Blog do Juca Kfouri

Adiós, Espanha!

Juca Kfouri

Mesmo com Iniesta no banco, a Espanha começou a matar o sonho russo em Moscou sem quase permitir que os anfitriões tocassem na bola, embora fossem os donos da casa.

A bola era só espanhola até que Asensio, que entrou no lugar de Iniesta, cobrou falta pela direita para Sergio Ramos, marcado e derrubado pelo desastrado Ignashevich que deixou que a bola tocasse em seu tornozelo e morresse dentro do gol russo.

Eram decorridos 11 minutos e o time vermelho estava como queria.

Sim, o time vermelho era La Roja.

Que começou a aposentar o fabuloso Xavi Hernández na Copa do Mundo no Brasil e faz o mesmo agora com Andrés Iniesta.

O tempo é inexorável.

Quando o jogo chegou aos 25 minutos lembrei de procurar quem estava como goleiro da Espanha.

Era mesmo De Gea, pelo menos era o que estava escrito. Porque vê-lo ninguém ainda tinha visto.

Só dez minutos depois os russos tentaram um chute perigoso ao gol espanhol, mas para fora.

Cheryshev, o ídolo russo do Villarreal também estava no banco e fica difícil explicar por quê.

O jogo, ao contrário dos dois primeiros das oitavas, era fraco e dava a sensação de que a Espanha iria cozinhá-lo até o fim, com 80% de posse de bola.

Isso ainda no primeiro tempo!

E olhe que a Espanha não havia finalizado nenhuma vez. Lembremos que o gol foi contra.

Era fundamental que os russos achassem um gol.

Acharam um pênalti!

Aos 39 minutos, quando uma bola foi cabeceada no braço levantado de Piqué, de costas, mas interrompendo a trajetória da bola em direção ao gol.

Aos 41,com direito à continência na comemoração, Dzyuba empatou.

Ótimo!

A Espanha teria de jogar e foi para cima, já criando duas boas chances antes do fim do primeiro tempo.

Ironias do futebol e da vida: o zagueiro e capitão do Real Madrid, Sergio Ramos, nacionalista, participou do gol espanhol; Piqué, zagueiro do Barcelona, e separatista, do russo…

Teríamos jogo no segundo.

E o lotado estádio Luzhnik esperava que os dizeres da faixa aberta pela torcida virassem verdade: “Você nasceu para fazer um conto de fadas virar realidade”

O empate já havia caído do céu, por que não a virada?

Era, de fato, improvável, porque a Espanha começou o segundo tempo na pressão.

Contra-ataque e bola parada eram as esperanças russas e o jogo tinha a cara de Iniesta para aproveitar os espaços, mas, enquanto torcia, o técnico Fernando Hierro não via.

Mas o técnico russo Stanislav Cherchesov, o Felipão deles, ao faltarem 30 minutos, resolveu botar Cheryshev no jogo.

Cinco minutos depois, Iniesta em campo! David Silva fora.

A Espanha nada conseguia, decepcionava novamente e a prorrogação ameaçava.

Apenas contra Portugal o time fez uma boa apresentação.

E a Rússia, depois do sacode que levou do Uruguai, mostrava dignidade, vendia caro a eventual e esperada eliminação e, quem sabe, obteria o milagre.

Uma primeira linha de quatro, a segunda à frente da área de cinco, era um verdadeiro Kremlin que impedia Diego Costa de pegar na bola, até ser trocado por Aspas, aos 80 minutos.

Iniesta sentia falta de Lionel Messi e Isco de Cristiano Ronaldo para se infiltrar na fortaleza russa. É claro que a seleção espanhola é inferior ao Real Madrid e ao Barcelona.

Que falta faz o drible!

Então, aos 84′, Iniesta obrigou o goleiro Akinfeev a fazer sua primeira grande defesa no jogo e Aspas não aproveitou o rebote, obrigando-o a fazer uma segunda.

Bolas choviam na área russa em cruzamentos e escanteios sucessivos, mas os russos resistiam, embora dessem claros sinais de esgotamento físico.

Concedidos quatro minutos de acréscimos, os espanhóis tentavam escapar de mais 30 e os russos viviam momentos de agonia, honrosa agonia.

De Gea simplesmente não pegou na bola no jogo todo, ou melhor, só pegou para bater tiros de meta.

Veio a prorrogação que a Espanha começou como havia iniciado e terminado o segundo tempo, na pressão.

Trocava passes, trocava passes, não era o tiki-taka, era o velho tico-tico, improdutivo.

A Rússia rezava por uma bola, num contra-ataque, mas não encontrava nem uma coisa nem outra.

Um chute de Asensio para fácil defesa de Akinfeev foi tudo que aconteceu no primeiro tempo da prorrogação.

Talvez por isso Asensio saiu e o brasileiro naturalizado espanhol, Rodrigo Moreno, o substituiu no penúltimo minuto para jogar o segundo tempo.

Quase ele fez o gol na primeira descida que deu e Carvajal perdeu o rebote da grande defesa de Akinfeev.

Esfalfados, os russos jogavam pelos pênaltis quando faltavam quatro minutos para o jogo acabar.

O banco russo estimulava a torcida a apoiar e o apoio vinha, barulhento.

Os espanhóis pediram o VAR por um agarra-agarra na área, mas o VAR mandou seguir o jogo porque, afinal, não era jogo do Real Madrid para dar um pênalti desses no fim do jogo.

Agora chovia água mesmo, pesada sobre Moscou.

Vieram os pênaltis!

Os anfitriões pararam os campeões de 2010.

O que viesse daí para frente era lucro.

Os pênaltis foram batidos onde havia mais espanhóis atrás do gol.

Iniesta bateu para fazer 1 a 0, no seu último ato numa Copa do Mundo, ele que fez o gol do título em 2010.

A Rússia empatou, embora De Gea tenha tocado na bola.

Piqué fez 2 a 1, em bola que tocou na trave.

A Rússia empatou.

Akinfeev pegou o terceiro pênalti, batido por Koke.

E a Rússia fez 3 a 2.

Sergio Ramos empatou.

Mas a Rússia fez 4 a 3 com Cheryshev.

E a Espanha perdeu o quinto pênalti com Aspas, defendido pelos pés de Akinfeev, o novo herói russo.

A Rússia chegou às quartas!!!

Dos meus oito candidatos, Alemanha, Espanha, Argentina e Portugal já estão fora.

Sobram França, Brasil, Bélgica e Uruguai.

Brasil e Bélgica terão de confirmar amanhã.

E se o blog acertou que França e Uruguai fariam uma das quartas de final, já errou com a eliminação da Espanha.

Coisas do futebol…

Pela quarta vez, a Espanha é eliminada pelos anfitriões numa Copa do Mundo: em 1934 pela Itália; em 1950, pelo Brasil; em 2002 pela Coreia do Sul e agora.

Coisas do futebol que fazem sonhos de fada virar realidade.