Blog do Juca Kfouri

Arquivo : junho 2015

Acabou
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Juca Kfouri

POR LUIZ GUILHERME PIVA

  
Tudo da infância acaba.

Às vezes, acaba aos poucos. Às vezes, nem percebemos. Às vezes, de supetão. Às vezes, não esquecemos. Mas sempre acaba. Tudo.

A camisa do time. O retrato do craque. A bola número cinco. O kichute. O meião. O pessoal que jogava na rua. O time da escola. A turma do futebol de salão.

A lembrança de um gol de placa. A vergonha por uma furada. A briga por causa de um passe. O esfolado no joelho. A chuva que abençoa o rachão.

Com a idade me acostumei, aprendi a lição.

Tudo. Tudo acaba. Da infância não há mais nada. Tudo acabou.

Mas, por escolha ou ilusão, só não pensei que acabasse a seleção.

Sempre achei que ela era eterna, que ela era sempre ela, sempre azul e amarela, a mesma sempre, sem nada tirar nem pôr.

Mas vejo – meus Deus, como é claro! – que ela também acaba.

Que dela não sobrou nada.

Ela também acabou.
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Luiz Guilherme Piva publicou “Eram todos camisa dez” (Editora Iluminuras).


Kaká adere ao Bom Senso FC. Campanha é um sucesso
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Juca Kfouri

  
A campanha lançada pelo Bom Senso FC, em parceria com a agência Loducca, em apoio à aprovação da Medida Provisória 671, a MP do Futebol atingiu números extraordinários.

Em quatro dias, já foram enviados mais de 250 mil e-mails aos parlamentares que compõem a Comissão Mista destinada a emitir parecer sobre a MP do Futebol.

O Bom Senso FC convoca os torcedores e a sociedade a se engajarem pela aprovação da Medida Provisória que refinancia a dívida dos clubes brasileiros, introduzindo medidas de responsabilidade fiscal nos clubes – o chamado Fair Play Financeiro, democratização dos clubes, Federações Estaduais e CBF e dispõe sobre outros aspectos, como a consagração em lei da Seleção Brasileira como Patrimônio Cultural do Brasil.

Mais um pentacampeão mundial entra em campo

O terceiro vídeo pela aprovação da MP do Futebol contará com a presença de mais um pentacampeão do mundo.

Kaká, meia do Orlando City/EUA, defende mudanças no futebol brasileiro e aponta as propostas do Bom Senso FC como um bom ponto de partida.

O depoimento do atleta será veiculado nos canais do Bom Senso nas redes sociais na manhã desta quarta-feira, 24/06.

Próxima reunião da Comissão da MP do Futebol

Está marcada para amanhã, 24/06, nova reunião da Comissão Mista que irá votar o texto do relator, deputado Otávio Leite (PSDB-RJ). A reunião está cercada de expectativas, tendo em vista a falta de quórum para deliberação nas últimas semanas provocada pela Bancada da Bola, formado por deputados e senadores ligados à cartolagem. Caso aprovada na Comissão, o texto da MP tem prazo até 17 de julho para aprovação no Plenário da Câmara dos Deputados e no Plenário do Senado Federal.

Acesse o site da campanha: www.mp671.com


Bons tempos aqueles
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Juca Kfouri

POR RAUL MILLIET FILHO*

A História é um profeta com o olhar voltado para trás. Pelo que foi e contra o que foi e anuncia o que será” ( Eduardo Galeano)

Amanhã o Brasil terá a Venezuela pela frente.

Pensando em Eduardo Galeano, não podemos deixar de recuar no tempo e darmos uma espiada, memorialista, no primeiro jogo contra a Venezuela nas eliminatórias de 1969.

João Saldanha era o técnico.

E protagonizou passagem interessante, reveladora, engraçada.

Bons tempos aqueles.

A chave do Brasil nas eliminatórias da Copa do México, apontava como adversários Colômbia, Venezuela e Paraguai em jogos de ida e volta.

A estréia da Seleção ocorre no dia 6 de agosto de 1969, em Bogotá, com vitória do Brasil por 2 a 0, dois gols de Tostão.

