Blog do Juca Kfouri

Sallahu Akbar, mas não é dois…

Juca Kfouri

Sallahu Akbar que dizer Salah é grande.

E é.

Mas não é dois, como LeBron James, nem três, como os gols de Cristiano Ronaldo, contra a Espanha.

Você pensa que os russos são frios?

Eu também pensava e vendo a estreia deles pela TV não mudei de pensamento.

Pois se você estivesse no estádio de São Petersburgo, como eu, deixaria de pensar. Como eu.

Uma barulheira infernal para botar fogo em qualquer time, muito maior do que faz o torcedor brasileiro em jogos da Seleção.

À altura das grandes torcidas dos clubes brasileiros.

O que levou o time da casa ao ataque desde o começo do jogo, apesar de, individualmente, os egípcios serem mais habilidosos e até criarem a primeira melhor chance de gol.

Verdade que à medida que o tempo foi passando os anfitriões foram arrefecendo a pressão, embora a massa não.

Não cantam, não chegam a ser como os argentinos que não param um segundo, mas impressionam.

Aqui, na Rússia, também tem um bando de loucos por futebol.

Podem até ser minoria porque no centro de imprensa do estádio, por exemplo, tinha muito menos jornalistas russos do que teria em qualquer outro país sede de Copa do Mundo.

Mas aquela gente no estádio era mesmo de deixar o czar de cabelo em pé, como em 1917, e abalou o Faraó.

Que não abdicou de jogar como gosta, como atacante, quando havia quem imaginasse que ele seria mais o organizador do time.

Com barulheira e tudo, o primeiro tempo terminou sem gols e com o Egito melhor em campo, com mais posse de bola, embora pouco perigoso.

A terra onde viveram e morreram Dostoiévski, Tchaikovsky e onde nasceu… Vladimir Putin, tremia, mas o zero permanecia.

Pois deixou de permanecer logo aos 2 minutos quando na tentativa de afastar um tiro mascado e sem direção, Fathi chutou contra a própria meta.

Foi fatal: Rússia 1 a 0, Rússia nas oitavas, o que muitos apostavam que não conseguiria, o blogueiro, inclusive.

Até hoje, em 21 Copas do Mundo, a única seleção de país sede que não passou da primeira fase foi a da África do Sul, em 2010.

Não cometerei o desatino de dizer que o estádio que estava uma loucura virou um manicômio porque o estádio que estava uma loucura virou um manicômio.

Tecnicamente o jogo era rústico, mas o empenho era incessante.

E aí aconteceu um golaço, de pé em pé, com triangulação como Tite gosta e os russos fizeram para ampliar, aos 13′, com Cheryshev, terceiro gol do atacante do Villarreal espanhol.

Daí virou festa e três minutos depois foi a vez de Dzyuba marcar seu segundo gol na Copa, outro golaço, para fazer 3 a 0, oitavo gol russo em dois jogos, um espanto.

Os dois vindos do banco no primeiro jogo.

Estariam os russos escondendo o jogo todo o tempo antes da Copa numa insidiosa tática da KGB?

Foi então que o mineiro perguntou prum conterrâneo: “Uai, no Egito tem futebol?”

E o outro respondeu: “Eis finge“.

Mais de 64 mil torcedores, muitos egípcios, viram uma vitória incontestável e o sacrifício de Salah, que bateu o pênalti marcado pelo VAR e foi vaiado antes de diminuir para 3 a 1, aos 26′.

Но было уже поздно ou, se você preferir no alfabeto romano, no bylo uzhe pozdno.

Mas já era tarde, segundo o Google tradutor, santo remédio.