Blog do Juca Kfouri

A Copa dos hinos

Juca Kfouri

POR RAfAEL KLEIN

A FIFA, você sabe, é aquela entidade formada por gente esquisita, que se reúne de quando em vez na Suiça pra tentar estragar o futebol. Ou pra criar torneios sem sentido, o que tiver em pauta.

Cada vez que eles sentam em volta de uma mesa, surge uma Copa das Confederações, uma Copa do Mundo com 48 seleções ou um torneio de verão para clubes em férias.

É possível que sugestões ainda mais esdrúxulas tenha surgido nesses encontros: um Mundialito de Futebol de Sabão aqui, uma Champions da Champions ali, um Torneio Interclubes de Golzinho acolá.

Nunca duvide da capacidade de um cartola em fazer besteira, seja ele brasileiro ou europeu.

Num desses devaneios, é capaz de lembrarem dos hinos nacionais e tentarem transforma-los em algo mais relevante. Talvez num critério de desempate. Talvez, os hinos possam ter a sua própria Copa.

Pra fecilidade geral da pátria de chuteiras, se isso acontecesse, nós estaríamos bem na fita.

Agora em 2018, por exemplo, teríamos dois fortes oponentes fora da disputa: a Itália, que tem um hino incrível, e os Estados Unidos, que não sabemos se o hino é bonito mesmo ou se a Whitney Huston é quem canta pra caramba.

Sobrariam sete ou oito seleções despontando como favoritas ao título: Alemanha, Brasil, França, Inglaterra, México, Portugal e Rússia. A Espanha corre por fora.

Como fui eu que inventei essa competição, definiria de forma monocrática e totalitarista uma semifinal com Brasil x Alemanha e a outra tendo França x Rússia.

Não devolveríamos o 7 a 1, porque o hino dos alemães é muito bonito taambém, mas a vaga é nossa graças ao “nossos bosques têm mais vida, nossa vida no teu seio mais amores” (não é demais, isso?).

Na outra semifinal, mesmo jogando em casa, a Rússia não resistiria ao ataque formado pelos “effants de la Patrie”, que realmente batem um bolão.

A final entre França e Brasil seria um jogaço.

De um lado você vê um “Aux arms citoyens, formez vos bataillons, Marchons! Marchons!”, do outro um “Se ergues da justiça a clava forte, verás que um filho teu não foge à luta” (que é uma grande mentira – nós sabemos – mas que como alegoria é sensacional).

O equilíbrio seria imenso e, pra nossa sorte, o Zidane não entende nada de música.

Pra definir o vencedor desse jogão, inventaria um critério de desempate único, porque cartola tem mesmo dessas coisas: o saldo de hinos locais. Pegaríamos os hinos dos clubes de cada país para escolher o campeão.

E aí daria Brasil, com certeza.

Porque o hino da França pode ser espetacular, mas duvido que os hinos do Paris Saint-Germain ou do Olympique de Marselha consigam chegar perto da beleza existente nos hinos do Grêmio ou do Bahia.