Para este jogo a Seleção passou por um período de adaptação a altitude de Bogotá, chegando com 20 dias de antecedência ao local do jogo.

Escalação: Félix (Fluminense), Carlos Alberto Torres (Santos), Djalma Dias (Atlético Mineiro), Joel Camargo (Santos), Rildo (Santos), Piazza (Cruzeiro), Gérson (Botafogo), Jairzinho (Botafogo) (Paulo César Caju) [Botafogo], Tostão (Cruzeiro), Pelé (Santos), Edu (Santos).

Saldanha manteve praticamente o mesmo time durante os seis jogos das eliminatórias.

O segundo jogo contra a Venezuela no dia 10 de agosto em Caracas, foi fácil. 5 a 0.

Três gols de Tostão e dois de Pelé.

Nesta partida, porém, durante o primeiro tempo, o time passeou em campo de sapato alto, indo para o intervalo com o placar em branco.

Os jogadores perdiam os gols e riam….

Eis como relata a página oficial da CBF:

A diferença técnica entre as duas Seleções era muito grande, o que apontava para uma vitória de goleada do Brasil. Só que o time não conseguiu se encontrar no primeiro tempo, jogou um futebol abaixo de suas possibilidades, e por isso a expectativa de muitos gols se viu frustrada no 0 a 0 com que o jogo se encerrou na primeira fase.
À beira do campo, furioso com a atuação da equipe, João Saldanha esperava impaciente que os jogadores se dirigissem ao vestiário. Quando isso aconteceu, encontraram a porta fechada – as chaves estavam nas mãos de Saldanha, que foi logo gritando.
– Não vou dar instrução nenhuma. Para jogar esse futebolzinho que vocês jogaram, nem adianta. Voltem lá e façam o que vocês sabem!
Os jogadores reagiram. Argumentando que precisavam beber água, utilizar o banheiro, insistiram para Saldanha abrir o vestiário.
– Não tem água, não tem nada! No vestiário ninguém entra – falou Saldanha.
O time voltou direto para o campo, como confirma o capitão Carlos Alberto Torres.
– Ele não abriu mesmo, apesar dos pedidos. Ainda disse que os venezuelanos não jogavam nada e que a gente tinha obrigação de vencer por goleada”.

No link o próprio Saldanha e Gérson contam a história. Ao fundo Carlos Alberto Torres.

https://www.youtube.com/watch?v=C_uky9BMNoI

*Raul Milliet Filho é historiador.


Veja quem cuidará da ética e transparência na CBF
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Juca Kfouri

 
A CBF criou recentemente uma Diretoria de Ética e Transparência e nomeou para chefiá-la o Deputado Federal Marcelo Aro (PHS/MG), na foto.

O fato relevante  é que o citado deputado é sobrinho de Elmer Guilherme e filho de José Guilherme Ferreira Filho, cartolas que mandaram na Federação Mineira por décadas e acabaram, ambos, afastados de seus respectivos cargos na FMF uma vez que o Ministério Público pediu na época (2003) a prisão preventiva dos dirigentes, denunciados então por formação de quadrilha, falsificação de documentos e apropriação indébita.

Segue abaixo matéria publicada na época pela “Folha de S.Paulo”:

