Blog do Juca Kfouri

Papão amplia liderança na Copa Verde. Mas qual é o impacto dessa conquista?

Juca Kfouri

POR ANTONIO CARLOS SALLES*

Ganhar a Copa Verde é bom.

E o Paysandu chegou aos seu segundo título, e de forma invicta, dessa vez contra o Atlético Itapemirim, do Espírito Santo, ao empatar (1×1) o jogo de volta em Belém (2×0 na ida), para felicidade da torcida alvi-celeste que lotou o Mangueirão ontem à noite.

A Copa reúne times do Norte, Centro-Oeste e o Espírito Santo, a maioria fora das competições mais importantes do futebol brasileiro.

A exceção é o Paysandu, assíduo na Serie B e em posição de destaque na atual tabela.

Mas a visibilidade da Copa Verde ainda é pequena, quando comparada à Copa do Nordeste ou Copa do Brasil. Seja nos valores distribuídos aos clubes, patrocínios, bilheteria e direitos de imagem, pagos pela TV.

A Copa Verde, constate-se, reproduz a distribuição de riqueza no país.

Na Copa há um razoável prêmio financeiro e a garantia de vaga nos mata-mata da Copa do Brasil. A pergunta, então, é inevitável: devem os clubes que dela participam se contentar com isto? Ou lutar para que essa conquista tenha outra expressão de grandeza?

A CBF, que a organiza, parece mais preocupada em fazê-la agonizar, com perdão do trocadilho. Não a valoriza, não a promove, não lhe dá a devida importância e o faz com o escárnio tradicional dos dissimulados, apoiada por um certo Coronel Nunes, da Federação Paraense, integrante da panelinha de bajuladores e subservientes à gestão da CBF.

A Copa Verde ainda pode ter um grande apelo, na conexão direta com a questão da sustentabilidade amazônica. Mas somente terá a dimensão que dela se espera quando o vencedor da competição for direto à fase de grupos da Libertadores ou à Sul-Americana.

O que não acontece porque os clubes participantes não se impõem perante as 11 Federações Estaduais onde sao filiados.

O Paysandu, que nada tem com isso (dentro de campo!), vai enfileirando troféus em sua sede da Avenida Nazaré e chegou, com a nova conquista, ao seu título de número 53 em sua centenária história.

O Papão da Curuzu está, assim, listado entre os maiores vencedores do futebol brasileiro.

*Antonio Carlos Salles é executivo em São Paulo e combina gravata até com a camisa alternativa do Paysandu