Blog do Juca Kfouri

A memória e a bola 

Juca Kfouri

Por ROBERTO VIEIRA 

Não, mil vezes não desejo comparar o caudilho e o presente. São coisas tão diversas como os jogos de futebol antológico do meu rádio de criança no simplório quarto da Rua do Hospício e a imagem digital da televisão contemporânea e instantânea. Longe de mim perder tempo com essas desavenças essenciais da razão.

Mas no quase sono deste domingo, foi surpreendente a memória da bola. A imagem de Diego Souza no Instagram me fazendo mergulhar na pergunta:

De onde diabos conheço essa imagem?

Deja vu incômodo pra quem já estava de pijamas.

Felizmente, a tecnologia também é amiga da mente. Puxei do Google e identifiquei a velha capa da infância, na qual Pedro Rocha partia célere rumo a artilharia do campeonato nacional de 1972.

Pronto. Terminava ali a comparação. A memória do menino e da bola descobriram apenas a coincidência de espaço, camisa e foco. Apenas isso, a coincidência da imagem.

Porquê já não existe Pedro Rocha. Nem Toninho Guerreiro e Poy. Já não existe o clube com os cofres abarrotados de dinheiro, avido pela conquista da Libertadores. Com requintes de clube dos banqueiros.

Tudo isso é passado.

E nem mesmo meu rádio na Rua do Hospício conseguiria extrair poesia do atual São Paulo com seus torcedores sérios carregando caixões de defunto como faziam os torcedores proletários.

Bom mesmo eram aqueles tempos de Terto e Paraná.

Tempos em que Diego Souza era personagem da TV Tupi.