São Paulo, quinta-feira, 20 de fevereiro de 2003

Justiça ordena saída de dirigente em MG

A Justiça determinou ontem que o presidente da FMF (Federação Mineira de Futebol), Elmer Guilherme Ferreira, seja afastado imediatamente do cargo. Também foi determinada a quebra do sigilo bancário e o sequestro dos bens dele. A mesma punição foi dada ao secretário-geral da entidade, José Guilherme Ferreira Filho, irmão de Elmer, e a seu tesoureiro, Paulo Alves de Assis.
A medida contraria em parte um pedido do Ministério Público, que, na sexta-feira, solicitou a prisão preventiva dos três dirigentes da FMF, denunciados por formação de quadrilha, falsificação de documentos e apropriação indébita. “Pedimos a prisão para que o esquema de desvios seja interrompido”, disse o promotor Fernando Galvão da Rocha.
Já de acordo com o juiz Walter Luiz de Melo, a prisão preventiva “nem sempre é a melhor solução”. Para ele, o não-acatamento do pedido da Promotoria favorece o andamento do processo.
“É uma verdadeira agonia quando se requisita presos para atos processuais. É que a instância policial, com acentuada e preocupante frequência, deixa de atender, alegando “falta de escolta”, provocando, assim, adiamentos de audiências e desgaste ao juízo.”
A acusação foi formulada após análise do relatório final da CPI do Futebol do Senado, realizada em 2001. O texto apontava a necessidade de intervenção na FMF e levantava indícios de desvio de mais de R$ 4 milhões. Entre as principais irregularidades constatadas pelos promotores estão ainda “o registro de gastos irregulares para fins particulares dos dirigentes”, fato não documentado em livros contábeis da federação.
O juiz agendou o depoimento dos dirigentes para março. A Agência Folha não conseguiu contato com Elmer Guilherme.
A FMF deverá recorrer da decisão, segundo o advogado Antônio Francisco Patente. Para ele, o Ministério Público não tem legitimidade para investigar a federação. “A FMF é uma entidade jurídica de cunho privado. Não houve provocação dos eventuais interessados, que seriam os clubes.”

Veja o que dizia outra matéria da “Folha” sobre a família do deputado Marcelo Aro em 1996:

“Desde agosto de 1966, a família Ferreira mantém o poder na Federação Mineira de Futebol, enfrentando denúncias de corrupção, usando a entidade para fins eleitorais, empregando parentes e amigos e se reelegendo por meio de procurações das ligas do interior.
A dinastia começou no regime militar, quando o coronel José Guilherme Ferreira (avô do deputado Marcelo Aro), então chefe do gabinete militar do governador Magalhães Pinto, chegou à presidência da entidade.
Hoje a federação é presidida pelo filho do coronel reformado, Elmer Guilherme Ferreira, no cargo desde janeiro de 1987.”

 


O Corinthians que mais vezes saiu jogando
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Juca Kfouri

POR GUSTAVO LONGHI DE CARVALHO*
É muito comum ouvirmos dizer, em reportagens, que certo técnico “ainda não conseguiu repetir o mesmo time no ano”.

De fato, é muito raro quando um mesmo grupo de onze jogadores é repetido por várias vezes em uma equipe, mesmo não consecutivas.

E isto pode ocorrer por várias razões: basta uma contusão, uma transferência, uma suspensão, algum problema entre um jogador e o treinador, ou algum jogador reserva se destacar, e o treinador muda a equipe titular, desfazendo-se o “onze” anterior.

Porém, ao observar e analisar, através de programas de computador que confeccionei, os bancos de dados com os jogos e escalações do Corinthians, aos quais tive acesso, podemos chegar a resultados muito curiosos referentes, por exemplo, à seguinte pergunta: qual foi o “onze” que mais saiu jogando na história do clube?

Vamos às respostas, que, pelo que se sabe, eram em sua maioria inéditas até agora.

Reforço que estas respostas somente puderam ser obtidas graças à consulta aos Bancos de Dados das equipes que o grande jornalista e pesquisador Celso Unzelte gentilmente disponibilizou, em um trabalho que já executamos há alguns anos – alguns destes bancos (principalmente o do Corinthians), ele próprio montou, jogo a jogo.

Ao Celso, minha gratidão pela oportunidade de pesquisar dados que relatam uma história tão rica.
O primeiro time a ter a resposta divulgada é o Corinthians.

Amanhã e depois serão publicados os dados referentes ao São Paulo e ao Palmeiras.


Corinthians – A Democracia Disciplinada

Em praticamente 105 anos, o Corinthians já fez mais de 5500 jogos.

Logo, foram mais de 5500 times iniciais, que poderiam “sair na foto”.

Neste longo período, o time que mais se repetiu no início dos jogos (contando partidas não consecutivas) e mais teve ocasiões para sair na foto foi, por uma feliz coincidência, uma equipe histórica: trata-se do time campeão paulista de 1982, o clássico time da Democracia Corinthiana!

