Blog do Juca Kfouri

Croácia x Rússia, na noite dos goleiros

Juca Kfouri

Croácia x Dinamarca!

O que se esperava?

Os croatas no ataque, os dinamarqueses na defesa.

Mas, no primeiro ataque dinamarquês, lateral pela direita, bola na área, confusão, pé escandinavo de Jorgensen em direção ao gol, goleiro encoberto, falha, 1 a 0, com menos de dois minutos.

Nem deu tempo para abalar os croatas que foram à frente e dois minutos depois, bate-rebate na área adversária, bola que sobra nos pés de quem, de quem?

Mandzukic empatou.

O que se viu, então, a partir daí?

Croatas no ataque, dinamarqueses na defesa para definir quem enfrentará a Rússia nas quartas de final.

Aos poucos o jogo se equilibrou e aos 27′ quem esteve perto do segundo gol foi a Dinamarca.

No minuto seguinte, por duas vezes foi a Croácia quem se aproveitou de uma saída errada da defesa rival e quase virou.

Individualmente a diferença pró-Croácia é gritante, mas taticamente a Dinamarca compensava o desnível.

O embate que começou frenético, aquietou-se, quase beirando à monotonia.

Quebrada aos 41′, quando Eriksen mandou no travessão, para castigar o domínio estéril dos croatas.

Os croatas responderam com um ataque também perigoso, mas o empate prevaleceu até o intervalo.

Quando o segundo tempo começou ficou claro que a Dinamarca jogaria sem pressa, invicta há 18 jogos, com nove empates, última derrota em outubro passado para Montenegro que, como a Croácia, fazia parte da velha Iugoslávia.

À medida que o tempo passava, porém, ao perceber que a Croácia também não agredia, os escandinavos passaram a, como se diz por aí, gostar do jogo.

A ameaçada monotonia virou marasmo mesmo, ou será que o crítico está com indigestão futebolística depois de 120 minutos fracos entre Rússia e Espanha?

Ou será receio de outros tantos?

A verdade é que a Dinamarca jogava melhor, mais bem organizada e os talentos individuais croatas não conseguiam prevalecer.

Confesso que comecei a torcer por um gol, de qualquer lado, porque uma nova prorrogação seria um castigo, embora toda a Rússia torcesse por ela, para ficarem fisicamente mais parecidos.

Seja como for, os russos viam, também, que não teriam por que temer nem Croácia, nem Dinamarca.

No fim do tempo regulamentar, a Croácia, pelos flancos, usou a vitória, mas era tarde.

O castigo de mais 30 minutos veio inclemente.

O jogo iniciado no domingo só acabaria na segunda-feira…

Knudsen faz na Dinamarca o papel que Marcos Rocha fazia no Galo e Moisés no Palmeiras: o de bater laterais.

A Dinamarca mandava na prorrogação, aparentemente em melhor situação física.

Mas acertar o gol era um problema para os dois times, todos com necessidade de botar o pé na fôrma.

Quando terminou o primeiro tempo da prorrogação e o empate persistia, mudei a torcida, já que o gol de ouro foi abolido não é de hoje: passei a torcer pelos pênaltis.

Porque, ora, bolas, um jogo que teve dois gols em quatro minutos não poderia continuar tão sem emoção.

Numa Copa saudavelmente multirracial, eis que num jogo só de brancões entrou Sisto, negro de nacionalidade dinamarquesa, embora nascido sul-sudanês num campo de refugiados em Uganda.

E quase fez o gol em seu primeiro lance.

Mas Modric fez um lançamento brilhante para Rebic que foi derrubado na área.

Modric bateu fraco e Schmeichel defendeu.

Que coisa!

Messi, Cristiano Ronaldo, Modric, todos perderam pênaltis na Copa.

Imagine o tamanho da confiança de Schmeichel para o desempate!

Dinamarca bate a primeira na trave, com desvio de Subasic.

A Croácia também perdeu. Schmeichel pegou.

1 a 0 Dinamarca.

1 a 1, com paradinha.

2 a 1 Dinamarca.

Modric empatou, no meio do gol, a centímetros dos pés de Schmeichel: 2 a 2.

Subasic pegou mais um. 2 a 2.

Schmeichel também. 2 a 2!

Subasic pegou o quinto pênalti cobrado pela Dinamarca.

Rakitic classificou a Croácia: 3 a 2.