Blog do Juca Kfouri

O futebol e o caráter nacional

Juca Kfouri

POR JOÃO BATISTA FREIRE*

Para mim, futebol pode ser arte, e é, nos pés de Maradona, Pelé, Messi ou Neymar.

E pode não ser, nos pés de jogadores comuns.

Música pode ser arte, e pode não ser.

Louvamos os grandes pianistas, os excepcionais cantores, os arquitetos geniais, os grandes chefes de cozinha, os fabulosos pintores.

E sequer lhes vasculhamos o caráter.

E se mostrarem mau-caráter, passamos por cima, enriquece a lenda, etc.

Se um artista brasileiro se consagra internacionalmente, nos orgulhamos e sua vida pessoal, seu caráter, não desmerece sua arte.

No futebol, no entanto, a cada gol, a cada atitude, o caráter pesa, a vida pessoal é destrinchada.

E, por mais que o futebol arte, inventado pelos brasileiros na primeira metade do século XX, seja consagrado internacionalmente, não é contado como uma conquista cultural de um povo.

Sobram detratores que julgam que o êxito do futebol diminui o êxito social.

Poucas produções culturais de nosso povo, ou nenhuma, atingiu o refinamento e o êxito do futebol.

Somos bons em algumas coisas, e uma delas é o futebol, ganhando ou perdendo a Copa.

O futebol nos diz que podemos ser bons como povo.

Se não somos, nós, o povo, é que devemos responder.

*João Batista Freire é professor Livre Docente aposentado da Unicamp, além de ter trabalhado na USP e na Universidade Federal da Paraíba e na Universidade Estadual de Santa Catarina, e autor de diversos livros sobre Educação Física.