Este time, que está na foto a seguir, entrou em campo 13 vezes, entre 5 de outubro de 1982 (Corinthians 2 x 3 Peñarol-Uru) e 6 de fevereiro de 1983 (Corinthians 4 x 2 CSA).


No total, foram 7 vitórias, 2 empates e 4 derrotas.

O técnico da equipe era Mário Travaglini. O jogo mais marcante desta formação foi o da foto a seguir, quando o Timão venceu o São Paulo por 3 a 1 na decisão do Paulista de 1982.

Em pé: Elisa (torcedora-símbolo), Solito, Sócrates, Ataliba, Casagrande, Zenon e Biro-Biro. Agachados: Mauro, Daniel González, Alfinete, Paulinho e Wladimir.
Além deste time, o Corinthians teve apenas três equipes na história que saíram jogando 11 vezes, e uma delas, por coincidência, é a equipe acima, apenas com Wagner Basílio no lugar do Daniel González!

Estes 11 jogos ocorreram em 1982 (7V, 3E, 1D). Isto significa que os demais 10 jogadores da equipe saíram jogando mais de 20 vezes juntos, o que indica um grande entrosamento.
As outras duas equipes que saíram jogando 11 vezes na história do Corinthians também são históricas: Tuffy, Grané e Del Debbio; Nerino, Guimarães e Munhoz; Filó, Apparício, Gambinha, Rato e De Maria. Esta equipe jogou em 1930 (foi campeã paulista no ano) e teve um fantástico saldo: 10 vitórias e apenas 1 derrota. Há vários jogadores lendários do clube neste time, cujo técnico era Virgílio Montarini.

Bino, Domingos da Guia e Aldo; Pelliciari, Hélio e Aleixo; Cláudio, Baltazar, Servílio, Nenê e Ruy. Este time atuou em 1947 e também teve um excelente aproveitamento: 9 vitórias, 1 empate e 1 derrota. Seu técnico era Armando Del Debbio, que fez parte do histórico time de 1930, citado acima.
Entre as demais equipes, existem apenas 4 que saíram jogando 10 vezes e todos (!) os demais times do Corinthians somente o fizeram 9 ou menos vezes. Isto não é curioso?

A primeira conclusão que se pode extrair destes dados é a seguinte: os números indicam que a Democracia Corinthiana foi um movimento extremamente sério e profissional, pois os jogadores tiveram uma sequência inédita na história do clube, que só vem com profissionalismo e comprometimento. Este é mais um entre os muitos motivos que colocam este período entre os maiores da história do clube.

*Gustavo Longhi de Carvalho é jornalista e engenheiro. É autor ou coautor de quatro livros, sendo três deles ligados a futebol. Seus dois livros mais recentes, lançados no ano passado, são “Uma Nova Ordem: Como Resolver ou Diminuir o Problema da Violência Atacando suas Causas” (Ed. In House) e “Infográficos das Copas” (Ed. Panda Books – escrito juntamente com o jornalista Rodolfo Rodrigues).


Porque hoje é sábado
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Juca Kfouri

Porque hoje é sábado você pode ver AQUI  o “Programa Diferente”.

Nele você verá, editada, uma entrevista do blogueiro já publicada, na íntegra,  no blog, razão pela qual pode pulá-la.

Mas tem também uma simpática reportagem sobre o Juventus da Mooca e um debate sobre o Bom Senso FC.

De quebra, ouça  neste endereço (www.youtube.com/watch?v=jpfymRLaPaA) Vinicius de Moraes declamando o “Poema da Criação”, também conhecido como “Porque hoje é sábado”…


Sete motivos para aprovar a MP do Futebol
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Juca Kfouri

POR BOM SENSO FC

Tornou-se público nos últimos dias, documento elaborado pela Confederação Brasileira de Futebol com argumentos contrários à aprovação da MP do Futebol.

 Neste texto, além de negligenciar o fato de que a MP oferece um generoso refinanciamento que pode salvar financeiramente os clubes, a CBF não menciona méritos indiscutíveis, como: a limitação dos mandatos dos dirigentes a quatro anos, com direito a uma reeleição; e o direito de voto dos atletas em suas eleições internas, assembleias gerais e conselhos técnicos. Direitos básicos da democracia, que o Brasil conquistou há 30 anos e que ainda não chegaram à entidade máxima do futebol nacional.

