no outro, o ritual de uma meditação, cortado somente por suspiros de angústia.

Mas, na verdade, há muitas semelhanças entre o que se passa nos dois filmes.

Na história de Bergman, um homem, com a fé abalada, põe sua vida em jogo numa partida de xadrez contra a morte. A cada lance tudo pode acabar.

A campanha do Galo, a partir das quartas de final, com a defesa de Victor aos 47 do segundo tempo, e as duas recuperações de placar, com vitórias nos pênaltis, na semifinal e na final, ficou muito próxima disso.

O próprio documentário, aliás, avisa no subtítulo que se trata de “um filme sobre paixão, fé e futebol”, tal a carga de elementos dramáticos e mesmo religiosos (“eu acredito!”) que envolveram a conquista do Atlético.

Relido dessa forma, o parágrafo acima, sobre o comportamento dos espectadores nas salas, pode até ficar ambíguo.

Talvez a diferença fundamental mesmo seja a seguinte: na partida de xadrez do filme de Bergman – ou depois dela, qualquer que seja o seu resultado – a vencedora é sempre a morte, mesmo que ela comece em desvantagem, jogando com as pretas.

Já no caso da Libertadores, o vencedor foi o Galo, que superou a morte três vezes, na última de forma definitiva.

Claro que o fez pela competência do time.

Mas também porque, ao contrário do protagonista do outro filme, fé é o que não faltou aos seus torcedores.

Além do mais, o time jogou sempre com as pretas e as brancas ao mesmo tempo.

Desse jeito, a morte não era mesmo páreo pro Galo.
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Luiz Guilherme Piva publicou “Eram todos camisa dez” (Editora Iluminuras)


Aos imbecis
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Juca Kfouri

“Crítico do papel das novas tecnologias no processo de disseminação de informação, o escritor e filósofo italiano Umberto Eco afirmou que as redes sociais dão o direito à palavra a uma ‘legião de imbecis’ que antes falavam apenas ’em um bar e depois de uma taça de vinho, sem prejudicar a coletividade’.”

A estes imbecis, felizmente minoria esmagadora neste blog, o que escrevi quando Petros, então do Corinthians, foi julgado:

“Entre cinco julgadores, três deram 180 dias de gancho para Petros.

Um optou por quatro jogos e outro por apenas um.

Julgava-se o óbvio: se Petros agrediu ou não o apitador.

É claro que agrediu.

Não fosse a palhaçada que caracteriza o STJD, estaria no regulamento do campeonato que agressão ao árbitro é punida com x dias.

No dia seguinte ao jogo, em rito sumário, imagens consultadas, se decidiria:

Houve ou não agressão?

Não houve?

Absolve-se o jogador.

Houve?

Gancho de x dias.

Mas, no picadeiro, houve quem não visse agressão alguma.

O Corinthians recorrerá e, provavelmente como é habitual, haverá redução da pena no picadeiro ampliado.

9 a 1 para a Alemanha!”

Então, nenhum imbecil comentou que o blogueiro estava provocando o tribunal para manter a pena ao corintiano.


16 de julho
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Juca Kfouri

POR LUIZ GUILHERME PIVA

Durante 65 anos só existiu uma data para ele.

Foram 23.725 dias 16 de julho.

Não houve dia comum, Natal, aniversário, Réveillon, bodas, nem nenhuma outra data.

Só 16 de julho.

Ele acordou 23.675 dias à mesma hora, fez os mesmos movimentos, o mesmo percurso, jogou o mesmo jogo e fez o mesmo gol daquele primeiro dos 23.725 dias 16 de julho.

Ao dormir, achava que o tempo passaria e o dia seguinte seria outro.

Mas era, de novo, e sempre, dia 16 de julho.

Ele e a data viraram uma coisa só.

A ponto de, ao vê-lo, todos acharem que estavam num dia 16 de julho e terem que consultar o calendário para se certificar. Muitos, ao verificar que o calendário marcava outra data, rasgavam a folhinha, que obviamente deveria estar errada.

Ele poderia ter morrido em outra data qualquer que tal dia seria, necessariamente, 16 de julho.

Mas, como ele e ela eram a mesma coisa, foi o exato 16 de julho o dia de sua morte.

E o último dos 23.725 dias 16 de julho.

Porque a data só existiu todos esses anos por causa dele.

Antes do primeiro desses 23.675 dias 16 de julho, ela não existia.

Ele a criou e a inseriu no tempo.

Por isso, ao morrer ele, morreu junto a data.

Agora, como no caso dos times que aposentam a camisa de um craque depois que ele encerra a carreira, cientistas terão que recalcular tudo.

Translação, solstícios, rotações, meses, anos – tudo.

Terá que ser refeito o calendário de 65 anos atrás, quando a data não existia.

Porque hoje, como então, o dia 16 de julho não existe mais.

E deve ser oficialmente abolido do calendário.
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Luiz Guilherme Piva publicou “Eram todos camisa dez” (Editora Iluminuras)


Acabou
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Juca Kfouri

POR LUIZ GUILHERME PIVA

  
Tudo da infância acaba.

