Blog do Juca Kfouri

Enfim, torcida brasileira tem canto!

Juca Kfouri

POR HUMBERTO MIRANDA*

O movimento revolucionário que a Seleção Brasileira precisa é usar o poder da criação de seu torcedor. A chegada do time em  São Petersburgo recibido com uma canção de arquibancada foi sensacional. É isso que torna o torcedor o camisa 12 e substitui essa coisa chata e insana de redes sociais, memes e principalmente o anacrônico canto “eu sou brasileiro, com muito orgulho, com muito amor” (e daí?), que tirava o tesão de qualquer time.

Empolga até o mais velho torcedor de futebol essa reconexão entre time e torcida, sem as patriotadas e os pachequismos infantis. Os jogadores perceberam uma energia muito diferente e que vai além da cobrança de performances de fulano e sicrano, apesar de beltrano.

A torcida passa a semear sentimentos mais genuínos do futebolista. O novo canto tem coisas muito especiais. Vejamos:

Em cinco oito [58] foi Pelé, em meia dois [62]  foi o Mané. Em sete zero [70] esquadrão, primeiro a ser tricampeão. Oooooô, 94 Romáriô, 2002 Fenomenô. . .  primeiro tetracampeão, único pentacampeão. Ooooô, Brasil olê, olê, olê. Brasil…

O canto conecta o time com sua história, traz lembranças de jogadores geniais (Pelé, Mané) e de times memoráveis (esquadrão), além de reverenciar os craques diferenciados (Romário e Ronaldo) e usar o empolgante olê, olê, olê, marca registrada do sentido coletivo que animou a vida nacional em inúmeros momentos.

Esta é a Seleção Brasileira que precisa ser resgatada pelo seu povo, a que lhe dá alegrias e que reconstrói os espaços de união, sociabilidade e de solidariedade. Um país que luta para dar certo, sem parreirismo.

Como diz a letra “Poder da criação”, do sambista João Nogueira:  ” E o poeta [torcedor es /jogadores ] se deixa levar por essa magia. E um verso vem vindo e vem vindo uma melodia. E o povo começa a cantar…”

Cresce a vontade de torcer aliada à vontade de ser feliz de novo. Finalmente!

*Humberto Miranda é professor de Economia na UNICAMP.