O Bom Senso, como apoiador do projeto em tramitação no Congresso Nacional, responde os argumentos da CBF e espera a pronta confirmação do novo presidente da entidade, Marco Polo Del Nero, na Audiência Pública marcada para 7 de maio, no Congresso Nacional, em que ambas entidades, CBF e Bom Senso, estão convidadas.

1) Sobre a constitucionalidade da MP

A tese central da CBF contra a MP baseia-se em leitura equivocada tanto da Medida Provisória, quanto do artigo 217 da Constituição Federal, que prevê autonomia das entidades desportivas, na sua organização e funcionamento.

 Coerente ao texto da Constituição, a MP apresenta contrapartidas facultativas aos clubes que aderirem ao refinanciamento das dívidas, o que não constitui “intervencionismo estatal” sobre a autonomia das entidades esportivas.

 Além disso, matéria análoga já foi julgada pelo Supremo Tribunal Federal na ADIN nº 2937, quando por unanimidade, totalizando o placar de 9X0, o entendimento foi de que o conceito de autonomia não é absoluto, não se confunde com a noção de soberania e independência, e deve sofrer os condicionamentos estabelecidos pelo Estado.

2) Presença dos clubes brasileiros em competições internacionais

Os clubes poderão, sim, participar de competições internacionais. O art. 5º da MP não deve ser interpretado de forma isolada, e sim dentro do contexto geral da MP, que visa a modernização do futebol brasileiro e não a regulamentação de competições e entidades internacionais.

Essa questão pode ser facilmente superada. O Bom Senso irá propor ao relator da Medida Provisória, deputado Otávio Leite, a simples alteração do texto do art. 5º, estabelecendo que as regras ali contidas só serão válidas para competições regionais e nacionais.

3) Adequação dos regulamentos das competições aos parâmetros previstos na MP

Para garantir o equilíbrio e, consequentemente, a atratividade e sucesso das competições, é fundamental que as regras da competição sejam isonômicas, ou seja, aplicáveis de forma justa e igualitária a todos os competidores. É esse sentido da redação do inciso VI do art. 5º da Medida Provisória. Visa preservar a condição de igualdade entre os clubes nas competições.

4) Presença dos clubes em competições organizadas pela CBF

Um dos argumentos mais frágeis apresentados pela CBF é de que os clubes signatários do refinanciamento ficarão sem competições, perdendo rendas de bilheteria, televisão e patrocínios.
A Medida Provisória contém duas possibilidades de competições aos clubes.

 A primeira, e mais óbvia, é seguir em competições promovidas pela CBF, desde que a entidade esteja adequada aos novos parâmetros de gestão e democracia.

 Caso não ocorra a adequação por parte da CBF e Federações, os clubes poderão participar de campeonatos organizados através de Ligas criadas nos termos do art. 6º da MP 671, que respeitem o disposto na Medida Provisória.

5) A possibilidade da criação de uma Liga

A CBF argumenta investir R$ 100 milhões anuais para financiar os campeonatos que organiza e que atualmente são deficitários.

A partir disso, critica a criação de uma Liga que não se responsabilize financeiramente pelas divisões inferiores nacionais.

Esse ponto sugere uma reflexão: é a CBF que sustenta o futebol brasileiro ou o futebol brasileiro é que sustenta a CBF?

De nossa parte não há dúvida de que é o futebol brasileiro, especialmente com a exploração comercial dos símbolos pátrios, que fazem a fortuna da CBF.

 O modelo atual é comprovada e assumidamente deficitário.

 Não funciona e deve ser mudado. Atualmente ganham CBF e Federações (superavitárias) e perdem os clubes (deficitários) e atletas (desempregados e sem receber).

Atualmente, dos cerca de 700 clubes “profissionais” existentes, aproximadamente apenas 100 tem competições durante o ano todo.

 Ou seja, após o término dos estaduais, 600 clubes ficam inativos e 20.000 profissionais do futebol ficam sem emprego ou em condições de sub emprego.