Às vezes, acaba aos poucos. Às vezes, nem percebemos. Às vezes, de supetão. Às vezes, não esquecemos. Mas sempre acaba. Tudo.

A camisa do time. O retrato do craque. A bola número cinco. O kichute. O meião. O pessoal que jogava na rua. O time da escola. A turma do futebol de salão.

A lembrança de um gol de placa. A vergonha por uma furada. A briga por causa de um passe. O esfolado no joelho. A chuva que abençoa o rachão.

Com a idade me acostumei, aprendi a lição.

Tudo. Tudo acaba. Da infância não há mais nada. Tudo acabou.

Mas, por escolha ou ilusão, só não pensei que acabasse a seleção.

Sempre achei que ela era eterna, que ela era sempre ela, sempre azul e amarela, a mesma sempre, sem nada tirar nem pôr.

Mas vejo – meus Deus, como é claro! – que ela também acaba.

Que dela não sobrou nada.

Ela também acabou.
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Luiz Guilherme Piva publicou “Eram todos camisa dez” (Editora Iluminuras).


Kaká adere ao Bom Senso FC. Campanha é um sucesso
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Juca Kfouri

  
A campanha lançada pelo Bom Senso FC, em parceria com a agência Loducca, em apoio à aprovação da Medida Provisória 671, a MP do Futebol atingiu números extraordinários.

Em quatro dias, já foram enviados mais de 250 mil e-mails aos parlamentares que compõem a Comissão Mista destinada a emitir parecer sobre a MP do Futebol.

O Bom Senso FC convoca os torcedores e a sociedade a se engajarem pela aprovação da Medida Provisória que refinancia a dívida dos clubes brasileiros, introduzindo medidas de responsabilidade fiscal nos clubes – o chamado Fair Play Financeiro, democratização dos clubes, Federações Estaduais e CBF e dispõe sobre outros aspectos, como a consagração em lei da Seleção Brasileira como Patrimônio Cultural do Brasil.

Mais um pentacampeão mundial entra em campo

O terceiro vídeo pela aprovação da MP do Futebol contará com a presença de mais um pentacampeão do mundo.

Kaká, meia do Orlando City/EUA, defende mudanças no futebol brasileiro e aponta as propostas do Bom Senso FC como um bom ponto de partida.

O depoimento do atleta será veiculado nos canais do Bom Senso nas redes sociais na manhã desta quarta-feira, 24/06.

Próxima reunião da Comissão da MP do Futebol

Está marcada para amanhã, 24/06, nova reunião da Comissão Mista que irá votar o texto do relator, deputado Otávio Leite (PSDB-RJ). A reunião está cercada de expectativas, tendo em vista a falta de quórum para deliberação nas últimas semanas provocada pela Bancada da Bola, formado por deputados e senadores ligados à cartolagem. Caso aprovada na Comissão, o texto da MP tem prazo até 17 de julho para aprovação no Plenário da Câmara dos Deputados e no Plenário do Senado Federal.

Acesse o site da campanha: www.mp671.com


Bons tempos aqueles
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Juca Kfouri

POR RAUL MILLIET FILHO*

A História é um profeta com o olhar voltado para trás. Pelo que foi e contra o que foi e anuncia o que será” ( Eduardo Galeano)

Amanhã o Brasil terá a Venezuela pela frente.

Pensando em Eduardo Galeano, não podemos deixar de recuar no tempo e darmos uma espiada, memorialista, no primeiro jogo contra a Venezuela nas eliminatórias de 1969.

João Saldanha era o técnico.

E protagonizou passagem interessante, reveladora, engraçada.

Bons tempos aqueles.

A chave do Brasil nas eliminatórias da Copa do México, apontava como adversários Colômbia, Venezuela e Paraguai em jogos de ida e volta.

A estréia da Seleção ocorre no dia 6 de agosto de 1969, em Bogotá, com vitória do Brasil por 2 a 0, dois gols de Tostão.

Para este jogo a Seleção passou por um período de adaptação a altitude de Bogotá, chegando com 20 dias de antecedência ao local do jogo.

Escalação: Félix (Fluminense), Carlos Alberto Torres (Santos), Djalma Dias (Atlético Mineiro), Joel Camargo (Santos), Rildo (Santos), Piazza (Cruzeiro), Gérson (Botafogo), Jairzinho (Botafogo) (Paulo César Caju) [Botafogo], Tostão (Cruzeiro), Pelé (Santos), Edu (Santos).

Saldanha manteve praticamente o mesmo time durante os seis jogos das eliminatórias.

O segundo jogo contra a Venezuela no dia 10 de agosto em Caracas, foi fácil. 5 a 0.

Três gols de Tostão e dois de Pelé.

Nesta partida, porém, durante o primeiro tempo, o time passeou em campo de sapato alto, indo para o intervalo com o placar em branco.

Os jogadores perdiam os gols e riam….

