Blog do Juca Kfouri

A crise espanhola

Juca Kfouri

A Espanha está em Sóchi e o clima deve estar pesado embora todos deem declarações tranquilizadoras.

Uma das maiores, se não a maior favorita na Rússia, La Roja demitiu seu técnico porque ele assinou com o Real Madrid para assumir depois da Copa do Mundo.

Pareceu um exagero.

Imagine se amanhã se anuncia que Tite assumirá o clube x ou y depois da Copa.

Qual seria o problema?

Só que na Espanha é diferente, por causa da rivalidade entre Madri e Barcelona.

Pense em que a Seleção Brasileira titular seja quase toda composta por jogadores da dupla Gre-Nal e que seu técnico seja anunciado, nas mesmas circunstâncias em que vivia Julen Lopetegui, como novo treinador de um deles.

O risco de favorecer os jogadores madridistas foi o que decidiu a questão na Federação Espanhola de Futebol e, segundo quem conhece profundamente o futebol espanhol, a decisão está correta.

“Florentino Pérez é um gângster e sabia o que estava fazendo. Para ele o Real Madrid deve ser o símbolo do futebol espanhol e ele está pouco se lixando para a seleção”, disse ao blog o correspondente Juan Caceres, do principal jornal alemão na Espanha, nem madrilenho ou catalão, se referindo ao presidente do clube merengue.

Maquiavélico, Pérez preferiu ter Lopetegui já a correr o risco da Roja não ir bem e ele apresentar um treinador vindo de fracasso.

A Espanha estreia amanhã contra Portugal de Cristiano Ronaldo que também conhece muito bem a situação entre madridistas e catalães.

Veremos até que ponto a queda do técnico influenciará o desempenho espanhol no principal jogo da fase de grupos.