Os balanços publicados pela CBF, que, por natureza, é sem fins lucrativos, demonstram um lucro líquido acumulado de quase R$ 400 milhões nos últimos 5 anos, que deveriam ser usados para o fomento e desenvolvimento do esporte. Diante desse cenário, a criação das ligas pode representar a mudança necessária. A liga inglesa é um exemplo prático.

A primeira divisão inglesa, conhecida como Premier League, é comandada somente pela liga dos clubes. Da 2º à 9ª divisão, a responsabilidade pela organização é da Federação inglesa (FA – Football Association).
 O modelo é simples – um percentual do que é arrecadado pela Premier League é repassado às divisões menores para ajudar a sustentar o futebol do país. O modelo funciona tão bem que a segunda divisão inglesa tem mais público nos estádios do que a primeira divisão brasileira.

6) Limite de 70% da receita bruta gastas com a folha de pagamento do futebol

Medida considerada abusiva pela CBF, é na verdade a garantia de que os clubes não gastarão mais do que arrecadam com a folha de pagamento deo futebol. O descontrole das contas dos clubes gerou enormes déficits.

7) Instituição Financeira Centralizadora

Concordamos com a CBF e com os clubes neste ponto. 

A preocupação do governo em receber as parcelas do refinanciamento em dia levou a um excesso. 

Em que pese a finalidade da norma, deve ser preservado o direito aos clubes de livre e ilimitada escolha das instituições bancárias, conforme melhor conveniência e de acordo com as diferentes ofertas desse mercado.


Aécio Neves tem razão
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Juca Kfouri

  

“Diante de R$ 6 bilhões pelo ralo, o Brasil exige dois pedidos de desculpas. Quem terá coragem de falar primeiro: Lula ou Dilma?”

O candidato derrotado na última eleição tem toda razão.

E também poderia dar exemplo, se antecipando e pedindo desculpas por uma coisa tão menor, teoricamente muito mais fácil, sobre o AEROPORTO DE CLÁUDIO.

Nem se está falando do mensalão tucano mineiro etc, nada disso.

Só do aeroporto na fazenda do titio.

 


Onde eu assino?
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Juca Kfouri

Sabe você o que é o CEV?

Não sabe?

Eu sei!

Saiba você também AQUI.

No CEV você encontra jóias como esta:

Prefácio de José Mourinho no Livro Novo do Manuel Sérgio

Cevnautas do Futebol, Novo livro do prof Manuel Sérgio “O futebol e eu” é prefaciado por ninguém menos do que o seu aluno José Mourinho.
Laercio
Prefácio do livro de Manuel Sérgio, «O futebol e Eu»
Por José Mourinho
«Mais um livro do Prof. Manuel Sérgio, mais umas páginas que vou ler, mais umas lições que vou receber de um filósofo do desporto, que vem ensinando aos seus leitores o que o desporto tem de mais profundo, de mais científico, de mais autêntico. O José Peseiro, meu colega na universidade e também treinador de futebol, já disse publicamente que só agora, como profissional do desporto e com a cabeça a embranquecer, é que passou a entender verdadeiramente o que o Prof. Manuel Sérgio nos ensinava nas aulas. Eu digo o mesmo. Mas, o que nos ensinava ele? Que não sabe de Desporto quem sabe só de Desporto, porque está na prática desportiva tudo o que é tipicamente humano.

E, ao dizer isto, aconselhava-nos a ler os grandes autores que nos mostram o que é a vida e quem nos ensina o que é a vida está a ensinar-nos o que é o desporto. Repetia, muitas vezes, que Desporto é o fenómeno cultural de maior magia no mundo contemporâneo e que deveria ser estudado como se estuda uma ciência humana. Para ele, o treinador do futuro teria de ser um homem culto: com prática constante do futebol, mas também com grande erudição, no que respeita às grandes correntes do pensamento. E, a coroar tudo isto, tinha uma opinião, para o tempo curiosa: o treino, no futebol, ou é com bola, ou não é treino. E dava o exemplo do pianista que não se prepara, saltando e correndo, mas tocando piano. Discordava, muito frontalmente, do biologismo que dominava o treino, dizendo que era a complexidade humana que estava em jogo, na prática do desporto. D ava-nos uma síntese do cartesianismo, para concluir que a Educação Física é um produto do “erro de Descartes”. De quando em vez, falava de um ou de outro filósofo, mas não estou agora em condições para relatar, com verdade, tudo o que a sua erudição espantosa nos apresentava. Não tenho receio em acrescentar que foi um dos professores de maior e melhor cultura que tive, durante a minha vida de estudante liceal e universitário.