Eis como relata a página oficial da CBF:

A diferença técnica entre as duas Seleções era muito grande, o que apontava para uma vitória de goleada do Brasil. Só que o time não conseguiu se encontrar no primeiro tempo, jogou um futebol abaixo de suas possibilidades, e por isso a expectativa de muitos gols se viu frustrada no 0 a 0 com que o jogo se encerrou na primeira fase.
À beira do campo, furioso com a atuação da equipe, João Saldanha esperava impaciente que os jogadores se dirigissem ao vestiário. Quando isso aconteceu, encontraram a porta fechada – as chaves estavam nas mãos de Saldanha, que foi logo gritando.
– Não vou dar instrução nenhuma. Para jogar esse futebolzinho que vocês jogaram, nem adianta. Voltem lá e façam o que vocês sabem!
Os jogadores reagiram. Argumentando que precisavam beber água, utilizar o banheiro, insistiram para Saldanha abrir o vestiário.
– Não tem água, não tem nada! No vestiário ninguém entra – falou Saldanha.
O time voltou direto para o campo, como confirma o capitão Carlos Alberto Torres.
– Ele não abriu mesmo, apesar dos pedidos. Ainda disse que os venezuelanos não jogavam nada e que a gente tinha obrigação de vencer por goleada”.

No link o próprio Saldanha e Gérson contam a história. Ao fundo Carlos Alberto Torres.

https://www.youtube.com/watch?v=C_uky9BMNoI

*Raul Milliet Filho é historiador.


Veja quem cuidará da ética e transparência na CBF
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Juca Kfouri

 
A CBF criou recentemente uma Diretoria de Ética e Transparência e nomeou para chefiá-la o Deputado Federal Marcelo Aro (PHS/MG), na foto.

O fato relevante  é que o citado deputado é sobrinho de Elmer Guilherme e filho de José Guilherme Ferreira Filho, cartolas que mandaram na Federação Mineira por décadas e acabaram, ambos, afastados de seus respectivos cargos na FMF uma vez que o Ministério Público pediu na época (2003) a prisão preventiva dos dirigentes, denunciados então por formação de quadrilha, falsificação de documentos e apropriação indébita.

Segue abaixo matéria publicada na época pela “Folha de S.Paulo”:

São Paulo, quinta-feira, 20 de fevereiro de 2003

Justiça ordena saída de dirigente em MG

A Justiça determinou ontem que o presidente da FMF (Federação Mineira de Futebol), Elmer Guilherme Ferreira, seja afastado imediatamente do cargo. Também foi determinada a quebra do sigilo bancário e o sequestro dos bens dele. A mesma punição foi dada ao secretário-geral da entidade, José Guilherme Ferreira Filho, irmão de Elmer, e a seu tesoureiro, Paulo Alves de Assis.
A medida contraria em parte um pedido do Ministério Público, que, na sexta-feira, solicitou a prisão preventiva dos três dirigentes da FMF, denunciados por formação de quadrilha, falsificação de documentos e apropriação indébita. “Pedimos a prisão para que o esquema de desvios seja interrompido”, disse o promotor Fernando Galvão da Rocha.
Já de acordo com o juiz Walter Luiz de Melo, a prisão preventiva “nem sempre é a melhor solução”. Para ele, o não-acatamento do pedido da Promotoria favorece o andamento do processo.
“É uma verdadeira agonia quando se requisita presos para atos processuais. É que a instância policial, com acentuada e preocupante frequência, deixa de atender, alegando “falta de escolta”, provocando, assim, adiamentos de audiências e desgaste ao juízo.”
A acusação foi formulada após análise do relatório final da CPI do Futebol do Senado, realizada em 2001. O texto apontava a necessidade de intervenção na FMF e levantava indícios de desvio de mais de R$ 4 milhões. Entre as principais irregularidades constatadas pelos promotores estão ainda “o registro de gastos irregulares para fins particulares dos dirigentes”, fato não documentado em livros contábeis da federação.
O juiz agendou o depoimento dos dirigentes para março. A Agência Folha não conseguiu contato com Elmer Guilherme.
A FMF deverá recorrer da decisão, segundo o advogado Antônio Francisco Patente. Para ele, o Ministério Público não tem legitimidade para investigar a federação. “A FMF é uma entidade jurídica de cunho privado. Não houve provocação dos eventuais interessados, que seriam os clubes.”

Veja o que dizia outra matéria da “Folha” sobre a família do deputado Marcelo Aro em 1996:

“Desde agosto de 1966, a família Ferreira mantém o poder na Federação Mineira de Futebol, enfrentando denúncias de corrupção, usando a entidade para fins eleitorais, empregando parentes e amigos e se reelegendo por meio de procurações das ligas do interior.
A dinastia começou no regime militar, quando o coronel José Guilherme Ferreira (avô do deputado Marcelo Aro), então chefe do gabinete militar do governador Magalhães Pinto, chegou à presidência da entidade.
Hoje a federação é presidida pelo filho do coronel reformado, Elmer Guilherme Ferreira, no cargo desde janeiro de 1987.”