E uma faceta curiosa no seu ensino: procurava mostrar a filosofia como um dos fundamentos do desporto. Por isso, vários treinadores dele se aproximavam e aproximam, surpreendidos com as suas ideias, que ele não perde o ensejo de referir que só terão algum valor, se confirmadas na prática. Não esqueço uma das suas frases preferidas: “A prática é o critério da verdade”.

Nasceu, na freguesia da Ajuda, em Lisboa, a poucos metros do Estádio José Manuel Soares, ou das Salésias e, desde criança, se habituou a conviver com jogadores de futebol. E até com jogadores de mais três modalidades, em que o Belenenses daquele tempo se distinguia: o andebol de onze, o basquetebol e o râguebi. Não tendo praticado desporto federado, sente-se perfeitamente à vontade, no trato com os praticantes ou ex-praticantes de qualquer modalidade desportiva. Não é o intelectual distante, é o companheiro próximo de todos os desportistas. Nunca faltávamos às suas aulas, por dois motivos: os conteúdos eram diferentes das outras aulas e ele sabia despertar o interesse dos alunos por tudo o que dizia. É de facto um grande comunicador! As suas aulas e os seus livros permitiram-nos e permitem-nos o contacto direto com os nomes mais sonantes da Filosofia e da Cult ura. Um ponto ainda eu quero referir: muito antes de António Damásio, Manuel Sérgio falava nas aulas do “erro de Descartes”, quando nos dizia que a expressão “educação física” aparece, pela primeira vez, em França, no século XVIII. Para ele, a Educação Física é uma expressão que reflete o dualismo antropológico de Descartes.

Sou treinador de futebol, sem tempo e grande jeito, para a escrita. Sou um prático mas que não descura uma constante informação. E fui aluno do Prof. Manuel Sérgio e sou seu leitor, com grande proveito meu. Julgo, por isso, ser meu dever afirmar, publicamente, que o seu conceito de motricidade humana, que ele começou a teorizar, em 1979, ou seja, há 36 anos, se confirma inteiramente, nos dias de hoje: o desporto só como ciência humana se pode entender; a sua metodologia é a específica das ciências humanas.

O trabalho epistemológico que fez foi verdadeiramente inovador, no desporto e até na cultura, em Portugal. Só uma grande ignorância deixará de reconhecer isto mesmo. Termino dizendo, sem problemas, que Manuel Sérgio é um dos grandes teóricos mundiais do Desporto. Se acaso se pudesse fazer uma competição, eu propunha esta: comparem a obra dele, com a de qualquer outro autor, em qualquer língua, que tenha escrito sobre esta problemática. Não é o primeiro, em erudição e inovação? Mas está no pódio, com toda a certeza.

Sou um homem grato a Manuel Sérgio. Ele não me ensinou técnica, nem tática. Mas ensinou-me esta coisa simples: o Desporto é muito mais do que uma Atividade Física e só como ciência humana deverá estudar-se e praticar-se. E isso bastou-me para que o futebol, para mim, passasse a ser uma atividade de meridiana compreensão e de significação e sentido verdadeiramente humanos. Como obra da autoria de Manuel Sérgio, este é um livro que lerei atentamente, porque sei que da sua leitura sairei mais homem e mais treinador de futebol.»


Um programa diferente
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Juca Kfouri


Nota do blog: Entrevista concedida  ao jornalista Maurício Huertas, no dia 25 de março último, antes, portanto, da revelação de que também o governo de São Paulo financia “blogs sujos”, razão pela qual não se fez menção ao fato quando da abordagem do tema.